{"id":9107,"date":"2012-10-01T11:48:43","date_gmt":"2012-10-01T14:48:43","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9107"},"modified":"2012-10-01T11:48:43","modified_gmt":"2012-10-01T14:48:43","slug":"tom-ze-o-lixeiro-da-tropicalia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/10\/01\/tom-ze-o-lixeiro-da-tropicalia\/","title":{"rendered":"Tom Z\u00e9, o lixeiro da Tropic\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/tom-ze-o-lixeiro-da-tropicalia\/tomze_andreconti6\/\" rel=\"attachment wp-att-9108\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-9108\" title=\"TomZe_AndreConti6\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/10\/TomZe_AndreConti6-550x824.jpg\" alt=\"\" width=\"367\" height=\"550\" \/><\/a>Entender as palavras de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Tom Z\u00e9<\/strong><\/span> nem \u00e9 sempre \u00e9 f\u00e1cil. Homem de muitas leituras e perform\u00e1tico por natureza, ele \u00e9 desses que vai de Zico a Arist\u00f3teles numa frase s\u00f3. H\u00e1 l\u00f3gica, embora nem sempre compreendida. Mas, para facilitar as coisas, ele costuma embarcar em viagens art\u00edstico\/te\u00f3rico\/musicais chamadas de estudo, onde disseca em forma de m\u00fasica seu pensamento sobre assuntos variados.<\/p>\n<p>Embora, para <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Tom Z\u00e9<\/strong><\/span>, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Tropic\u00e1lia Lixo L\u00f3gico<\/strong><\/span> n\u00e3o seja um novo estudo, em muito este seu novo disco se assemelha a outros como <strong>Estudando o samba<\/strong> (1976), <strong>Estudando o pagode<\/strong> (2005) e <strong>Estudando a Bossa<\/strong> (2008). Claro, aqui no seu 22\u00ba trabalho, o tema abordado \u00e9 o movimento art\u00edstico deflagrado no finzinho dos anos 1960. Ao lado de Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Mutantes, o baiano de Irar\u00e1 ajudou a dar uma nova ordem cultural no Brasil, tendo como lema o \u201c\u00e9 proibido proibir\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, aos 75 anos, ele se cerca de um time de jovens m\u00fasicos \u2013 <span style=\"color: #008000\"><strong>Mallu Magalh\u00e3es<\/strong><\/span>, <span style=\"color: #339966\"><strong>P\u00e9lico<\/strong><\/span>, <span style=\"color: #00ff00\"><strong>Rodrigo Amarante<\/strong><\/span> e <span style=\"color: #808000\"><strong>Washington<\/strong><\/span> \u2013 para olhar de volta ao passado. Recorrendo a C\u00e2mara Cascudo (1898 \u2013 1986) e Euclides da Cunha (1866 \u2013 1909), ele explica as ra\u00edzes da Tropic\u00e1lia em textos e gr\u00e1ficos, tudo incluindo no encarte. Ainda assim, ele respondeu \u00e0s perguntas do <strong>DISCOGRAFIA<\/strong> por email, falando um pouco mais sobre esse Lixo L\u00f3gico. A seguir.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 A Tropic\u00e1lia at\u00e9 hoje \u00e9 celebrada como um movimento fundamental para a m\u00fasica brasileira. O que voc\u00eas colocaram ali, que fez daquele trabalho (me refiro a toda a obra dos tropicalistas) obras t\u00e3o referenciais para nossa hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> O Tropicalismo respondeu a uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica. No jogo da \u00e9poca as pe\u00e7as estavam mudando de lugar, e a emocionalidade n\u00e3o deixava que os deslocamentos fossem vistos com clareza. De muito perto, em close up, nem sempre se v\u00ea bem. Na pol\u00edtica, os mais valentes, ousados, grandes pessoas do Pa\u00eds, que expunham cara e a coragem, podiam ser, esteticamente, conservadores. Os costumes viravam de cabe\u00e7a pra baixo: sexualidade, pap\u00e9is femininos e masculinos, fronteiras nacionais, passavam por um fluir que mudava a configura\u00e7\u00e3o existente. O Tropicalismo assimilava as transforma\u00e7\u00f5es, o que o fez marcante foi essa capacidade de assimila\u00e7\u00e3o. E mesmo em meio a dramas doloridos, a alegria, a cor, o \u00edmpeto, estavam &#8211; n\u00e3o: est\u00e3o presentes. Ficaram.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 O termo \u201clixo l\u00f3gico\u201d pode ser interpretado, num primeiro momento, como uma cr\u00edtica. Como se voc\u00ea estivesse chamando a Tropic\u00e1lia de lixo. Como e quando voc\u00ea chegou a esse t\u00edtulo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> Absolutamente n\u00e3o h\u00e1 deprecia\u00e7\u00e3o no nome: lixo l\u00f3gico trata do ac\u00famulo que a educa\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica sofre, ao confrontar-se com a grande heran\u00e7a mo\u00e7\u00e1rabe que recebemos de nossos antepassados, n\u00f3s, do Nordeste, do Rec\u00f4ncavo. Quando o lixo l\u00f3gico vaza e ocupa o c\u00e9rebro, d\u00e1-se a nova configura\u00e7\u00e3o. Caetano e Gil, esses g\u00eanios, mais Capinan, mais este que vos fala, nasceram geograficamente pr\u00f3ximos. \u00c9 bom n\u00e3o desprezar essa informa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica factual: n\u00e3o \u00e9 coincidente a nossa vizinhan\u00e7a cultural e biol\u00f3gica, de nascimento. Olhe, no encarte do disco os detalhes est\u00e3o dados, mais pormenorizados.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/tom-ze-o-lixeiro-da-tropicalia\/tumblr_m8sruonnrg1r9ykrko1_500\/\" rel=\"attachment wp-att-9112\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9112\" title=\"tumblr_m8sruonNRg1r9ykrko1_500\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/10\/tumblr_m8sruonNRg1r9ykrko1_500.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/tumblr_m8sruonNRg1r9ykrko1_500.jpg 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/tumblr_m8sruonNRg1r9ykrko1_500-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/tumblr_m8sruonNRg1r9ykrko1_500-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/tumblr_m8sruonNRg1r9ykrko1_500-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>DISCOGRAFIA \u2013 Seu novo disco se soma a uma s\u00e9rie de outros trabalhos importantes da sua discografia que ficaram conhecidos como estudos: estudando o samba, a bossa, o pagode. Por que estudar agora a Tropic\u00e1lia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> O\u00a0 Brasil \u00e9 importante, tanto quanto a m\u00fasica e a cultura que acontecem nele. A Tropic\u00e1lia integra essa import\u00e2ncia e o disco tenta registr\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Como voc\u00ea analisa hoje o legado deixado pela Tropic\u00e1lia?\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> Uma cultura \u00e9 um organismo vivo. As portas abertas para a miscigena\u00e7\u00e3o musical tropicalista foram o prosseguimento de antigas fus\u00f5es que v\u00eam desde o in\u00edcio, desde portugueses, negros, \u00edndios, franceses, do padre Maur\u00edcio Nunes Garcia, e de uma m\u00fasica popular de sentimentos expostos como feridas, \u00e0s vezes malvista pelo chamado bom gosto estabelecido. O legado de todas as tradi\u00e7\u00f5es, inclusive da tropicalista, que nesta altura j\u00e1 comp\u00f5e certa tradi\u00e7\u00e3o, continua se movendo.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Qual \u00e9 o marco inicial da Tropic\u00e1lia e onde ela termina, se \u00e9 que terminou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> Ela teve uma data marcada para acabar, n\u00e3o me lembro agora qual era, pois queria ser um movimento que n\u00e3o pretendia cristalizar-se. Riverrum. As \u00e1guas do rio continuam rolando.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Para muitos, Caetano e Gil s\u00e3o os pais da Tropic\u00e1lia e voc\u00ea \u00e9 o verdadeiro tropicalista. Como voc\u00ea analisa essas separa\u00e7\u00f5es ou r\u00f3tulos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> Gil e Caetano s\u00e3o os g\u00eanios que acenderam o pavio. Eu j\u00e1 fazia uma m\u00fasica que achou abrigo sob o teto tropicalista, minha m\u00fasica era formalmente afim. O habitual pensamento dualista, nem sempre ordenador, precisa hierarquizar, mesmo recorrendo a met\u00e1foras familiares.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o hoje com os c\u00e2nones do movimento, como Caetano, Gil e Gal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> N\u00f3s nos vemos menos, s\u00e3o roteiros e estradas d\u00edspares, cada um trabalhando num canto \u2013 lato senso. Sinto muita saudade deles, s\u00e3o conviv\u00eancias encantadoras. Falo mais frequentemente com Caetano, estou vendo um aspecto bem interessante do trabalho dele sobre o qual temos conversado.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Imposs\u00edvel falar em Tropic\u00e1lia sem falar no saudoso maestro Rog\u00e9rio Duprat. Como foi sua rela\u00e7\u00e3o com ele?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> Repito o que digo h\u00e1 anos: Rog\u00e9rio e outros maestros, Sandino Hohagen, J\u00falio Medaglia, foram a roupa de gala que vestiram a Tropic\u00e1lia. Fizeram arranjos inexced\u00edveis. Minha rela\u00e7\u00e3o com Rog\u00e9rio ficou\u00a0 mais pr\u00f3xima, eu ia \u00e0 ch\u00e1cara onde ele foi morar, em Embu. Eram manh\u00e3s e tardes muito agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Em Tropic\u00e1lia Lixo L\u00f3gico voc\u00ea trabalha com nomes com nomes novos da m\u00fasica brasileira \u2013 Mallu Magalh\u00e3es, Rodrigo Amarante, Emicida. At\u00e9 segunda ordem, nenhum deles tem liga\u00e7\u00e3o com o movimento sessentista. Como voc\u00ea escolhe quem participa do seu disco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> Quando a Milena Machado \u2013 produtora executiva \u2013 chegou em casa com o Tomaz Gonzaga, a ideia deles era oferecer \u00e0 Natura (que veio a patrocinar o disco) essa sugest\u00e3o de um \u00e1lbum em que eu trabalharia junto com esses jovens (Emicida, a Mallu, o Rodrigo Amarante e o P\u00e9lico). Foi uma escolha t\u00e3o feliz, um encontro incr\u00edvel. Eu j\u00e1 conhecia todos eles, claro, tinha uma aproxima\u00e7\u00e3o com a Mallu e com o Emicida e era muito f\u00e3 do Los Hermanos, banda em que Amarante toca com o Marcelo Camelo. Sobre o <strong><span style=\"color: #339966\">P\u00e9lico<\/span><\/strong> eu j\u00e1 tinha ouvido muito falar dele pelo Zuza Homem de Melo, do quanto era admirador do trabalho dele.\u00a0 A <span style=\"color: #008000\"><strong>Mallu<\/strong><\/span> cantou o <strong><em>Tropicalia Jacta Est<\/em><\/strong> e <em>O Motoboy e Maria Clara<\/em>. O <span style=\"color: #00ff00\"><strong>Amarante<\/strong><\/span> cantou a m\u00fasica que fiz na \u00faltima vez que fui a NY e que, inclusive, apresentei l\u00e1 \u2013 <strong><em>NYC Subway Poetry Department<\/em><\/strong>. Eu fiquei encantando uma frase que \u00e9 muito dita antes da sa\u00edda de cada trem do metro de NY, me soou como um poema at\u00e9: \u201cStand clear of the closing doors\u201d. Isso \u00e9 pronunciado com um tom bastante grave e achei engra\u00e7ado. Ela tem duas linhas aliterativas, parece um verso. E eu brinquei que queria conhecer esse rapaz que cria avisos t\u00e3o po\u00e9ticos para o metr\u00f4 de NY e pr\u00e1 ele ser parceiro no meu pr\u00f3ximo disco. Para o <span style=\"color: #008000\"><strong>P\u00e9lico<\/strong><\/span> eu escolhi o <strong><em>De-De-Dei-X\u00e1-X\u00e1-X\u00e1<\/em><\/strong> que acabou sendo uma das m\u00fasicas que as pessoas mais comentam e se simpatizam. No caso do <span style=\"color: #808000\"><strong>Washington<\/strong><\/span> \u00e9 um tipo de hist\u00f3ria de povo navegador. Eu moro em Perdizes e muitas vezes eu vou \u00e0 feira pr\u00e1 sentir aquele ambiente. E o fato \u00e9 que toda vez que eu passava na esquina, antes da feira, um senhor que vendia enxovais para cama me dizia que o seu sobrinha cantava muito bem e um dia eu pedi um disco do sobrinho dele. E na semana seguinte ele me deu o disco do<span style=\"color: #808000\"><strong> Washington<\/strong><\/span>. Eu fiquei admirado com a voz aguda e quando estava gravando o disco, eu mandei uma passagem pr\u00e1 ele vir de Caruaru, ele chegou logo cedo, gravou comigo <strong><em>Tropic\u00e1lia Lixo L\u00f3gico<\/em><\/strong> e no mesmo dia embarcou de volta pr\u00e1 casa.\u00a0 J\u00e1 para o <span style=\"color: #008000\"><strong>Emicida<\/strong><\/span>, n\u00f3s escolhemos uma m\u00fasica mais delicada. Ele \u00e9 um poeta das coisas da cidade, o cantor das coisas urbanas e eu quis que ele cantasse algo que \u00e9 profundamente nordestino. Ao mesmo tempo que \u00e9 relativamente uma coisa distante da linguagem dele, \u00e9 pr\u00f3xima dele na medida que \u00e9 um descorrer de palavras que narram um fato.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/tom-ze-o-lixeiro-da-tropicalia\/tomze_andreconti4\/\" rel=\"attachment wp-att-9114\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9114\" title=\"TomZe_AndreConti4\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/10\/TomZe_AndreConti4-550x366.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"348\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Na apresenta\u00e7\u00e3o do disco, voc\u00ea diz que a Tropic\u00e1lia levou o c\u00e9rebro da juventude \u201cda Idade m\u00e9dia para a 2\u00aa Revolu\u00e7\u00e3o Industrial\u201d. O que aconteceu depois? A evolu\u00e7\u00e3o seguiu ou veio uma regress\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> Caetano e Gil, a Tropic\u00e1lia, levaram o Pa\u00eds para a 2\u00aa. Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e ela est\u00e1 em processo. \u00c9 um percurso evolutivos que se faz em saltos qu\u00e2nticos.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Seu disco sai junto com um document\u00e1rio que resgata a hist\u00f3ria da Tropic\u00e1lia. O que voc\u00ea achou do filme de Marcelo Machado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> O filme \u00e9 bom, bem-feito, tem um material de arquivo, de pesquisa, que o enriquece muito.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Qual o disco mais importante da Tropic\u00e1lia na sua opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> \u00c9 um conjunto de obras, desde o disco grupal, de que os integrantes participam, como os discos dos compositores, incluindo o dos Mutantes. Est\u00e3o interligados pela qualidade.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Dois adjetivos s\u00e3o constantemente ligados a voc\u00ea: g\u00eanio e louco? O que voc\u00ea de cada um deles e qual lhe agrada mais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211;<\/strong> Meu caro, se adjetivar fosse l\u00edmpido ou gostoso, \u00a0Machado de Assis teria sido mais adjetivador. H\u00e1 adjetivos como pl\u00fambeo e prol\u00edfico, que em meados do s\u00e9culo passado estavam em tudo quanto \u00e9 texto, mesmo que introduzidos a facadas. E hoje perderam o lugar.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Depois desse disco, que outro estudo voc\u00ea poderia fazer? N\u00e3o estaria na hora de um Estudando o Rock?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tom Z\u00e9 &#8211; <span style=\"color: #ff0000\">Tropic\u00e1lia lixo l\u00f3gico<\/span><\/strong> n\u00e3o \u00e9 um estudo, \u00e9 um registro. N\u00e3o pensei em conceituar nenhum disco futuro. J\u00e1 recebi muitas sugest\u00f5es, meu caro. Obrigado pelas perguntas.<\/p>\n<p><strong>&gt;&gt; Saiba mais:<\/strong><\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s enviar suas respostas, Tom Z\u00e9 enviou um segundo email com o seguinte recado \u201cPor favor, Marcos, n\u00e3o deixe de colocar no jornal que estou vendendo o disco autografado pelo e.mail 1bibi@uol.com.br . Al\u00e9m do e.mail, ele s\u00f3 \u00e9 encontrado, com exclusividade, na Livraria Cultura. Obrigado\u201d. Recado dado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entender as palavras de Tom Z\u00e9 nem \u00e9 sempre \u00e9 f\u00e1cil. 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