{"id":9188,"date":"2012-10-19T17:36:41","date_gmt":"2012-10-19T20:36:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9188"},"modified":"2012-10-19T17:36:41","modified_gmt":"2012-10-19T20:36:41","slug":"o-lobo-mau-do-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/10\/19\/o-lobo-mau-do-rock\/","title":{"rendered":"O lobo mau do rock"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?attachment_id=9189\" rel=\"attachment wp-att-9189\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-9189\" title=\"A_Ira_de_Nasi\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/10\/A_Ira_de_Nasi.jpg\" alt=\"\" width=\"381\" height=\"538\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/A_Ira_de_Nasi.jpg 1134w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/A_Ira_de_Nasi-300x423.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/A_Ira_de_Nasi-768x1084.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/A_Ira_de_Nasi-740x1044.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/A_Ira_de_Nasi-120x169.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px\" \/><\/a>Pr\u00f3logo: Numa das primeiras edi\u00e7\u00f5es do <strong>Cear\u00e1 Music<\/strong>, a banda paulistana <span style=\"color: #993300\"><strong>Ira!<\/strong><\/span> Subiu ao palco cercada pelos gritos efusivos de um p\u00fablico pequeno que insistia no refr\u00e3o \u201cIra! Ira! Ira!\u201d. Pouco antes, uma briga com uma banda local, tomou conta dos bastidores. O motivo: <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Nasi<\/strong><\/span> estava incomodado com o atraso que o segundo palco traria para sua banda. Panos quentes em a\u00e7\u00e3o, e o quarteto pode repetir a mesma energia recentemente captada no projeto <strong>MTV Ao Vivo<\/strong> (2000).<\/p>\n<p>Adiante. Por v\u00e1rios motivos, o<span style=\"color: #993300\"><strong> Ira!<\/strong> <\/span>deve ter sua import\u00e2ncia reconhecida. Em primeiro lugar, eles sempre colocaram a pr\u00f3pria identidade \u00e0 frente do com\u00e9rcio. Por isso mesmo, nunca foram bons vendedores de disco nem se tornaram t\u00e3o populares como outros companheiros de \u00e9poca. O que n\u00e3o os impediu de cravar alguns sucessos na hist\u00f3ria do rock oitentista. Em segundo lugar, eles sobreviveram a dezenas de reveses, brigas e per\u00edodos dif\u00edceis, sempre com a mesma forma\u00e7\u00e3o. Por fim, nessa forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 uma cozinha eficiente, Andr\u00e9 Jung (bateria) e Ricardo Gaspa (baixo), e um dos nossos maiores guitar heroes, Edgard Scandurra.<\/p>\n<p>Completando essa forma\u00e7\u00e3o dourada, est\u00e1 o cantor Marcos Valad\u00e3o, o <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Nasi<\/strong><\/span>. Homem de voz rouca e poderosa, ele \u00e9 um aut\u00eantico rocker, de pavio curto, que levou uma vida t\u00e3o err\u00e1tica quanto as vendas da sua banda. Drogas, confus\u00f5es, amores desfeitos, sua vida teve direito aos mesmos clich\u00eas que outros her\u00f3is do rock. O \u00e1pice desse sangue calabr\u00eas que ele carrega nas veias foi uma briga com seu irm\u00e3o J\u00fanior, tamb\u00e9m empres\u00e1rio do <span style=\"color: #993300\"><strong>Ira!<\/strong><\/span>, selando assim o fim ao quarteto em 2007. A discuss\u00e3o midi\u00e1tica teve direito a cabe\u00e7ada na cara, amea\u00e7as de morte e interdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Cinco anos depois, enquanto prepara o lan\u00e7amento do seu terceiro disco solo, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Nasi<\/strong> <\/span>avaliza o lan\u00e7amento da biografia <span style=\"color: #0000ff\"><strong>A Ira de Nasi<\/strong><\/span>, escrita pelos jornalistas Mauro Betting e Alexandre Petillo. A ideia do livro partiu da editora Belas Letras para Mauro, que convidou Alexandre por saber que este tinha uma biografia encaminhada sobre o<span style=\"color: #993300\"><strong> Ira!<\/strong><\/span>, abortada junto com a separa\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos. Escorada em uma longa entrevista com o pr\u00f3prio biografado, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>A Ira de Nasi<\/strong> <\/span>tem m\u00e9ritos e dem\u00e9ritos bem pontuais.<\/p>\n<p>Assumidamente f\u00e3 do quarteto paulista, Betting exagera no desejo de agradar seu objeto de estudo. O in\u00edcio em tom quase po\u00e9tico j\u00e1 deixa claro que as 317 p\u00e1ginas a seguir ser\u00e3o escritas por algu\u00e9m que perdoa todos os pecados do seu \u00eddolo. Um exemplo \u00e9 quando ele fala sobre a m\u00fasica <em><strong>Pobre S\u00e3o Paulo<\/strong><\/em>, sucesso dos primeiros anos da banda. Com versos que dizem \u201cN\u00e3o quero ver mais essa gente feia\/N\u00e3o quero ver mais os ignorantes\/ Eu quero ver gente da minha terra\/Eu quero ver gente do meu sangue\u201d, eles foram acusados de apontar seu bairrismo contra os nordestinos que viviam (e vivem) em S\u00e3o Paulo e chamados de fascistas. Para encerrar quest\u00e3o, o livro traz a frase lapidar: \u201cUm cl\u00e1ssico. Pol\u00eamico como o rock precisar ser. Mas n\u00e3o com o preconceito que nada merece ter\u201d. Ponto.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, nenhum outro ex-Ira!, al\u00e9m de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Nasi<\/strong><\/span>, tem espa\u00e7o no livro. Nem mesmo Gaspa, que, segundo ao autor, foi o \u00fanico que ficou ao lado do cantor durante as brigas mais recentes. Embora fique claro que boa parte da pendenga foi mesmo entre o cantor e o irm\u00e3o empres\u00e1rio, nenhum deles d\u00e1 sua vis\u00e3o atual sobre os fatos. Claro, trata-se de uma biografia de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Nasi<\/strong><\/span>, mas n\u00e3o faria mal nenhum ouvir o que eles tinham a dizer (se houve tentativa, isso n\u00e3o \u00e9 dito). Ainda assim, contar a hist\u00f3ria de um dos centro-avantes do rock brasileiro \u00e9 uma atitude louv\u00e1vel. Al\u00e9m disso, os autores n\u00e3o caem no clich\u00ea de guiar o texto pelas subst\u00e2ncias que<span style=\"color: #ff0000\"><strong> Nasi<\/strong><\/span> fez uso ao longo da vida. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o os discos e shows que conduzem o leitor num texto leve e r\u00e1pido, que, na medida que avan\u00e7a, vai se tornando mais interessante. \u201cNasi n\u00e3o nasceu pra ser santo\u201d, diz a contra-capa. Isso a gente j\u00e1 sabia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00f3logo: Numa das primeiras edi\u00e7\u00f5es do Cear\u00e1 Music, a banda paulistana Ira! 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