{"id":9256,"date":"2012-10-16T17:50:22","date_gmt":"2012-10-16T20:50:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9256"},"modified":"2012-10-16T17:50:22","modified_gmt":"2012-10-16T20:50:22","slug":"wanderlea-em-seu-auge-criativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/10\/16\/wanderlea-em-seu-auge-criativo\/","title":{"rendered":"Wanderl\u00e9a em seu auge criativo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wanderlea-em-seu-auge-criativo\/wanderle%c2%a6ua-por-jairo-goldflus18\/\" rel=\"attachment wp-att-9257\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9257\" title=\"Wanderle\u00a6\u00fca por Jairo Goldflus18\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/10\/Wanderle\u00a6\u00fca-por-Jairo-Goldflus18-550x412.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"392\" \/><\/a>Correndo l\u00e9guas da falsa ingenuidade da Jovem Guarda, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Wanderl\u00e9a<\/strong><\/span> entrou na d\u00e9cada de 1970 mostrando um lado mais corajoso da sua personalidade art\u00edstica. Mesmo sem renegar os tempos de Ternurinha e hits como <em><strong>Pare o casamento<\/strong><\/em>, agora ela queria mais. \u201cA Jovem Guarda trouxe uma inova\u00e7\u00e3o em estilo, imagens e comportamento para os jovens. Acabou ficando uma leitura de ing\u00eanua. Mas, depois, o que eu fiz foi ainda mais ousado\u201d, conta a cantora por telefone.<\/p>\n<p>O retrato desses novos tempos ainda mais corajosos est\u00e1 no box <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Wanderl\u00e9a Anos 70<\/strong><\/span>, lan\u00e7ado este m\u00eas pelo selo <strong>Discobertas<\/strong>. A caixinha re\u00fane cinco discos lan\u00e7ados entre 1972 e 1981 pela cantora mineira que fala com voz segura e cheia de personalidade. Completa ainda o box uma colet\u00e2nea de raridades e compactos que ficaram perdidos pelo tempo. Entre as preciosidades desse \u00faltimo est\u00e1 <em><strong>A charanga<\/strong><\/em>, composi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria (ao lado de Dom), gravada junto com <span style=\"color: #800080\"><strong>Marin\u00eas e sua Gente<\/strong><\/span>. Al\u00e9m desta, que foi apresentada no V Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o Popular, tem ainda um dueto com o tamb\u00e9m jovenguardiano <span style=\"color: #003366\"><strong>Leno<\/strong><\/span> (<em><strong>Chegou, sorriu, gostei<\/strong><\/em>), frevos (<em><strong>Chuva, suor e cerveja<\/strong><\/em> e <em><strong>Que horas s\u00e3o<\/strong><\/em>) e samba rock (<em><strong>Krioula<\/strong><\/em> e <em><strong>Man\u00e9 Jo\u00e3o<\/strong><\/em>).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wanderlea-em-seu-auge-criativo\/wanderlea-caixa-300x300\/\" rel=\"attachment wp-att-9258\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-9258\" title=\"Wanderlea-Caixa-300x300\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/10\/Wanderlea-Caixa-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Wanderlea-Caixa-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Wanderlea-Caixa-300x300-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Wanderlea-Caixa-300x300-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Essa salada de estilos, sons e sotaques era a t\u00f4nica do trabalho da cantora ao longo daquele per\u00edodo. Aparentemente chocante para aqueles f\u00e3s mais conservadores, o inovador <strong>Maravilhosa<\/strong> (1972) seguia nessa linha e se tornou um marco na sua hist\u00f3ria. Focando nos sons da black music nacional, o disco marca uma \u00e9poca em <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Wanderl\u00e9a<\/strong><\/span> montava discos pensando no ele lhe proporcionaria no palco. \u201cFoi uma quebrada total. O show desse LP foi um sucesso\u201d, conta ela. T\u00e3o surpreendente quanto a peruca black power que ela ostenta na capa, s\u00e3o os arranjos de <em><strong>Back in Bahia<\/strong><\/em> (Gilberto Gil), <em><strong>Alegria<\/strong><\/em> (F\u00e1bio) e <em><strong>Vida maneira<\/strong><\/em> (Hyldon).<\/p>\n<p>Se a carreira lhe soprava bons ventos naquela \u00e9poca, a vida particular lhe reservaria uma boa rasteira. Casada com Renato Barbosa, filho de Chacrinha, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Wanderl\u00e9a<\/strong><\/span> teve que dar um tempo nos discos por conta do acidente que deixou seu marido tetrapl\u00e9gico. Vivendo um turbilh\u00e3o emocional, ela jogou tudo no ao vivo <strong>Feito gente<\/strong> (1975). Dirigido por Rosinha de Valen\u00e7a, o espet\u00e1culo era marcado pelo peso de guitarras e momentos de forte emo\u00e7\u00e3o, como <em><strong>Carne, osso, cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em> (Joyce), <em><strong>Que falem de mim<\/strong><\/em> (Bidu Reis) e <strong>Que besteira<\/strong> (Gil\/ Jo\u00e3o Donato).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wanderlea-em-seu-auge-criativo\/vamos-que-eu-ja-vou\/\" rel=\"attachment wp-att-9260\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-9260\" title=\"Vamos que eu j\u00e1 Vou\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/10\/Vamos-que-eu-j\u00e1-Vou-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Vamos-que-eu-j\u00e1-Vou-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Vamos-que-eu-j\u00e1-Vou-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Vamos-que-eu-j\u00e1-Vou-768x768.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Vamos-que-eu-j\u00e1-Vou-740x740.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Vamos-que-eu-j\u00e1-Vou-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Vamos-que-eu-j\u00e1-Vou.jpg 1417w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Dois anos depois, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Wanderl\u00e9a<\/strong><\/span> havia enfrentado a separa\u00e7\u00e3o com Renato e estava em busca de se reerguer como artista. Foi ent\u00e3o que <span style=\"color: #993300\"><strong>Egberto Gismonti<\/strong><\/span> chegou lhe trazendo um novo amor e um novo som, registrado em <strong>Vamos que eu j\u00e1 vou<\/strong> (1977). Apontado como um cl\u00e1ssico da discografia da cantora, o disco n\u00e3o se parece com nada que j\u00e1 tivesse cantado. \u201c\u00c9 um trabalho completamente vanguarda. Nesse disco est\u00e1 mais a euforia m\u00fasica, do reencontro\u201d, avalia ela que, ainda muito pr\u00f3xima do m\u00fasico, n\u00e3o nega a vontade de voltar \u00e0quela parceria. Pontuado por teclados progressivos pilotados pelo pr\u00f3prio <span style=\"color: #993300\"><strong>Gismonti<\/strong><\/span>, esse disco apresenta uma <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Wandeca<\/strong><\/span> bem distante das baladas rom\u00e2nticas e roquinhos i\u00ea i\u00ea i\u00ea. O destaque fica para a percussiva <em><strong>Calypso<\/strong><\/em> (Gismonti\/ Geraldo Carneiro) e para o pessimismo de <em><strong>Caf\u00e9<\/strong><\/em> (Gismonti).<\/p>\n<p>Fechando a d\u00e9cada de 1970, <strong>Mais que a paix\u00e3o<\/strong> (1978) ainda exibe uma int\u00e9rprete em busca de novidades, antes de estrear nos 80 com o fraco <strong>Wanderl\u00e9a<\/strong> (1981). Enquanto o primeiro ainda vem com uma banda afiada e arranjos org\u00e2nicos, o segundo j\u00e1 \u00e9 costurado pela tecladeira bem datada. De <strong>Mais que a paix\u00e3o<\/strong>, <em><strong>Antes que o mundo acabe<\/strong> <\/em>(Roberto\/ Erasmo) tem cara daquelas composi\u00e7\u00f5es que o Rei n\u00e3o quer ver nem de longe (\u201cnossos corpos se entregando numa orgia sem ter fim\u201d). J\u00e1 <em><strong>O canto da lira<\/strong><\/em> \u00e9 uma coposi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de Djavan, que traz de brinde o viol\u00e3o \u00e1gil do alagoano. O disco encerra com uma tocante faixa t\u00edtulo, dividida apenas com o piano virtuoso de Egberto Gismonti.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wanderlea-em-seu-auge-criativo\/122-1978\/\" rel=\"attachment wp-att-9263\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-9263\" title=\"122 - 1978\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/10\/Mais-Que-A-Paix\u00e3o_frente.jpg\" alt=\"\" width=\"458\" height=\"456\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Mais-Que-A-Paix\u00e3o_frente.jpg 458w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Mais-Que-A-Paix\u00e3o_frente-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Mais-Que-A-Paix\u00e3o_frente-300x299.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/10\/Mais-Que-A-Paix\u00e3o_frente-120x119.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 458px) 100vw, 458px\" \/><\/a>Apesar de ter feito sucesso com a machista <em><strong>Na hora da raiva<\/strong><\/em> (Roberto\/ Erasmo) e de ter expurgado alguns dem\u00f4nios na autobiogr\u00e1fica <em><strong>Ser estranho<\/strong> <\/em>(Airsteu\/ Casablanca\/ Wanderl\u00e9a), o disco de 1981 j\u00e1 aponta para o sucesso popular pasteurizado. Dali em diante, outras trag\u00e9dias iriam bater firme na cantora. A morte do filho de dois anos e a perda de um irm\u00e3o para a AIDS testaram sua capacidade de se manter firme. Hoje, ela planeja contar essa hist\u00f3ria numa autobiografia, que j\u00e1 est\u00e1 sendo escrita h\u00e1 quase 10 anos, mas s\u00f3 agora deve chegar \u00e0 lojas pela editora Record (uma reuni\u00e3o sobre o assunto estava marcada para o fim da semana passada). Junto com isso, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Wanderl\u00e9a<\/strong> <\/span>tem ainda alguns projetos esperando sua hora, como o lan\u00e7amento de um DVD e de um CD de in\u00e9ditas. At\u00e9 l\u00e1, ela prefere curtir esse o passado reunido nesse Box. \u201cEspero a surpresa das pessoas que n\u00e3o acompanharam esse trabalho. \u00c9 um referencial pra mim tamb\u00e9m. Fico feliz de ter tido a possibilidade de fazer isso. Quando eu ou\u00e7o esses discos, penso \u2018agora eu entendo esses f\u00e3s\u2019\u201d, encerra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Correndo l\u00e9guas da falsa ingenuidade da Jovem Guarda, Wanderl\u00e9a entrou na d\u00e9cada de 1970 mostrando um lado mais corajoso da sua personalidade art\u00edstica. 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