{"id":9399,"date":"2012-10-30T14:27:01","date_gmt":"2012-10-30T17:27:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9399"},"modified":"2012-10-30T14:27:01","modified_gmt":"2012-10-30T17:27:01","slug":"tudo-que-voce-podia-ser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/10\/30\/tudo-que-voce-podia-ser\/","title":{"rendered":"Tudo que voc\u00ea podia ser"},"content":{"rendered":"<p><em>Para compensar a aus\u00eancia deste blog na comemora\u00e7\u00e3o dos 70 anos de Milton Nascimento, realizada na \u00faltima sexta-feira (26), publico ao longo desta semana os textos do caderno especial publicado no Jornal O Povo no dia 21\/10\/ 2012. \u00c9 tudo de autoria deste que vos fala<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?attachment_id=9400\" rel=\"attachment wp-att-9400\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9400\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/10\/1N8D2406T-550x366.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"348\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em seus primeiros anos, o pequeno <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton<\/strong><\/span> costumava responder cada \u201cn\u00e3o\u201d que recebia fazendo um bico de dar medo. N\u00e3o tardou e logo ele ganhou da m\u00e3e Lilia o apelido de Bituca. O tempo passou, uma carreira se espalhou pelo Brasil e pelo mundo, e <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton Nascimento<\/strong><\/span> chega pr\u00f3ximo dia 26 aos seus 70 anos sem nunca ter deixado de ser o Bituca, tanto para os de dentro de casa, quanto para os milhares de f\u00e3s que ele fez ao longo dos seus 50 anos de carreira. Esse meio s\u00e9culo de trabalhos prestados \u00e0 m\u00fasica brasileira teve in\u00edcio no dia que o jovem Bituca colocou o curso de economia de lado para formar os W\u2019s Boys e gravar seu primeiro compacto com a m\u00fasica <em><strong>Barulho de Trem<\/strong><\/em>, com o Conjunto Holliday.<\/p>\n<p>Nestes primeiros passos, ele j\u00e1 contava com o amigo Wagner Tiso ao seu lado. Cinco anos depois, ele estrearia em um LP completo, puxado pelo sucesso de<em><strong> Travessia<\/strong><\/em>, parceria com Fernando Brant que terminou em segundo lugar no II Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o (o primeiro foi para a desconhecida <em><strong>Margarida<\/strong><\/em>, de Guarabyra) e ainda rendeu a <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton<\/strong><\/span> o pr\u00eamio de melhor int\u00e9rprete. Por isso, os 45 anos do disco <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton Nascimento<\/strong><\/span> formam mais uma efem\u00e9ride comemorada neste 2012. Curiosamente, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton<\/strong><\/span> andava meio borococh\u00f4 com os festivais e j\u00e1 havia decidido nunca mais participar deles. Dizendo que precisava de m\u00fasicas para seu pr\u00f3ximo disco, foi o amigo Agostinho dos Santos quem inscreveu <em><strong>Travessia<\/strong><\/em>, sem que o compositor quisesse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=H0BLHm7uyO0[\/youtube]\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo que toda a sua vida art\u00edstica tenha sido cantando os trilhos e paisagens de Minas Gerais, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton<\/strong><\/span> nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1942. Filho da empregada dom\u00e9stica Maria do Carmo Nascimento, ele perdeu a m\u00e3e antes de completar tr\u00eas anos. Foi ent\u00e3o que Lilia Campos, filha da patroa de sua m\u00e3e com quem ele j\u00e1 era muito apegado, resolveu adot\u00e1-lo e lev\u00e1-lo para a cidade mineira de Tr\u00eas Pontas. O casal Lilia e Josino Campos ainda voltariam a adotar outras duas crian\u00e7as, que eram sustentadas com os sal\u00e1rios de banc\u00e1rio, professor de matem\u00e1tica e diretor da R\u00e1dio Clube de Tr\u00eas Pontas que o pai acumulava.<\/p>\n<p>O amor de Milton pela m\u00e3e Lilia era imenso. Foi ela, inclusive, quem o encaminhou para a m\u00fasica quando lhe deu uma sanfona de oito baixos aos quatro anos. Em retribui\u00e7\u00e3o, o filho a presenteou com um tema instrumental gravado no cl\u00e1ssico <strong>Clube da Esquina<\/strong> (1972). Voltando \u00e0 sanfoninha, ele ficou encantado com o presente que usava para acompanhar a m\u00e3e pelas quermesses. Ela cantava e ele tocava. Como o instrumento oferecia poucos recursos, ele compensava com a pr\u00f3pria gargante e, assim, meio que sem querer, foi amolando uma das vozes mais afiadas que se ia ter not\u00edcia nos anos seguintes. Segundo o amigo Caetano Veloso, a voz de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton<\/strong><\/span> \u201c\u00e9 o mais belo som que o ser humano \u00e9 capaz de produzir\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Hd_Iy8uMnpU&amp;feature=related[\/youtube]\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas nem tudo foram flores na inf\u00e2ncia de <strong><span style=\"color: #ff0000\">Milton<\/span><\/strong>. Sofrendo com os preconceitos de uma cidade pequena, ele, que era o \u00fanico negro entre os irm\u00e3os, cada vez mais procurava abrigo na m\u00fasica. Como n\u00e3o podia frequentar o clube da cidade e as crian\u00e7as eram proibidas de brincar com ele na rua, sua sanfona foi se tornando sua companheira fiel. At\u00e9 que ele descobriu o viol\u00e3o aos 10 anos e, aos 13, j\u00e1 estava pronto para ser crooner num conjunto de baile. Indo de Ray Charles a Carlos Galhardo, ele chegava a trabalhar oito horas por noite, sendo obrigado a controlar sua j\u00e1 constante timidez.<\/p>\n<p>Em 1963, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton Nascimento<\/strong><\/span> foi estudar em Belo Horizonte e instalou-se no edif\u00edcio Levy, onde conheceu a fam\u00edlia Borges. Com uma diferen\u00e7a de 13 andares, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton<\/strong><\/span> foi praticamente adotado pelos novos amigos, com quem passava horas cantando e compondo. Montou pequenos grupos e, ao lado do insepar\u00e1vel M\u00e1rcio Borges, come\u00e7ou uma parceria que acabaria rendendo muitos sucessos. Ali tamb\u00e9m, ele conheceu o pequeno Salom\u00e3o, o L\u00f4, dez anos mais novo, mas com igual talento para a m\u00fasica.<\/p>\n<p>L\u00f4 Borges ent\u00e3o seria protagonista de um dos cap\u00edtulos mais importantes da vida e obra de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton Nascimento<\/strong><\/span>. Depois de fazer sucesso com <em><strong>Travessia<\/strong><\/em> e lan\u00e7ar <strong>Courage<\/strong> (com o pianista americano Herbie Hancock) nos Estados Unidos, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton<\/strong><\/span> resolve apostar no jovem talento de L\u00f4 para gravar um disco duplo. A gravadora achou que ele havia enlouquecido, mas o <strong>Clube da Esquina<\/strong> saiu e se tornou um dos marcos referenciais da m\u00fasica brasileira, com sua fus\u00e3o de Beatles com folclore mineiro, folk e outros elementos. O trabalho que ainda contou com conterr\u00e2neos como Beto Guedes, Toninho Horta e Wagner Tiso, ganhou esse nome em homenagem ao encontro das ruas Parais\u00f3polis e Divin\u00f3polis, onde esses e outros se encontravam para falar da vida e de m\u00fasica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=pgvi7_MyBxY&amp;feature=related[\/youtube]\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de L\u00f4, M\u00e1rcio e Hancock, muitos nomes ajudaram a construir <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton Nascimento<\/strong> <\/span>ao longo desses 70 anos. Um deles \u00e9 a inesquec\u00edvel Elis Regina, at\u00e9 hoje sua grande musa. Mesmo tendo passados 30 anos da morte da cantora, ainda hoje <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton<\/strong><\/span> assume compor pensando em sua voz, em como ela cantaria. \u00c0 Pimentinha, some ainda os nomes de Gal Costa, Clementina de Jesus, Caetano Veloso, James Taylor, River Phoenix, Mercedes Sosa e tantos outros que se achegaram na obra do compositor lhe dando novas cores. At\u00e9 o quarteto roqueiro RPM fez parte desse hall de parceiros, quando lan\u00e7aram um compacto duplo em 1987 com <em><strong>Feito n\u00f3s<\/strong> <\/em>e <em><strong>Homo sapiens<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Passados 16 anos desde que foi diagnosticado com diabetes tipo B, doen\u00e7a que o deixou muito magro uma \u00e9poca e o obriga ainda hoje a ter cuidados com alimenta\u00e7\u00e3o, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton Nascimento<\/strong><\/span> segue com muitos planos para seus anivers\u00e1rios. Correndo o Brasil com a turn\u00ea<span style=\"color: #800080\"><strong> 50 anos de Voz nas Estradas<\/strong><\/span>, que vai gerar seu pr\u00f3ximo DVD, ele ainda planeja um trabalho in\u00e9dito ao lado do guitarrista Ricardo Vogt e da cantora e baixista estadunidense Esperanza Spalding. Tamb\u00e9m est\u00e3o em vista dois livros, um escrito por Chico Amaral (Skank) baseado em conversas que ele teve com Milton e outro do assessor Danilo Nuha, reunindo todas as letras do compositor. H\u00e1 ainda a digitaliza\u00e7\u00e3o de todo o seu acervo de fotos, cartas, documentos e grava\u00e7\u00f5es pelo Instituto Ant\u00f4nio Carlos Jobim e o recente registro do espet\u00e1culo teatral Ser Minas T\u00e3o Gerais, feito pelo grupo Ponto de Partida sobre a obra de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Milton<\/strong><\/span>. S\u00e3o muitos passos de algu\u00e9m que entrou no bailes da vida e n\u00e3o pretende sair t\u00e3o cedo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para compensar a aus\u00eancia deste blog na comemora\u00e7\u00e3o dos 70 anos de Milton Nascimento, realizada na \u00faltima sexta-feira (26), publico ao longo desta semana os&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[134,265,274,283],"tags":[],"class_list":["post-9399","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eventos","category-milton-nascimento","category-mpb","category-nacional"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9399\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}