{"id":9448,"date":"2012-11-19T14:21:54","date_gmt":"2012-11-19T17:21:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9448"},"modified":"2012-11-19T14:21:54","modified_gmt":"2012-11-19T17:21:54","slug":"odair-jose-o-trovador-da-luz-vermelha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/11\/19\/odair-jose-o-trovador-da-luz-vermelha\/","title":{"rendered":"Odair Jos\u00e9, o trovador da luz vermelha"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_9449\" style=\"width: 377px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?attachment_id=9449\" rel=\"attachment wp-att-9449\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9449\" class=\" wp-image-9449\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/11\/IMG_0123-550x825.jpg\" alt=\"\" width=\"367\" height=\"550\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9449\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Sara Maia<\/p><\/div>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><strong>Odair Jos\u00e9<\/strong> <\/span>\u00e9 um homem de voz baixa. Falando quase sempre com a cabe\u00e7a baixa, suspendendo as sobrancelhas para encarar seu interlocutor, ele \u00e9 discreto no tom e no vestir. Bem diferente do som zoadento \u2013 objetivamente e figurativamente \u2013 que lan\u00e7ou nos anos 1970. Falando em prostitutas, p\u00edlula anticoncepcional e do amor de uma empregada dom\u00e9stica com seu patr\u00e3o, ele fez uma barulho ensurdecedor entre ouvintes mais conservadores e angariou amores e \u00f3dios ao seu trabalho, quase sempre com opini\u00f5es bem passionais.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que qualquer ousadia rapidamente ganhava car\u00e1ter pol\u00edtico, o sucesso de <em><strong>Uma vida s\u00f3<\/strong><\/em>, mais conhecido como \u201ca da p\u00edlula\u201d, provocou um ru\u00eddo enorme que foi ouvido no Brasil inteiro. Tocando maci\u00e7amente nas r\u00e1dios, fazendo shows, participando de programas de TV, ele ganhou muita fama e dinheiro. Acabou perdendo uma boa parte com drogas, mulheres e farras. Tamb\u00e9m protagonizou esc\u00e2ndalos, como as brigas midi\u00e1ticas com a ex-esposa e tamb\u00e9m cantora Diana.<\/p>\n<p>Mas tudo isso \u00e9 passado. Embora n\u00e3o tenha pedido aquela veia po\u00e9tica achada entre cabar\u00e9s e bares esfuma\u00e7ados, hoje ele prefere o tom mais discreto. Com passos curtos, ele se aproximou da equipe do DISCOGRAFIA para uma conversa franca sobre as muitas hist\u00f3rias que viveu nos discos e fora deles. Foi pouco mais de uma hora revolvendo passagens engra\u00e7adas, tristes, curiosas. Mesmo nos momentos mais inc\u00f4modos, a sobriedade n\u00e3o lhe deixava o rosto. \u201cEmpregada nunca pregou um retrato meu na parede do quarto. Se existia um cantor que a empregada n\u00e3o gostava era o <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Odair Jos\u00e9<\/strong><\/span>, por que eu n\u00e3o sou bonito, eu n\u00e3o sou um tes\u00e3o\u201d, comentou o homem que j\u00e1 revelou que queria ser o John Lennon (apesar de ser mais chegado ao som do McCartney).<\/p>\n<p>A entrevista com <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Odair Jos\u00e9<\/strong><\/span> aconteceu na semana do seu anivers\u00e1rio, comemorado no dia 16 de agosto. Hospedado num hotel, onde j\u00e1 \u00e9 fregu\u00eas e amigo do dono, localizado na Praia de Iracema, o cantor veio a Fortaleza para divulgar seu novo disco, <strong>Pra\u00e7a Tiradentes<\/strong>, onde abre uma nova frente no seu trabalho: uma parceria com o maranhense Zeca Baleiro. Apesar de ter achado que o repert\u00f3rio n\u00e3o se encaixa bem no seu momento, ele n\u00e3o nega que o novo trabalho foi muito bem feito. \u201cAcho que ele tem que ser mais rock and roll. Tem que ser mais festa. O meu interesse \u00e9 de fazer um show onde o cara n\u00e3o v\u00e1 nem pro banheiro\u201d, explica aos 64 anos. Pois aumente o r\u00e1dio e acompanhe a entrevista.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Voc\u00ea lan\u00e7ou seu primeiro disco em 1970&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Odair Jos\u00e9 \u2013<\/strong> Na verdade, eu tenho um disco meio independente em 1969. Eu sou, talvez, um dos primeiros artistas que fez disco independente nesse Pa\u00eds. Eu fiz num selo chamado Genial, que era uma editora musical do Rossini Pinto com sociedade do Roberto Carlos. Eu ficava l\u00e1 pedindo pra ele (Rossini) produzir um disco meu. Ele era produtor, compositor famoso na \u00e9poca, e me deu esse disco de presente, um compacto que tinha uma m\u00fasica chamada Uma l\u00e1grima (parceria com Francisco Lara), que eu regravei no disco seguinte, e que at\u00e9 o Pato Fu tocou num disco tributo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?attachment_id=9450\" rel=\"attachment wp-att-9450\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9450\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/11\/IMG_0155-550x366.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"348\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 E o que aconteceu despois dessa grava\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Odair Jos\u00e9<\/strong>\u00a0\u2013<\/strong> O disco n\u00e3o tinha no mercado. Foi me entregue 250 compactos, s\u00f3 pra satisfazer o desejo do garoto que queria gravar um disco. Eu peguei esse disco e fui pras r\u00e1dios do Rio de Janeiro, eu morava l\u00e1, e coloquei a m\u00fasica entre as mais tocadas nas r\u00e1dios. E sem ter gravadora! A\u00ed, em 1970, eu fui contratado pelo pr\u00f3prio Rossini Pinto, e pela CBS, que era a grande gravadora do Brasil naquele momento. Existia ela e, bem longe, as outras. O Brasil conhece o Odair a partir da\u00ed.<\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 E nesse disco tem uma m\u00fasica do Raul Seixas (Tudo acabado).<\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Odair Jos\u00e9<\/strong><\/strong>\u00a0\u2013 Eu conheci o Raul nesse per\u00edodo, de 1969 ou 1968. Ele vivia ali (no Rio de Janeiro), era produtor (da CBS) e m\u00fasico. Inclusive, no disco ele toca guitarra e viol\u00e3o. \u00c9 que os discos da CBS naquela \u00e9poca, voc\u00ea pode ver, as gravadoras n\u00e3o ousavam colocar nomes de m\u00fasicos nas capas de disco, dar cr\u00e9dito ao m\u00fasico. Nem nos do Roberto (Carlos) nem de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 E o que mais voc\u00ea gravou nessa \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Odair Jos\u00e9<\/strong>\u00a0\u2013<\/strong> Eu comecei l\u00e1 gravando uma m\u00fasica chamada Minhas coisas, que eu toco at\u00e9 hoje. \u00c9 um cl\u00e1ssico. Tem at\u00e9 um jornalista do Estado de S\u00e3o Paulo que me surpreendeu outro dia, eu achei engra\u00e7ado, ele citou (a m\u00fasica), como uma das obras primas da m\u00fasica brasileira. Eu achei assim meio exagerado, mas continuei lendo o texto pra ver onde ele ia chegar com aquilo. \u00c9 por que ela diz que as coisas do cara se acostumaram com a pessoa. Depois a mulher vai embora, essas coisas todas ganham um tom de tristeza. Essa m\u00fasica fez parte de um disco que CBS fez na \u00e9poca, chamado As 14 Mais, que era um projeto muito vitorioso, que reunia v\u00e1rios compositores, inclusive o Roberto Carlos, que era um grande fen\u00f4meno naquele momento. E eu fui inclu\u00eddo ali. Pra mim foi uma loteria, por que a partir dali voc\u00ea j\u00e1 se tornava conhecido. Depois eu fiz o primeiro LP.<\/p>\n<p><em>Continua no pr\u00f3ximo post&#8230;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Odair Jos\u00e9 \u00e9 um homem de voz baixa. 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