{"id":9451,"date":"2012-11-19T14:30:03","date_gmt":"2012-11-19T17:30:03","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9451"},"modified":"2012-11-19T14:30:03","modified_gmt":"2012-11-19T17:30:03","slug":"odair-jose-o-trovador-da-luz-vermelha-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/11\/19\/odair-jose-o-trovador-da-luz-vermelha-parte-2\/","title":{"rendered":"Odair Jos\u00e9, O trovador da luz vermelha (parte 2)"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_9452\" style=\"width: 377px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?attachment_id=9452\" rel=\"attachment wp-att-9452\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9452\" class=\" wp-image-9452\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/11\/IMG_0108-e1352741664220-550x825.jpg\" alt=\"\" width=\"367\" height=\"550\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9452\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Sara Maia<\/p><\/div>\n<p><strong>Odair Jos\u00e9 \u2013<\/strong> (pausa) \u00c9&#8230; Alguma coisa. Mas, naquele momento, eu era aquilo ali. Voc\u00ea sabe, inclusive, \u00e9 uma \u00e9poca muito forte. Hoje eu tenho um p\u00fablico, e isso est\u00e1 acontecendo cada vez mais, o p\u00fablico est\u00e1 jovem. As pessoas mais antigas n\u00e3o curtem mais o meu trabalho, por que as pessoas mais antigas gostam de uma coisa mais son\u00edfera. E eu sou mais barulhento mesmo. Eu canto m\u00fasica desse disco at\u00e9 hoje nos meus shows. Mal canto do segundo (Meu grande amor, 1971). Ent\u00e3o, tem muito do Odair ali. Mas existia, por uma influ\u00eancia do momento e da pr\u00f3pria gravadora, um pouco de neg\u00f3cio de Roberto Carlos. Tem uma coisa do Odair Jos\u00e9, j\u00e1 de uma coisa de rua, por que eu acho que sou um cronista musical. Por que \u00e9 pegar o assunto da rua, as merdas que acontecem na vida das pessoas, e trazer aquilo pra m\u00fasica. Aquilo que pode e que n\u00e3o pode, trazer o escondido das pessoas pra can\u00e7\u00e3o. E ali j\u00e1 tinha isso. Mas tinha tamb\u00e9m essa influ\u00eancia do Roberto, daquele momento de Jovem Guarda, e da pr\u00f3pria gravadora que vivia vitoriosamente em cima disso.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Dois grandes sucessos da sua carreira s\u00e3o dessa \u00e9poca, que s\u00e3o Eu vou tirar desse lugar e Um vida s\u00f3 (pare de tomar a p\u00edlula)&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Odair Jos\u00e9 \u2013<\/strong> O Eu vou tirar&#8230; encerra esse ciclo da CBS e \u201ca p\u00edlula\u201d vem depois, num novo ciclo, quando eu fui pra Polygram. Eu fiz mais um disco na CBS, onde eu estou sentado nas arquibancadas do Maracan\u00e3. Foi um pedido meu. Eu sempre fui assim de ter as minhas ideias e pedir \u00e0s pessoas para fazerem. Os meus momentos de sucesso s\u00e3o creditados a mim, e os fracassos tamb\u00e9m. Ningu\u00e9m teve nada com os meus erros nem com os meus acertos. Eu sempre trabalhei com as pessoas me apoiando naquilo que eu queria. Por que eu digo que o per\u00edodo de 1980 at\u00e9 2002 eu n\u00e3o curto o trabalho? Por que eu deixei as pessoas me usarem pra fazerem o que eles queriam. E n\u00e3o pode ser assim. Eu tenho que usar as pessoas pra fazer o que eu quero.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 E onde nasce o seu jeito de compor?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Odair Jos\u00e9 \u2013<\/strong> Depois desse segundo LP, meu contrato com a gravadora acaba. E eu vendia at\u00e9 bem os discos. Eu tenho um certo problema nesse segundo disco, que eu volto a participar daquele LP, As 14 Mais. Mas eu gravo uma faixa chamada Vou morar com ela (parceria com Rossini Pinto), que era uma coisa atrevida. Eu comecei a cantar uma m\u00fasica&#8230; O Roberto Carlos falava do amor no port\u00e3o, os compositores da \u00e9poca falavam daquele neg\u00f3cio de \u201ceu te daria o c\u00e9u\u201d e eu vinha mais da noite carioca. Meu neg\u00f3cio era mais de boate, dos Lupic\u00ednio Rodrigues, Ataulfo Alves. Por isso eu falei que falo mais das merdas das pessoas, das dores, dos amores reais. E as pessoas j\u00e1 estavam fazendo sexo e os compositores n\u00e3o falavam disso. Falavam que beijava na boca e ia pra casa. Isso n\u00e3o era verdade. Na m\u00fasica Vou morar com ela eu falava disso, e usei um m\u00fasico chamado Dom Salvador, que era um neg\u00e3o genial. O diretor da CBS, Evandro Ribeiro, colocou a m\u00fasica nas 14 Mais, mas n\u00e3o gostou do meu atrevimento. Ele gostava numa coisa meio Lafayette, Renato e Seus Blue Caps, aquelas paradas. E aquilo ali n\u00e3o foi do agrado dele. Ent\u00e3o o meu contrato n\u00e3o foi renovado. Foi quando o Rossini Pinto chega pra mim e diz: \u201cseu contrato acabou, os caras n\u00e3o t\u00e3o muito interessados em voc\u00ea\u201d e contou que era por esses motivos. Eu n\u00e3o me encaixava no esquema da CBS. Mas ele queria me dar outra oportunidade, num compacto simples, mas sem contrato. \u00c9 quando eu gravo Eu vou tirar voc\u00ea desse lugar e vendo um milh\u00e3o de compactos quando o mercado s\u00f3 suportava 400 mil. O Roberto Carlos que vendia disco \u00e0 be\u00e7a, vendia 300 mil. Quando eu mostro a m\u00fasica da prostituta, o pr\u00f3prio Rossini Pinto cai de pau. \u201cPorra, eu to arrumando uma oportunidade pra voc\u00ea consertar seus erros e voc\u00ea me vem com uma m\u00fasica de prostituta?\u201d (risos). E eu falei, \u201cn\u00e3o, cara, isso \u00e9 legal. Vai dar certo\u201d. Como eu conseguia dobrar ele, gravei. Tanto \u00e9 que o Eu vou tirar&#8230; \u00e9 o lado dois do compacto, por que ele n\u00e3o gostava da ideia.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0<strong>\u2013 Ainda assim voc\u00ea sai da CBS. Como foi a repercuss\u00e3o da m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Odair Jos\u00e9 \u2013<\/strong> Quando tem aquele grande estouro, me lembro que a TV Globo fez uma pesquisa na \u00e9poca perguntando: voc\u00ea tem o disco do Odair Jos\u00e9? Muita gente tinha. A\u00ed eles perguntavam: voc\u00ea tem uma vitrola? N\u00e3o, mas eu tenho o disco pra quando eu comprar uma vitrola. Foi vendido mais disco do que existia vitrola no pa\u00eds. A\u00ed \u00e9 quando eu assino um contrato com a Globo e viro artista exclusivo deles por dois anos, o que me ajudou muito. A toda hora eu tava no v\u00eddeo e logo me tornei conhecido. A CBS quis renovar o contrato, mas a\u00ed quem n\u00e3o quis fui eu, por conta dessa filosofia de grava\u00e7\u00e3o. Eu queria gravar outro tipo de coisa. Eu nunca gravei nada que eu n\u00e3o quisesse gravar. E eu j\u00e1 tinha um projeto novo, que foi o primeiro disco que eu fiz na Polygram (Assim sou eu, 1972). Eu fui estar com esse presidente que achava que eu era atrevido (o da CBS), ele disse que precisava de um disco no mercado correndo e eu falei que tinha um pronto, s\u00f3 que \u00e9 assim. Eu j\u00e1 tinha todas as m\u00fasicas, ideia da capa e eu sabia exatamente com quem eu ia gravar. Ele falou que daquele jeito n\u00e3o trabalhava e eu fui pra Polygram gravar. Eu queria gravar com o Jos\u00e9 Roberto Bertrami tocando piano, Mam\u00e3o (Ivan Conti) tocando bateria. Nessa \u00e9poca nem existia o Azymuth (banda formada por Bertrami, Mam\u00e3o mais o baixista Alex Malheiros), eles se conheceram quando eu catei eles e levei pro est\u00fadio. Eu queria um som mais Richie Havens, mais Crosby, Stills e Nash, mais de viol\u00e3o. Evidentemente que eu n\u00e3o conseguia fazer por que eu n\u00e3o tinha talento pra isso, mas a inten\u00e7\u00e3o era fazer. E a\u00ed que come\u00e7a a fase do Odair Jos\u00e9 que estoura no Brasil inteiro. Saio dessa coisa da imagem da CBS, desse neg\u00f3cio de Jovem Guarda, come\u00e7o a vender muito disco e viro um \u00eddolo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?attachment_id=9453\" rel=\"attachment wp-att-9453\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9453\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/11\/IMG_0116-550x366.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"348\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Nessa \u00e9poca voc\u00ea ganhou dois t\u00edtulos, que s\u00e3o \u201cBob Dylan da Central do Brasil\u201d e o \u201cterror das empregadas\u201d. Isso lhe incomodava?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Odair Jos\u00e9 \u2013<\/strong> N\u00e3o incomoda, isso \u00e9 um conceito. O \u201cBob Dylan da Central do Brasil\u201d, na verdade, eu nunca entendi bem. Eu nunca fui f\u00e3 do Bob Dylan. Respeito, sabia que o John Lennon babava um ovo danado pra ele, at\u00e9 imitava as roupas que ele usava, mas o meu \u00eddolo dos Beatles era mais o Paul McCartney. Mas, com esse meu estouro, de vender muito disco, foi feita uma mat\u00e9ria comigo por uma jornalista chamada Hildegard Angel onde eu ficava andando com ela. Foi quase o jornal inteiro, tirando as partes necess\u00e1rias. E ela deu esse t\u00edtulo, \u201cBob Dylan da Central do Brasil\u201d. Eu nunca entendi. Mas teria que perguntar isso pra ela (risos). J\u00e1 o \u201cterror das empregadas\u201d foi por que o Paulo Coelho fez uma m\u00fasica com a Rita Lee (Arrombou a Festa). As pessoas veem isso, \u00e0s vezes por uma desinforma\u00e7\u00e3o, de uma forma ir\u00f4nica, mas quando foi feita a m\u00fasica da empregada (Deixe essa vergonha de lado), essa profiss\u00e3o n\u00e3o era reconhecida. Era um bico. N\u00f3s fizemos uma campanha, fizemos um show, alguns pol\u00edticos toparam a ideia e levaram projeto. Nasceu dali o neg\u00f3cio da profiss\u00e3o empregada.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Mas os t\u00edtulos n\u00e3o lhe incomodam?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Odair Jos\u00e9 \u2013<\/strong> N\u00e3o me incomoda. Nenhum t\u00edtulo me incomoda. Eu acho apenas que o t\u00edtulo, o apelido \u00e9 conceito. Acho que existe m\u00fasica boa e m\u00fasica ruim. Ela s\u00f3 pode se definir dessa forma. O que eu n\u00e3o gosto \u00e9 do olhar preconceituoso sobre a arte. Quem escreve sobre a arte n\u00e3o pode ter o olhar de preconceito. Mas, eu fa\u00e7o o meu trabalho, quem v\u00ea fala o que quiser.<\/p>\n<p><strong>Continua no pr\u00f3ximo post&#8230;<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Odair Jos\u00e9 \u2013 (pausa) \u00c9&#8230; Alguma coisa. Mas, naquele momento, eu era aquilo ali. Voc\u00ea sabe, inclusive, \u00e9 uma \u00e9poca muito forte. 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