{"id":9521,"date":"2012-12-03T11:58:44","date_gmt":"2012-12-03T14:58:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9521"},"modified":"2012-12-03T11:58:44","modified_gmt":"2012-12-03T14:58:44","slug":"selo-discobertas-resgata-a-era-dos-festivais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/12\/03\/selo-discobertas-resgata-a-era-dos-festivais\/","title":{"rendered":"Selo Discobertas resgata a Era dos Festivais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?attachment_id=9536\" rel=\"attachment wp-att-9536\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-9536\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/11\/cristiano-mascaro-05.jpg\" alt=\"\" width=\"752\" height=\"492\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/cristiano-mascaro-05.jpg 940w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/cristiano-mascaro-05-300x196.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/cristiano-mascaro-05-768x502.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/cristiano-mascaro-05-740x484.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/cristiano-mascaro-05-120x79.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 752px) 100vw, 752px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">\u00c0 partir do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, uma guerra tomava conta das ruas do Brasil. Aqui n\u00e3o me refiro \u00e0queles que pegaram em armas para lutar contra a Ditadura Militar. \u00c9 que ao lado destes, era tamb\u00e9m a \u00e9poca dos grandes festivais de m\u00fasica, espa\u00e7o que mobilizava e dividia o Pa\u00eds na escolha dos melhores compositores e int\u00e9rpretes. Cada evento contava com um elenco de grandes estrelas, sempre cercadas com o que havia de melhor em termos de produ\u00e7\u00e3o. Mesmo que nesse certame s\u00f3 se disputasse com caneta, papel e microfone, a briga era bem feia.<\/p>\n<p>Um dos mais marcantes dessa \u00e9poca em que todo espa\u00e7o era espa\u00e7o para se fazer pol\u00edtica, foi o <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span>, que est\u00e1 sendo resgatado pelo selo <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Discobertas<\/strong> <\/span>com a reedi\u00e7\u00e3o dos \u00e1lbuns lan\u00e7ados na \u00e9poca. Considerado o \u00faltimo festival de m\u00fasica a realmente mexer com o Brasil, ele chegou a sete edi\u00e7\u00f5es cheias de fortes emo\u00e7\u00f5es. Divididos em duas caixas, os 14 discos cobrem os seis anos do FIC (1966 \u2013 1972), ao mesmo tempo que passeiam pelas muitas transforma\u00e7\u00f5es que a m\u00fasica brasileira conheceu nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?attachment_id=9537\" rel=\"attachment wp-att-9537\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-9537\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/11\/2012-Boxes-3.jpg\" alt=\"\" width=\"476\" height=\"289\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/2012-Boxes-3.jpg 476w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/2012-Boxes-3-300x182.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/2012-Boxes-3-120x73.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><\/a>A ideia de criar um festival internacional de m\u00fasica veio do paulista Augusto Marzag\u00e3o. Amigo de alguns nomes da ind\u00fastria da m\u00fasica, ele contou com o apoio do ent\u00e3o governador da Guanabara, Negr\u00e3o de Lima (em retribui\u00e7\u00e3o ao apoio de Marzag\u00e3o na sua elei\u00e7\u00e3o), para botar pra frente o desejo que tinha de realizar aquele mega projeto. Dividido em duas fases, uma nacional e outra internacional, o FIC lotou o Maracan\u00e3zinho e teve, inicialmente, a transmiss\u00e3o da TV Rio, uma vez que a Globo n\u00e3o apostou na aventura. Arrependida da besteira que fez, ela passaria a assumir a cobertura no ano seguinte.<\/p>\n<p>Da fossa de <strong>Maysa<\/strong> ao rock de<strong> Raul Seixas<\/strong>, muitos nomes deixaram sua marca, naquele palco. Nesses primeiros anos de festivais, ainda n\u00e3o era comum ver os pr\u00f3prios compositores defendendo suas m\u00fasicas. Por isso, elas eram distribu\u00eddas entre os int\u00e9rpretes profissionais. <strong>Elis Regina<\/strong>, por exemplo, que j\u00e1 havia explodido com <em>Arrast\u00e3o<\/em> no I Festival de M\u00fasica Popular Brasileira (1965), era tida como uma vit\u00f3ria certeira quando cantou <em><strong>Canto triste<\/strong><\/em>, do ent\u00e3o namorado Edu Lobo em parceria com Vinicius de Moraes. Al\u00e9m dela, nomes como <strong>Wilson Simonal<\/strong>, <strong>Taiguara<\/strong>, <strong>Miltinho<\/strong> e <strong>Altemar Dutra<\/strong> emprestaram voz e credibilidade ao <span style=\"color: #0000ff\">FIC<\/span>. <strong>Maria Beth\u00e2nia<\/strong> tamb\u00e9m ficaria entre eles nessa primeira edi\u00e7\u00e3o, mas somente durante um dia, quando defendeu <em><strong>Beira mar<\/strong><\/em> (Caetano Veloso\/ Gilberto Gil), pra nunca mais botar os p\u00e9s num festival.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?attachment_id=9538\" rel=\"attachment wp-att-9538\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-9538\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/11\/cynara-e-cibele-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/cynara-e-cibele-300x225.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/cynara-e-cibele-120x90.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/cynara-e-cibele.jpg 700w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>No entanto, nem todo mundo que cantou no <span style=\"color: #0000ff\"><strong>FIC<\/strong> <\/span>conseguiu despontar e segurar uma carreira. \u00c9 o caso da curitibana <strong>Stelinha Egg<\/strong> (1914 \u2013 1991), esposa do maestro Lindolfo Gaia, que interpretou a dram\u00e1tica <em><strong>Can\u00e7\u00e3o de ninar a amada<\/strong><\/em> (Reginaldo Bessa) em 1966 e, dois anos depois, a marcha <em><strong>Rua da Aurora<\/strong><\/em> (Durval Ferreira\/ Tib\u00e9rio Gaspar). J\u00e1 experiente nos palcos, a paulista <strong>Maricene Costa<\/strong> \u00e9 outra ilustre desconhecida (que ainda mant\u00e9m uma carreira). Coube a ela, dona de uma voz rouca e elegante, gravar as vencedoras de 1967 <em><strong>Carolina<\/strong> <\/em>(Chico Buarque) e <em><strong>Margarida<\/strong><\/em> (Guarabyra). No entanto, quem roubaria a cena naquele ano era o carioca de cora\u00e7\u00e3o mineiro <strong>Milton Nascimento<\/strong>, que comparece nos discos com grava\u00e7\u00f5es cruas e belas de <strong><em>Travessia<\/em> <\/strong>e <em><strong>Morro velho<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Figurar num disco das finalistas de um festival, naqueles tempos, era como ganhar uma medalha de honra ao m\u00e9rito. Era entrar para a hist\u00f3ria da m\u00fasica, mesmo que se sa\u00edsse logo depois. Por exemplo, foi no <span style=\"color: #0000ff\"><strong>FIC<\/strong> <\/span>de 1968 que <strong>Geraldo Vandr\u00e9<\/strong> apresentou sua pol\u00eamica <em><strong>Pra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei nas flores<\/strong><\/em>, que perdeu para o lirismo de <em><strong>Sabi\u00e1<\/strong> <\/em>(Tom Jobim\/ Chico Buarque), interpretada por metade do <strong>Quarteto em Cy<\/strong> (Cynara e Cybele) sob uma avalanche de vaias. Dois anos antes, <strong>Nana Caymmi<\/strong> retomaria a carreira ao vencer a briga com <em><strong>Saveiros<\/strong> <\/em>(Nelson Motta\/ Dori Caymmi). <strong>Tony Tornado<\/strong> tamb\u00e9m faria a hist\u00f3ria no soul brasileiro cantando<em><strong> BR-3<\/strong> <\/em>(Antonio Adolfo\/ Tib\u00e9rio Gaspar). No fechar de cortinas, ainda ficaria a lembran\u00e7a de uma colorida e saltitante <strong>Maria Alcina<\/strong> dando voz a<em><strong> Fio Maravilha<\/strong><\/em> (Jorge Ben), enquanto o ent\u00e3o produtor <strong>Raul Seixas<\/strong> se assumia cantor com <em><strong>Let me sing Let me sing<\/strong><\/em>. Depois do FIC de 1972, alguns festivais ainda aconteceriam e at\u00e9 consagrariam nomes como Leila Pinheiro e Eduardo Dusek. Mas a\u00ed o Brasil j\u00e1 era outro e cantar j\u00e1 tinha outro sentido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 partir do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, uma guerra tomava conta das ruas do Brasil. 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