{"id":9582,"date":"2014-05-12T15:20:18","date_gmt":"2014-05-12T18:20:18","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9582"},"modified":"2014-05-12T15:20:18","modified_gmt":"2014-05-12T18:20:18","slug":"o-som-que-vem-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/05\/12\/o-som-que-vem-de-minas\/","title":{"rendered":"O som que vem de Minas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/Milton-Nascimento-1990-704x376.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11415\" alt=\"Milton-Nascimento-1990-704x376\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/Milton-Nascimento-1990-704x376.jpg\" width=\"704\" height=\"376\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/Milton-Nascimento-1990-704x376.jpg 704w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/Milton-Nascimento-1990-704x376-300x160.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/Milton-Nascimento-1990-704x376-120x64.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 704px) 100vw, 704px\" \/><\/a><\/p>\n<p>* Entrevista realizada em 2012, por conta de um caderno especial que comemorou os 70 anos de Milton Nascimento. Aproveitando a recente passagem do artista por Fortaleza, aproveito para publicar a entrevista na \u00edntegra.<\/p>\n<p>Conversar hoje com <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Milton Nascimento<\/strong><\/span> \u00e9 algo que exige responsabilidade. Pra quem mora distante, somente por email. Se estiver por perto de sua casa, ele at\u00e9 recebe para uma conversa mais pr\u00f3xima. Mas, em ambos os casos, sua assessoria logo avisa que se as perguntas forem as de sempre ele nem se d\u00e1 ao trabalho de responder. No caso da entrevista a seguir, foram dias de apreens\u00e3o at\u00e9 saber se ela chegaria ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Eis que, j\u00e1 nos 45 do segundo tempo, as resposta chegaram. Em meio a um agenda cheia de compromissos, muitos deles por conta da s\u00e9rie de anivers\u00e1rio comemorados em 2012, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Milton<\/strong> <\/span>reservou um espa\u00e7o para conversar com <strong>O POVO<\/strong> sobre sua vida, sua carreira e sua m\u00fasica. Economizando nas palavras, ele reafirmou seu compromisso com sua arte revelando que n\u00e3o h\u00e1bito de planejar os passos. Simplesmente deixa que eles aconte\u00e7am. Acompanhe.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013<\/strong> <strong>Pra muita gente, ainda \u00e9 uma surpresa saber que voc\u00ea \u00e9 carioca, e n\u00e3o mineiro. O que voc\u00ea tem de carioca e de mineiro na sua personalidade?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>Milton \u2013<\/strong> Sempre que me perguntam de onde eu vim digo que sou mineiro de Tr\u00eas Pontas. \u00c9 muito dif\u00edcil responder essa pergunta, acho que tem um pouco de cada coisa na minha vida. Sem falar que, existe tamb\u00e9m o fato de eu morar no Rio de Janeiro desde 1967.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/07-Tom-Jobim-Milton-Nascimento-e-Chico-Buarque-1990.-Foto-CRIST.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-11417\" alt=\"07-Tom-Jobim-Milton-Nascimento-e-Chico-Buarque-1990.-Foto-CRIST\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/07-Tom-Jobim-Milton-Nascimento-e-Chico-Buarque-1990.-Foto-CRIST.jpg\" width=\"418\" height=\"323\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/07-Tom-Jobim-Milton-Nascimento-e-Chico-Buarque-1990.-Foto-CRIST.jpg 522w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/07-Tom-Jobim-Milton-Nascimento-e-Chico-Buarque-1990.-Foto-CRIST-300x232.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/07-Tom-Jobim-Milton-Nascimento-e-Chico-Buarque-1990.-Foto-CRIST-120x93.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/><\/a>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0<strong>\u2013<\/strong> <strong>Na inf\u00e2ncia, voc\u00ea tinha o h\u00e1bito de criar hist\u00f3rias, como a do Porcolitro, o litro de leite castigado por uma fada. Quais dessas hist\u00f3rias se transformaram em m\u00fasica? Como foi essa passagem de contador de hist\u00f3rias para cantador de hist\u00f3rias<\/strong>?<\/p>\n<p><strong>Milton<\/strong> <strong>\u2013<\/strong> Essa passagem foi muito natural, ali\u00e1s como tudo na minha vida. Comecei cedo tocando na noite, quando tinha 14 anos de idade, ao lado do Wagner Tiso, e naquela \u00e9poca n\u00f3s dois j\u00e1 faz\u00edamos algumas m\u00fasicas. Mas pouca coisa sobrou daquele tempo, a coisa come\u00e7a mesmo pra valer depois de &#8220;Novena&#8221;, &#8220;Cren\u00e7a&#8221; e &#8220;Gira Girou&#8221;.<\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 Caetano Veloso j\u00e1 afirmou que sua voz \u00e9 mais belo som que o ser humano \u00e9 capaz de produzir. O que voc\u00ea achou disso? <\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Milton<\/strong>\u00a0\u2013 <\/strong>Caetano \u00e9 um cara sensacional e toda vez que ele fala algo sobre mim eu fico uns tr\u00eas dias pra voltar ao normal. Pois qualquer palavra vinda de um artista como ele \u00e9 de emocionar pra sempre.<strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 Que imagens lhe v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a quando voc\u00ea est\u00e1 cantando?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Milton<\/strong>\u00a0\u2013<\/strong> \u00c9 dif\u00edcil explicar isso, cada pessoa tem sua maneira de lidar com palco.<\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 O toque do seu viol\u00e3o \u00e9 uma marca registrada da sua m\u00fasica. No entanto, em um dos seus mais belos projetos, o disco ao vivo Amigo, voc\u00ea est\u00e1 ao piano. Como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com cada um desses instrumentos<\/strong>?<\/p>\n<p><strong><strong>Milton<\/strong>\u00a0\u2013<\/strong> Minha rela\u00e7\u00e3o \u00e9 normal. Para tudo que fa\u00e7o eu espero o momento certo, se eu sentir que tal m\u00fasica tem hist\u00f3ria com piano, ou baixo, ou sanfona, ou viol\u00e3o, vou tocar aquele instrumento que me chamar.<\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong> \u2013 Num especial lan\u00e7ado pela Super Interessante com o nome Hist\u00f3ria do Rock Brasileiro, o Clube da Esquina comparece em um cap\u00edtulo. Na \u00e9poca da grava\u00e7\u00e3o, voc\u00ea j\u00e1 via aquele trabalho como rock? O que mais de rock voc\u00eas tinham como refer\u00eancia, al\u00e9m dos Beatles?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Milton<\/strong>\u00a0\u2013 <\/strong>Nunca entrei nessa de ficar analisando minhas m\u00fasicas, prefiro que as pessoas me digam o que sentem. Se acham que \u00e9 rock, jazz, samba, n\u00e3o tem problema nenhum, porque o que eu gosto mesmo \u00e9 estar com as pessoas.<\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 O Clube da Esquina \u00e9, ainda hoje, o seu trabalho mais celebrado, sempre colocado na lista dos melhores da m\u00fasica nacional. Esse \u00e9 tamb\u00e9m o seu disco preferido, dentro da sua pr\u00f3pria discografia? <\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Milton<\/strong>\u00a0\u2013<\/strong> \u00c9 muito dif\u00edcil escolher algum trabalho preferido entre mais de 38 discos gravados e quase 500 m\u00fasicas com parceiros maravilhosos, seria at\u00e9 uma injusti\u00e7a com todos esses meus amigos escolher uma m\u00fasica ou disco preferido.<\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 Em algum momento voc\u00ea pensou um terceiro volume do Clube da Esquina? Isso ainda teria sentido na sua discografia?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Milton<\/strong>\u00a0\u2013 <\/strong>Na verdade, eu j\u00e1 falei em centenas de entrevistas que se fosse pra ter um terceiro Clube da Esquina seria o disco <em>Angelus<\/em>. N\u00e3o fico pensando muito nesse lance de reeditar coisas antigas, quero buscar sempre o novo.<\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 Dois objetos viraram marcas registradas na sua apar\u00eancia, em \u00e9pocas diferentes. Antes era a boina e hoje os \u00f3culos escuros. Por que essa troca? Por que n\u00e3o mais a boina e sempre os \u00f3culos?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Milton<\/strong>\u00a0\u2013<\/strong> Mais uma vez eu repito, nunca fiz as coisas pensando num retorno imediato, eu procuro fazer as coisas por prazer. E tudo que eu fa\u00e7o parte deste princ\u00edpio. Nunca calculei nada na minha vida, pois prefiro deixar que tudo aconte\u00e7a naturalmente. O tempo do bon\u00e9 passou sem eu nem perceber e, a coisa dos \u00f3culos, talvez voc\u00ea seja de uma gera\u00e7\u00e3o mais nova, porque eu uso \u00f3culos desde os anos 1960.<strong><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/Penna-Prearo-1974.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11420\" alt=\"Penna Prearo 1974\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/05\/Penna-Prearo-1974-625x442.jpg\" width=\"625\" height=\"442\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 Al\u00e9m de trabalhos ao lado de Marina Machado, Skank, e Jota Quest, seu \u00faltimo trabalho foi marcado pela presen\u00e7a de jovens m\u00fasicos. O que voc\u00ea aprende com essas novas gera\u00e7\u00f5es?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Milton<\/strong>\u00a0\u2013 <\/strong>Eu sempre acreditei muito na juventude e, por causa disso, sempre gostei de andar com jovens. A gente mais aprende com eles do que eles com a gente.<\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 Recentemente, voc\u00ea tem sido uma presen\u00e7a constante no espet\u00e1culo Nada ser\u00e1 como antes. O que voc\u00ea mais gostou nesse espet\u00e1culo?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Milton<\/strong>\u00a0\u2013 <\/strong>Gostei de tudo, j\u00e1 fui assistir mais de sete vezes, e sempre quando estou de folga no Rio procuro um tempo para ir com meus amigos. Esse espet\u00e1culo \u00e9 um dos maiores presentes que recebi na vida.<\/p>\n<p><strong><strong>DISCOGRAFIA<\/strong> \u2013 Certa vez, num festival, na falta de um r\u00f3tulo, definiram seu som simplesmente como \u201cMilton\u201d. De fato, voc\u00ea j\u00e1 caminhou pelo jazz, pelo pop, pela Bossa Nova, pelo rock. Pra onde est\u00e1 indo seu som atualmente? Que sons tem lhe despertado interesse?<\/strong><\/p>\n<p><strong><strong>Milton<\/strong> \u2013<\/strong> Mais uma vez posso te dizer com toda sinceridade: nunca fiquei pensando de onde veio nem pra onde vai minha m\u00fasica. E eu escuto todo tipo de m\u00fasica que chega at\u00e9 mim, n\u00e3o tenho preconceito com nada. Tamb\u00e9m nunca rotulei nada. Pra mim tudo \u00e9 m\u00fasica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Entrevista realizada em 2012, por conta de um caderno especial que comemorou os 70 anos de Milton Nascimento. 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