{"id":9583,"date":"2012-12-07T18:08:57","date_gmt":"2012-12-07T21:08:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9583"},"modified":"2018-02-18T11:25:40","modified_gmt":"2018-02-18T14:25:40","slug":"musica-em-cores-nao-diga-que-a-cancao-esta-perdida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/12\/07\/musica-em-cores-nao-diga-que-a-cancao-esta-perdida\/","title":{"rendered":"M\u00daSICA EM CORES: Krig-Ha, bandolo! (1973)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-18058\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/maxresdefault-740x739.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"739\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/maxresdefault-740x739.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/maxresdefault-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/maxresdefault-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/maxresdefault-768x767.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/maxresdefault-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/maxresdefault.jpg 800w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p><!--more-->Existem figuras que atravessam a hist\u00f3ria deixando uma marca t\u00e3o forte que chega a ser impreciso dizer se elas eram somente humanas. Na literatura, na medicina, na m\u00fasica, onde quer que seja, elas existem para dar uma sacudida e para mostrar que as coisas podem ser diferentes. Uma dessas figuras \u00e9 <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Raul Seixas<\/strong><\/span>. Baiano da capital, ele transcendeu ao papel de cantor e compositor para se tornar uma esp\u00e9cie de l\u00edder messi\u00e2nico, guru ou fil\u00f3sofo que, mesmo passados muitos anos depois de sua morte, os f\u00e3s n\u00e3o o largam por nada nesse mundo. Dono de um pensamento r\u00e1pido, \u00e1cido e criativo, ele passou uma vida construindo uma assinatura art\u00edstica que se mostrava em can\u00e7\u00f5es apaixonadas, pol\u00edticas e reflexivas com a mesma intensidade.<\/p>\n<p>Isso est\u00e1 registrado logo no disco <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Krig-ha, Bandolo!<\/strong><\/span>, estreia solo de fato e de direito, lan\u00e7ada em 1973. Sim, de fato e de direito. Antes desse \u00e1lbum, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Raul<\/strong> <\/span>j\u00e1 havia estado presente em tr\u00eas discos, mas em formatos diferentes. Nos anos 1960, o jovem aspirante a artista formou em sua terra natal a banda Os Panteras, que foi para o Rio de Janeiro e, em 1968, lan\u00e7ou o \u00e1lbum<strong> Raulzito e Os panteras.<\/strong> A banda n\u00e3o deu em muita coisa, mas Raulzito garantiu seu emprego como produtor de vendas da CBS. Certo de que poderia dar certo como cantor e compositor, ele abre m\u00e3o do nome art\u00edstico e assina com o nome de batismo no an\u00e1rquico projeto coletivo <strong>Sociedade da Gr\u00e3-Ordem Kavernista Apresenta: Sess\u00e3o das Dez<\/strong>, dividindo a responsabilidade com os &#8220;malditos&#8221; S\u00e9rgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star. O caos sonoro daquele quarteto maluco foi o segundo fracasso comercial de um artista que come\u00e7ava a se firmar como compositor e produtor. Mas ele queria mais.<\/p>\n<p>Ainda antes de estrear de fato e de direito, em 1973, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Raul<\/strong> <\/span>deu voz a cl\u00e1ssicos do rock nacional e internacional nos dois volumes de <strong>Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock<\/strong>. Mesmo cantando e produzindo a s\u00e9rie, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Raul<\/strong><\/span> foi proibido pela gravadora de colocar seu nome na capa &#8211; o \u00e1lbum foi creditado \u00e0 inexistente banda Rock Generation. O motivo da proibi\u00e7\u00e3o era evitar que <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Raul<\/strong><\/span> competisse em vendas com o pr\u00f3prio <strong><span style=\"color: #ff0000\">Raul<\/span><\/strong>, que enfim lan\u00e7ou se lan\u00e7ou por completo naquele mesmo ano.<\/p>\n<p>Produzido pelo pr\u00f3prio <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Raul<\/strong> <\/span>ao lado de Marco Mazzola, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Krig-Ha, Bandolo!<\/strong><\/span> \u00e9 cheio de personalidade em todos os seus aspectos e, por isso, merece estar entre os melhores j\u00e1 lan\u00e7ados no Brasil. Na capa, fugindo de qualquer padr\u00e3o de beleza, o compositor beirando os 30 anos exibe sua magreza esquel\u00e9tica numa foto de bra\u00e7os abertos, tal qual Cristo. Na palma da m\u00e3o, o s\u00edmbolo da Sociedade Alternativa que ele come\u00e7aria a tornar p\u00fablica naquele mesmo ano, quando integrou o elenco do megashow Phono 73. O olhar baixo explicita todo o descaso de algu\u00e9m que n\u00e3o est\u00e1 ali esperando aprova\u00e7\u00e3o ou concord\u00e2ncia. O t\u00edtulo do disco foi dos quadrinhos do her\u00f3i das selvas Tarzan e significa &#8220;o inimigo est\u00e1 pr\u00f3ximo&#8221;. Que inimigo? A ditadura? Os norte-americanos? Ele mesmo?<\/p>\n<p>Da autobiografia torta <em><strong>Mosca na sopa<\/strong><\/em> \u00e0 dylanesca\u00a0<em><strong>As Minas do Rei Salom\u00e3o<\/strong><\/em>, cada faixa em <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Krig-ha, Bandolo!<\/strong><\/span> revela uma fatia do modo de agir e pensar do roqueiro. Al\u00e9m de se mostrar por completo como cantor, compositor que pode se orgulhar de usar o pr\u00f3prio nome, aqui, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Raul<\/strong> <\/span>apresenta seu mais c\u00e9lebre e pol\u00eamico parceiro: Paulo Coelho. An\u00e1rquicos e curiosos por drogas, ci\u00eancias ocultas e discos voadores, eles foram construindo can\u00e7\u00f5es que usavam a linguagem pop para falar sobre as dores da liberdade vigiada, da caretice e das formas de encontrar a liberdade. &#8220;Faze o que tu queres. H\u00e1 de ser tudo da lei&#8221;, \u00e9 o que defenderiam, citando o bruxo ingl\u00eas Aleister Crowley. Paulo passou a renegar muito do escreveu na \u00e9poca, mostrando ser ele tamb\u00e9m uma metamorfose ambulante.<\/p>\n<p>E se h\u00e1 de ser tudo da lei, n\u00e3o deveria haver limites para a cria\u00e7\u00e3o sonora. O disco abre com a voz de um pequeno Raul, de 9 anos, cantando <em><strong>Good Rockin&#8217; Tonight<\/strong><\/em>. Apesar de prec\u00e1ria, a vinheta revela que ele era roqueiro desde o ber\u00e7o. Mas ser roqueiro n\u00e3o impedia de entrar um ponto de macumba em <em><strong>Mosca na Sopa<\/strong><\/em> (dizem que uma das vocalistas recebeu um santo na hora da grava\u00e7\u00e3o), ou um maxixe em <strong>Rockixe\u00a0<\/strong>ou um aut\u00eantico soul gospel em <em><strong>Dentadura Posti\u00e7a<\/strong><\/em>. No entanto o maior sucesso de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Krig-Ha, Bandolo!<\/strong><\/span> foi a triste reflex\u00e3o de <em><strong>Ouro de Tolo<\/strong><\/em>, criticando os sonhos classe m\u00e9dia de uma sociedade que se contenta com um carro, uma casa e uma fam\u00edlia feliz. Para Raul, essa brincadeira de conformismo \u00e9 um tanto quanto perigosa.<\/p>\n<p>Por isso, quase tudo \u00e9 escrito em primeira pessoa, como <em><strong>Metamorfose ambulante<\/strong><\/em>, t\u00e3o simples e cheia de ideias que chega a confundir. &#8220;Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opini\u00e3o formada sobre tudo&#8221;, diz ele com o dedo em riste em can\u00e7\u00f5es que nunca parecem ser t\u00e3o \u00f3bvias. Como em<em><strong> A Hora do Trem Passar<\/strong><\/em>, cuja l\u00edrica tensa se abre em mil possibilidades. Dali em diante, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Raul Seixas<\/strong> <\/span>continuou se desnudando em can\u00e7\u00f5es e sofrendo as consequ\u00eancias de uma vida desmedidamente fora dos padr\u00f5es. Provou a fama, a doen\u00e7a, o esquecimento, os ostracismo, a imortalidade. Ou, melhor dizendo, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Raul<\/strong><\/span> criou os pr\u00f3prios padr\u00f5es e morreu por eles.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Metamorfose Ambulante - Clip Ao Vivo\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qjbri1UzpbA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Faixas de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Krig-Ha, Bandolo!<\/strong><\/span> (1973):<br \/>\n1. <strong>Introdu\u00e7\u00e3o: Good Rockin&#8217; Tonight<\/strong> (Roy Brown) 0:50<br \/>\n2. <strong>Mosca na Sopa<\/strong> (Raul Seixas) 3:58<br \/>\n3. <strong>Metamorfose Ambulante<\/strong> (Raul Seixas) 3:50<br \/>\n4. <strong>Dentadura Posti\u00e7a<\/strong> (Raul Seixas) 1:30<br \/>\n5. <strong>As Minas do Rei Salom\u00e3o<\/strong> (Raul Seixas\/ Paulo Coelho) 2:22<br \/>\n6.<strong> A Hora do Trem Passar<\/strong> (Raul Seixas\/ Paulo Coelho) 1:50<br \/>\n7. <strong>Al Capone<\/strong> (Raul Seixas\/ Paulo Coelho) 2:38<br \/>\n8. <strong>How Could I Know<\/strong> (Raul Seixas) 2:36<br \/>\n9. <strong>Rockixe<\/strong> (Raul Seixas\/ Paulo Coelho) 3:44<br \/>\n10. <strong>Cachorro Urubu<\/strong> (Raul Seixas\/ Paulo Coelho) 2:08<br \/>\n11. <strong>Ouro de Tolo<\/strong> (Raul Seixas) 2:51<\/p>\n<p><strong>&gt;&gt; Metamorfose ambulante <\/strong>(Raul Seixas)<strong> por Carlus Campos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/musica-em-cores-nao-diga-que-a-cancao-esta-perdida\/metamorfoseambulante\/\" rel=\"attachment wp-att-9585\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9585\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/12\/metamorfoseAMBULANTE.jpg\" alt=\"\" width=\"733\" height=\"1071\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/metamorfoseAMBULANTE.jpg 1455w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/metamorfoseAMBULANTE-300x438.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/metamorfoseAMBULANTE-768x1122.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/metamorfoseAMBULANTE-740x1081.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/12\/metamorfoseAMBULANTE-120x175.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 733px) 100vw, 733px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":74,"featured_media":18058,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,278,283,333,343,1],"tags":[],"class_list":["post-9583","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-albuns","category-musica-em-cores","category-nacional","category-raul-seixas","category-rock-and-roll","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9583","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9583"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9583\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18067,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9583\/revisions\/18067"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18058"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}