{"id":9662,"date":"2013-01-08T12:04:52","date_gmt":"2013-01-08T15:04:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9662"},"modified":"2013-01-08T12:04:52","modified_gmt":"2013-01-08T15:04:52","slug":"tinindo-trincando-ainda-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/01\/08\/tinindo-trincando-ainda-hoje\/","title":{"rendered":"Tinindo trincando ainda hoje"},"content":{"rendered":"<p><strong>Texto do jornalista Rodrigo Cunha (rodrigoescunha@gmail.com)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/tinindo-trincando-ainda-hoje\/5595444sz\/\" rel=\"attachment wp-att-9663\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-9663\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/01\/5595444SZ-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/01\/5595444SZ-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/01\/5595444SZ-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/01\/5595444SZ-768x768.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/01\/5595444SZ-740x740.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/01\/5595444SZ-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/01\/5595444SZ.jpg 1000w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Mesmo quarenta anos depois, \u201cAcabou Chorare\u201d (Som Livre, 1972), dos Novos Baianos, mant\u00e9m seu status inovador e atual dentro da m\u00fasica brasileira. Considerando todos os textos relacionados ao \u00e1lbum, em diversos artigos e livros, trata-se de uma afirma\u00e7\u00e3o \u00f3bvia, mas que se tornou t\u00e3o instigante pra mim ap\u00f3s ver a apresenta\u00e7\u00e3o de Baby do Brasil em novembro passado na Concha Ac\u00fastica do Teatro Castro Alves, em Salvador. Al\u00e9m da apari\u00e7\u00e3o de Caetano Veloso, o show contou com a presen\u00e7a de ex-integrantes da trupe Dadi e Paulinho Boca de Cantor. O mentor Luiz Galv\u00e3o tamb\u00e9m estava presente, em meio ao p\u00fablico, sob aplausos a cada men\u00e7\u00e3o sua feito pelos artistas no palco.<\/p>\n<p>No show \u201cBaby Sucessos\u201d, a carioca de alma baiana e cabelos-p\u00farpura, acompanhada pela guitarra do filho Pedro Baby, esqueceu grande parte de seu atual repert\u00f3rio gospel e revisitou os sucessos da carreira-solo. A cada sucesso apresentado, fez-me remeter a ideia de que cada um conseguiu atingir suas carreiras mais ou menos bem-sucedidas \u2013 certamente com um p\u00fablico maior e amplo sucesso comercial \u2013 por\u00e9m, sem o mesmo senso de criatividade e de circunst\u00e2ncias atingidas em \u201cAcabou Chorare\u201d.<\/p>\n<p>Tratava-se de um disco prestes ao fracasso. Ap\u00f3s gravar um compacto duplo em 1971, \u201cNovos Baianos e Baby Consuelo no Final do Ju\u00edzo\u201d (com as m\u00fasicas <em>D\u00ea um Rol\u00ea<\/em>, <em>Voc\u00ea Me D\u00e1 um Disco?<\/em>, <em>Caminho de Pedro<\/em> e <em>Risque<\/em>), Nelson Motta, ent\u00e3o produtor musical da Philips, sugeriu que gravassem todas as m\u00fasicas do pr\u00f3ximo disco na casa do t\u00e9cnico de som Jorge Karan, em apenas dois canais e com poucos instrumentos. Galv\u00e3o contou em entrevista para O Estado de S. Paulo, de 20 de novembro de 2010, que o grupo n\u00e3o gostou do resultado, mesmo a gravadora querendo lan\u00e7ar o disco desta maneira. Os m\u00fasicos romperam com a Philips e receberam abrigo da Som Livre de Jo\u00e3o Ara\u00fajo, pai de Cazuza, que ofereceu melhor condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o para o disco.<\/p>\n<p>Quem teve acesso ao \u00e1lbum original conheceu o cuidado gr\u00e1fico que \u201cAcabou Chorare\u201d recebeu na nova gravadora: ilustra\u00e7\u00f5es permeiam o encarte de oito p\u00e1ginas, bem como letras manuscritas e textos um poema de Augusto de Campos (\u201cS\u00f3 Somente S\u00f3\u201d) e do pr\u00f3prio Luiz Galv\u00e3o. O <em>designer<\/em> Antonio Luiz, o Lula, ficou respons\u00e1vel pelas fotos e pelo projeto gr\u00e1fico do \u00e1lbum. Na parte musical, al\u00e9m de Paulinho (ex-crooner de orquestra do interior baiano), Moraes, Galv\u00e3o (ex-engenheiro agr\u00f4nomo), Pepeu e Baby (niteroiense), acompanhavam o conjunto A Cor do Som (com Pepeu, Jorginho, Baixinho e Dadi). Junto com o percussionista Baixinho, todos colaboravam tamb\u00e9m para formar um regional bem brasileiro, entre cavaquinhos, bumbos, pandeiros, maracas, bong\u00f4s e tri\u00e2ngulos.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a proposta deste segundo \u00e1lbum dos Novos Baianos, al\u00e9m da verve tropicalista deixada por Caetano Veloso e Gilberto Gil (entre outros precursores de outros campos art\u00edsticos como H\u00e9lio Oiticica e Rog\u00e9rio Duarte), o disco veio com a proposta de recuperar as ra\u00edzes brasileiras (uma identidade cultural mal-descoberta na \u00e9poca), uma mescla entre samba, forr\u00f3, frevo, choro e o rock, algo bastante inusitado para a \u00e9poca. Cabe relacionar esse resultado com a lend\u00e1ria visita de Jo\u00e3o Gilberto ao apartamento dos hippies baianos, para mostrar o samba de Assis Valente e ensinar t\u00e9cnicas de voz e viol\u00e3o.<\/p>\n<p>Em julho de 2010, a Rolling Stone brasileira tratou de tra\u00e7ar um perfil do \u00e1lbum ecl\u00e9tico, retratando o desenvolvimento do conjunto at\u00e9 chegar ao disco antol\u00f3gico. Um dos pontos tra\u00e7ados pela mat\u00e9ria relaciona a ordem das grava\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias do grupo na prensagem final com os endere\u00e7os da comunidade no Rio de Janeiro: as m\u00fasicas do lado A (<em>Preta, Pretinha<\/em>, <em>Tinindo Tricando<\/em>, <em>Swing de Campo Grande<\/em> e <em>Acabou Chorare<\/em>) foram arquitetadas no apartamento em Botafogo, na Zona Sul; e o lado B (<em>Mist\u00e9rio do Planeta<\/em>,<em> A Menina Dan\u00e7a<\/em>, <em>Besta \u00c9 Tu<\/em> e <em>Um Bilhete pra Didi<\/em>) foi resultado das inventivas cria\u00e7\u00f5es proporcionadas no s\u00edtio alugado em Jacarepagu\u00e1, o \u201cCantinho do Vov\u00f4\u201d, onde os baianos se aquartelaram entre os anos de 1971 e 1975.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a da Philips para a rec\u00e9m-criada Som Livre n\u00e3o foi de grande avan\u00e7o em termos t\u00e9cnicos, pois os est\u00fadios brasileiros ainda viviam de forma limitada, praticamente artesanal. Eust\u00e1quio Sena foi escolhido para produzir o disco, que foi gravado no est\u00fadio de quatro canais da Somil, especializado em \u00e1udio para cinema. Por\u00e9m, o entrosamento entre os m\u00fasicos era tanto que o \u00e1lbum saiu com uma qualidade surpreendente, at\u00e9 para os dias atuais. O processo consistia em utilizar os m\u00edseros quatro canais, que depois eram reduzidos para apenas dois. As vocaliza\u00e7\u00f5es entravam depois da mixagem do m\u00e1ster. Portanto, errar n\u00e3o era permitido, ou sen\u00e3o, teria de refazer o <em>take<\/em>.<\/p>\n<p>Enfim, o disco est\u00e1 tinindo trincando at\u00e9 os dias de hoje, gra\u00e7as a essa somat\u00f3ria de m\u00fasicos e t\u00e9cnicos, talentos dif\u00edceis de reunir no concorrido mercado fonogr\u00e1fico de hoje, quase todo dominado por multinacionais, abaladas com a redu\u00e7\u00e3o nas vendas de CDs. Retoma-se por aqui a consagra\u00e7\u00e3o do vinil, seja por audi\u00f3filos colecionadores ou por jovens que buscam ter a experi\u00eancia auditiva de anos atr\u00e1s. \u201cAcabou Chorare\u201d \u00e9 uma das pe\u00e7as dif\u00edceis de ser encontradas em sebos, disputadas inclusive pelos vendedores que optam por pagar mais caro para ter o vinil, segundo escutei do propriet\u00e1rio de uma loja de S\u00e3o Paulo, onde tive a felicidade de conseguir um exemplar do disco. Trata-se de \u00e1lbum empolgante de se ouvir e representativo de uma d\u00e9cada inventiva e gloriosa da m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p><strong>S\u00d3 SOMENTE S\u00d3<br \/>\n<\/strong><strong>Augusto de Campos<\/strong><\/p>\n<p>eu disse aos novos baianos<br \/>\nque eu n\u00e3o sou cr\u00edtico<br \/>\nque um poeta se f\u00eaz passar por cr\u00edtico<br \/>\npara dizer algumas coisas<br \/>\nquando os assim ditos<br \/>\nn\u00e3o estavam vendo nada<br \/>\nnem mesmo a boa palavra<\/p>\n<p>agora n\u00e3o \u00e9 mais preciso<br \/>\nas cartas j\u00e1 est\u00e3o na mesa<br \/>\ntodos aparentemente sabem tudo<br \/>\ne quem viver ver\u00e1<br \/>\nmas n\u00e3o ver\u00e1 tudo se n\u00e3o vir<br \/>\no c\u00e9u da bahia da boca do cantor<br \/>\nmorais Galv\u00e3o Paulinho baby &amp; cia<br \/>\nn\u00e3o ouvir\u00e1 nada se n\u00e3o ouvir<br \/>\ns\u00f3 somente s\u00f3<br \/>\npreta pretinha<\/p>\n<p>entre o primeiro lp e este<br \/>\nentra jo\u00e3o Gilberto<br \/>\n(pausa)<br \/>\no dom eles j\u00e1 tinham<br \/>\nagora o som mais perto<br \/>\nmais experto mais<br \/>\ncerto<\/p>\n<p>descobriram o sil\u00eancio<\/p>\n<p>bem assim felicidade<br \/>\nassis valente<br \/>\no alegre filic\u00eddio da suicidade<br \/>\ndo brasil pandeiro<\/p>\n<p>pena que o disco n\u00e3o seja a cores<br \/>\npra voc\u00eas verem a cor do som<br \/>\no bamba e respeitado cavaquinho<br \/>\nbaixinho &amp; bumbo &amp; boca &amp; baby &amp;<br \/>\no som da cor do gato felix<br \/>\nator e dan\u00e7arino baiano<br \/>\nque o disco n\u00e3o registra<\/p>\n<p>pena que isso n\u00e3o seja a sons<\/p>\n<p>eu n\u00e3o sei se o sonho acabou<br \/>\neu n\u00e3o sei se o sono acabou<br \/>\neu n\u00e3o sei se o som acabou<\/p>\n<p>mas acabou chorare<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto do jornalista Rodrigo Cunha (rodrigoescunha@gmail.com) Mesmo quarenta anos depois, \u201cAcabou Chorare\u201d (Som Livre, 1972), dos Novos Baianos, mant\u00e9m seu status inovador e atual dentro&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-9662","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}