{"id":9728,"date":"2013-02-08T14:38:01","date_gmt":"2013-02-08T17:38:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9728"},"modified":"2018-02-18T20:34:38","modified_gmt":"2018-02-18T23:34:38","slug":"musica-em-cores-o-principe-psicodelico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/02\/08\/musica-em-cores-o-principe-psicodelico\/","title":{"rendered":"M\u00daSICA EM CORES: A misteriosa luta do reino de Parassempre contra o imp\u00e9rio de Nuncamais"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-18088\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/d3599cadb89f40d89330c6a88660338f-740x740.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/d3599cadb89f40d89330c6a88660338f-740x740.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/d3599cadb89f40d89330c6a88660338f-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/d3599cadb89f40d89330c6a88660338f-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/d3599cadb89f40d89330c6a88660338f-768x768.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/d3599cadb89f40d89330c6a88660338f-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/d3599cadb89f40d89330c6a88660338f.jpg 1417w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Pouca gente deu valor na \u00e9poca, \u00e9 bem verdade. A cr\u00edtica especializada ent\u00e3o deu as costas e quis apagar esa inven\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Mas o fato \u00e9 que <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ronnie Von<\/strong><\/span> marcou a hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira com apenas tr\u00eas discos lan\u00e7ados bem na virada das d\u00e9cadas de 1960 e 70. Ainda colhendo os bons frutos do sucesso caretinha <em>A pra\u00e7a<\/em>, o cantor niteroiense decidiu chutar o balde e fazer discos conectados com os sons negros, a gravadora Motown, o pop e o rock ingl\u00eas. Se antes o artista com cara de bom mo\u00e7o era o candidato ideal para casar com sua filha, ele agora posava de maluco, experimental e psicod\u00e9lico, gravando discos que tornaram-se pe\u00e7as raras em sebos.<\/p>\n<p>Bem nascido como filho de diplomata, Ronaldo Nogueira sempre esteve muito pr\u00f3ximo das grandes novidades da m\u00fasica internacional. Como o pai trabalhava viajando, ele sempre recebia o que havia de mais novo nas cenas norte-americana e inglesa. Beatles, Stones e a banda psicod\u00e9lica Blossom Toes, por exemplo, chegavam \u00e0quele garoto que come\u00e7ou a cantar na \u00e9poca da Jovem Guarda, mas j\u00e1 se sentia como um ser estranho naquela cena. Os olhos muito claros e a beleza daquele jovem logo lhe garantiram o apelido de &#8220;pr\u00edncipe&#8221;, que explorava na medida do poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Nos anos 1960, j\u00e1 assumindo o nome art\u00edstico de Ronnie Von, o niteroiense ainda apresentou um programa na TV Record chamado &#8220;O Pequeno Mundo de Ronnie Von&#8221;. Naquele palco ele mostrou que estava mais para tropicalista do que para &#8220;jovenguardista&#8221;. Tanto que recebia Caetano Veloso, Gilberto Gil e um trio de rock, vindo de S\u00e3o Paulo, que se chamava Os Bruxos. O trio meio maluco, mas super moderno, era formado por dois irm\u00e3os e uma ruivinha bem engra\u00e7ada, e ningu\u00e9m estava satisfeito com o nome da banda. Coube a Ronnie sugerir um novo nome: Os Mutantes, que logo foi aceito e a banda ainda se tornou atra\u00e7\u00e3o fixa no programa.<\/p>\n<p>Reunindo tanta informa\u00e7\u00e3o vindo da psicodelia, dos Mutantes, da tropic\u00e1lia, do rock nacional, Ronnie Von foi atr\u00e1s de apimentar sua m\u00fasica tornando-a mais vanguardista. O primeiro fruto dessa ideia foi lan\u00e7ado em 1968. O primeiro choque j\u00e1 vinha na capa, com o cantor de peito nu cercado pelas cores fortes de um desenho estranho que mostrava uma estrada rumo a um sol de cores fortes. A primeira m\u00fasica, <em>Meu Novo Cantar<\/em>, j\u00e1 dizia tudo.<\/p>\n<p>O segundo cap\u00edtulo dessa aventura psicod\u00e9lica \u00e9 <span style=\"color: #0000ff\"><strong>A misteriosa luta do reino de Parassempre contra o imp\u00e9rio de Nuncamais<\/strong><\/span>, de 1969. Abrasileirando a psicodelia e experimentando tudo que podia em termos de som, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ronnie Von<\/strong><\/span>\u00a0fez um som cheio de climas, ru\u00eddos e novas influ\u00eancias. Basta ouvir a vers\u00e3o rock de <em><strong>Dindi<\/strong><\/em>, originalmente uma bossa lenta de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira. Muitos puristas devem ter ca\u00eddo para tr\u00e1s com aud\u00e1cia do outrora gentil e respeitoso artista que acelerou a levada de uma das mais belas can\u00e7\u00f5es de amor do maestro soberano. O mesmo foi feito com Por Quem Sonha Ana Maria, can\u00e7\u00e3o de Juca Chaves j\u00e1 interpretada em tom orat\u00f3rio por Agostinho dos Santos. Com Ronnie, ela ganhou um baixo acelerado e toques de guitarra wah-wah.<\/p>\n<p>Memor\u00e1vel tamb\u00e9m a leitura emocionada de <em><strong>My cherie amour<\/strong><\/em>, sucesso de Stevie Wonder, com letra em portugu\u00eas de pr\u00f3prio punho. Cantando em notas agudas, Ronnie Von se mostra um int\u00e9rprete acima da m\u00e9dia. Ainda entre as vers\u00f5es, ele encerra o disco com<em><strong> Comecei Uma Brincadeira<\/strong><\/em>, tradu\u00e7\u00e3o literal de <em>I Started a Joke<\/em>, dos Bee Gees.<\/p>\n<p>Mas\u00a0<span style=\"color: #0000ff\"><strong>A misteriosa luta do reino de Parassempre contra o imp\u00e9rio de Nuncamais<\/strong><\/span> n\u00e3o \u00e9 um disco s\u00f3 de vers\u00f5es.\u00a0<em><strong>De como meu her\u00f3i Flash Gordon ir\u00e1 levar-me de volta a Alfa do Centauro, meu verdadeiro lar<\/strong>\u00a0<\/em>\u00e9 mais que um t\u00edtulo maluco para uma faixa de abertura. \u00c9 tamb\u00e9m um pedido de ajuda ao her\u00f3i das gal\u00e1xias. &#8220;A Terra est\u00e1 t\u00e3o mudada desde que voc\u00ea viajou e seu lugar ocupado por super-her\u00f3is de papel&#8221;, diz Ronnie clamando pela volta de Flash Gordon. A m\u00fasica \u00e9 uma parceria dele com Arnaldo Saccomani, que depois seria conhecido como jurado do programa de calouros \u00cddolos. Tamb\u00e9m \u00e9 deles <em><strong>Mares de Areia<\/strong><\/em>, que at\u00e9 tem um p\u00e9 na jovem guarda, mas a letra aponta para fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e imagens que v\u00e3o al\u00e9m do espa\u00e7o. Na mesma toada, a balada funkeada <em><strong>Regina e o Mar<\/strong><\/em> \u00e9 a terceira parceria de Ronnie e Arnaldo no \u00e1lbum que foi dirigido pelo maestro tropicalista Damiano Cozzella.<\/p>\n<p>Depois de\u00a0<span style=\"color: #0000ff\"><strong>A misteriosa luta do reino de Parassempre contra o imp\u00e9rio de Nuncamais<\/strong><\/span>, Ronnie encerraria sua trilogia psicod\u00e9lica com <strong>A M\u00e1quina Voadora<\/strong> (1970), outra obra da qualidade espetacular. Ele seguiria lan\u00e7ando discos por mais um tempo, at\u00e9 abandonar a m\u00fasica e se dedicar \u00e0 TV e \u00e0 fam\u00edlia. Mesmo assediado constantemente para voltar a cantar, ele foge desse compromisso e canta apenas quando se \u00e0 vontade para isso. Assim, a mem\u00f3ria dos seus trabalhos permanece intacta e ainda despertando curiosidade. Antes incompreendidos, hoje seus discos de rock s\u00e3o ca\u00e7ados em sebos e vendidos a valores alt\u00edssimos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DINDI - RONNIE VON\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SuwTVu0ebSU?list=PL9C92E94EC6EAE418\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Faixas de <span style=\"color: #0000ff\">A misteriosa luta do reino de Parassempre contra o imp\u00e9rio de Nuncamais<\/span> (1969):<\/strong><br \/>\n1 <strong>De como meu her\u00f3i Flash Gordon ir\u00e1 levar-me de volta a Alfa do Centauro, meu verdadeiro lar<\/strong> (Arnaldo Saccomani\/ Ronnie Von)<br \/>\n2 <strong>Dindi<\/strong> (Tom Jobim\/ Aloysio de Oliveira)<br \/>\n3 <strong>Pare de sonhar com estrelas distantes<\/strong> (Tupper Saussy\/ V.: Arnaldo Saccomani)<br \/>\n4 <strong>Onde foi<\/strong> (<em>Morning girl<\/em>) (Tupper Saussy\/ V.: Arnaldo Saccomani)<br \/>\n5 <strong>My cherie amour<\/strong> (Henry Cosby\/ Stevie Wonder\/ Silvya Moy\/ Ronnie Von)<br \/>\n6 <strong>Atl\u00e2ntida<\/strong> (<em>Atlantis<\/em>) (Donovan Leitch\/ V.: Ronnie Von)<br \/>\n7 <strong>Por quem sonha Ana Maria<\/strong> (Juca Chaves)<br \/>\n8 <strong>Mares de areia<\/strong> (Arnaldo Saccomani\/ Ronnie Von)<br \/>\n9 <strong>Regina e o mar<\/strong> (Arnaldo Saccomani\/ Ronnie Von)<br \/>\n10 <strong>Foi bom<\/strong> (Benito di Paula)<br \/>\n11 <strong>Rose Ann<\/strong> (Silvio Brito\/ Marcos Filgueira)<br \/>\n12 <strong>Comecei uma brincadeira<\/strong> (<em>I started a joke<\/em>) (R. Gibb\/ M. Gibb\/ B. Gibb\/ V.: Ronnie Von)<\/p>\n<p><strong>&gt;&gt; Pare de sonhar com estrelas distantes (Tom Gomes\/ Luiz Vagner) por Carlus Campos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/02\/von.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9730\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/02\/von.jpg\" alt=\"von\" width=\"851\" height=\"1240\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/von.jpg 1352w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/von-300x437.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/von-768x1118.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/von-740x1078.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/von-120x175.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 851px) 100vw, 851px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,90,278,283,1],"tags":[],"class_list":["post-9728","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-albuns","category-criticas","category-musica-em-cores","category-nacional","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9728"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9728\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18090,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9728\/revisions\/18090"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}