{"id":9739,"date":"2013-02-15T11:00:57","date_gmt":"2013-02-15T14:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9739"},"modified":"2013-02-15T11:00:57","modified_gmt":"2013-02-15T14:00:57","slug":"o-filho-do-holocausto-remonta-sem-didatismo-a-vida-de-jorge-mautner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/02\/15\/o-filho-do-holocausto-remonta-sem-didatismo-a-vida-de-jorge-mautner\/","title":{"rendered":"O Filho do Holocausto remonta sem didatismo a vida de Jorge Mautner"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/02\/158047.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-9741\" alt=\"158047\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/02\/158047.jpg\" width=\"464\" height=\"654\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/158047.jpg 464w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/158047-300x423.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/02\/158047-120x169.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 464px) 100vw, 464px\" \/><\/a>Tenho <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Jorge Mautner<\/strong><\/span> na conta de uma das cabe\u00e7as mais privilegiadas da cultura brasileira. Musicalmente inclassific\u00e1vel, intelectual atuante, revolucion\u00e1rio do desbunde, ele faz seu trabalho sem se preocupar em que prateleira vai ser colocado. Filho de um judeu austr\u00edaco com uma cat\u00f3lica iugoslava, por muito pouco ele n\u00e3o nasceu em territ\u00f3rio desconhecido, sobre o mar, enquanto seus pais viajavam para fugir dos horrores do nazismo, que j\u00e1 havia devastado boa da fam\u00edlia. No entanto, na contram\u00e3o da desgra\u00e7a genocida, que sorte, ele nasceu no Brasil. O que aconteceu deste dia em diante \u00e9 conhecido por alguns poucos que se ligam nessas figuras marginais (ou malditas, como alguns preferem) e agora serviu de mote para o document\u00e1rio <span style=\"color: #ff0000\"><strong>O filho do Holocausto<\/strong><\/span>. Dirigido por Pedro Bial e Heitor D\u2019Alincourt, o filme flutua entre m\u00e9ritos e dem\u00e9ritos, mas j\u00e1 ganha a plateia por abordar uma hist\u00f3ria t\u00e3o pouco conhecida e um artista que, mesmo com tantas d\u00e9cadas de carreira, permanece reservado \u00e0s discotecas mais atentas. As imagens raras e os cen\u00e1rios montados para os depoimentos comp\u00f5em um caleidosc\u00f3pio interessante para a hist\u00f3ria que se baseia na autobiografia hom\u00f4nima lan\u00e7ada em 2006. Enquanto o livro narra epis\u00f3dios que aconteceram entre 1941 e 1958, o filme segue um fluxo meio atemporal com idas, vindas e reflex\u00f5es entrecortadas por n\u00fameros musicais. Este acaba sendo o ponto m\u00e1ximo deste <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Filho do Holocausto<\/strong><\/span>, principalmente para quem tiver a sorte de conferi-lo nos cinemas. Ver <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Mautner<\/strong> <\/span>na telona, escudado por uma banda de virtuoses contempor\u00e2neos &#8211; Alexandre Kassin (baixo), Pedro S\u00e1 (guitarra), Dom\u00eanico Lancellotti (bateria) e Berna Ceppas (teclados e efeitos) &#8211; transforma sua m\u00fasica em algo ainda maior. Claro, o mestre saudoso Nelson Jacobina, parceiro fiel desde os primeiros anos de m\u00fasica, falecido ano passado, tamb\u00e9m comparece. Sua presen\u00e7a magra e desfigurada pelo c\u00e2ncer, torna a parceria com <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Mautner<\/strong> <\/span>ainda mais heroica. Al\u00e9m disso, mesmo com o semblante debilitado, seu dedilhado certeiro e delicado continua intacto e, agora, congelado em pel\u00edcula para ser futuramente redescoberto por outras gera\u00e7\u00f5es. Ao lado dessa banda dos sonhos dos cult bacaninhas modernos, o homenageado desfila can\u00e7\u00f5es como <em><strong>Maracatu at\u00f4mico<\/strong><\/em>, <em><strong>L\u00e1grimas negras<\/strong><\/em> e <em><strong>Todo errado<\/strong><\/em>. Em algumas delas, recebe o refor\u00e7o luxuoso de <span style=\"color: #800080\"><strong>Caetano Veloso<\/strong><\/span> e <span style=\"color: #333399\"><strong>Gilberto Gil<\/strong><\/span>. Com eles, Mautner rev\u00ea seu herm\u00e9tico filme <strong>O demiurgo<\/strong>, feito no exterior para celebrar o encontro com os amigos baianos tropicalistas. Ali\u00e1s, \u00e9 hil\u00e1rio ver <span style=\"color: #333399\"><strong>Gil<\/strong><\/span> assumindo que n\u00e3o entendia o filme. A medida que o filme vai se desenrolando, a produ\u00e7\u00e3o de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Mautner<\/strong> <\/span>tamb\u00e9m vai ganhando reavalia\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios personagens. E \u00e9 aqui onde entra o calcanhar de Aquiles de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>O Filho do Holocausto<\/strong><\/span>. Os convidados invadem a tela sem serem apresentados. O artista pl\u00e1stico <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Aguilar<\/strong><\/span>, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o pop como <span style=\"color: #800080\"><strong>Caetano <\/strong><\/span>que dispense apresenta\u00e7\u00e3o. Ainda assim, faltam legendas que digam quem \u00e9 o tal senhor de \u00f3culos <em>sui generis<\/em> que fala de jeito engra\u00e7ado. E assim acontece com outros falantes do filme. No entanto, ao que parece, isso faz parte do que se prop\u00f5em este <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Filho do Holocausto<\/strong><\/span>. Quem pensa que vai sair do cinema conhecendo e entendendo profundamente o biografado est\u00e1 muito enganado. A m\u00fasica se sobressai numa hist\u00f3ria que \u00e9 contada de forma picotada, em alguns momentos com o pr\u00f3prio <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Mautner<\/strong> <\/span>lendo trechos do seu livro. Ainda assim merecem destaque cenas como a conversa com a filha Amora. Num misto de orgulho e arrependimento, pai e filha botam antigas m\u00e1goas pra fora e acabam se entendendo ali, diante da plateia. Imagine que um dos maiores intelectuais brasileiros acaba se rendendo aos olhos fundos e chorosos de Amora quando esta lhe fala sobre o incomodo de ver os pais nus dentro de casa ou de sunga para ir busc\u00e1-la no col\u00e9gio. Sem esconder um sorriso no canto da boca, <strong><span style=\"color: #0000ff\">Mautner<\/span> <\/strong>ouve, pede desculpas e segue sendo um ponto de ruptura na intelectualidade careta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho Jorge Mautner na conta de uma das cabe\u00e7as mais privilegiadas da cultura brasileira. 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