{"id":9813,"date":"2013-04-23T14:01:32","date_gmt":"2013-04-23T17:01:32","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9813"},"modified":"2013-04-23T14:01:32","modified_gmt":"2013-04-23T17:01:32","slug":"mariene-de-castro-fala-sobre-sua-homenagem-a-clara-nunes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/04\/23\/mariene-de-castro-fala-sobre-sua-homenagem-a-clara-nunes\/","title":{"rendered":"Mariene de Castro fala sobre sua homenagem a Clara Nunes"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/04\/1303va0611.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-9928\" alt=\"1303va0611\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/04\/1303va0611-550x824.jpg\" width=\"419\" height=\"628\" \/><\/a>Caso n\u00e3o tivesse partido t\u00e3o cedo,<span style=\"color: #800080\"><strong> Clara Nunes<\/strong><\/span> teria completado 70 anos de vida em 12 de agosto de 2012. A data foi celebrada com o relan\u00e7amento da biografia escrita por Vagner Fernandes e uma s\u00e9rie no Canal Brasil. Houve tamb\u00e9m a promessa (n\u00e3o cumprida) do lan\u00e7amento de registros in\u00e9ditos e o relan\u00e7amento da sua discografia. o ano acabou e muito pouco se fez para relembrar uma artista daquele tamanho.<\/p>\n<p>Apesar da baixa estatura, <span style=\"color: #800080\"><strong>Clara Nunes<\/strong><\/span> era uma gigante nos palcos. Dona de uma beleza (em v\u00e1rios sentidos) estonteante, ela dan\u00e7ava jogando missangas, adere\u00e7os, bra\u00e7os e babados de um lado para o outro, hipnotizando seu p\u00fablico. Com essa ginga, ela aproximou Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, transformando tudo, praticamente, numa coisa s\u00f3.<\/p>\n<p>Boa parte dessa for\u00e7a da Mineira Guerreira era desconhecida pela cantora <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Mariene de Castro<\/strong><\/span>. Nome promissor da m\u00fasica brasileira, apesar dos 15 anos de carreira, ela descobriu <span style=\"color: #800080\"><strong>Clara<\/strong><\/span>, de verdade, h\u00e1 poucos anos, mas logo se viu envolvida na sua hist\u00f3ria. Da identifica\u00e7\u00e3o, nasceu uma aproxima\u00e7\u00e3o e um tributo que agora chega \u00e0s lojas em CD, DVD e formato digital. Parceria da Universal Music com o Canal Brasil, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Ser de Luz<\/strong><\/span> traz 16 grandes sucessos de Clara Nunes na voz emocionada de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Mariene<\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>\u201cQuem s\u00e3o as duas mulheres que voc\u00ea lembra quando se fala em Bahia? (&#8230;) \u00c9 a Carmen Miranda e a <span style=\"color: #800080\"><strong>Clara Nunes<\/strong><\/span>. E, curiosamente, nenhuma das duas era baiana\u201d, comenta a cantora em entrevista por telefone. <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Mariene<\/strong> <\/span>conta que, h\u00e1 algum tempo, vem trilhando a obra de <span style=\"color: #800080\"><strong>Clara<\/strong> <\/span>e descobrindo pontos em comum com a pr\u00f3pria vida. Pontos, estes, que ela comenta a seguir.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Como nasceu esse projeto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> Foi um convite que recebeu do Canal Brasil, junto com o Vagner Fernandes, bi\u00f3grafo da Clara. Aceitei e acho que \u00e9 um projeto que homenageia uma grande artista. Uma artista que se tornou uma saudade, que cantou muito a Bahia e o Nordeste. Trouxe nesse momento que ela completaria 70 de vida e 30 anos de morte. Um momento de lembrar o quanto ela foi importante para o Brasil. Imagine ela falar em Jeje e Nag\u00f4 num tempo em que havia muita intoler\u00e2ncia religiosa.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 E quando voc\u00ea se aproximou da vida da Clara?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> Desde que li o livro (Guerreira da utopia), h\u00e1 uns quatro anos, fiquei muito impressionada com o desejo dela de ser m\u00e3e, de falar num discurso afrodescendente, que falava muito em f\u00e9 e orix\u00e1s. E ela est\u00e1 muito viva na mem\u00f3ria do povo. Antes, eu j\u00e1 cantava \u201cConto de areia\u201d e \u201cIjex\u00e1\u201d, n\u00e3o mais que isso. Primeiramente, h\u00e1 pouco mais de um ano, fui convidada para cantar um outro projeto cantando Clara, mas ainda nada a ver com esse DVD. Ali j\u00e1 senti que algo de muito forte estava por vir. Logo em seguida conheci a can\u00e7\u00e3o \u201cUm ser de luz\u201d atrav\u00e9s de Beth (Carvalho). Depois o Diogo (Nogueira) me chamou pra cantar essa m\u00fasica no Sambabook (do Jo\u00e3o Nogueira).<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Ent\u00e3o j\u00e1 tinha um tempo que a Clara Nunes te perseguia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> N\u00e3o \u00e9 persegui\u00e7\u00e3o. Tenho na minha vida uma miss\u00e3o de falar para uma nova gera\u00e7\u00e3o quem foi essa mulher. Isso acaba causando uma aproxima\u00e7\u00e3o. Isso tudo precisava acontecer e aconteceu. Nesse tempo, conheci o Alceu Maia, que tocou com ela e trabalhou no meu DVD, e as pastoras da Portela. Esse ano desfilei pela Portela homenageando a Clara. Quando recebi o convite, estava em Minas, coincidentemente, gravando um filme.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/04\/marienedecastrodvd.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-9929\" alt=\"marienedecastrodvd\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/04\/marienedecastrodvd.jpg\" width=\"358\" height=\"504\" \/><\/a>DISCOGRAFIA \u2013 Como foi a escolha do repert\u00f3rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> \u00c9 um repert\u00f3rio familiar. A minha miss\u00e3o, e do artista, \u00e9 de doar a minha voz a essa obra e estar mais perto desse universo que me apresentou pra tanta gente importante. Foi tudo escolhido coletivamente. Um trabalho em fam\u00edlia. Todos participaram de uma forma muito presente.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Al\u00e9m da m\u00fasica, a Clara Nunes tinha alguns elementos que eram muito importantes, como o cabelo crespo, as roupas. Que Clara voc\u00ea queria mostrar nesse show?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> N\u00e3o h\u00e1 nada que n\u00e3o seja meu naturalmente, da minha ess\u00eancia. Eu sou uma negra de cabelo crespo, adepta do candombl\u00e9. Quem me conhece, isso sempre esteve presente na minha vida. N\u00e3o apenas por conta de Clara. Clara mostra isso a partir do momento em que ela canta a Bahia. Quando o Adelzon, o produtor, criou todo esse universo novo pra ela. Quem s\u00e3o as duas mulheres que voc\u00ea lembra quando se fala em Bahia?<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Hoje, s\u00e3o muitos nomes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> Mas \u00e9 a Carmen Miranda e a Clara Nunes. A figura de Clara, e da Carmen, eram muito pra Bahia. E, curiosamente, nenhuma das duas era baiana. Esse trabalho vem muito forte o meu olhar sobre Clara. \u00c9 o momento de Clara ensolarado, a partir do momento em que isso chega pra ela (o encontro com a Bahia). Acho que ningu\u00e9m se mostrou t\u00e3o baiana como ela e Carmen. Clara trouxe essa religiosidade, da filha de Ogun com Ians\u00e3. Isso marcou uma popula\u00e7\u00e3o que era \u00f3rf\u00e3. \u00c9 como se ela tivesse assinado uma liberta\u00e7\u00e3o. \u00c9 t\u00e3o de hoje essa intoler\u00e2ncia, imagine h\u00e1 30 anos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa aquela como\u00e7\u00e3o do enterro dela. Fiquei impressionada com as fotos.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Voc\u00ea tamb\u00e9m se v\u00ea nesse papel de falar desses assuntos de religiosidade, de uma cultura que ainda sofre preconceito?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> Como isso vem com muita verdade, na minha vida e no meu universo, isso vem naturalmente. Vem de onde eu venho, do meu dia a dia. Eu sou desse povo e por isso eu entendo t\u00e3o bem. Eu entendo essa car\u00eancia. Cad\u00ea o nosso pai e a nossa m\u00e3e dentro da nossa cultura, das nossas ra\u00edzes? O que \u00e9 ensinado pra gente \u00e9 muito diferente do que a gente sente. O samba de roda sempre foi tido como um produto de quinta. Por isso o (projeto) Santo de casa. Foi o momento do canto popular ser visto. Isso tudo \u00e9 uma hist\u00f3ria que, se n\u00e3o for contada, vai ser esquecido.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Voc\u00ea faz uma homenagem luxuosa para algu\u00e9m que tirava repert\u00f3rio do morro, de compositores que morreram pobres. Voc\u00ea tamb\u00e9m costuma vasculhar em busca de um repert\u00f3rio que fica \u00e0 margem da ind\u00fastria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> Essa \u00e9 a hist\u00f3ria que acontece na Bahia at\u00e9 hoje. Todos os sambistas est\u00e3o morrendo no anonimato. Hoje, gra\u00e7as a Deus, a gente tem um leque de artistas que gravam o Roque Ferreira. Dessa maneira, a gente ouve a Bahia fazendo samba. Desde meu primeiro disco, isso ta muito presente. Gravei muita m\u00fasica de dom\u00ednio p\u00fablico. \u00c9 onde surge a tabaroinha. Quem j\u00e1 me acompanha sabe quais os caminhos que eu percorri. Por isso eu me encontro em muitas m\u00fasicas da Clara. Quando eu mostrei a m\u00fasica \u201cUm ser de luz\u201d pro meu diretor musical e disse l\u00ea essa letra, ele perguntou \u201cfizeram pra voc\u00ea?\u201d.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 O que os anos de Timbalada te ensinaram?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> Eu tive, especialmente, mais contato com o Carlinhos Brown. Cantei com ele uns dois anos. Com a Timbalada foi um per\u00edodo curto. O que eu trago ainda hoje \u00e9 o contato direto com o povo, o encontro com a massa.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Mesmo que tenha tido muito sucesso logo no segundo disco, Clara Nunes demorou at\u00e9 se encontrar artisticamente. Voc\u00ea tamb\u00e9m teve dificuldades para encontrar seu caminho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> De verdade, n\u00e3o. Desde pequeninha eu tenho esse perfil. Desde minha atitude de menina, de querer trabalhar, sempre tive um pensamento muito atento a tudo. Quando fui convidada para ir pra Fran\u00e7a, eu tinha uma coisa de como o Brasil \u00e9 visto l\u00e1 fora. Por isso, eu fui de longo. \u201cVou mostrar que o Brasil tem eleg\u00e2ncia\u201d. Desde ent\u00e3o eu represento minha cidade com muita dignidade. Isso sempre esteve no meu discurso, na minha postura. Eu n\u00e3o canto can\u00e7\u00f5es. Eu tenho discurso.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Voc\u00ea j\u00e1 foi comparada a Edith Piaf e agora deve ser comparada a Clara Nunes. O que voc\u00ea mais admira nessas duas mulheres?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> Na \u00e9poca que eu fui comparada \u00e0 Piaf, eu conhecia uma coisa ou outra dela. Mas eu entendi a compara\u00e7\u00e3o por que eu era muito emotiva. Eu n\u00e3o falava uma palavra em franc\u00eas e cantava em portugu\u00eas. Mas as pessoas se emocionavam. Se a partir de ent\u00e3o me surgirem mais compara\u00e7\u00f5es, estou acostumada. J\u00e1 a Clara, se fosse h\u00e1 15 anos, eu diria \u201cquem \u00e9 a Clara?\u201d. Por que s\u00f3 fui ter contato agora.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 O que mais voc\u00ea destaca nesse seu novo trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mariene \u2013<\/strong> Foi muito importante ter os tambores do Gantois comigo. Lembrar tamb\u00e9m a M\u00e3e Menininha, que \u00e9 outra mulher muito forte que deixou uma li\u00e7\u00e3o muito importante. trazer meus m\u00fasicos baianos para o Rio de Janeiro, onde eles passaram um m\u00eas comigo, criando, arranjando. Quem ver esse DVD vai ver uma diferen\u00e7a do que \u00e9 o samba da Bahia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caso n\u00e3o tivesse partido t\u00e3o cedo, Clara Nunes teria completado 70 anos de vida em 12 de agosto de 2012. 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