{"id":9817,"date":"2013-06-17T14:59:45","date_gmt":"2013-06-17T17:59:45","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9817"},"modified":"2013-06-17T14:59:45","modified_gmt":"2013-06-17T17:59:45","slug":"40-anos-falando-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/06\/17\/40-anos-falando-da-vida\/","title":{"rendered":"Especial 10 anos de P\u00e1ginas Azuis: 40 anos falando da vida"},"content":{"rendered":"<p><em>Para comemorar os 10 anos das P\u00e1ginas Azuis, espa\u00e7o nobre publicado no Jornal O POVO com entrevistas exclusivas, o Blog DISCOGRAFIA relembra entrevista com o compositor Rodger Rog\u00e9rio publicada em fevereiro deste ano. Falando sobre sua vida de m\u00fasica, academia e timidez, o artista percorre os 40 anos que sucederam o lan\u00e7amento de Meu corpo minha embalagem todo gasto na viagem, disco fundamental da gera\u00e7\u00e3o setentista de m\u00fasicos cearenses. Acompanhe, a seguir, <em>a \u00edntegra desse bate-papo<\/em>:<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_10102\" style=\"width: 534px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3774.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10102\" class=\"size-large wp-image-10102 \" alt=\"Fotos: Igor de Melo\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3774-550x366.jpg\" width=\"524\" height=\"348\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10102\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Igor de Melo<\/p><\/div>\n<p>O que faz de um artista um \u00eddolo? Seria uma vida de muitos sucessos e popularidade? Ou logo num primeiro trabalho \u00e9 poss\u00edvel algu\u00e9m inscrever seu pr\u00f3prio nome na galeria dos imortais? Se esta segunda proposta estiver correta, existem muito motivos para se admirar <strong>Rodger Rog\u00e9rio<\/strong>. Isso por que, h\u00e1 exatos 40 anos, junto com Ednardo e Teti, ele gravaria o antol\u00f3gico <em>Meu corpo minha embalagem todo gasto na viagem<\/em>. Popularizado como Pessoal do Cear\u00e1, o disco foi o marco de uma gera\u00e7\u00e3o de compositores e cantores cearenses que, at\u00e9 hoje, funciona como um farol para os mais novos.<\/p>\n<p>No entanto, longe de sonhar com o sucesso, as luzes e o ass\u00e9dio das estrelas da m\u00fasica, <strong>Rodger<\/strong> preferiu uma vida discreta, mesmo que n\u00e3o perdesse a arte de vista. Pra ser verdadeiro, foi o estudo da F\u00edsica que levou o cantor e compositor a viajar pelo Brasil nas d\u00e9cadas de 1960 e 70. E, fosse em Bras\u00edlia, Rio de Janeiro ou em S\u00e3o Paulo, novos encontros, velhos amigos e o talento de sempre faziam surgir can\u00e7\u00f5es marcantes como <em><strong>Retrato Marrom<\/strong><\/em>, <em><strong>Falando da vida<\/strong><\/em> ou <strong><em>Ponta do l\u00e1pis<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Num entanto, uma timidez implac\u00e1vel insistia em lhe puxar o tapete sempre que algum convite mais assanhado lhe chegava. E foi por isso que o compositor chegou a fugir de nomes nobres como Elis Regina (1945 \u2013 1982), Nara Le\u00e3o (1942 \u2013 1989) ou Roberto Carlos. \u00c9, o Rei chegou ao port\u00e3o de <strong>Rodger Rog\u00e9rio<\/strong>, mas n\u00e3o levou nenhuma m\u00fasica. Hoje, o cearense n\u00e3o nega que se arrepende e lamenta tamanha timidez. Por sorte, seu legado musical o redime e novos artistas e ouvintes j\u00e1 t\u00eam a oportunidade de v\u00ea-lo orgulhoso da pr\u00f3pria voz. A voz que, a seguir, conta a pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><b>O POVO \u2013 Queria que voc\u00ea come\u00e7asse lembrando seus primeiros contatos com a arte.<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger Rog\u00e9rio \u2013<\/strong> a primeira arte que me tocou foi a m\u00fasica mesmo. Eu me lembro de querer me alfabetizar logo pra ler letra de m\u00fasica. Para acompanhar cantor cantando e tentar ler na mesma velocidade. Ent\u00e3o eu sempre muito ligado em m\u00fasica.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3648.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10103\" alt=\"IMG_3648\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3648-300x450.jpg\" width=\"300\" height=\"450\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3648-300x450.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3648-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3648-740x1110.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3648-120x180.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>OP \u2013 Isso com que idade?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> N\u00e3o sei, acho que uns seis anos. Foi logo que eu entrei na escola. Sempre foi m\u00fasica. Cinema \u00e9 interessante por que eu tamb\u00e9m me ligava desde crian\u00e7a, mas jamais pensei em ser ator. Nem pensei em ser cantor, m\u00fasico. Nunca tive esse sonho de me tornar um profissional da m\u00fasica. Mas acabei me tornando ainda cedo. Adolescente entrei pruma banda onde eu tocava baixo. Tinha que ser um instrumento onde eu pudesse me esconder atr\u00e1s.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Era um baixo ac\u00fastico.<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> N\u00e3o tinha o el\u00e9trico nessa \u00e9poca. O viol\u00e3o tinha el\u00e9trico, mas o baixo n\u00e3o. E era uma banda que tocava tudo, uma banda de baile. Agora, eu fui me interessar por aprender o viol\u00e3o com a Bossa Nova. A Bossa Nova parecia uma coisa estranha demais. Hoje em dia as pessoas n\u00e3o t\u00eam mais o impacto que a gente teve, por que, at\u00e9 ent\u00e3o, as harmonias, principalmente as harmonias, eram muito diferentes. Era uma coisa muito estranha. Eu ouvi aquele neg\u00f3cio, fiquei encantado e resolvi tentar aprender.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Tamb\u00e9m o Chega de Saudade que lhe impressionou nesse come\u00e7o?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Tamb\u00e9m foi com um disco do Jo\u00e3o Gilberto. Foi uma loucura mesmo. E eu tive a sorte dos amigos, minha turma do bairro, todo mundo ficou apaixonado por esse neg\u00f3cio. A gente se cotizava pra comprar disco, por que disco era caro.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Em que bairro voc\u00ea morava nessa \u00e9poca?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Era o Damas, n\u00e9? Na Avenida Jo\u00e3o Pessoa. E eu frequentava muito o Jardim Am\u00e9rica, por causa do Cine Am\u00e9rica. A gente ia pro cinema todo dia, n\u00e3o tinha televis\u00e3o na \u00e9poca. E ia pra pracinha do Jardim Am\u00e9rica e ia pra Gentil\u00e2ndia, por causa do Est\u00e1dio de Futebol. Tamb\u00e9m comecei a jogar futebol e a brincadeira de menino era m\u00fasica e futebol.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Antes da Bossa Nova, voc\u00ea lembra qual \u00e9 sua primeira mem\u00f3ria musical?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Era o meu pai e minha cantando basicamente, eu acho. Meu pai cantava muito Orlando Silva. Tem m\u00fasica que aprendi que eu n\u00e3o sei como. Acho que foi de ver minha m\u00e3e cantar. M\u00fasica do Lauro Maia, do Luiz Assun\u00e7\u00e3o, por exemplo. M\u00fasica dessa turma que tocava no r\u00e1dio. Eu tamb\u00e9m ia a muitos programas de audit\u00f3rio, tanto na Cear\u00e1 R\u00e1dio Clube quanto da R\u00e1dio Iracema. Era mais frequente na Cear\u00e1 R\u00e1dio Clube, por que vinham muitos artistas. Isso crian\u00e7a. Na adolesc\u00eancia era mais cinema e m\u00fasica.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 E em termos de profiss\u00e3o, o que lhe chegou primeiro: a m\u00fasica ou a f\u00edsica?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Rapaz, a minha inten\u00e7\u00e3o era ser violonista. Sempre gostei muito de estudar. E a matem\u00e1tica me pegou. Eu gostava de matem\u00e1tica. Tanto que, quando eu entrei no segundo grau, o pessoal me dizia: \u201cf\u00edsica vai ser f\u00e1cil por que voc\u00ea gosta de matem\u00e1tica\u201d. E eu vi que n\u00e3o era assim, n\u00e3o bastava saber matem\u00e1tica para automaticamente saber f\u00edsica. Minha faixa de idade era pra matem\u00e1tica, n\u00e3o pra f\u00edsica. Eu fiz f\u00edsica por curiosidade mesmo. Eu queria entender aquele neg\u00f3cio, que me pareceu muito complicado. Interessante que, no ano que eu entrei pra universidade, eu tirei minha carteira da Ordem do M\u00fasicos. Eu j\u00e1 tocava, mas quando chega o fim do ano e o come\u00e7o do ano, o Carnaval principalmente, a Ordem dava em cima.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3721.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-10104\" alt=\"IMG_3721\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3721-550x366.jpg\" width=\"524\" height=\"348\" \/><\/a>OP \u2013 E quando nascem em voc\u00ea as primeiras composi\u00e7\u00f5es?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Logo eu vi que pra eu ser violonista n\u00e3o daria tempo. Ou eu estudava viol\u00e3o ou F\u00edsica. Eu lembro que tinha o Cirino, que tamb\u00e9m tocava viol\u00e3o, e a gente era mais ou menos do mesmo n\u00edvel. Quando eu o vi evoluindo, passando de mim, vi que tinha condi\u00e7\u00e3o de acompanhar. Eu n\u00e3o tinha tempo. Eu queria estudar F\u00edsica. A\u00ed eu vi que tinha facilidade pra compor. Comecei e no in\u00edcio n\u00e3o mostrava pra ningu\u00e9m. Depois eu passei a mostrar umas m\u00fasicas e no meio eu botava uma minha. Como ningu\u00e9m reclamou, t\u00e1 passando (risos).<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Dessas primeiras composi\u00e7\u00f5es, alguma coisa ficou ou voc\u00ea foi deixando?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> N\u00e3o, eu fui deixando. Eu lembro de algumas, mas s\u00f3 de curiosidade. Mas s\u00f3 tenho registro na mem\u00f3ria.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 E o que eram essas primeiras composi\u00e7\u00f5es?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Era Bossa Nova. Eu era aprendiz de Tom Jobim. Louco por Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Carlos Lyra tamb\u00e9m. Eu adorava a m\u00fasica desse pessoal. Era nessa linha. E era interessante por que eu s\u00f3 tocava samba, e nesse estilo. Eu n\u00e3o conseguia fazer outra coisa. Isso me perturbou um pouco. \u201cRapaz, eu n\u00e3o sei fazer outra coisa?!\u201d (risos). Eu ficava tentando, tentando, at\u00e9 que um dia eu fiz uma valsa e fiquei numa alegria danada. Depois eu descobri que minha valsa era um pl\u00e1gio de um choro.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Nessa \u00e9poca de universidade e m\u00fasica, voc\u00ea j\u00e1 tem por volta de 20 anos. Como acontece o encontro com a turma que depois formaria o Pessoal do Cear\u00e1?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Era \u00e9poca de gr\u00eamio estudantil, o pessoal descobre que eu bato um viol\u00e3o, tinha reuni\u00e3o ali pelo Benfica. Eu ficava tocando, fazendo serenata. A\u00ed foi quando eu recebi uma bolsa e tive que deixar de tocar profissionalmente. Fiquei tocando viol\u00e3o s\u00f3 com a turma e larguei o baixo. E fui conhecendo as pessoas. Na Arquitetura era bom por que tinha uma discoteca enorme e um som bom.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 O que voc\u00eas ouviam?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> A m\u00fasica era, basicamente, Bossa Nova, Jazz e, depois, os Beatles. E a gente ouvia muito, muito, muito. Era uma coisa de louco como se ouvia m\u00fasica. E a gente precisava ouvir muito tamb\u00e9m por que a informa\u00e7\u00e3o era pouca. Hoje, quando eu vejo, voc\u00ea baixa uma coisa na internet e vem com a cifra, a letra, tudo pronto. Na \u00e9poca, era tudo no ouvido. Uma dificuldade pra aprender, mas fez bem por que a gente se desenvolveu muito.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 E, nesse meio, voc\u00ea foi conhecendo as pessoas.<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Basicamente, foi. O Augusto (Pontes), o Fausto (Nilo), o (Jos\u00e9 Soares) Brand\u00e3o, Francis Vale. Foi tudo ali no CEU, como chamava o Clube dos Estudantes Universit\u00e1rios. Depois a gente come\u00e7ou a tomar umas, passou a frequentar o Bar do An\u00edsio, que era longe da Cidade, na Beira Mar. L\u00e1 a gente tocava viol\u00e3o, mostrava m\u00fasica uns pros outros. O Petr\u00facio (Maia) eu tamb\u00e9m conheci nessa \u00e9poca. Inclusive, participamos de um grupo juntos, chamado Cactus, com m\u00fasica, poesia e tal. Foi a\u00ed que eu comecei a mostrar minhas m\u00fasicas. Mas assim, sem dizer que era minha.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Mas voc\u00ea compunha sem pensar em gravar?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> N\u00e3o, n\u00e3o pensava. O mercado de m\u00fasica n\u00e3o existia pra mim. Essa hist\u00f3ria de ir pro Rio de Janeiro, pra S\u00e3o Paulo, s\u00f3 foi depois. Teve a hist\u00f3ria dos festivais, n\u00e9? E alguns foram importantes pra n\u00f3s, como o da R\u00e1dio Assun\u00e7\u00e3o, em 1968, que o Aderbal Filho promoveu e que agregou mais gente. Foi nele que n\u00f3s conhecemos o Fagner. Como ele era um pouco mais novo, a gente sa\u00eda \u00e0 noite e ele n\u00e3o sa\u00eda. No ano seguinte, teve o Festival Nordestino da Rede Tupi, que tinha eliminat\u00f3rias em Fortaleza, Recife e Salvador. Eu me inscrevi e minha m\u00fasica tirou o segundo lugar.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Qual era a m\u00fasica?<\/b><\/p>\n<p>Rodger \u2013 O \u201cBye Bye Bai\u00e3o\u201d, que teve letra do Ded\u00e9 Evangelista, que foi meu professor na F\u00edsica. A m\u00fasica foi segundo lugar, mas foi a mais tocada, a que mais chamou aten\u00e7\u00e3o. Por que o primeiro lugar foi uma m\u00fasica de Recife de um pai que escreveu para uma filha que era cega. Era uma m\u00fasica triste. E a minha era totalmente pra cima. Ent\u00e3o ganhou a que tinha que ganhar, por que era uma m\u00fasica muito cheia de sentimento. Mas o \u201cBye bye bai\u00e3o\u201d tinha que ser a mais conhecida. Isso foi importante por que o pessoal da televis\u00e3o aqui ficou muito animado em fazer um programa de m\u00fasica. Eles viram que aqui tinha m\u00fasica. A gente chegou a fazer curso de TV pra aprender a se mexer em est\u00fadio.\u00a0 E era umas 20 pessoas, eu, Petr\u00facio, Cirino. Era uma festa. Terminava a grava\u00e7\u00e3o ia todo mundo pro An\u00edsio.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3756.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-10105\" alt=\"IMG_3756\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3756-550x825.jpg\" width=\"419\" height=\"629\" \/><\/a>OP \u2013 Nessa \u00e9poca voc\u00ea j\u00e1 conhecia o Ednardo?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> N\u00e3o, conheci o Ednardo no segundo Festival da Tupi. O augusto foi quem disse \u201crapaz, tem um cara ali que canta bem, com m\u00fasica (em tom empolgado)\u201d. A gente procurou por ele, pra conhece-lo. E assim foi o caldo, ouvir muita m\u00fasica na arquitetura, conversar sobre arte de uma maneira geral, o Augusto Pontes tamb\u00e9m era muito ligado em teatro.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 O Augusto Pontes funcionou como uma antena para essa gera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 isso?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> O Augusto foi muito respons\u00e1vel pela agrega\u00e7\u00e3o. Ele juntou. Ele fazia quest\u00e3o que a turma estivesse junta.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Queria que voc\u00ea lembrasse a \u00e9poca em que muitos dessa turma sa\u00edram de Fortaleza.<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Eu terminei meu curso de F\u00edsica em S\u00e3o Paulo, na USP. A UFC fez um conv\u00eanio com a USP e n\u00f3s terminamos o curso l\u00e1. E teve um professor que levou um monte de aluno pra Bras\u00edlia. Eu fui um dos que ele levou, e o Ded\u00e9 Evangelista tamb\u00e9m. Nessa \u00e9poca, o Fausto, o Augusto tamb\u00e9m foram para Bras\u00edlia. O Fagner tamb\u00e9m foi pra fazer o vestibular l\u00e1, mas ele queria era chegar no Rio de Janeiro. Logo quando ele entrou na universidade, teve um Festival Universit\u00e1rio e as tr\u00eas m\u00fasicas que ele inscreveu emplacaram. Enquanto isso, o Belchior ganhou o festival universit\u00e1rio no Rio. A\u00ed assanhou todo mundo. Vimos que a m\u00fasica chegou no Rio. O Belchior foi um pouco esse estopim. E quando eu terminei o mestrado em Bras\u00edlia, fiquei sem saber pra onde ir. Fui pra S\u00e3o Paulo e me hospedei na casa do Belchior.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 E, \u00e0 medida que a F\u00edsica lhe levava, voc\u00ea continuava a compor.<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Compunha sim. L\u00e1 em S\u00e3o Paulo n\u00f3s tamb\u00e9m participamos de um programa na TV Cultura que foi muito importante. Era um programa de entrevistas. E a sistem\u00e1tica era a seguinte: a gente conversava com o entrevistado durante horas e, depois, o produtor mandava o roteiro dizendo onde ele queria m\u00fasica. Era m\u00fasica pra uma pergunta, m\u00fasica comentando resposta. Quem fazia era eu, Ednardo, o Belchior e a Teti. Teve alguns foras, mas quase sempre dava certo. Um dos foras foi com o Aldemir Martins. O Ednardo tinha feito \u201cIngazeiras\u201d, mas era Guai\u00faba, por que a gente tinha entendido que ele nasceu em Guai\u00faba. Na hora de gravar o programa ele disse \u201cn\u00e3o, rapaz, eu nasci em Ingazeiras\u201d. A\u00ed fomos trocar Guai\u00faba por Ingazeiras e achamos estranh\u00edssimo. Outro fora foi no programa do Paulo Vanzolini, por que a gente entendeu que ele disse que a Amaz\u00f4nia era o pulm\u00e3o do mundo. N\u00f3s fizemos uma m\u00fasica e, quando cantamos, ele disse \u201cOpa! Eu n\u00e3o disse isso\u201d. Mas com esse programa a gente come\u00e7ou a ficar conhecido e come\u00e7aram a chamar a gente de \u201cpessoal do Cear\u00e1\u201d. Como a gente chamava todo mundo de pessoal, passaram a nos chamar de \u201cpessoal do cear\u00e1\u201d.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 E como nasce, no meio dessa turma, o primeiro disco?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Um dos entrevistados desse programa foi o Walter Silva, que era produtor de discos aposentado. Mas ele se encantou com a nossa m\u00fasica. No dia da entrevista dele, a gente chegou na casa dele tipo oito horas da noite e sa\u00edmos de l\u00e1 de manh\u00e3. Ele queria fazer um disco com todo mundo. Mas, como o Belchior j\u00e1 estava meio encaminhado pra fazer um disco sozinho, o Fagner tamb\u00e9m, acabou ficando n\u00f3s tr\u00eas. Depois de muita briga, a gente conseguiu lan\u00e7ar o Pessoal do Cear\u00e1 aqui, antes do Carnaval.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Esse primeiro disco, Meu corpo, minha embalagem todo gasto na viagem, pra gente hoje \u00e9 um cl\u00e1ssico da m\u00fasica cearense. Esse ano, ele completa 40 anos. Como voc\u00ea avalia esse disco hoje?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Eu gosto do disco. Eu n\u00e3o gosto muito das minhas interven\u00e7\u00f5es de cantor. Na \u00e9poca eu n\u00e3o era cantor e nem gostava de ser. Eu cantava \u00e0 for\u00e7a. Todo mundo for\u00e7ava e eu dizia \u201cbasta a Teti\u201d. Essa hist\u00f3ria de eu virar cantor foi depois dos 40 anos, quando eu fiz um curso de teatro e meu primeiro personagem foi um cantor l\u00edrico. A\u00ed eu descobri que tinha voz.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Mas voc\u00ea tamb\u00e9m v\u00ea esse disco como um cl\u00e1ssico?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> N\u00e3o se um cl\u00e1ssico, mas, como foi o primeiro, \u00e9 um pouco emblem\u00e1tico. E a gera\u00e7\u00e3o da gente ganhou mesmo. Essa m\u00fasica \u201cTerral\u201d tocou no Brasil todo. E o fato de agente n\u00e3o ser um grupo de m\u00fasicos atrapalhou um pouco a carreira do disco. Lembro que a gente chegava numa r\u00e1dio, o Ednardo come\u00e7ava a cantar \u201cTerral\u201d e o pessoal ficava \u201ccantem juntos\u201d olhando pra gente. \u00c9ramos compositores independentes, mas as pessoas queriam o Pessoal do Cear\u00e1. Mas o disco eu gosto. A Teti tava num momento que cantava muito bem, o Ednardo tamb\u00e9m, bem afinadinho.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Dois anos depois do Pessoal do Cear\u00e1, voc\u00ea lan\u00e7ou o Ch\u00e3o Sagrado, com a Teti. Qual \u00e9 a hist\u00f3ria desse disco?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> A escolha das m\u00fasicas era mais ou menos o que nos est\u00e1vamos cantando naquela \u00e9poca. O Walter Silva deixava a gente bem \u00e0 vontade para escolher o repert\u00f3rio. Ele confiava na m\u00fasica, no talento da gente. Agora, o Ch\u00e3o Sagrado achei mal mixado, equalizado. A Teti ouve o disco e diz que a voz dela ta muito gasguita. \u00c9 um disco bom tamb\u00e9m, mas tem esse defeito. Depois que o Ednardo gravou sozinho, a ideia da RCA era que eu e a Teti fossemos uma dupla mesmo, como tinha, na \u00e9poca, o Marvin Gaye e a Diana Ross, outra na It\u00e1lia. Mas quem acabou ficando com esse posto a\u00ed foi Jane e Herondy.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Embora a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja grande, sua gera\u00e7\u00e3o fez discos que se tornaram antol\u00f3gicos local e nacionalmente. No entanto, boa parte destes discos est\u00e1 fora de cat\u00e1logo. Isso lhe incomoda?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> (pensando) Olha, n\u00e3o&#8230;. O Cear\u00e1 n\u00e3o curte tanto seus artistas quanto outros lugares curtem. Eu n\u00e3o tenho nenhuma reclama\u00e7\u00e3o a fazer. Acho at\u00e9 que sou festejado demais, por conta de que eu n\u00e3o procuro, n\u00e3o fiz uma carreira mesmo. Eu voltei pra Fortaleza com o pessoal da reitoria me pressionando, dizendo que ia haver uma reclassifica\u00e7\u00e3o e eu ia ganhar uma bolada. Eu vim, n\u00e3o teve a reclassifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o teve a bolada. Mas eu n\u00e3o quis mais ir embora. A vida aqui \u00e9 melhor.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3707.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10106\" alt=\"IMG_3707\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3707-300x450.jpg\" width=\"300\" height=\"450\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3707-300x450.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3707-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3707-740x1110.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3707-120x180.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>OP \u2013 Quanto tempo voc\u00ea passou fora?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Ao todo, foram seis anos. Mas o primeiro foi estudando, n\u00e3o tinha nada de m\u00fasica. Ali\u00e1s, tinha, mas eu fugia muito. A Nara Le\u00e3o quis me conhecer e marcaram uma reuni\u00e3o na casa dela. Eu fui e voltei da porta. N\u00e3o tive coragem de entrar. Era uma timidez muito grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #333399\"><em>&gt; Rodger mora num d\u00e9cimo quarto andar de frente para o Mucuripe, com uma bela vis\u00e3o de Fortaleza.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333399\"><em>&gt; Na grava\u00e7\u00e3o desta entrevista, \u00e9 poss\u00edvel ouvir o som dos passarinhos que Rodger cria na varanda de casa.<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Em algum momento voc\u00ea pensou em largar a F\u00edsica para viver de m\u00fasica?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Teve um momento, quando a gente gravou o primeiro. A gente come\u00e7ou a ser muito requisitado e eu sofri uma certa press\u00e3o na USP. Em 1972 eu fui pra dar aula l\u00e1. Havia uma queixa por que um professor da universidade n\u00e3o deveria estar se expondo daquele jeito. Os alunos achavam uma maravilha. A gente come\u00e7ou a fazer programa semanal na Record e isso incomodava o pessoal.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 A m\u00fasica lhe deu muito dinheiro?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Pra mim n\u00e3o. Agora, os meninos ganharam. O Fagner ficou rico, o Belchior ficou rico, o Ednardo ficou quase rico. Eu passei mais de 10 anos sem receber um tost\u00e3o de direitos autoral. Quando eu fui ver, j\u00e1 tinha sido desfiliado. Acabei de me filiar de novo \u00e0 UBC (Uni\u00e3o Brasileira dos Compositores).<\/p>\n<p><b>OP \u2013 \u00c9 verdade que voc\u00ea j\u00e1 perdeu uma bolsa por que estava tocando?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> \u00c9 verdade. Como eu ganhei uma bolsa, n\u00e3o podia ter emprego, fiquei tocando s\u00f3 na Boate do San Pedro Roof. E deixei de tocar profissionalmente, mas fiquei s\u00f3 no s\u00e1bado por que era a minha brincadeira. A\u00ed foi um foi um grupo de professores l\u00e1 na boate e acenderam o refletor bem em mim e eu pensei \u201cpronto, ta agradando\u201d. Os caras tinham pedido pra acender pra ver se era eu mesmo. Quando eu cheguei na segunda-feira tinham tirado minha bolsa.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Curiosamente, mesmo sendo um nome referencial da nossa m\u00fasica, voc\u00ea s\u00f3 foi gravar um disco solo em 2003&#8230;<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Pois \u00e9, e eu ainda n\u00e3o era cantor (risos).<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Por que essa demora toda? Tem a ver com a o fato de voc\u00ea n\u00e3o gostar de se ouvir cantando?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Tem sim. Nesses dias que eu j\u00e1 estava me metendo a cantar, j\u00e1 n\u00e3o ia com tanta dificuldade, mas n\u00e3o me via cantor. Mas tinha algumas m\u00fasicas que eu achava que cantava bem. Esse disco foi gravado ao vivo, n\u00e3o teve ensaio. Foi uma loucura. O Mingo (Ara\u00fajo) n\u00e3o conhecia nenhuma m\u00fasica. Eu o conheci no dia (da grava\u00e7\u00e3o). Ele tava aqui sem fazer nada e foi. Mas o Manass\u00e9s e o Aroldo (Ara\u00fajo, baixo) s\u00e3o meus amigos de longa data. Quem escolheu as m\u00fasicas, basicamente, foi o Manass\u00e9s, que pegou as que ele conhecia mais. Foi o Ivan Ferraro quem me convidou. N\u00f3s tocamos todas as m\u00fasicas duas vezes, mas a d\u00e9cima n\u00e3o deu, por que tava todo mundo meio cansado.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3667.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-10107\" alt=\"IMG_3667\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3667-550x366.jpg\" width=\"524\" height=\"348\" \/><\/a>OP \u2013 E esse disco tem uma m\u00fasica que foi feita em ingl\u00eas.<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Pois \u00e9, n\u00e3o sei por que eu fiz em ingl\u00eas. Eu n\u00e3o sou letrista. M\u00fasica, voc\u00ea pode me encomendar por que as ideias est\u00e3o aqui. Eu vou s\u00f3 arrumar as ideias. Eu posso trabalhar, posso demorar, dependendo da hist\u00f3ria. Mas letra n\u00e3o. Tem que chegar pronta por que eu n\u00e3o tenho paci\u00eancia pra ficar trabalhando. Eu compus letras, mas poucas. E essa veio em ingl\u00eas.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 E na \u00e9poca desse disco, voc\u00ea chegou a comentar que tinha projetos pra outros. Por onde andam esses projetos?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Est\u00e3o esperando algu\u00e9m que me carregue (risos).<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Sei que al\u00e9m da m\u00fasica, outra paix\u00e3o sua \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o. Como foi essa descoberta do ator?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Pois ent\u00e3o, eu queria escrever. Eu j\u00e1 estava escrevendo uns programetes de tr\u00eas minutos pra R\u00e1dio Universit\u00e1ria chamado Anota\u00e7\u00f5es do Professor. Falava muito de F\u00edsica trazendo pro cotidiano. Estava tomando gosto, mas s\u00f3 escrevia F\u00edsica. Ent\u00e3o, eu tava corrigindo provas em casa quando ouvi que estava havendo sele\u00e7\u00e3o pro curso de arte dram\u00e1tica. Me inscrevi e passei na sele\u00e7\u00e3o. Primeiro eu comecei a gostar de viver a experi\u00eancia de ser outra pessoa. A\u00ed eu n\u00e3o tinha aquela timidez, j\u00e1 que era outra pessoa. E, na primeira pe\u00e7a que fizemos, me deram um papel (de cantor) l\u00edrico. E foi a\u00ed que eu descobri que tinha voz potente, que precisava s\u00f3 educar um pouco.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 E o cinema?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Ah! O cinema \u00e9 uma del\u00edcia. Adorei fazer cinema. Foram muitas experi\u00eancias. Eu contei at\u00e9 30, entre curtas e longas. Tem muito curta. Sempre cobrei cach\u00ea, mas n\u00e3o d\u00e1 pra viver disso. E teve uma carga muito importante na minha vida. Se eu soubesse tinha feito esse neg\u00f3cio antes. Fiz com 45 anos de idade, hoje eu to com 69.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 E as composi\u00e7\u00f5es? Voc\u00ea continua produzindo m\u00fasica?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> (pensando) Continuo. Poucas can\u00e7\u00f5es. Hoje fa\u00e7o mais por exerc\u00edcio mesmo. A W\u00e2nia \u00e9 que, \u00e0s vezes, passa e diz \u201cque bonito. Voc\u00ea deveria gravar\u201d. Mas eu registro muito pouco. Eu aprendi a escrever na partitura, mas tenho pregui\u00e7a. Quando eu escrevo, eu gosto. Mas preciso estar com muita vontade.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Tem alguns nomes que s\u00e3o refer\u00eancia para a sua m\u00fasica e eu queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre o seu contato com eles. Pra come\u00e7ar, o Augusto Pontes.<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> O Augusto foi, talvez, o mais importante pra n\u00f3s todos. Primeiro que ele acreditou na m\u00fasica. (Citando) \u201cEssa m\u00fasica de voc\u00eas tem chance. \u00c9 muito melhor do que muita coisa que est\u00e1 por a\u00ed\u201d. Ele dava muita corda. Incentivava muito mesmo. E a hist\u00f3ria de se juntar, fazer coisas coletivas. Isso tamb\u00e9m a gente deve muito a ele.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3688.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10108\" alt=\"IMG_3688\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3688-300x450.jpg\" width=\"300\" height=\"450\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3688-300x450.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3688-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3688-740x1110.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3688-120x180.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>OP &#8211; O Fagner.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> O Fagner foi depois e fez um sucesso enorme. Isso marca todo mundo. Mas o Petr\u00facio foi mais pr\u00f3ximo. Ele tava sempre junto, mostrando m\u00fasica. Nunca fiz m\u00fasica com o Petr\u00facio, mas est\u00e1vamos sempre junto e mostrando o que cada um fazia. Tamb\u00e9m n\u00e3o compus com o Fagner, mas ele gravou coisa minha.<\/p>\n<p><strong>OP &#8211; O Belchior.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> N\u00f3s fizemos algumas coisas juntos, principalmente nesses programas. Sempre que a gente se encontra \u00e9 uma festa enorme. \u00c9 um amigo. Eles n\u00e3o se d\u00e3o muito bem n\u00e3o, mas eu me dou bem com todos eles (risos).<\/p>\n<p><strong>OP &#8211; Teti.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> A gente foi casado at\u00e9 n\u00e3o d\u00e1 mais. Ficamos 17 anos casados. Tivemos tr\u00eas filhos. Eu adorava ouvir a Teti cantando. Era a primeira pessoa a quem eu mostrava m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>OP &#8211; Ney Matogrosso.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> O Ney eu conheci pouco. S\u00f3 nessa \u00e9poca do programa da Record. Depois ele ficou amigo do Fagner e acabou gravando coisa minha, que ele conheceu atrav\u00e9s do Fagner. Ele inclusive reclamou com o Fausto que ele vem a Fortaleza e eu n\u00e3o o procuro. Mas era timidez. Talvez se ele chegar agora eu o procure.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #333399\">&gt; Ao fim da entrevista, enquanto tom\u00e1vamos caf\u00e9 com p\u00e3o de queijo, o assunto mais falado foi m\u00fasica e timidez.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #333399\">&gt; Embora ainda n\u00e3o conhe\u00e7a, Rodger comentou que tem ouvido muitos elogios ao novo disco de Amelinha, Janelas do Brasil. \u201cDizem que ela est\u00e1 cantando divinamente bem\u201d, comentou.<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3637.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10109\" alt=\"IMG_3637\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/06\/IMG_3637-300x450.jpg\" width=\"300\" height=\"450\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3637-300x450.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3637-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3637-740x1110.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/06\/IMG_3637-120x180.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>OP \u2013 Essa timidez j\u00e1 lhe atrapalhou muito, n\u00e3o foi?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Rapaz, atrapalhou. O Roberto Carlos uma vez marcou uma reuni\u00e3o comigo por que ele queria gravar duas m\u00fasicas que ele tinha ouvido falar. Era \u201cBarco de Cristal\u201d e \u201cDaniela\u201d, que eu fiz pra minha filha. Eu n\u00e3o fui. O pessoal s\u00f3 faltou dar em mim. Essa do Roberto Carlos foi fogo. Ele marcou num hor\u00e1rio em que eu estava me apresentando numa casa em S\u00e3o Paulo e eu resolvi cumprir minha obriga\u00e7\u00e3o. Mas na realidade eu n\u00e3o fui foi por timidez mesmo.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Voc\u00ea se arrepende de ter deixado passar essas oportunidades com o Roberto, a Nara&#8230;<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Me arrependo, me arrependo. A Elis Regina tamb\u00e9m me procurou. Pra eu ir na casa dela foi um problema. E quando eu fui ela j\u00e1 tinha fechado o repert\u00f3rio daquele disco que ela gravou duas m\u00fasicas do Belchior (Falso brilhante). Ela morava pertinho da minha casa e queria ouvir o que eu tinha. Eu fui com o Clodo e a Teti, e ela recebeu a gente muito bem. Nem levei o viol\u00e3o.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Voc\u00ea se considera uma refer\u00eancia para essa nova gera\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Rapaz, est\u00e3o querendo dizer isso (risos). Mas eu tenho t\u00e3o pouca coisa gravada. Minha obra \u00e9 bem maior do que ganhou acesso \u00e0 pessoas. \u00c9 muito pouco o que eu apresentei. O Fagner, o Belchior, o Ednardo, esses sim \u00e9 que s\u00e3o grandes refer\u00eancias. Eu menos.<\/p>\n<p><b>OP \u2013 Mas hoje voc\u00ea \u00e9 mais cantor, ator ou professor?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Hoje eu sou mais cantor.<\/p>\n<p><strong>Pergunta do leitor:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Soledad Brand\u00e3o (cantora e atriz) &#8211; Voc\u00ea acompanha a m\u00fasica que se faz atualmente no Cear\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Acompanho um pouco e me animo muito. Conhe\u00e7o muita gente boa. Primeiro os m\u00fasicos, por que, naquela \u00e9poca, eram pouco m\u00fasicos. Tinha m\u00fasico de baile, mas eram poucos que topavam. Hoje, n\u00e3o. Entre os compositores, tem muitos m\u00fasicos muito bons. A hist\u00f3ria do curso da UECE e agora o da federal, deu um impulso muito positivo na m\u00fasica do Cear\u00e1.<\/p>\n<p><b>Soledad &#8211; Voc\u00ea enxerga que a m\u00fasica autoral que se faz hoje no Cear\u00e1 pode chegar ao patamar da sua gera\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><strong>Rodger \u2013<\/strong> Pode. Em mat\u00e9ria de qualidade, pode sim. Os meios \u00e9 que est\u00e3o diferentes. Se de certa forma facilitou a chegada ao disco, a distribui\u00e7\u00e3o do disco, da m\u00fasica, est\u00e1 muito complicada. N\u00e3o sei como \u00e9. Ta fora de controle. Achei bom por que acabou com a farra das gravadoras, que era quem resolvia tudo. Mas a gente perdeu a m\u00e1quina de distribui\u00e7\u00e3o. Mas em termos de qualidade, existe gente boa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para comemorar os 10 anos das P\u00e1ginas Azuis, espa\u00e7o nobre publicado no Jornal O POVO com entrevistas exclusivas, o Blog DISCOGRAFIA relembra entrevista com o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[129,139,283,345,1],"tags":[],"class_list":["post-9817","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","category-fagner","category-nacional","category-rodger-rogerio","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9817\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}