{"id":9826,"date":"2013-03-22T15:46:07","date_gmt":"2013-03-22T18:46:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9826"},"modified":"2018-02-23T00:20:43","modified_gmt":"2018-02-23T03:20:43","slug":"musica-em-cores-o-voo-interminavel-do-ave-sangria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/03\/22\/musica-em-cores-o-voo-interminavel-do-ave-sangria\/","title":{"rendered":"M\u00daSICA EM CORES: Ave Sangria (1974)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9831\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/Ave-Sangria-1974-Ave-Sangria-740x738.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"738\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/Ave-Sangria-1974-Ave-Sangria-740x738.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/Ave-Sangria-1974-Ave-Sangria-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/Ave-Sangria-1974-Ave-Sangria-300x299.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/Ave-Sangria-1974-Ave-Sangria-768x766.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/Ave-Sangria-1974-Ave-Sangria-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/Ave-Sangria-1974-Ave-Sangria.jpg 1413w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Se, nos anos 1990, Pernambuco seria aclamada como uma das terras musicalmente mais promissoras do Brasil (principalmente por ter parido o manguebeat), vinte anos antes, ela j\u00e1 seria ber\u00e7o de uma gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos que faria hist\u00f3ria. Alceu Valen\u00e7a, Geraldo Azevedo, Lula C\u00f4rtes e Robertinho do Recife seriam alguns desses nomes que, cheios de juventude e coragem, come\u00e7ariam uma fus\u00e3o meio louca de rock, psicodelia e sons nordestinos, tudo registrado em trabalhos antol\u00f3gicos, como <em>Pa\u00eabiru <\/em>e <em>Quadrif\u00f4nico<\/em>. Em meio \u00e0quele cen\u00e1rio promissor, tamb\u00e9m surgiram personagens que n\u00e3o resistiriam ao tempo, mas virariam lendas.<\/p>\n<p>Uma delas, talvez a maior delas, chamava-se <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ave Sangria<\/strong><\/span>. A banda formada por Marco Polo (vocais), Ivson Wanderley (guitarra solo e viol\u00e3o), Paulo Raphael (guitarra base, sintetizador, viol\u00e3o, vocal), Almir de Oliveira (baixo), Israel Semente (bateria) e Agr\u00edcio Noya (percuss\u00e3o) teve vida por demais ef\u00eamera e s\u00f3 teve tempo de lan\u00e7ar um disco. O autointitulado trabalho chegou \u00e0s lojas em 1974, apresentando uma mistura vigorosa de sons, tudo sem muito pudor. Ali\u00e1s, segundo as tais lendas, pudor, realmente, n\u00e3o era com eles.<\/p>\n<p>A banda surgiu num Brasil censurado, p\u00f3s-Tropicalismo que tinha uma juventude em busca de espa\u00e7os para se expressar. Quando Marco Polo conhece Almir, que tocava em bandas e baile, surgiu uma qu\u00edmica que come\u00e7ou a render composi\u00e7\u00f5es novas. Na \u00e9poca, Recife andava parada, o que fez Polo se mandar para o Sudeste, onde passou dois anos. Na volta, quis montar uma banda e nasceu o Tamarineira Village, que logo come\u00e7ou a chamar aten\u00e7\u00e3o pelas apresenta\u00e7\u00f5es explosivas, perform\u00e1ticas e roqueiras. Um olheiro da Continental viu os meninos e os convidou para gravar um disco. Como condi\u00e7\u00f5es para essa estreia fonogr\u00e1fica, precisariam de uma estrutura mais profissional de trabalho &#8211; eles viviam em bando, tipo Novos Baianos &#8211; e teriam que mudar de nome.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ave Sangria<\/strong><\/span> foi como o sexteto ressurgiu e batizou o disco de estreia. As influ\u00eancias de Beatles, Luiz Gonzaga e rock progressivo bailam pelas 12 faixas que v\u00e3o de momentos sublimes ao deboche desmedido. <em><strong>Dois Navegantes<\/strong><\/em> come\u00e7a o \u00e1lbum com uma levada que simula o balan\u00e7o de um barco em dire\u00e7\u00e3o ao horizonte. &#8220;N\u00e3o deixes a vela apagar, nem o mastro cair, nem a corda prender&#8221;, canta Marco Polo ancorado por um solo agudo e insistente de sintetizador. Segue para uma levada \u00e0 la Raul Seixas em <em><strong>L\u00e1 Fora<\/strong><\/em>, cujo verso falando em &#8220;sil\u00eancio costurado na boca de um guarda&#8221; n\u00e3o deve ter agradado a censura.<\/p>\n<p>Mas nada desagradou mais os militares do que <em><strong>Seu Waldir<\/strong><\/em>. O samba de versos r\u00e1pidos foi o que chegou mais perto de um hit para o <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ave Sangria<\/strong><\/span>. Tocou nas r\u00e1dios e foi cantada nos shows de Ney Matogrosso na \u00e9poca &#8211; al\u00e9m de ser gravada por ele em 1981. Os versos lascivos de um jovem apaixonado por um homem mais velho n\u00e3o tardaram a incomodar a censura federal. &#8220;Eu trago dentro do peito\/ Um cora\u00e7\u00e3o apaixonado\/ Batendo pelo senhor\/ O senhor tem que dar um jeito\/ Se n\u00e3o eu vou cometer um suic\u00eddio&#8221; n\u00e3o era o que governo queria para a sociedade naqueles tempos. Pra piorar, havia uma fama de que eles usavam batom e se beijavam no palco. As controv\u00e9rsias sobre esses fatos permanecem, mas o estrago j\u00e1 foi feito.<\/p>\n<p>O disco ficou poucos meses nas lojas, at\u00e9 ser censurado. Uma reedi\u00e7\u00e3o veio em 1974, sem a pol\u00eamica <em><strong>Seu Waldir<\/strong><\/em>, mas a\u00ed o n\u00facleo do <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ave Sangria<\/strong><\/span> j\u00e1 havia esfacelado. \u00c9 verdade que nem o som do LP, nem mesmo a capa, agradaram os m\u00fasicos na \u00e9poca. Gravado em apenas uma semana e sem nada de experi\u00eancia em est\u00fadio, eles ficaram \u00e0 merc\u00ea de um produtor que n\u00e3o entendia de rock. Ainda assim, eles tinham um plano que foi abortado. E o disco ficou esquecido por d\u00e9cadas, at\u00e9 que a gera\u00e7\u00e3o download redescobriu essa joia da psicodelia pernambucana que foi replicada em blogs e plataformas de streaming.<\/p>\n<p>Com o fim do <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ave Sangria<\/strong><\/span>, cada um foi para seu lado. Parte da banda foi tocar com Alceu Valen\u00e7a, onde Paulo Rafael permaneceu at\u00e9 depois da virada do mil\u00eanio. Quando a banda foi redescoberta, surgiu a demanda por um reencontro ao vivo.\u00a0Marco Polo, Paulo Rafael (guitarra), Almir Oliveira (viol\u00e3o) e Ivinho (guitarra) voltaram a subir no mesmo palco em 2004, refazendo aquele repert\u00f3rio que andava empoeirado. Depois foi a vez de relan\u00e7ar o primeiro e \u00fanico disco do <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ave Sangria<\/strong><\/span> em CD e LP. De quebra, ainda foi lan\u00e7ado o registro ao vivo do show de despedida <strong>Perfumes e Baratchos<\/strong>, realizado em 1974 no no Teatro Santa Isabel. Agr\u00edcio, Ivinho e Israel, j\u00e1 faleceram, alguns deles sem verem seus esfor\u00e7os juvenis resgatados. Devidamente recolocados onde deveriam ter permanecido, agora \u00e9 f\u00e1cil conhecer o som do <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ave Sangria<\/strong><\/span>. Basta apertar o play.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ave Sangria no Festival Vision\u00e1rio\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JQCLKbOU6yU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Faixas de <strong>Ave Sangria<\/strong> (1974):<\/p>\n<p>1. <strong>Dois navegantes<\/strong> (Almir de Oliveira)<br \/>\n2. <strong>L\u00e1 fora<\/strong> (Marco Polo)<br \/>\n3. Tr\u00eas margaridas (Marco Polo)<br \/>\n4. <strong>O pirata<\/strong> (Marco Polo)<br \/>\n5.<strong> Momento na pra\u00e7a<\/strong> (Almir de Oliveira\/ Marco Polo)<br \/>\n6. <strong>Cidade grande<\/strong> (Marco Polo)<br \/>\n7. <strong>Seu Waldir<\/strong> (Marco Polo)<br \/>\n8. <strong>Hei! man<\/strong> (Marco Polo)<br \/>\n9. <strong>Por que?<\/strong> (Marco Polo)<br \/>\n10. <strong>Corpo em chamas<\/strong> (Marco Polo)<br \/>\n11. <strong>Ge\u00f3rgia, a carniceira<\/strong> (Marco Polo)<br \/>\n12. <strong>Sob o sol de sat\u00e3<\/strong> (Ivson Wanderley)<\/p>\n<p><strong>&gt;&gt; Dois navegantes (Almir de Oliveira) por Carlus Campos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/03\/aveSANGRIA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9827\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/03\/aveSANGRIA.jpg\" alt=\"aveSANGRIA\" width=\"602\" height=\"931\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/aveSANGRIA.jpg 1969w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/aveSANGRIA-300x464.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/aveSANGRIA-768x1188.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/aveSANGRIA-740x1145.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/03\/aveSANGRIA-120x186.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":74,"featured_media":9831,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,31,90,278,283],"tags":[],"class_list":["post-9826","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-albuns","category-ave-sangria","category-criticas","category-musica-em-cores","category-nacional"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9826"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9826\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18110,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9826\/revisions\/18110"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9831"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}