{"id":9893,"date":"2013-04-09T12:44:16","date_gmt":"2013-04-09T15:44:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9893"},"modified":"2013-04-09T12:44:16","modified_gmt":"2013-04-09T15:44:16","slug":"caetano-veloso-entre-gargalhadas-e-lagrimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/04\/09\/caetano-veloso-entre-gargalhadas-e-lagrimas\/","title":{"rendered":"Caetano Veloso entre gargalhadas e l\u00e1grimas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/04\/THY_9346.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-9896\" alt=\"THY_9346\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/04\/THY_9346.jpg\" width=\"605\" height=\"402\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/THY_9346.jpg 1200w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/THY_9346-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/THY_9346-768x511.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/THY_9346-740x492.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/THY_9346-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Em 1972, ainda vivendo exilado na Inglaterra, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Caetano Veloso<\/strong><\/span> lan\u00e7aria no Brasil um disco de can\u00e7\u00f5es misteriosas, cheias de significados, e pegada roqueira. Batizado de <strong>Transa<\/strong>, palavra que, na \u00e9poca, n\u00e3o tinha o significado que tem hoje, o LP curtinho, de apenas sete faixas, tornou-se um dos pontos altos da discografia do baiano, principalmente, por conta da melancolia t\u00e3o aparente embalada em som t\u00e3o cru.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Cerca de 40 anos depois, a crueza de <strong>Transa<\/strong> est\u00e1 de volta \u00e0 m\u00fasica de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Caetano<\/strong><\/span>. Depois de algumas turn\u00eas onde contava com um time grande de m\u00fasicos no palco, ele reduziu sua banda a um trio de jovens m\u00fasicos \u2013 Pedro S\u00e1 (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo e teclados) e Marcelo Callado (bateria e percuss\u00e3o) \u2013 que batizou de BandaC\u00ea. E foi ao lado deles, que o compositor lan\u00e7ou uma trilogia discogr\u00e1fica que se encerrou com o recente <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Abra\u00e7a\u00e7o<\/strong> <\/span>(2012).<\/p>\n<p>Como um Bob Dylan mulato, foi munido de seu viol\u00e3o, sua banda roqueira e das can\u00e7\u00f5es de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Abra\u00e7a\u00e7o<\/strong> <\/span>que <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Caetano Veloso<\/strong> <\/span>subiu ao palco no Centro de Eventos do Cear\u00e1 no \u00faltimo s\u00e1bado (6). Sabendo se tratar de uma das cabe\u00e7as mais privilegiadas da MPB, o p\u00fablico compareceu em peso, lotando o imenso sal\u00e3o, bem melhor organizado do que durante a conflituosa passagem de Maria Bethania pelo mesmo espa\u00e7o. Tinha at\u00e9 pipoqueiro transitando entre as cadeiras. Ali\u00e1s, muito acertada a proibi\u00e7\u00e3o de venda de bebidas durante a apresenta\u00e7\u00e3o. Quem queria, de fato, assistir o show, agradeceu.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/04\/THY_9271.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-9897\" alt=\"THY_9271\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/04\/THY_9271-550x365.jpg\" width=\"419\" height=\"278\" \/><\/a>At\u00e9 porque, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Abra\u00e7a\u00e7o<\/strong> <\/span>n\u00e3o \u00e9 uma apresenta\u00e7\u00e3o t\u00e3o simples assim. At\u00e9 certo ponto, ela \u00e9 bastante impopular. Como o disco \u00e9 recente e sem hits imediatos, ficou para os f\u00e3s de carteirinha cantar junto a nova safra de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Caetano Veloso<\/strong><\/span>. Para abrir, o manifesto <em><strong>A Bossa Nova \u00e9 foda<\/strong><\/em> ganha mais peso ao vivo, ao linkar duas importantes influ\u00eancias do baiano, Jo\u00e3o Gilberto e Bob Dylan. Para comprovar tais influ\u00eancias, em seguida ele afaga a plateia com\u00a0<em><strong>Lindeza<\/strong><\/em>, uma bossa jo\u00e3ogilbertiana lan\u00e7ada em 1991. Para facilitar na empatia, o cantor abre a blusa na \u00f3tima <em><strong>Parab\u00e9ns<\/strong> <\/em>e arranca gritos da plateia.<\/p>\n<p>Do novo disco, teve ainda <em><strong>Quando o galo cantou<\/strong><\/em>, <em><strong>O imp\u00e9rio e a lei<\/strong><\/em>, <em><strong>Estou triste<\/strong><\/em>, <em><strong>O comunista<\/strong><\/em>, <em><strong>Quero ser justo<\/strong><\/em> e <em><strong>Funk mel\u00f3dico<\/strong><\/em>. Todas foram recebidas com palmas e respeito. Para relembrar a estreia da BandaC\u00ea, o disco <strong>C\u00ea<\/strong> (2006), Caetano incluiu <em><strong>Homem<\/strong><\/em>, <em><strong>Odeio<\/strong> <\/em>e <em><strong>Outro<\/strong><\/em>, e manteve o mesmo tom das palmas. Um pouco de frisson quando o artista desenha com as m\u00e3os o formato de uma vagina ao afirmar que \u201csente inveja dos orgasmos m\u00faltiplos\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Caetano Veloso<\/strong> <\/span>n\u00e3o \u00e9 pura fama por acaso. Sabedor do seu papel no palco, ele polvilha o repert\u00f3rio com momentos que trazem o p\u00fablico para mais perto. <em><strong>Eclipse oculto<\/strong><\/em> foi o maior deles, com todo mundo cantando e dan\u00e7ando (na medida do poss\u00edvel) junto. Em <em><strong>Voc\u00ea n\u00e3o entende nada<\/strong><\/em>, enquanto ele dizia \u201cquero que voc\u00ea venha comigo\u201d, todos respondiam \u201c todo dia todo dia\u201d. A bel\u00edssima <em><strong>Algu\u00e9m cantando<\/strong><\/em> foi inclu\u00edda para homenagear Eunice Viana, a Nicinha, irm\u00e3 mais velha do compositor falecida em 2011, que deu voz \u00e0 can\u00e7\u00e3o no disco <strong>Bicho<\/strong> (1977). Dona Can\u00f4 (1907 \u2013 2012) tamb\u00e9m foi lembrada em <em><strong>M\u00e3e<\/strong><\/em>, lan\u00e7ada por Gal Costa em 1978, e <em><strong>Reconvexo<\/strong><\/em>, lan\u00e7ada por Maria Bethania em 1989. A passagem \u201cquem n\u00e3o rezou a novena de Dona Can\u00f4\u201d foi recebida com muitas palmas. Essas can\u00e7\u00f5es eram in\u00e9ditas na voz do compositor. Para encerrar, dois bis, onde entraram uma vers\u00e3o indie para <em><strong>A luz de Tieta<\/strong><\/em> e <em><strong>Um \u00edndio<\/strong><\/em>. Em seguida, todos puderam ir embora certos de quem tinham visto um bom show e um grande artista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1972, ainda vivendo exilado na Inglaterra, Caetano Veloso lan\u00e7aria no Brasil um disco de can\u00e7\u00f5es misteriosas, cheias de significados, e pegada roqueira. 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