{"id":9911,"date":"2013-04-12T17:48:55","date_gmt":"2013-04-12T20:48:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=9911"},"modified":"2018-02-25T17:21:34","modified_gmt":"2018-02-25T20:21:34","slug":"musica-em-cores-sergio-sampaio-apenas-um-compositor-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/04\/12\/musica-em-cores-sergio-sampaio-apenas-um-compositor-popular\/","title":{"rendered":"M\u00daSICA EM CORES: Tem que acontecer (1976)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9912\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/Sergio-Sampaio-Tem-Que-Acontecer-f2-740x749.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"749\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/Sergio-Sampaio-Tem-Que-Acontecer-f2-740x749.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/Sergio-Sampaio-Tem-Que-Acontecer-f2-300x304.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/Sergio-Sampaio-Tem-Que-Acontecer-f2-768x777.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/Sergio-Sampaio-Tem-Que-Acontecer-f2-120x121.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/Sergio-Sampaio-Tem-Que-Acontecer-f2.jpg 1319w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Marcada por ant\u00edteses profundas, a vida de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>S\u00e9rgio Sampaio<\/strong><\/span> nunca foi das mais f\u00e1ceis. Nascido com uma bela voz e um toque eficiente no viol\u00e3o, era tamb\u00e9m compositor de letras amargas, cru\u00e9is e, por vezes, c\u00ednicas. Apesar de ter nascido em Cachoeiro do Itapemirim, terra do Roberto Carlos, nunca teve uma can\u00e7\u00e3o sua gravada pelo conterr\u00e2neo famoso. At\u00e9 recebeu algumas compara\u00e7\u00f5es desatentas, de quem quis lhe imputar o papel se sucessor de Roberto. Mas <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Sampaio<\/strong> <\/span>sabia que seu buraco era mais embaixo.<\/p>\n<p>Marginal at\u00e9 onde podia, ele mesmo n\u00e3o brigava pelo protagonismo na MPB. Talvez um pouco mais de reconhecimento n\u00e3o fosse mal. Mas sua briga maior era pela liberdade art\u00edstica. E a\u00ed, nesse ponto, ele venceu. A discografia de<span style=\"color: #ff0000\"><strong> S\u00e9rgio Sampaio<\/strong><\/span> \u00e9 t\u00e3o curta que cabe nos dedos da m\u00e3o. Por outro lado, \u00e9 t\u00e3o forte e t\u00e3o pessoal, que funciona melhor que qualquer biografia. Filho de um maestro de banda (e dono de tamancaria) com uma professora prim\u00e1ria, o compositor era aficionado pelos cantores do r\u00e1dio. Radicado no Rio de Janeiro, chegou a trabalhar em algumas emissoras, mas logo deixou o emprego para se dedicar \u00e0 pr\u00f3pria m\u00fasica.<\/p>\n<p>Um dia conhece um Raul Seixas tamb\u00e9m em busca de apresentar as pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es na pr\u00f3pria voz. Trabalhando como compositor profissional e produtor, o baiano \u00e9 tido como descobridor de S\u00e9rgio e foi quem abriu as portas da CBS para que ele apresentasse can\u00e7\u00f5es que foram gravadas pelo casting da gravadora. Em seguida, Raul e S\u00e9rgio articularam uma \u00f3pera rock inspirada em The Who e Frank Zappa. Contando ainda com Miriam Batucada e Eddy Star, <em>A Sociedade da Gr\u00e3-Ordem Kavernista apresenta Sess\u00e3o das 10<\/em> seria o primeiro fracasso comercial de S\u00e9rgio, apesar do futuro reconhecimento como inovador.<\/p>\n<p>A estreia em LP solo em 1973 veio na cola do sucesso de <em><strong>Eu quero \u00e9 botar meu bloco na rua<\/strong><\/em>. J\u00e1 apresentada no IV Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o, e lan\u00e7ada no \u00e1lbum que reunia as finalistas da contenda, a marcha foi a \u00fanica experi\u00eancia de sucesso popular de S\u00e9rgio, apesar do disco ter sido um fracasso de vendas. Depois de um casamento, alguns compactos e um tempo afastado da carreira, ele recebeu um convite da gravadora Continental para um segundo LP.<\/p>\n<p>Trazendo uma piada embutida no t\u00edtulo, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Tem que acontecer<\/strong><\/span> (1976), apesar das boas cr\u00edticas, passou despercebido pelo p\u00fablico da \u00e9poca. E olha que a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 luxo s\u00f3. Os arranjos s\u00e3o de Jo\u00e3o de Aquino e Lindolfo Gaya, e o instrumental conta com estrelas do brilho de La\u00e9rcio de Freitas (piano), Abel ferreira (saxofone), Paschoal Meirelles (bateria), Altamiro Carrilho (flautas), Mar\u00e7al (percuss\u00e3o), Golden Boys e as Gatas (vocais).<\/p>\n<p>O repert\u00f3rio \u00e9 um apanhado de reflex\u00f5es sobre uma vida equilibrista. &#8220;Eu t\u00f4 doente do peito, doente do cora\u00e7\u00e3o. A minha cama j\u00e1 virou leito. Disseram que eu perdi a raz\u00e3o&#8221;, canta em\u00a0<em><strong>Que loucura<\/strong><\/em>, bel\u00edssimo fox em homenagem a Torquato Neto. At\u00e9 as pr\u00f3prias idiossincrasias foram tema para <em><strong>A luz e a semente<\/strong><\/em>. &#8220;Eu, embora seja um menino, sou mais um pobre felino que trope\u00e7ando b\u00eabado pelas cal\u00e7adas, me recordando de n\u00e3o ter bebido nada&#8221;, divaga sem limites. Guiado pelo viol\u00e3o de Renato Piau, S\u00e9rgio Sampaio descreve o pensamento delirante e po\u00e9tico em Cabras pastando: &#8220;Eu tenho o dom de causar consequ\u00eancias, um ar de criar evid\u00eancias, um sapato novo no lixo&#8221;.<\/p>\n<p>Depois de <strong>Tem que Acontecer<\/strong>, seguiu sua toada marginal em busca de reconhecimento para sua obra. Teve m\u00fasicas gravadas por Zizi Possi, Erasmo Carlos, Doris Monteiro e\u00a0Miriam Batucada. Depois de mais alguns compactos, em 1982, grava <strong>Sinceramente<\/strong>, disco independente que encerra sua discografia oficial.\u00a0Vocacionado para o tr\u00e1gico, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>S\u00e9rgio Sampaio<\/strong><\/span> morreu em 1994, depois de anos exagerando do \u00e1lcool. Vivia um ostracismo art\u00edstico insuport\u00e1vel, o que agravava seu quadro auto destrutivo. O quarto disco que gravava na \u00e9poca, mais uma tentativa de colocar a carreira nos eixos, ficou incompleto e s\u00f3 seria lan\u00e7ado d\u00e9cadas depois &#8211; batizado de <strong>Cruel<\/strong> (Sarav\u00e1 Discos) &#8211; por conta do esfor\u00e7o de Zeca Baleiro.<\/p>\n<p>Deixando um ba\u00fa de can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, o compositor se mant\u00e9m vivo atrav\u00e9s de quem canta suas can\u00e7\u00f5es. E essa lista de int\u00e9rpretes cresce todo dia. Tido como maldito, anticomercial e brig\u00e3o, tamb\u00e9m seria ele quem diria na can\u00e7\u00e3o <em><strong>Cada lugar na sua coisa<\/strong><\/em> aquilo que pensa todo artista: &#8220;Um livro de poesia na gaveta n\u00e3o adianta nada. Lugar de poesia na cal\u00e7ada. Lugar de quadro \u00e9 na exposi\u00e7\u00e3o. Lugar de m\u00fasica \u00e9 no r\u00e1dio&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"S\u00e9rgio Sampaio: &quot;Cada lugar na sua coisa&quot;\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NyL-XwrFw9E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Faixas<br \/>\n1. <strong>At\u00e9 outro dia<\/strong> (S\u00e9rgio Sampaio)<br \/>\n2. <strong>Que loucura<\/strong> (S\u00e9rgio Sampaio)<br \/>\n3. <strong>Cada lugar na sua coisa<\/strong> (S\u00e9rgio Sampaio)<br \/>\n4.<strong> Cabras pastando<\/strong> (S\u00e9rgio Sampaio)<br \/>\n5. <strong>Velho bode<\/strong> (S\u00e9rgio Natureza\/ S\u00e9rgio Sampaio)<br \/>\n6. <strong>O que pint\u00e1, pint\u00f4<\/strong> (Raul Sampaio)<br \/>\n7.<strong> A luz e a semente<\/strong> (S\u00e9rgio Sampaio)<br \/>\n8.<strong> Quanto mais<\/strong> (S\u00e9rgio Sampaio)<br \/>\n9. <strong>Tem que acontecer<\/strong> (S\u00e9rgio Sampaio)<br \/>\n10. <strong>Quatro paredes<\/strong> (Eduardo Marques)<br \/>\n11. <strong>O filho do ovo<\/strong> (S\u00e9rgio Sampaio)<br \/>\n12. <strong>Velho bandido<\/strong> (S\u00e9rgio Sampaio)<\/p>\n<p><strong>&gt;<\/strong> <strong>Cada lugar na sua coisa<\/strong> (S\u00e9rgio Sampaio)<strong> por Carlus Campos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/04\/sampaio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9913\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/04\/sampaio.jpg\" alt=\"sampaio\" width=\"649\" height=\"952\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/sampaio.jpg 2126w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/sampaio-300x440.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/sampaio-768x1126.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/sampaio-740x1085.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/04\/sampaio-120x176.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 649px) 100vw, 649px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,90,274,278,1,359],"tags":[],"class_list":["post-9911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-albuns","category-criticas","category-mpb","category-musica-em-cores","category-sem-categoria","category-sergio-sampaio"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9911"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9911\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18140,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9911\/revisions\/18140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}