{"id":1095,"date":"2022-04-13T08:00:45","date_gmt":"2022-04-13T11:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/?p=1095"},"modified":"2022-04-10T17:20:40","modified_gmt":"2022-04-10T20:20:40","slug":"como-falar-de-guerra-com-criancas-pequenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/2022\/04\/13\/como-falar-de-guerra-com-criancas-pequenas\/","title":{"rendered":"Como falar de guerra com crian\u00e7as pequenas?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong><i>Invas\u00e3o Russa \u00e0 Ucr\u00e2nia traz desafios para pais e educadores em rela\u00e7\u00e3o a sobre como falar de guerra com crian\u00e7as.<\/i><\/strong><\/p>\n<div>\n<p>Est\u00e1 na televis\u00e3o, no celular, no r\u00e1dio e at\u00e9 mesmo nos canais de YouTube: a guerra da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia inunda os meios de comunica\u00e7\u00e3o h\u00e1 semanas, sem ind\u00edcios de que v\u00e1 acabar t\u00e3o cedo. Estejam sentadas no sof\u00e1 ou com os olhos nas telas dos celulares, computadores ou tablets, crian\u00e7as de todas as idades n\u00e3o passam inc\u00f3lumes \u00e0s not\u00edcias sobre bombas, ataques a\u00e9reos e sirenes que alertam os ucranianos para buscarem abrigo. Se os adultos n\u00e3o se entendem, os pequenos acabam expostos a uma realidade que, mesmo de longe, afeta a vida cotidiana.<\/p>\n<p>Tratar esse tipo de tem\u00e1tica com as crian\u00e7as \u00e9 um desafio tanto para os pais quanto para os professores e equipes escolares. Para o professor de Hist\u00f3ria e coordenador editorial do Sistema Positivo de Ensino, Norton Nicolazzi Junior, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel deixar as crian\u00e7as completamente alheias ao conflito.<\/p>\n<p>\u201cAssuntos como as guerras, principalmente as que est\u00e3o acontecendo no momento em que as crian\u00e7as t\u00eam contato com as informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o ficar\u00e3o restritos ao universo adulto. As crian\u00e7as hoje navegam pela internet e at\u00e9 mesmo os canais de YouTube que as mais novas acessam j\u00e1 est\u00e3o debatendo esse assunto\u201d, afirma. E, como \u00e9 natural, tendo essas informa\u00e7\u00f5es, elas, cedo ou tarde, v\u00e3o questionar sobre a guerra.<\/p>\n<p>O primeiro passo para lidar com esses questionamentos \u00e9 esperar que eles sejam feitos. De acordo com o professor, o melhor \u00e9 n\u00e3o levantar o debate voluntariamente, mas aguardar que os pequenos coloquem o assunto em pauta. Quando isso acontecer, a dica \u00e9 saber ouvir as perguntas, considera\u00e7\u00f5es e posicionamentos das crian\u00e7as sobre a guerra. Afinal, elas s\u00e3o seres humanos completos, com emo\u00e7\u00f5es e observa\u00e7\u00f5es sobre temas que as cercam. \u201c\u00c9 importante dar abertura para que elas falem. Isso permite trabalhar de maneira clara e direta assuntos que antes eram tratados como tabu, que ficavam restritos ao universo adulto.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia era que, muitas vezes, as crian\u00e7as cresciam com alguma dist\u00e2ncia dessas informa\u00e7\u00f5es e s\u00f3 vinham a ter um pouco mais de esclarecimento na fase adulta, dificultando a constru\u00e7\u00e3o de um posicionamento moral, \u00e9tico e cr\u00edtico\u201d, explica o educador.<\/p>\n<p>Saber e compreender que esse tipo de conflito existe faz parte do crescimento das crian\u00e7as. Em 2014, a <a href=\"https:\/\/www.savethechildren.net\/\">ONG Save the Children<\/a> lan\u00e7ou uma campanha publicit\u00e1ria com um v\u00eddeo que chamava a aten\u00e7\u00e3o para o conflito em curso na S\u00edria. Mostrando como a guerra impacta o dia a dia de uma crian\u00e7a, o slogan da campanha era, justamente, \u201cs\u00f3 porque n\u00e3o est\u00e1 acontecendo aqui, n\u00e3o significa que n\u00e3o est\u00e1 acontecendo\u201d. Essa conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a realidade de outras crian\u00e7as ao redor do mundo \u00e9 muito importante para o desenvolvimento de habilidades interpessoais como a empatia.<\/p>\n<h2>5 maneiras sobre como falar de guerra com as crian\u00e7as<\/h2>\n<h3><strong>Filtre as informa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cH\u00e1 informa\u00e7\u00f5es que \u00e9 poss\u00edvel trabalhar com as crian\u00e7as mais novas e outras que n\u00e3o devem ser expostas a elas. Obviamente n\u00e3o se deve mostrar v\u00eddeos e imagens da guerra para crian\u00e7as muito novas, mas \u00e9 poss\u00edvel explorar alguns aspectos dos fatos com crian\u00e7as de um pouco mais idade, que t\u00eam mais maturidade para lidar com esse tipo de situa\u00e7\u00e3o\u201d, detalha Nicolazzi.<\/p>\n<p>A sugest\u00e3o \u00e9 para que, em casa, os pais e familiares procurem responder apenas \u00e0s perguntas que a crian\u00e7a traz, tentando n\u00e3o se aprofundar em explica\u00e7\u00f5es ou esclarecimentos que podem trazer detalhes que, muitas vezes, nem est\u00e3o no radar dos pequenos. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio levar informa\u00e7\u00f5es al\u00e9m daquelas que eles j\u00e1 t\u00eam.<\/p>\n<h3><strong>Evite traumas<\/strong><\/h3>\n<p>Outro ponto relevante s\u00e3o os sentimentos das crian\u00e7as a respeito dos conflitos. \u201cAtividades que explorem as emo\u00e7\u00f5es podem auxiliar a crian\u00e7a a se posicionar e perceber que esse \u00e9 um evento que est\u00e1 acontecendo neste momento, mas n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o pr\u00f3ximo de n\u00f3s, apesar de nos afetar como sociedade.\u201d Conversas como essa ajudam a tranquilizar os mais novos e evitar que eles se sintam inseguros ou com muito medo, causando at\u00e9 mesmo um trauma mais s\u00e9rio.<\/p>\n<h3><strong>Traga uma perspectiva hist\u00f3rica<\/strong><\/h3>\n<p>Trazer para a discuss\u00e3o outros conflitos semelhantes que j\u00e1 aconteceram no passado pode ser uma boa ideia com crian\u00e7as um pouco mais velhas. No Brasil, especificamente, essa perspectiva hist\u00f3rica pode ser explorada sob a \u00f3tica dos imigrantes que chegaram ao pa\u00eds em outros per\u00edodos.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muitos descendentes de ucranianos e russos por aqui e isso pode ser trabalhado do ponto de vista da hist\u00f3ria. Por que os antepassados dessas pessoas sa\u00edram de sua terra natal e foram buscar novas oportunidades em lugares distantes? Tudo isso pode ser levado para a conversa com resultados positivos\u201d, pontua o especialista.<\/p>\n<p>Ele observa que esse resgate pode dar sustenta\u00e7\u00e3o a explana\u00e7\u00f5es mais amplas e profundas. \u201c\u00c9 uma oportunidade interessante de trabalhar quest\u00f5es do cotidiano. C\u00f3digos de moral e \u00e9tica da nossa sociedade, valores relacionados aos direitos humanos, ao respeito, \u00e0 toler\u00e2ncia, \u00e0 import\u00e2ncia da solidariedade em um momento como esse. Afinal, os refugiados s\u00e3o pessoas que t\u00eam fam\u00edlia, crian\u00e7as que frequentam escolas, trabalhadores que se veem alheios a seus trabalhos\u201d, pontua.<\/p>\n<h3><strong>Fale sobre outras realidades<\/strong><\/h3>\n<p>Por fim, a condu\u00e7\u00e3o de uma conversa assim deve lan\u00e7ar luz ao conflito objetivo entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, mas n\u00e3o se pode esquecer outras guerras que est\u00e3o acontecendo neste exato momento, mundo afora. \u201c\u00c9 fundamental que, tanto na escola como em casa, a gente consiga aproveitar a curiosidade e o interesse dos pequenos para revelar que esse n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico conflito acontecendo no mundo neste mesmo instante. Situa\u00e7\u00f5es de precariedade nas condi\u00e7\u00f5es de vida, crian\u00e7as fora da escola, adultos sem trabalho, isso acontece tamb\u00e9m em outros lugares\u201d, ressalta o professor.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Invas\u00e3o Russa \u00e0 Ucr\u00e2nia traz desafios para pais e educadores em rela\u00e7\u00e3o a sobre como falar de guerra com crian\u00e7as. 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