{"id":1330,"date":"2026-06-18T09:02:18","date_gmt":"2026-06-18T12:02:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/?p=1330"},"modified":"2026-06-18T09:02:18","modified_gmt":"2026-06-18T12:02:18","slug":"sete-projetos-criados-por-estudantes-que-estao-transformando-a-sustentabilidade-nas-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/2026\/06\/18\/sete-projetos-criados-por-estudantes-que-estao-transformando-a-sustentabilidade-nas-escolas\/","title":{"rendered":"Sete projetos criados por estudantes que est\u00e3o transformando a sustentabilidade nas escolas"},"content":{"rendered":"<p><i>Iniciativas desenvolvidas por estudantes mostram como a educa\u00e7\u00e3o ambiental pode nascer da sala de aula e gerar impacto no dia a dia escolar<\/i><\/p>\n<div>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com sustentabilidade j\u00e1 faz parte da rotina das novas gera\u00e7\u00f5es, e, cada vez mais, deixa de aparecer apenas em debates te\u00f3ricos para ganhar espa\u00e7o em projetos criados pelos pr\u00f3prios estudantes. Dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (UNESCO) mostram que a educa\u00e7\u00e3o ambiental tem papel central na forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os mais preparados para lidar com desafios clim\u00e1ticos e sociais, especialmente quando conecta aprendizagem e experi\u00eancia pr\u00e1tica. No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tamb\u00e9m prev\u00ea a sustentabilidade como tema transversal, incentivando escolas a trabalharem o assunto de forma interdisciplinar.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso j\u00e1 acontece em diferentes institui\u00e7\u00f5es de ensino, onde crian\u00e7as e adolescentes v\u00eam propondo solu\u00e7\u00f5es relacionadas ao desperd\u00edcio, reaproveitamento de recursos, descarte de res\u00edduos e preserva\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cA partir da observa\u00e7\u00e3o do cotidiano escolar, os estudantes transformam a escola em um espa\u00e7o de investiga\u00e7\u00e3o, criatividade e participa\u00e7\u00e3o ativa\u201d, afirma a engenheira ambiental e supervisora de Sustentabilidade Corporativa do Grupo Positivo, Tha\u00eds Milena de Araujo.<\/p>\n<p><strong>\u00a01. Composteiras inteligentes transformam res\u00edduos em aprendizado pr\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<p>Inspirados pelas aulas de Maker e Ci\u00eancias, cerca de 70 estudantes do 5\u00ba ano do Ensino Fundamental do Col\u00e9gio Positivo \u2013 \u00c1gua Verde, em Curitiba, pesquisaram, testaram e prototiparam diferentes modelos de composteiras, incorporando sensores de umidade e sistemas de aduba\u00e7\u00e3o automatizada. A proposta deu um novo destino aos res\u00edduos org\u00e2nicos do refeit\u00f3rio e aproximou os estudantes de conceitos como decomposi\u00e7\u00e3o, reaproveitamento de materiais e ciclos naturais.<\/p>\n<p>Hoje, toda a comunidade escolar participa da coleta de res\u00edduos org\u00e2nicos, e o adubo produzido \u00e9 utilizado nas hortas cultivadas por outras turmas. O projeto mostra como ci\u00eancia e tecnologia podem sair do campo te\u00f3rico e se transformar em solu\u00e7\u00f5es concretas para o ambiente escolar.<\/p>\n<p><strong>2. Materiais descartados viram ferramenta de inova\u00e7\u00e3o nas aulas de rob\u00f3tica<\/strong><\/p>\n<p>Durante as aulas de Maker e Rob\u00f3tica, mais de 200 estudantes do Ensino Fundamental \u2013 Anos Finais do Passo Certo Bilingual School, em Cascavel, foram desafiados a inovar sem desperdi\u00e7ar. Com orienta\u00e7\u00e3o dos professores, os alunos desenvolveram o projeto\u00a0<em>Sustainable Creativity in Action<\/em>, usando exclusivamente materiais reutiliz\u00e1veis ou recicl\u00e1veis, como papel\u00e3o, tampinhas, garrafas PET e sucata eletr\u00f4nica, para criar os rob\u00f4s.<\/p>\n<p>A proposta estimula criatividade, pensamento cr\u00edtico e consci\u00eancia ambiental, ao mesmo tempo que coloca em pr\u00e1tica a l\u00f3gica da economia circular. Ao transformar descarte em recurso pedag\u00f3gico, o projeto refor\u00e7a a ideia de que sustentabilidade e tecnologia podem caminhar juntas dentro da escola.<\/p>\n<p><strong>3. Jornal e sustentabilidade aproximam alunos da realidade da cidade<\/strong><\/p>\n<p>Desenvolvido com estudantes do 3\u00ba ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Secret\u00e1rio Olinda de Andrada, de Alterosa (MG), o projeto \u201cJornal Inteligente: minha, sua, nossa cidade\u201d come\u00e7ou com leituras e debates sobre problemas urbanos, especialmente o descarte inadequado de lixo e seus impactos.<\/p>\n<p>Em seguida, os alunos participaram de um passeio pelos bairros pr\u00f3ximos \u00e0 escola, produziram not\u00edcias e entrevistas jornal\u00edsticas e ainda participaram de uma oficina criativa de reaproveitamento de materiais. \u201cNossa ideia \u00e9 valorizar pr\u00e1ticas criativas e sustent\u00e1veis de reaproveitamento de materiais recicl\u00e1veis, utilizando recursos tecnol\u00f3gicos na produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o do jornal e fortalecendo o protagonismo, a coopera\u00e7\u00e3o e a responsabilidade social dos alunos\u201d, afirma a diretora da escola, Fabiene Aparecida de Oliveira.<\/p>\n<p>Depois de arrebatar os estudantes e familiares, a iniciativa ganhou o Brasil e conquistou o primeiro lugar na categoria Educa\u00e7\u00e3o para a Sustentabilidade do concurso nacional Aprende Brasil Criativo. Segundo a professora respons\u00e1vel, Nayra Gon\u00e7alves Oliveira, \u201cos alunos vivenciaram o protagonismo e a cidadania de forma l\u00fadica e significativa, compreendendo seu papel como agentes de transforma\u00e7\u00e3o na comunidade e ampliando sua consci\u00eancia ambiental\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a04. Retirar lixeiras da sala muda h\u00e1bitos e reduz desperd\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Com o objetivo de estimular a reflex\u00e3o sobre desperd\u00edcio de papel e promover h\u00e1bitos mais sustent\u00e1veis, o Col\u00e9gio Positivo \u2013 Joinville retirou as lixeiras das salas de aula. O projeto, chamado Consci\u00eancia sem Lixeiras: Educando para o Consumo e Descarte Respons\u00e1vel, envolveu cerca de 220 estudantes do Ensino Fundamental \u2013 Anos Iniciais e provocou mudan\u00e7as vis\u00edveis na rotina escolar: os espa\u00e7os ficaram mais limpos e organizados, e os alunos passaram a utilizar com mais frequ\u00eancia os pontos de coleta seletiva, distinguindo corretamente res\u00edduos org\u00e2nicos de recicl\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em apenas cinco meses, a economia de papel superou 38 mil metros, resultado que refor\u00e7a o potencial de pequenas mudan\u00e7as comportamentais quando acompanhadas de orienta\u00e7\u00e3o e prop\u00f3sito pedag\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>\u00a05. Projeto valoriza ancestralidade e fortalece v\u00ednculos com a comunidade<\/strong><\/p>\n<p>Quando se fala em sustentabilidade, o mais comum \u00e9 abordar temas relacionados ao meio ambiente, reciclagem, reuso e outras pr\u00e1ticas que afetam diretamente a natureza. No entanto, o \u201cS\u201d, na sigla ESG, significa \u201csocial\u201d. Ou seja, tamb\u00e9m \u00e9 sustentabilidade toda a\u00e7\u00e3o relacionada a quest\u00f5es humanas e sociais, como inclus\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o de comunidades tradicionais.<\/p>\n<p>Com reflex\u00f5es sobre as culturas ind\u00edgena e africana e sua influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o da identidade brasileiras, o projeto \u201cRa\u00edzes que nos formam\u201d foi desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof\u00aa Cl\u00e9ia Ca\u00e7apava Silva, de Paragua\u00e7u Paulista (SP). A iniciativa envolveu estudantes, fam\u00edlias e comunidade em nove oficinas interdisciplinares, cada uma conduzida por uma \u00e1rea do conhecimento. Como resultado, a escola realizou uma exposi\u00e7\u00e3o aberta ao p\u00fablico que recebeu mais de 1,5 mil visitantes, ampliando o debate sobre diversidade, ancestralidade e rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais para al\u00e9m do ambiente escolar.<\/p>\n<p>\u201cA proposta se baseou na premissa de que o conhecimento cultural \u00e9 essencial para compreender que as diferen\u00e7as s\u00e3o positivas e contribuem para o desenvolvimento pleno do ser humano. Reconhecer e respeitar as diferentes origens, tradi\u00e7\u00f5es e saberes \u00e9 um passo fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa, solid\u00e1ria e emp\u00e1tica\u201d, afirma a coordenadora respons\u00e1vel pelo projeto, Vanessa de Souza Cunha.<\/p>\n<p><strong>\u00a06. Curiosidade infantil leva escola a instalar cisterna<\/strong><\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o de uma antiga caixa d\u2019\u00e1gua no p\u00e1tio do Col\u00e9gio Positivo \u2013 J\u00fanior, em Curitiba, foi o ponto de partida para um projeto que nasceu da escuta das crian\u00e7as. Estudantes da Educa\u00e7\u00e3o Infantil come\u00e7aram a questionar o funcionamento da estrutura e a investigar formas de reaproveitar a \u00e1gua da chuva. O movimento resultou em uma carta coletiva enviada \u00e0 dire\u00e7\u00e3o pedindo que a \u00e1gua n\u00e3o fosse desperdi\u00e7ada.<\/p>\n<p>A partir dessa mobiliza\u00e7\u00e3o, o projeto Consci\u00eancia que Transforma, a partir da curiosidade das crian\u00e7as possibilitou a instala\u00e7\u00e3o de uma cisterna. A estrutura passou a permitir o reaproveitamento da \u00e1gua coletada na limpeza dos ambientes escolares, na irriga\u00e7\u00e3o das \u00e1reas verdes e em atividades pedag\u00f3gicas. A iniciativa evidencia o protagonismo infantil e mostra como a curiosidade das crian\u00e7as pode gerar transforma\u00e7\u00f5es concretas no espa\u00e7o onde estudam.<\/p>\n<p><strong>\u00a07. Estudantes criam solu\u00e7\u00e3o para a despolui\u00e7\u00e3o de lagos urbanos<\/strong><\/p>\n<p>Dois estudantes da 1\u00aa S\u00e9rie do Ensino M\u00e9dio desenvolveram uma proposta sustent\u00e1vel para enfrentar um dos principais desafios ambientais de Londrina. Gustavo Campos e Sofia Gastaldim criaram o Garden EcoFlut, projeto que prop\u00f5e a instala\u00e7\u00e3o de jardins flutuantes para melhorar a qualidade da \u00e1gua do Lago Igap\u00f3, cart\u00e3o-postal da cidade.<\/p>\n<p>Desenvolvida na Pr\u00e9-incubadora do Col\u00e9gio Positivo \u2013 Londrina, a iniciativa aposta em m\u00f3dulos flutuantes de um metro quadrado, produzidos com materiais de baixo custo, como madeira ou garrafas pl\u00e1sticas reutilizadas. Sobre essa base, os estudantes projetaram um sistema de biofiltra\u00e7\u00e3o em camadas, com argila expandida, areia, carv\u00e3o ativado e plantas aqu\u00e1ticas, como aguap\u00e9, cani\u00e7o e junco.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da estrutura f\u00edsica, o projeto prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o de sensores para monitorar pH, temperatura e oxigena\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, ampliando o potencial cient\u00edfico da proposta e permitindo acompanhamento dos resultados em tempo real. \u201cNosso objetivo \u00e9 propor algo que possa ser aplicado ali e replicado em outros locais\u201d, explica Sofia. O projeto j\u00e1 participou de uma competi\u00e7\u00e3o nacional e venceu dois campeonatos regionais.<\/p>\n<p>As iniciativas mostram como a educa\u00e7\u00e3o ambiental pode ganhar mais for\u00e7a quando deixa de ser apenas conte\u00fado e passa a fazer parte da experi\u00eancia cotidiana dos estudantes. Entre sensores, hortas, cisternas, jardins flutuantes e mudan\u00e7as de h\u00e1bito, os projetos revelam uma gera\u00e7\u00e3o que aprende sustentabilidade n\u00e3o apenas ouvindo sobre o tema, mas participando diretamente da constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativas desenvolvidas por estudantes mostram como a educa\u00e7\u00e3o ambiental pode nascer da sala de aula e gerar impacto no dia a dia escolar A preocupa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":262,"featured_media":1331,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[27,255,301],"class_list":["post-1330","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-projetos","tag-sala-de-aula","tag-sustentabilidade"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/users\/262"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1330"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1330\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1332,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1330\/revisions\/1332"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}