{"id":1387,"date":"2026-10-15T10:00:10","date_gmt":"2026-10-15T13:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/?p=1387"},"modified":"2026-10-14T15:21:45","modified_gmt":"2026-10-14T18:21:45","slug":"aprender-na-pratica-como-a-criatividade-docente-resgata-a-matematica-e-a-lingua-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/2026\/10\/15\/aprender-na-pratica-como-a-criatividade-docente-resgata-a-matematica-e-a-lingua-portuguesa\/","title":{"rendered":"Aprender na pr\u00e1tica: como a criatividade docente resgata a Matem\u00e1tica e a L\u00edngua Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><i>Experi\u00eancias no MA mostram como leitura, escrita e experimenta\u00e7\u00e3o aproximam os estudantes do conhecimento.<\/i><i><\/i><\/p>\n<p>Uma pir\u00e2mide, um prisma e um pouco de l\u00edquido colorido ajudam uma turma de Pa\u00e7o do Lumiar, na Grande S\u00e3o Lu\u00eds (MA), a compreender na pr\u00e1tica uma f\u00f3rmula matem\u00e1tica. J\u00e1 em uma escola no bairro Turu, na capital maranhense, outro percurso come\u00e7a com um livro escolhido na biblioteca e termina com o nome do estudante entre os autores de uma colet\u00e2nea liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em tempos em que \u00e9 um desafio atrair a aten\u00e7\u00e3o dos jovens hiperconectados, as experi\u00eancias fazem parte do trabalho de dois professores maranhenses que procuram despertar o interesse dos estudantes pela Matem\u00e1tica e pela L\u00edngua Portuguesa. Neste Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, suas hist\u00f3rias mostram como esse envolvimento \u00e9 constru\u00eddo: com propostas que d\u00e3o espa\u00e7o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o dos alunos, recursos escolhidos para cada conte\u00fado e acompanhamento cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>Melhorar a aprendizagem nestas disciplinas base \u00e9 um desafio internacional. Os \u00faltimos resultados do Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes (Pisa) mostram que, na m\u00e9dia dos pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), o desempenho caiu 28 pontos em leitura e 22 em Matem\u00e1tica entre 2015 e 2025. O recuo mostra o desafio tamb\u00e9m para sistemas educacionais com mais recursos, como Alemanha e Finl\u00e2ndia. No Brasil, os resultados permaneceram estatisticamente est\u00e1veis no per\u00edodo, mas em patamar baixo, refor\u00e7ando a necessidade de fortalecer a compreens\u00e3o de textos e o racioc\u00ednio matem\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u201cAs formas de ensinar mudaram. Projetos que envolvem os estudantes na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento ajudam a despertar o interesse e a dar sentido \u00e0 aprendizagem. Em uma rotina marcada pela tecnologia e pelas redes sociais, esse trabalho exige criatividade e uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima entre professores e alunos. A intelig\u00eancia artificial pode colaborar com o educador oferecendo ideias e ajudando a adaptar atividades \u00e0 realidade de cada turma, mas jamais ir\u00e1 substituir o trabalho docente\u201d, explica o professor Marco Saliba, do Grupo Eureka, parceiro da rede estadual do Maranh\u00e3o na implementa\u00e7\u00e3o de recursos para a recomposi\u00e7\u00e3o das aprendizagens.<\/p>\n<h3>Alunos protagonistas<\/h3>\n<p style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1389\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-1-300x164.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"164\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-1-300x164.png 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-1-1024x561.png 1024w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-1-768x421.png 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-1-100x55.png 100w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-1-700x384.png 700w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-1.png 1080w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>No Centro de Ensino Paulo Freire, a professora Antocl\u00e9ia Santos queria aproximar os estudantes dos livros. Formada em Filosofia e Sociologia, decidiu unir sua iniciativa ao trabalho das professoras de L\u00edngua Portuguesa em um projeto de leitura e escrita. Ao longo de seus 21 anos na \u00e1rea escolar, ela observou uma s\u00e9rie de dificuldades nesse campo, mas afirma: \u201cos obst\u00e1culos n\u00e3o definem a capacidade dos jovens. O que faltava era encontrar uma proposta que os convidasse a participar. Nossa ideia foi pedir que cada estudante escolhesse uma obra da biblioteca, lesse e produzisse uma narrativa a partir de sua interpreta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O convite passou pelas salas dos dois turnos da escola, que atende alunos do Ensino M\u00e9dio. O trabalho reuniu diferentes conhecimentos: Antocl\u00e9ia preparou uma estrutura para ajudar o grupo a organizar as narrativas, enquanto as professoras de L\u00edngua Portuguesa contribu\u00edram com a revis\u00e3o ortogr\u00e1fica, a coes\u00e3o e a coer\u00eancia dos textos. Cada estudante escreveu a partir do livro escolhido e de sua pr\u00f3pria leitura. A parceria tamb\u00e9m envolveu uma professora de Arte, que indicou quatro alunos ligados ao grafite para criar as ilustra\u00e7\u00f5es que dialogam com as hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Dessa constru\u00e7\u00e3o conjunta nasceu a colet\u00e2nea \u201cRecontos Liter\u00e1rios: Jovens que Escrevem, Mundos que Nascem\u201d, com 22 autores e quatro artistas.<\/p>\n<p>\u201cQuando iniciamos o projeto, a inten\u00e7\u00e3o era aproximar os estudantes dos livros. Mas, no percurso, aconteceu algo ainda maior. Eles deixaram de se perceber apenas como leitores e passaram a se reconhecer como autores\u201d, conta.<\/p>\n<p>Antocl\u00e9ia compartilha essa disposi\u00e7\u00e3o para incorporar novas ferramentas. Adepta da intelig\u00eancia artificial, que utiliza em suas pesquisas, ela concluiu recentemente um MBA na \u00e1rea e defende: \u201cO desafio da educa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea \u00e9 justamente ensinar nossos alunos a utilizar esses dispositivos, sem abrir m\u00e3o da autoria, da reflex\u00e3o e do pensamento cr\u00edtico\u201d.<\/p>\n<h3>Tudo \u00e9 matem\u00e1tica<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1388 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-2-300x222.png\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"291\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-2-300x222.png 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-2-1024x758.png 1024w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-2-768x568.png 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-2-1536x1137.png 1536w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-2-100x74.png 100w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-2-608x450.png 608w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/wp-content\/uploads\/sites\/96\/2026\/10\/image-2.png 1600w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 393px) 100vw, 393px\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 no Centro de Ensino Professor Robson Campos Martins, no Maiob\u00e3o, em Pa\u00e7o do Lumiar, o professor de Matem\u00e1tica Vanderl\u00e2ndio Pontes encontra possibilidades de aprendizagem em objetos que poderiam passar despercebidos. Uma embalagem, um recipiente ou uma caixa podem ajudar a discutir formas, medidas, \u00e1reas e volumes. O pr\u00f3prio espa\u00e7o da escola oferece um rico material de investiga\u00e7\u00e3o: desde o piso, \u00e0s janelas, ou \u00e0s paredes.<\/p>\n<p>Hoje, ele desenvolve o trabalho com seis turmas do 3\u00ba ano do Ensino M\u00e9dio. Seu acervo inclui jogos, s\u00f3lidos geom\u00e9tricos e recursos produzidos por ele, levados para a escola conforme o conte\u00fado da aula. A proposta \u00e9 fazer o laborat\u00f3rio circular pelas salas.<\/p>\n<p>\u201cO que procuro mostrar aos estudantes \u00e9 que Matem\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de f\u00f3rmulas que precisam ser memorizadas. Quando eles podem tocar, experimentar, investigar, levantar hip\u00f3teses e visualizar aquilo que est\u00e3o estudando, a rela\u00e7\u00e3o com a disciplina muda\u201d, afirma o professor.<\/p>\n<p>Essa busca come\u00e7ou por volta de 2003, quando Vanderl\u00e2ndio trabalhava na rede municipal de S\u00e3o Lu\u00eds. Diante de dificuldades para prender a aten\u00e7\u00e3o da turma, levou para a aula um objeto inusitado: uma Torre de Han\u00f3i, jogo em que os participantes movimentam discos entre hastes seguindo determinadas regras. Enquanto um estudante tentava resolver o desafio, os demais acompanhavam. Tal curiosidade indicou um caminho que ele aprofundaria, anos depois, no mestrado.<\/p>\n<p>Ao estudar o uso de materiais concretos no ensino de Geometria, Vanderl\u00e2ndio passou a planejar essas atividades de maneira mais sistem\u00e1tica. Hoje, procura relacionar cada recurso ao conceito que pretende ensinar. Em grupos, os estudantes jogam, montam s\u00f3lidos, identificam faces, v\u00e9rtices e arestas e discutem o que observaram.<\/p>\n<p>Sua forma\u00e7\u00e3o inicial em Engenharia contribui muito para esse olhar. Depois de 28 anos de doc\u00eancia, ele mant\u00e9m a busca por maneiras de aproximar o conhecimento matem\u00e1tico das situa\u00e7\u00f5es em que os alunos consigam experimentar.<\/p>\n<p>Os recursos digitais tamb\u00e9m encontram lugar nesse trabalho. A lanterna do celular, por exemplo, permite projetar a sombra de um poliedro constru\u00eddo pela turma. O estudante segura o objeto, muda sua posi\u00e7\u00e3o e observa como a proje\u00e7\u00e3o se transforma. O aparelho pode ainda apoiar pesquisas e o registro das experi\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Experi\u00eancias no MA mostram como leitura, escrita e experimenta\u00e7\u00e3o aproximam os estudantes do conhecimento. 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