{"id":424,"date":"2020-07-01T21:23:26","date_gmt":"2020-07-02T00:23:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/?p=424"},"modified":"2020-07-07T14:25:47","modified_gmt":"2020-07-07T17:25:47","slug":"caminhos-para-tornar-a-escola-mais-acolhedora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/2020\/07\/01\/caminhos-para-tornar-a-escola-mais-acolhedora\/","title":{"rendered":"Caminhos para tornar a escola mais acolhedora"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center\">Tornar a escola mais acolhedora \u00e9 um grande desafio. Mas cada uma pode fazer um pouco para que estudante LGBT se sintam parte dela.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para muitos jovens \u2013 e aqui inclu\u00edmos principalmente os jovens LGBT \u2013 <a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/docedu\/2020\/06\/30\/estudantes-lgbt-na-escola-acolhimento-ou-sofrimento\/\">a escola pode n\u00e3o ser um ambiente muito acolhedor e seguro.<\/a> Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada pelos altos \u00edndices de agress\u00e3o f\u00edsica e verbal, insultos, nega\u00e7\u00e3o e falta de apoio tanto por parte de seus colegas quanto por parte das pessoas que fazem a escola: professores, coordenadores, diretores, supervisores, inspetores e por a\u00ed vai. Em resumo, h\u00e1 muito o que se fazer para tornar a escola mais acolhedora para esses estudantes.<\/p>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/static.congressoemfoco.uol.com.br\/2016\/08\/IAE-Brasil-Web-3-1.pdf\">Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil<\/a>, realizada em todo o pa\u00eds em 2016,\u00a0mais de um ter\u00e7o dos alunos apontam como \u00a0\u201cineficaz\u201d a resposta do profissionais da escola para impedir as agress\u00f5es e 64% desconhecem algo no regulamento da escola que os acolha. Portanto, isso mostra o quanto a escola ainda precisa melhorar para, de fato, proteger e incluir essas crian\u00e7as nos processos educacionais.<\/p>\n<p>A luta pela LGBTfobia vai muito al\u00e9m dos muros das escolas e, em grande parte, independe da boa vontade dos diretores ou dos secret\u00e1rios de Educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso que sejam aprovadas leis contra crimes de \u00f3dios por motiva\u00e7\u00f5es de sexo e g\u00eanero; que se destinem recursos para pesquisas sobre a comunidade LGBT a fim de que embasem pol\u00edticas p\u00fablicas; que se realizem campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o a n\u00edvel nacional para sensibilizar a sociedade acerca dos efeitos da discrimina\u00e7\u00e3o, principalmente contra crian\u00e7as e jovens.<\/p>\n<p>Mas a escola pode fazer sua parte. Afinal, ela tamb\u00e9m integra uma engrenagem importante na forma\u00e7\u00e3o do jovem enquanto cidad\u00e3o cr\u00edtico e soci\u00e1vel. Especialistas apontam caminhos para tornar a escola mais acolhedora para a juventude LGBT. Confira:<\/p>\n<h2><span style=\"color: #003366\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o de professores<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>Muito se critica a forma\u00e7\u00e3o de professores, j\u00e1 que os cursos de licenciatura n\u00e3o t\u00eam a carga hor\u00e1ria de aulas pr\u00e1ticas suficiente para que o futuro professor entenda o funcionamento da aula e como dialogar com os alunos nas mais distintas situa\u00e7\u00f5es. Essa falta de arcabou\u00e7o se reflete tamb\u00e9m na maneira como eles enfrentam quest\u00f5es sociais. O cientista social e pesquisador do g\u00eanero Ricardo Braga aponta a urg\u00eancia de que os cursos de gradua\u00e7\u00e3o contemplem quest\u00f5es como direitos humanos, diversidade de sexo e de g\u00eanero, rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, homofobia, entre outros.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o na academia, para o tamb\u00e9m mestre em Antropologia Ricardo, h\u00e1 um grande perigo quando os professores levam para a sala de aula suas vis\u00f5es de mundo, muitas vezes pautadas pela religiosidade, o que pode resultar em exclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\"><em>\u201cEles n\u00e3o est\u00e3o preparados para compreender alguns fen\u00f4menos que ocorrem naquele espa\u00e7o, como o racismo e a homofobia, passando a naturalizar tais comportamentos, isso quando eles pr\u00f3prios n\u00e3o se tornam seus vetores, a partir de piadas e anedotas que, naturalmente, achamos aceit\u00e1veis\u201d, pontua.<\/em><\/p>\n<h2><span style=\"color: #003366\"><strong>Reformula\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>O curr\u00edculo da escola \u00e9 a \u201cferramenta pedag\u00f3gica que cria a pr\u00f3pria realidade e tem o poder de naturalizar sujeitos, pr\u00e1ticas, sentimentos&#8230;\u201d, segundo o professor Ricardo. Aqui a sugest\u00e3o \u00e9 que o curr\u00edculo da escola contemple mais elementos que espelhem os jovens LGBT. Onde? Nos livros did\u00e1ticos, nos exemplos trazidos pelo professor, nas obras liter\u00e1rias escolhidas, nos cartazes de campanhas etc. Dessa forma, os alunos se sentiriam mais acolhidos e inseridos no ambiente escolar.<\/p>\n<p>\u201cA escola, reproduzindo um ideal cisheteronormativo, expulsa, esconde, n\u00e3o reconhece outros modelos de ser, pensar, agir que destoam daquele ideal que deve ser reproduzido\u201d, completa Ricardo, refor\u00e7ando que essa sensa\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00e3o se ver em lugar algum\u201d \u00e9 semelhante a que acomete crian\u00e7as negras, embora com menor intensidade.<\/p>\n<h2><span style=\"color: #003366\"><strong>Discuss\u00f5es sobre respeito \u00e0 diversidade<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>Em uma institui\u00e7\u00e3o educacional, os professores s\u00e3o os principais vetores de conhecimento e emo\u00e7\u00f5es para os alunos, por isso eles tamb\u00e9m devem estar preparados para tratar do tema da sexualidade. A psicopedagoga da PlayKids e mestranda em Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o Nath\u00e1lia Pontes v\u00ea como op\u00e7\u00e3o reuni\u00f5es com os professores para refor\u00e7ar os valores da institui\u00e7\u00e3o e a necessidade de promover o respeito e a empatia dentro da escola.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px\">\u201cRespeito est\u00e1 muito ligado a empatia. <strong>Respeito n\u00e3o \u00e9 algo que voc\u00ea reproduz, \u00e9 se colocar no lugar do outro e sentir o que sente para atuar com respeito<\/strong>, respeito tem que ser sentido\u201d, \u00e9 o que diz a especialista, que acredita que, quando se trabalha com os estudantes \u2013 principalmente os mais pequenos \u2013 a import\u00e2ncia do respeito ao outro, eles conseguem mais facilmente conviver com o que lhe parece diferente.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m desse trabalho acerca do respeito, outro caminho \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de uma agenda escolar que exponha a diversidade que os cerca. A escola pode investir em excurs\u00f5es a exposi\u00e7\u00f5es de arte, ao teatro, a aparelhos culturais etc. Essa \u00e9 uma estrat\u00e9gia de mostrar aos estudantes outras vis\u00f5es de mundo e de permitir outras abordagens para al\u00e9m do curr\u00edculo.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental, ainda, a abordagem sobre diversidade e sexualidade como ferramenta para tornar a escola mais acolhedora. \u201cEu sou de uma vis\u00e3o de empoderamento infantil. No momento em que o professor est\u00e1 falando de sexualidade, fala das diversas op\u00f5es, dos diversos tipos de casais, de g\u00eaneros. Quando voc\u00ea p\u00f5e uma ordem nisso, j\u00e1 traz um vi\u00e9s seu de preconceito\u201d, sugere a psicopedagoga Nath\u00e1lia Pontes.<\/p>\n<h2><span style=\"color: #003366\"><strong>Di\u00e1logo com as fam\u00edlias<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>As fam\u00edlias ainda tratam do tema da sexualidade como um tabu, e isso acaba refletindo na forma\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a enquanto pessoa. Para a psicopedagoga, isso precisa ser combatido. \u201cS\u00e3o reuni\u00f5es bem dif\u00edceis, os valores da escola e da fam\u00edlia s\u00e3o muito diferentes. Todos n\u00f3s temos que trabalhar e comprar algumas brigas. Temos que trabalhar em prol de uma sociedade em que as pessoas tenham mais liberdade de escolha\u201d, comenta.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia, segundo ela, precisa falar sobre sexualidade com a crian\u00e7a, abordando as concep\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e as demais formas de constitui\u00e7\u00e3o familiar. Dessa forma, a crian\u00e7a j\u00e1 vai construindo um olhar de neutralidade para o outro. \u201cO problema da sociedade \u00e9 que a gente imprime os nossos pr\u00f3prios vieses na crian\u00e7a, sendo que o preconceito \u00e9 constru\u00eddo socialmente\u201d, finaliza.<\/p>\n<h2><span style=\"color: #003366\"><strong>Acolhimento das v\u00edtimas<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>Muitas vezes, as agress\u00f5es perpetradas no ambiente escolar s\u00e3o reprodu\u00e7\u00f5es do que se v\u00ea fora da escola, no seu conv\u00edvio social. Por isso, \u00e9 preciso acolher e conversar com o aluno agredido para que ele se sinta ajudado e acompanhar de perto para que n\u00e3o tenha seu desempenho afetado nem se desestabilize emocionalmente.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, ainda, criar canais de comunica\u00e7\u00e3o por meio dos quais os estudantes LGBT possam relatar casos de discrimina\u00e7\u00e3o sofridos, deixando-os mais seguros e acolhidos. O di\u00e1logo e o acompanhamento s\u00e3o as medidas mais eficazes.<\/p>\n<p>Essas sugest\u00f5es, desde as mais simples \u00e0s mais complexas, visam, para al\u00e9m de tornar a escola mais acolhedora para crian\u00e7as e adolescentes LGBT, tornar um ambiente mais harmoniosos e respeito. Como Nath\u00e1lia pontua, <strong>\u201co intuito da Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 acreditar na mudan\u00e7a e que as pessoas podem ser melhores\u201d<\/strong>. Dessa forma, ganha a escola, que se reconstr\u00f3i e se adaptada \u00e0s formas diferentes de ser, e ganha o aluno, que consegue pavimentar um caminho para o seu desenvolvimento em quaisquer \u00e2mbitos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tornar a escola mais acolhedora \u00e9 um grande desafio. 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