{"id":10183,"date":"2017-09-10T08:55:28","date_gmt":"2017-09-10T11:55:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/educacao\/?p=10183"},"modified":"2017-09-10T08:55:28","modified_gmt":"2017-09-10T11:55:28","slug":"em-dez-anos-triplica-o-numero-de-alunos-com-deficiencia-em-escolas-regulares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2017\/09\/10\/em-dez-anos-triplica-o-numero-de-alunos-com-deficiencia-em-escolas-regulares\/","title":{"rendered":"Em dez anos, triplica o n\u00famero de alunos com defici\u00eancia em escolas regulares"},"content":{"rendered":"<p>No ensino m\u00e9dio da Escola Estadual Maur\u00edcio Murgel, em Belo Horizonte, uma sequ\u00eancia de gestos pode explicar, por exemplo, a diferen\u00e7a entre liga\u00e7\u00f5es covalentes e i\u00f4nicas nas aulas de qu\u00edmica. Nas turmas, estudantes e professores se comunicam tanto em portugu\u00eas quanto na L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras), j\u00e1 que nas classes h\u00e1 alunos surdos e pessoas sem qualquer limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou intelectual.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio reflete os esfor\u00e7os para a inclus\u00e3o de estudantes com defici\u00eancia em turmas mistas nas institui\u00e7\u00f5es de ensino p\u00fablicas e privadas mineiras. Nos \u00faltimos dez anos, triplicou o n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes nessas condi\u00e7\u00f5es matriculados em escolas comuns. O salto foi de 28 mil para 83 mil.<\/p>\n<p>O incentivo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de classes mistas \u00e9 previsto no Estatuto da Pessoa com Defici\u00eancia, aprovado em 2015 como lei federal. Mas, ainda que a medida seja observada nas salas de aula, a inclus\u00e3o dessas pessoas no ambiente acad\u00eamico segue como um grande desafio. Falta de apoio especializado, despreparo da comunidade escolar, infraestrutura prec\u00e1ria e turmas lotadas s\u00e3o alguns dos problemas apontados pelos estudantes, pedagogos e entidades de defesa dos direitos dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Avan\u00e7o<\/strong><br \/>\n\u201cA inser\u00e7\u00e3o no ensino regular \u00e9 um grande avan\u00e7o que democratiza os direitos das pessoas com defici\u00eancia\u201d, afirma a coordenadora do N\u00facleo de Direitos Humanos e Inclus\u00e3o da PUC Minas, Carolina Resende. Para ela, as classes inclusivas representam o primeiro passo para o fim do modelo de escolas s\u00f3 para deficientes, o que ela classifica como \u201csegrega\u00e7\u00e3o institucionalizada\u201d. Mas Carolina acredita que as redes de ensino ainda n\u00e3o est\u00e3o preparadas para receber esses alunos.<\/p>\n<p>A professora, que trabalha com a capacita\u00e7\u00e3o profissional de pessoas com defici\u00eancias diversas, conta que a maior parte delas termina o ciclo da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica com severos d\u00e9ficits de aprendizagem, dificultando a inser\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de ensinos t\u00e9cnico e superior. \u201cMuitos n\u00e3o est\u00e3o nem alfabetizados\u201d.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><br \/>\nDos 2 mil estudantes da escola Maur\u00edcio Murgel, 47 possuem defici\u00eancia e est\u00e3o em classes mistas. As aulas s\u00e3o ministradas em voz alta e traduzidas por um int\u00e9rprete de Libras, facilitando ao aluno o entendimento do que \u00e9 dito.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, Edson Marques Sabino, 17 anos, estuda em uma escola comum. Deficiente auditivo, ele afirma que est\u00e1 se desenvolvendo mais r\u00e1pido agora. \u201cAprendo melhor do que na escola especial\u201d.<\/p>\n<p>Come\u00e7ar a conviver com ouvintes representa, para Edson, o desafio de conhecer uma nova cultura. \u201cEstranhei um pouco no in\u00edcio, mas \u00e9 importante termos essa troca. O contato com ouvintes \u00e9 bom para evoluirmos na sociedade e \u00e9 essencial estarmos juntos. A inclus\u00e3o est\u00e1 acontecendo aqui\u201d, observa.<\/p>\n<p><strong>Aprendizado de qualidade \u00e9 entrave na inclus\u00e3o de estudantes<\/strong><\/p>\n<p>O principal entrave para a inclus\u00e3o nas escolas comuns \u00e9 o aprendizado de qualidade. A falta de preparo para atender \u00e0s necessidades de Miriam do Couto, de 16 anos, foi o que levou a adolescente cega a largar a escola em que estudava, em Alvin\u00f3polis, regi\u00e3o Central do Estado. Nenhum dos docentes sabia ler braille e a estudante n\u00e3o tinha apoio em sala de aula.<\/p>\n<p>\u201cA professora explicava a mat\u00e9ria para os outros alunos, eles escreviam tudo no caderno e eu ficava jogada em um canto, sem aprender nada\u201d, conta. Hoje, Miriam \u00e9 aluna do Instituto S\u00e3o Rafael, escola especial que atende deficientes visuais na capital mineira.<\/p>\n<p>A entidade oferece cursos de capacita\u00e7\u00e3o, produz material em braille e em tinta para o ensino comum e d\u00e1 suporte para institui\u00e7\u00f5es regulares. Diretora do S\u00e3o Rafael, Juliany do Amaral acredita que as institui\u00e7\u00f5es especializadas devem apoiar as pr\u00e1ticas de inclus\u00e3o na rede comum. \u201cA inclus\u00e3o n\u00e3o veio para fechar as escolas especiais. Somos aliados. Podemos e devemos ajudar a orientar os profissionais das institui\u00e7\u00f5es regulares a inserir os alunos com cuidado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Preconceito<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de um ambiente com infraestrutura prec\u00e1ria, a deficiente visual Emilly Carvalho, de 13 anos, teve que conviver com o preconceito dos colegas em uma escola comum. \u201cSofri muito bullying depois de ficar cega. As pessoas da sala jogavam bolinha de papel em mim, pegavam meus materiais e sa\u00edam correndo. Eles deviam ser mais compreensivos e gentis\u201d.<\/p>\n<p>Com a situa\u00e7\u00e3o hostil, a m\u00e3e da menina se viu for\u00e7ada a transferi-la para o S\u00e3o Rafael. Leila Aparecida Silva, de 39 anos, lamenta que a filha n\u00e3o tenha conseguido seguir em uma classe mista pelo despreparo da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSeria \u00f3timo se a Emilly pudesse socializar com alunos videntes (que enxergam), mas essa inclus\u00e3o s\u00f3 existe no papel, n\u00e3o h\u00e1 qualquer trabalho de orienta\u00e7\u00e3o aos estudantes e professores para lidar com as pessoas com limita\u00e7\u00f5es sem preconceitos\u201d, argumenta.<\/p>\n<p><strong>Em Minas, unidades especiais da rede estadual de ensino podem virar centros de apoio<\/strong><\/p>\n<p>O movimento de inser\u00e7\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia no ensino comum reflete uma s\u00e9rie de pol\u00edticas voltadas para assegurar os direitos delas. No Brasil, as matr\u00edculas de alunos com limita\u00e7\u00f5es nos col\u00e9gios regulares cresceram 161% de 2007 a 2016, enquanto as escolas especiais deixaram de ser a primeira op\u00e7\u00e3o de muitas fam\u00edlias. Hoje, as institui\u00e7\u00f5es especializadas t\u00eam metade dos estudantes que tinham h\u00e1 dez anos.<\/p>\n<p>Na rede estadual mineira, s\u00f3 2.563 dos 43.002 dos deficientes matriculados est\u00e3o em escolas especiais, conforme a Secretaria de Estado de Educa\u00e7\u00e3o.\u00a0Diretora de Educa\u00e7\u00e3o Especial da pasta, Ana Regina de Carvalho espera que at\u00e9 2019 as institui\u00e7\u00f5es da rede deixem de ofertar o ensino especial e passem a funcionar como centros de apoio para as demais escolas. Hoje, h\u00e1 26 unidades especiais em Minas, enquanto 3.245 institui\u00e7\u00f5es estaduais regulares recebem alunos com defici\u00eancia.\u00a0\u201c\u00c0 medida que a inclus\u00e3o se fortalece, as pessoas come\u00e7am a buscar as escolas comuns\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as necess\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>Mas s\u00f3 colocar os estudantes em salas mistas n\u00e3o \u00e9 suficiente, ressalta Rodrigo Mendes, presidente do Instituto Rodrigo Mendes, uma das refer\u00eancias na defesa da inclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia em escolas comuns. Para ele, a inser\u00e7\u00e3o deve ser acompanhada por uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as na estrutura e no ambiente escolar e de preparo da equipe de ensino.<\/p>\n<p>\u201cDevemos investir continuamente na forma\u00e7\u00e3o dos educadores e na adapta\u00e7\u00e3o da arquitetura da escola. \u00c9 fundamental o planejamento das aulas, das estrat\u00e9gias de ensino e do projeto pedag\u00f3gico, al\u00e9m de utilizar material did\u00e1tico adequado \u00e0s necessidades dos estudantes\u201d, diz.<\/p>\n<p>Fonte: Hoje em Dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ensino m\u00e9dio da Escola Estadual Maur\u00edcio Murgel, em Belo Horizonte, uma sequ\u00eancia de gestos pode explicar, por exemplo, a diferen\u00e7a entre liga\u00e7\u00f5es covalentes e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23,4,266,28,116],"tags":[],"class_list":["post-10183","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ceara","category-educacao","category-educacao-familiar","category-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente","category-politicas-publicas"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10183"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10183\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}