{"id":10189,"date":"2017-09-22T09:57:24","date_gmt":"2017-09-22T12:57:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/educacao\/?p=10189"},"modified":"2017-09-22T09:57:24","modified_gmt":"2017-09-22T12:57:24","slug":"bullying-exposicao-e-golpes-o-papel-das-escolas-diante-dos-riscos-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2017\/09\/22\/bullying-exposicao-e-golpes-o-papel-das-escolas-diante-dos-riscos-da-internet\/","title":{"rendered":"Bullying, exposi\u00e7\u00e3o e golpes: o papel das escolas diante dos riscos da internet"},"content":{"rendered":"<p>Em 2015 uma estudante de 15 anos de Itanha\u00e9m, no litoral de S\u00e3o Paulo, pediu para ser transferida de escola ap\u00f3s alguns colegas de classe compartilharem por WhatsApp montagens que a humilhavam. Na \u00e9poca, a diretoria n\u00e3o acreditou na aluna, o que intensificou os ataques dentro da escola \u2013 meses se passaram at\u00e9 ela e a m\u00e3e conseguirem provar ap\u00f3s terem acesso \u00e0s mensagens, e ent\u00e3o a troca foi realizada.<\/p>\n<p>J\u00e1 em outro caso que ocorreu em uma escola p\u00fablica de Bras\u00edlia, h\u00e1 pouco mais de um ano, a humilha\u00e7\u00e3o envolveu 10 estudantes que foram expostas em uma montagem em v\u00eddeo com conota\u00e7\u00e3o sexual; fotos utilizadas no v\u00eddeo foram retiradas do pr\u00f3prio perfil nas redes sociais das v\u00edtimas, desde selfies na escola a fotos de biqu\u00edni.<\/p>\n<p>A internet, parte importante da vida dos jovens, traz riscos com os quais eles n\u00e3o est\u00e3o preparados para lidar. E, al\u00e9m da fam\u00edlia, a escola tem um papel fundamental a desempenhar nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cO \u00a0educador deve, ao usar qualquer tecnologia digital, deixar muito claro at\u00e9 aonde vai a porta da sala de aula, para evitar intera\u00e7\u00f5es digitais perigosas com os alunos\u201d, avalia Patr\u00edcia Peck Pinheiro, especialista em Direito Digital. \u201cJ\u00e1 a institui\u00e7\u00e3o deve orientar, deixar as regras claras, inclusive atualizando-as tanto no contrato de matr\u00edcula com o aluno, como no contrato de trabalho do educador\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Risco calculado?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Crian\u00e7as hoje em idade escolar j\u00e1 nasceram em um mundo que n\u00e3o se desconecta. No Brasil, a \u00faltima\u00a0<a href=\"http:\/\/cetic.br\/pesquisa\/kids-online\/indicadores%20\" target=\"_self\">pesquisa do TIC Kids Online Brasil<\/a>\u00a0revelou que 79% das crian\u00e7as e adolescentes entre 9 e 17 anos est\u00e3o ativas na internet \u2013 n\u00famero que representa 23,7 milh\u00f5es de jovens, sendo que 85% deles acessam pelo celular.<\/p>\n<p>Com os aparelhos m\u00f3veis elas t\u00eam mais privacidade ao navegar online, sem necessariamente ter a media\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis. Da\u00ed surgem os perigos.<\/p>\n<p>Para Rodrigo Njem, psic\u00f3logo e diretor de educa\u00e7\u00e3o da ONG SaferNet Brasil, entre os principais problemas e riscos do uso da internet no ambiente escolar est\u00e3o a \u201cdistra\u00e7\u00e3o do aluno, cyberbullying (intimida\u00e7\u00e3o ou discrimina\u00e7\u00e3o), exposi\u00e7\u00e3o da intimidade e outras quest\u00f5es de privacidade, como roubo de dados\u201d.<\/p>\n<p>Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/society\/2016\/mar\/25\/children-young-seven-caught-sexting-school-study-reveals%20\" target=\"_self\">estudo divulgado ano passado pela NASUWT<\/a>, um dos sindicatos de professores do Reino Unido, descobriu mais da metade dos professores estavam ciente de alunos que praticavam \u201csexting\u201d (envio de imagens \u00edntimas) dentro da escola. A maioria dos incidentes envolveu alunos de 13 a 16 anos, mas os professores disseram estar cientes da pr\u00e1tica tamb\u00e9m na escola prim\u00e1ria, com alunos de at\u00e9 sete anos. Metade dos docentes afirmaram que encontraram alunos usando m\u00eddias sociais para enviar insultos ou praticar bullying.<\/p>\n<p>Cristina Sleiman, presidente da Comiss\u00e3o Especial de Educa\u00e7\u00e3o Digital da OAB-SP, alerta que a internet permite ao aluno contatar pessoas que est\u00e3o fora da escola. \u201cEm caso de uso aleat\u00f3rio para comunica\u00e7\u00e3o externa, at\u00e9 aliciamento, a escola pode acabar responsabilizada. Por isso devem existir regras claras sobre o uso; eles t\u00eam que entender que \u00e9 um risco para eles mesmos a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o adequada\u201d.<\/p>\n<p><strong>Influenciando o ambiente\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/education\/2015\/may\/16\/schools-mobile-phones-academic-results%20\" target=\"_self\">pesquisa pela London School of Economics<\/a>\u00a0mostra que, ap\u00f3s as escolas proibirem os celulares, o desempenho dos estudantes melhorou. Mas especialistas acreditam que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel ter um controle completo sobre os dispositivos.<\/p>\n<p>\u201cSe falamos em educa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, voc\u00ea n\u00e3o poder proibir tecnologia, por isso o melhor caminho \u00e9 educa\u00e7\u00e3o digital: educar para que crian\u00e7as e adolescentes saibam us\u00e1-la de maneira \u00e9tica e segura\u201d, diz Cristina.<\/p>\n<p>Na Escola da Vila, institui\u00e7\u00e3o de ensino particular em S\u00e3o Paulo, alunos a partir do 6\u00ba ano podem levar o celular. Em alguns casos os dispositivos s\u00e3o inclu\u00eddos em atividades escolares e contam com uma rede Wi-Fi livre para uso. Segundo Helena Mendon\u00e7a, Coordenadora de Tecnologias Educacionais, h\u00e1, por\u00e9m, um controle para que eles n\u00e3o o utilizem durante a aula.<\/p>\n<p>\u201dUma situa\u00e7\u00e3o em que uma aluna posta uma foto inadequada de uma colega na rede social, por exemplo, ou um aluno acessa indevidamente a conta de outro, gera conflitos na escola. A partir dos casos que acontecem, propomos uma discuss\u00e3o e a equipe de orienta\u00e7\u00e3o educacional acompanha os envolvidos e desenvolve campanhas que s\u00e3o direcionadas para toda a escola\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Problema global\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da escola para a educa\u00e7\u00e3o digital do aluno ganha for\u00e7a em todo o mundo. Em junho o Google lan\u00e7ou nos EUA o projeto \u201c<a href=\"https:\/\/beinternetawesome.withgoogle.com\/\" target=\"_self\">Be Internet Awesome<\/a>\u201d (\u201cSeja Incr\u00edvel na Internet\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), que consiste em uma plataforma informativa para pais e professores com princ\u00edpios para uma internet segura. Para as crian\u00e7as h\u00e1 um jogo interativo chamado \u201cInterland\u201d, em que elas devem combater hackers, phishers (golpistas online), oversharers (aqueles que compartilham informa\u00e7\u00f5es em excesso na rede) e valent\u00f5es, praticando as habilidades que precisam para serem bons cidad\u00e3os digitais. O objetivo \u00e9 fazer com que os jovens tomem decis\u00f5es inteligentes por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>De acordo com Sonia Livingstone, da London School of Economics and Political Science, mesmo que sejam nativas digitais, \u201ccrian\u00e7as n\u00e3o necessariamente sabem tudo sobre como usar a internet\u201d. Sonia afirma ainda que a vis\u00e3o dos adultos europeus mudou nos \u00faltimos anos, com uma maior percep\u00e7\u00e3o de que eles devem ser respons\u00e1veis por manter as crian\u00e7as seguras na internet, mas que elas tamb\u00e9m devem desenvolver habilidades para se manterem seguras por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de uma idade m\u00ednima para a crian\u00e7a usar livremente a internet surge, ent\u00e3o, naturalmente. Para Nejm um comparativo simples pode ajudar a responder a quest\u00e3o. \u201cA crian\u00e7a tem capacidade de sair sozinha na rua? Ela j\u00e1 tem estabelecidos os par\u00e2metros de seguran\u00e7a, de autocuidado e autoprote\u00e7\u00e3o? Ou ela ainda tem certa depend\u00eancia? Se ela n\u00e3o tem maturidade para ficar sozinha no mundo real, o mundo digital \u00e9 t\u00e3o grande ou maior que o bairro onde ela mora. Pais e educadores precisam ter sempre essa refer\u00eancia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Fonte: Gazeta do Povo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2015 uma estudante de 15 anos de Itanha\u00e9m, no litoral de S\u00e3o Paulo, pediu para ser transferida de escola ap\u00f3s alguns colegas de classe&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23,4,25,27,28],"tags":[],"class_list":["post-10189","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ceara","category-educacao","category-educadores","category-escolas","category-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10189"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10189\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}