{"id":10197,"date":"2017-10-12T08:54:55","date_gmt":"2017-10-12T11:54:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/educacao\/?p=10197"},"modified":"2017-10-12T08:54:55","modified_gmt":"2017-10-12T11:54:55","slug":"pais-ignoram-o-que-os-filhos-fazem-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2017\/10\/12\/pais-ignoram-o-que-os-filhos-fazem-na-internet\/","title":{"rendered":"Pais ignoram o que os filhos fazem na internet"},"content":{"rendered":"<p>A maioria dos pais n\u00e3o deixaria seus filhos atravessarem a rua sozinhos ou conversarem com estranhos sem supervis\u00e3o. Mas, surpreendentemente, quase um quarto deles deixa as crian\u00e7as e os adolescentes navegarem na internet desacompanhados, e apenas um ter\u00e7o se preocupa com os riscos que os filhos correm no mundo virtual. Os dados s\u00e3o da Pesquisa de Riscos de Seguran\u00e7a para o Consumidor de 2016, da empresa de seguran\u00e7a cibern\u00e9tica Kaspersky Lab, realizada com mais de 12 mil pessoas.<\/p>\n<p>No Brasil, mais de 23 milh\u00f5es (79%) de crian\u00e7as e adolescentes de 9 a 17 anos s\u00e3o usu\u00e1rios de internet, conforme levantamento do Comit\u00ea Gestor da Internet no Brasil (CGI). De acordo com o analista de seguran\u00e7a da Kaspersky Lab, Thiago Marques, na maioria das vezes, os pais nem sequer t\u00eam o cuidado de saber o que os filhos est\u00e3o fazendo no mundo digital, com quem est\u00e3o conversando e que tipo de atividade est\u00e3o realizando. \u201cO pr\u00f3prio caso do \u2018jogo da Baleia Azul\u2019, no qual as pessoas buscavam as crian\u00e7as e os adolescente justamente nas redes sociais, \u00e9 um exemplo de perigo\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Outras situa\u00e7\u00f5es de alto risco para a sa\u00fade tamb\u00e9m se tornaram uma pr\u00e1tica popular entre os adolescentes depois de ganharem espa\u00e7o nas redes sociais, como os desafios de comer canela, espirrar desodorante na boca e a \u201cbrincadeira (ou jogo) do desmaio\u201d, que consiste em provocar a perda da consci\u00eancia com a ajuda de outros colegas. Col\u00e9gios de Paran\u00e1, Sergipe, Bras\u00edlia e Rio de Janeiro registraram alguns casos desde 2014. Na semana passada, uma adolescente de 16 anos fugiu de casa em Belo Horizonte depois de ser proibida de usar as redes sociais. A fam\u00edlia n\u00e3o sabia que ela tinha milhares de seguidores por postar imagens sensuais. Felizmente, a garota voltou para casa.<\/p>\n<p>A consultora de implanta\u00e7\u00e3o Sumara Fernandes, 37, tem um filho de 12 anos que passa cerca de seis horas por dia na frente do computador. Ela teme algumas situa\u00e7\u00f5es, mas reconhece que nunca tentou usar outros recursos. \u201cConfesso que n\u00e3o sou antenada com tecnologia, ent\u00e3o o que eu fa\u00e7o \u00e9 ouvir as conversas nos jogos para ver se do outro lado est\u00e1 outra crian\u00e7a ou um adulto, e converso muito com ele\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Na rede<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos jogos, at\u00e9 2016, 80% da demanda da Delegacia Especializada de Investiga\u00e7\u00f5es de Crimes Cibern\u00e9ticos em Belo Horizonte correspondia a casos de ciberbullying \u2013 intimida\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica ocorrida na internet.<\/p>\n<p>Para Marques, os resultados do estudo da Kaspersky Lab evidenciam a necessidade de os pais terem uma maior consci\u00eancia dos perigos que rondam a internet. Segundo a pesquisa, 41% das crian\u00e7as foram expostas a amea\u00e7as online no per\u00edodo de 12 meses anterior ao estudo. Essas amea\u00e7as incluem a exposi\u00e7\u00e3o a conte\u00fado impr\u00f3prio e contato com estranhos, entre outros.<\/p>\n<p>A estudante e bailarina Maria Clara Marli\u00e9re, 12, tem mais de 30 mil seguidores no seu perfil no Instagram (@mariacantaencanta), e quem administra a conta \u00e9 a m\u00e3e Wilmara Marli\u00e9re, 50. Ela reconhece os riscos que a filha poderia correr se n\u00e3o a acompanhasse de perto. \u201cInfelizmente, ela sempre recebe convites de pessoas perguntando a idade dela e fazendo elogios extremamente exagerados. Logo respondo e digo que n\u00e3o \u00e9 a Maria do outro lado, mas eles muitas vezes insistem, por terem esperan\u00e7a de ela ler e responder. Isso me incomoda, j\u00e1 tive vontade de acabar com a conta. J\u00e1 troquei a senha v\u00e1rias vezes\u201d, conta.<\/p>\n<p>A m\u00e3e se diz \u201capavorada\u201d e, por isso, tamb\u00e9m vigia as conversas da filha no aplicativo WhatsApp. \u201cEles cercam a crian\u00e7a o tempo todo. In\u00fameras vezes j\u00e1 pensei que, se ela tivesse sozinha, teria ca\u00eddo em v\u00e1rias armadilhas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Wilmara, por\u00e9m, \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. O estudo tamb\u00e9m descobriu que um n\u00famero pequeno de pais toma medidas necess\u00e1rias para proteger seus filhos: apenas um ter\u00e7o conversa regularmente com as crian\u00e7as sobre a internet e os perigos online, enquanto um quarto (27%) verifica periodicamente o hist\u00f3rico no navegador da web.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o da m\u00e3e, esse \u201cdesinteresse\u201d n\u00e3o \u00e9 provocado pela falta de informa\u00e7\u00e3o. Na an\u00e1lise dela, a vida corrida dos pais e a falta de no\u00e7\u00e3o de que o perigo realmente existe prejudicam o controle. \u201cMuitos acreditam naquela m\u00e1xima de que \u2018n\u00e3o vai acontecer comigo\u2019, mas eu prefiro cuidar porque pode, sim, acontecer\u201d, completa.<\/p>\n<p>Para Marques, n\u00e3o \u00e9 preciso proibir, mas controlar e, sobretudo, saber o que est\u00e1 acontecendo no ambiente virtual. \u201cA principal dica \u00e9 prestar aten\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Compras de itens em aplicativos causam rombos<\/strong><\/p>\n<p>Entre um clique e outro, as cores e os personagens de desenhos animados e de jogos de sites e aplicativos destinados ao p\u00fablico infantil escondem um an\u00fancio publicit\u00e1rio. Fazer compra dentro dessas ferramentas e videogames, por celulares e consoles, pode ser t\u00e3o f\u00e1cil que at\u00e9 crian\u00e7as pequenas adquirem produtos de alto valor sem que os pais percebam (leia no infogr\u00e1fico alguns exemplos).<\/p>\n<p>Dessa forma, al\u00e9m dos preju\u00edzos que a internet pode trazer \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental das crian\u00e7as se n\u00e3o for bem utilizada, a conta banc\u00e1ria dos pais e das m\u00e3es tamb\u00e9m corre perigo se eles n\u00e3o se prevenirem quanto aos acessos dos pequenos. Segundo a Comiss\u00e3o Federal de Com\u00e9rcio (FTC, na sigla em ingl\u00eas), a Apple j\u00e1 recebeu dezenas de milhares de queixas por compras de apps n\u00e3o autorizadas feitas por crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Depois das den\u00fancias, a empresa decidiu reembolsar os pais. No sistema operacional Android, al\u00e9m da op\u00e7\u00e3o de bloqueio, os respons\u00e1veis podem comprar cart\u00f5es vale-presente para serem utilizados.<\/p>\n<p>Pensando nisso, o Movimento Crian\u00e7a Mais Segura na Internet, da Safernet, criou um manual com o passo a passo para ensinar crian\u00e7as a comprar pela internet.<\/p>\n<p><strong>N\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p><strong>34%<\/strong>\u00a0dos pais temem que os filhos sejam v\u00edtimas de\u00a0bullying virtual, diz estudo da Kaspersky<\/p>\n<p><strong>21%<\/strong>\u00a0acreditam ser melhor que as crian\u00e7as aprendam sozinhas como usar a internet\u00a0com seguran\u00e7a<\/p>\n<p><strong>38%<\/strong>\u00a0conversam regularmente\u00a0com as crian\u00e7as sobre a internet e os perigos online<\/p>\n<p>Fonte: O Tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos pais n\u00e3o deixaria seus filhos atravessarem a rua sozinhos ou conversarem com estranhos sem supervis\u00e3o. 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