{"id":10235,"date":"2017-10-24T08:03:27","date_gmt":"2017-10-24T11:03:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/educacao\/?p=10235"},"modified":"2017-10-24T08:03:27","modified_gmt":"2017-10-24T11:03:27","slug":"riscos-infantis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2017\/10\/24\/riscos-infantis\/","title":{"rendered":"Riscos Infantis"},"content":{"rendered":"<p>A ideia de ter um filho \u201ccorrendo riscos\u201d certamente n\u00e3o \u00e9 bem-vista por m\u00e3es e pais em geral. Mas diversos educadores e profissionais da \u00e1rea v\u00eam defendendo a import\u00e2ncia do risco para diferentes aspectos do desenvolvimento infantil: da autoconfian\u00e7a \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o motora. Para esses especialistas, lidar com riscos na inf\u00e2ncia tem influ\u00eancia no modo como se negocia situa\u00e7\u00f5es mais complicadas na vida adulta.<\/p>\n<p>Em setembro de 2017, a ISGA (International School Grounds Alliance), entidade que re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es educacionais de diversos pa\u00edses, divulgou uma declara\u00e7\u00e3o em que defende a import\u00e2ncia do risco na vida infantil. \u201cUma vez que o mundo \u00e9 cheio de riscos, as crian\u00e7as precisam aprender a reconhecer e reagir a eles para se proteger e desenvolver suas pr\u00f3prias capacidades de avalia\u00e7\u00e3o de risco\u201d, afirmou o documento lan\u00e7ado em uma confer\u00eancia da entidade em Berlim.<\/p>\n<p>No site da entidade, h\u00e1 muitas fotos de crian\u00e7as brincando em situa\u00e7\u00f5es ao ar livre e na natureza: subindo em \u00e1rvores e em redes de corda. Uma das fotos traz duas crian\u00e7as a bordo de uma pequena balsa em um riacho. Vale ressaltar que as publica\u00e7\u00f5es e especialistas consultados pela reportagem usam a palavra \u201crisco\u201d sempre no contexto de brincadeiras ou atividades em \u00e1reas em que h\u00e1 adultos presentes ou pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>Em junho do mesmo ano, o programa Crian\u00e7a e Natureza, do Instituto Alana, direcionado a temas ligados \u00e0 inf\u00e2ncia, produziu dois v\u00eddeos que seguem na mesma linha. \u201cNingu\u00e9m se desenvolve se isolando de riscos\u201d, diz o educador Fabio Raimo no v\u00eddeo \u201cQuando o risco vale a pena\u201d.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 tamb\u00e9m a t\u00f4nica do livro de um dos mais conhecidos especialistas brit\u00e2nicos em inf\u00e2ncia, Tim Gill. Em \u201cNo fear: growing up in a risk-averse society\u201d (Sem medo: crescendo em uma sociedade com avers\u00e3o a riscos, em tradu\u00e7\u00e3o livre), o autor defende que cada vez mais os adultos est\u00e3o sacrificando as experi\u00eancias da inf\u00e2ncia com o objetivo de diminuir riscos.<\/p>\n<p>\u201cO risco sempre tem um impacto, mas as pessoas tendem a focar s\u00f3 no impacto negativo. N\u00f3s entendemos que o risco \u00e9 um elemento inerente da vida e uma maneira de aprender a lidar com os riscos \u00e9 passar por eles\u201d, afirmou ao Nexo La\u00eds Fleury, diretora do Crian\u00e7a e Natureza, do Instituto Alana.<\/p>\n<p>O ambiente densamente urbanizado, distante ou com poucas op\u00e7\u00f5es de contato com a natureza contribui para limitar as op\u00e7\u00f5es de pais e crian\u00e7as. O contato com a natureza, que inclui atividades como subir em \u00e1rvores, correr em espa\u00e7os abertos, mexer na terra ou em plantas, pode ter como resultado joelhos ralados, hematomas de quedas ou picadas de insetos. Mas \u00e9 dessas experi\u00eancias que nasce o aprendizado. De acordo com Fleury, educadores de escolas que contam com mais espa\u00e7o ao ar livre, onde o risco \u00e9 mais prov\u00e1vel, dizem que as crian\u00e7as tendem a se machucar menos.<\/p>\n<p>A especialista ressalta que n\u00e3o se trata de deixar a crian\u00e7a mais suscet\u00edvel a acidentes ou de correr risco de vida. Segundo ela, ningu\u00e9m prop\u00f5e permitir que crian\u00e7as atravessem a rua sozinhas ou escalem grandes alturas. Como saber qual o limite? Ela sugere que se avalie em cada situa\u00e7\u00e3o \u201cqual a probabilidade de se machucar e qual a consequ\u00eancia que isso ter\u00e1 na vida da crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA toler\u00e2ncia \u00e9 muito subjetiva, muito pessoal. Eu, como m\u00e3e, se minha filha cair e quebrar a perna eu aceito isso, acho que faz parte. Alguns pais v\u00e3o achar inadmiss\u00edvel\u201d, explicou a diretora do Alana. Ela pontua que, em alguns casos, pode-se diminuir a probabilidade de ferimento, por exemplo, fazendo com que a crian\u00e7a corra de t\u00eanis em vez de chinelo de dedo.<\/p>\n<p>Consequ\u00eancias boas e ruins<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de aprender a lidar com situa\u00e7\u00f5es \u201cfora da zona de conforto\u201d, especialistas enumeram outras consequ\u00eancias que o risco ou a falta dele podem trazer para crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Para Fleury, do Instituto Alana, as crian\u00e7as que s\u00e3o constantemente privadas de riscos tendem a ser mais sedent\u00e1rias. \u201cFisicamente, elas tendem a ser menos saud\u00e1veis, pois se movimentam menos. H\u00e1 pais que n\u00e3o deixam a crian\u00e7a correr com medo de ela cair e machucar o joelho\u201d, explicou ao Nexo. \u201cCrian\u00e7as assim tendem a ficar mais obesas, ter sobrepeso.\u201d<\/p>\n<p>A educadora diz que dificuldade maior de concentra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ser uma consequ\u00eancia, pois muitas crian\u00e7as mais protegidas acabam represando sua energia expansiva. \u201cConversando com m\u00e9dicos, eles veem isso claramente. Nos movimentos, crian\u00e7as assim t\u00eam coordena\u00e7\u00e3o motora pior.\u201d<\/p>\n<p>Especialistas tamb\u00e9m assinalam que proteger demais revela falta de confian\u00e7a na capacidade da crian\u00e7a. \u201cQuando a crian\u00e7a tem medo, ela para, n\u00e3o arrisca, ela pede ajuda\u201d, lembra Fleury.<\/p>\n<p>Ficar alertando a crian\u00e7a sobre o perigo da a\u00e7\u00e3o dela, dizendo \u201ccuidado\u201d, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 recomendado, segundo a especialista. \u201cQuando a gente fala \u2018cuidado!\u2019, j\u00e1 passamos uma inseguran\u00e7a, transferimos para ela o medo. Melhor \u00e9 antecipar a situa\u00e7\u00e3o por ela e conter poss\u00edveis riscos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO medo do risco por seus filhos \u00e9 compreens\u00edvel\u201d, explica Richard Louv, jornalista e ativista em causas relacionadas \u00e0 crian\u00e7a, no v\u00eddeo \u201cQuando o risco vale a pena\u201d: \u201cTemos que proteger nossos filhos. Mas se queremos que cres\u00e7am e virem adultos resilientes e seguros, eles t\u00eam que correr riscos na inf\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Nexo Jornal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia de ter um filho \u201ccorrendo riscos\u201d certamente n\u00e3o \u00e9 bem-vista por m\u00e3es e pais em geral. 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