{"id":10728,"date":"2018-09-08T09:02:49","date_gmt":"2018-09-08T12:02:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/?p=10728"},"modified":"2018-08-16T15:54:21","modified_gmt":"2018-08-16T18:54:21","slug":"40-das-jovens-estao-fora-da-escola-para-cuidar-da-casa-e-dos-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2018\/09\/08\/40-das-jovens-estao-fora-da-escola-para-cuidar-da-casa-e-dos-filhos\/","title":{"rendered":"40% das jovens est\u00e3o fora da escola para cuidar da casa e dos filhos"},"content":{"rendered":"<p>Quando uma crian\u00e7a entra em uma boa creche, o Pa\u00eds inteiro entra com ela. Exagero? N\u00e3o exatamente. Segundo especialistas, os investimentos em Primeira Inf\u00e2ncia, per\u00edodo que vai de 0 a 6 anos, d\u00e3o os maiores retornos tanto individual como coletivamente. Isto porque os beb\u00eas devem encontrar na Creche um espa\u00e7o pedagogicamente preparado para aprender brincando e desenvolver habilidades que os ajudar\u00e3o a alcan\u00e7ar seus sonhos e a construir um pa\u00eds melhor.<\/p>\n<p>Diante de efeitos t\u00e3o positivos, seria de se imaginar que o Pa\u00eds tivesse creches para todos aqueles que desejam, certo? Errado. Segundo dados do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observatoriodopne.org.br\/metas-pne\/1-educacao-infantil\">Observat\u00f3rio do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0(OPNE), apenas 30% das crian\u00e7as entre 0 e 3 anos est\u00e3o matriculadas em creche. Contingente do qual Sarah, de 7 meses n\u00e3o faz parte. Filha de Beatriz Cristiane Tendero, a beb\u00ea passa os dias aos cuidados da jovem m\u00e3e de 18 anos que n\u00e3o est\u00e1 estudando \u2013 uma narrativa feminina que se repete por todo o Brasil, com hist\u00f3rias de meninas que est\u00e3o longe dos estudos porque precisam cuidar de algu\u00e9m. De acordo com levantamento do Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, 39,9% das meninas de 15 a 17 anos que estavam fora da escola em 2017 n\u00e3o retomaram os estudos por estarem gr\u00e1vidas, terem de cuidar de algu\u00e9m (crian\u00e7a ou idoso) ou devido a afazeres dom\u00e9sticos. Para a popula\u00e7\u00e3o masculina, tais motiva\u00e7\u00f5es foram apontadas por apenas 0,4%.<\/p>\n<p>Tais dados apontam para a enorme falha das pol\u00edticas p\u00fablicas quanto \u00e0 garantia de oportunidades para as mulheres: faltam vagas suficientes em creches e essa lacuna impacta especialmente a vida delas. Elas v\u00eam, ao longo da hist\u00f3ria, sendo sobrecarregadas pelas atividades do cuidado, tendo suas necessidades e desenvolvimento adiados. Olhando em retrospecto, temos exemplos como a entrada tardia no mercado de trabalho e a escolariza\u00e7\u00e3o recente das meninas. Coisa do passado? Que nada: ainda hoje persistem os estere\u00f3tipos da figura feminina atrelados a atividades manuais, especialmente dom\u00e9sticas, entre outros.<\/p>\n<p>Longe de ser um problema apenas das mulheres, todos saem perdendo quando \u00e9 negado o direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o \u00e0s meninas. Naturalmente, muito se avan\u00e7ou no que diz respeito ao apoio \u00e0 independ\u00eancia e protagonismo das mulheres na sociedade, mas falta muito. A dupla Beatriz e Sarah, m\u00e3e e filha, respectivamente, ilustra bem essa lacuna. A jovem teve de parar no 2\u00b0 ano do Ensino M\u00e9dio, pois, estando gr\u00e1vida, pediu licen\u00e7a maternidade na escola, mas n\u00e3o recebeu as indica\u00e7\u00f5es de trabalhos para recuperar o tempo distante das salas de aula no prazo. Resultado: perdeu o ano. No pr\u00f3ximo semestre, Beatriz tentar\u00e1 recuperar o tempo perdido cursando a\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/component\/tags\/tag\/32737-eja\">Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA)<\/a>.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m aguarda uma vaga em Creche para a pequena Sarah, que j\u00e1 est\u00e1 na lista de espera do munic\u00edpio de Cerquilho (SP). Caso a chance para sua filha ir para um espa\u00e7o apropriado n\u00e3o apare\u00e7a, uma mulher entrar\u00e1 na conta da falha do Estado: a m\u00e3e de Beatriz ficar\u00e1 incubida de cuidar da neta pequena. Mas a adolescente ainda se v\u00ea em vantagem a outras mulheres. \u201cA vaga \u00e9 importante, porque, diferente de mim, muita mulher n\u00e3o tem ningu\u00e9m que olhe os filhos para poder ir trabalhar\u201d, afirma Beatriz.<\/p>\n<p>Esses fatores separados (a menina fora da escola, a falta de vaga, a av\u00f3 que cuida da neta) podem parecer quest\u00f5es isoladas, mas, quando postos lado a lado, mostram o quanto o Estado coloca gera\u00e7\u00f5es de mulheres sob um ciclo de desigualdade e o quanto um combinado de pol\u00edticas educacionais poderiam mudar a vida de diferentes gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A come\u00e7ar pela Educa\u00e7\u00e3o sexual, por exemplo. O assunto ainda \u00e9 um tabu mas, se focado na responsabilidade emocional com o pr\u00f3prio corpo e o dos outros,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.todospelaeducacao.org.br\/conteudos-especiais\/45810\/para-que-serve-a-educacao-sexual-na-escola\/\">como indica a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)<\/a>, o tema poderia mudar a maneira os quadros de gravidez precoce e maternidade solo. Indo em dire\u00e7\u00e3o totalmente contr\u00e1ria, ao mesmo tempo que o conte\u00fado escolar n\u00e3o colabora para evitar a gravidez precoce, as escolas n\u00e3o t\u00eam preparo para receber jovens m\u00e3es, que t\u00eam necessidades espec\u00edficas como amamenta\u00e7\u00e3o e ber\u00e7\u00e1rio. A falta de creches surge para acrescentar ainda mais um obst\u00e1culo \u00e0 m\u00e3e jovem que, n\u00e3o bastasse ter evadido, fica impedida de retomar os estudos sem o apoio de um terceiro. A aus\u00eancia desse equipamento t\u00eam um efeito ainda mais devastador ao negar o direito \u00e0 crian\u00e7a pequena a chance de um desenvolvimento pleno, que s\u00f3 pode ser assegurado em um ambiente rico de est\u00edmulos.<\/p>\n<p>Apesar de todos os pesares, Beatriz pretende quebrar essa corrente, continuar os estudos e se formar em Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o. \u201cSe eu estudar e conseguir um bom emprego, acho que as coisas ficar\u00e3o mais f\u00e1ceis e poderei dar a ela condi\u00e7\u00f5es de bons estudos e uma vida melhor\u201d, pondera a jovem m\u00e3e. E ela n\u00e3o poderia estar mais certa: uma pesquisa publicada recentemente pelo Banco Mundial em parceria com Malala Yousafzai, Pr\u00eamio Nobel da Paz e ativista pelos direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o para mulheres, revela que a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica pode mudar a vida das mulheres, pois\u00a0<a href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/pt\/news\/press-release\/2018\/07\/11\/not-educating-girls-costs-countries-trillions-of-dollars-says-new-world-bank-report\">est\u00e1 associada \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do casamento infantil, maior renda feminina, maior independ\u00eancia cr\u00edtica e bem-estar das mulheres<\/a>.<\/p>\n<p>FONTE: Todos pela Educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando uma crian\u00e7a entra em uma boa creche, o Pa\u00eds inteiro entra com ela. Exagero? N\u00e3o exatamente. 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