{"id":10735,"date":"2018-10-09T07:27:20","date_gmt":"2018-10-09T10:27:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/?p=10735"},"modified":"2018-09-19T15:06:46","modified_gmt":"2018-09-19T18:06:46","slug":"como-a-musica-ajuda-no-desenvolvimento-cognitivo-das-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2018\/10\/09\/como-a-musica-ajuda-no-desenvolvimento-cognitivo-das-criancas\/","title":{"rendered":"Como a m\u00fasica ajuda no desenvolvimento cognitivo das crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>As aulas de m\u00fasica n\u00e3o s\u00e3o apenas divertimento ou uma possibilidade de express\u00e3o para crian\u00e7as e jovens, s\u00e3o importantes tamb\u00e9m para o desenvolvimento cognitivo, o racioc\u00ednio lingu\u00edstico e a mem\u00f3ria, e tudo isso \u00e9 essencial ao futuro acad\u00eamico de todos. Essas conclus\u00f5es est\u00e3o em um estudo da Universidade de Amsterd\u00e3, na Holanda, e foram publicadas na revista cient\u00edfica Frontiers in Neuroscience. Mas para alguns professores brasileiros, a pr\u00e1tica da musicaliza\u00e7\u00e3o nas escolas j\u00e1 evidencia bons resultados h\u00e1 tempos.<\/p>\n<p>\u201cA m\u00fasica \u00e9 para todos\u201d, afirma M\u00f4nica Marsola, professora de m\u00fasica de um projeto no Complexo Educacional Unificado (CEU) Regina Rocco, em S\u00e3o Bernardo do Campo, em S\u00e3o Paulo. Segundo ela, independentemente de dom ou talentos, a m\u00fasica como parte da Educa\u00e7\u00e3o pode servir de diferentes formas aos alunos. \u201cOs ganhos pedag\u00f3gicos s\u00e3o muitos\u201d, diz a professora que tamb\u00e9m leciona em uma escola particular da capital paulista. \u201cSe uma pessoa teve uma inf\u00e2ncia musical saud\u00e1vel, ela ouvir\u00e1 com senso cr\u00edtico e ter\u00e1 um repert\u00f3rio maior\u201d.<\/p>\n<p>M\u00f4nica percebe aquilo que os pesquisadores holandeses conclu\u00edram na pesquisa em sua rotina escolar: os alunos que t\u00eam contato com aulas de m\u00fasica apresentam uma melhora substancial em suas habilidades cognitivas \u2013 como planejamento e inibi\u00e7\u00e3o. \u201cUma crian\u00e7a mais t\u00edmida pode desenvolver formas de socializa\u00e7\u00e3o, outra mais agitada percebe que tem que esperar sua vez para tocar determinado instrumento e compor a atividade\u201d, conta. Esse \u00e9 um ponto muito importante se considerarmos que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) considera o ensino das compet\u00eancias socioemocionais, que incluem autoconfian\u00e7a, colabora\u00e7\u00e3o, resili\u00eancia, entre outros.<\/p>\n<p>J\u00e1 Marina Cipolla, supervisora do projeto Escola de M\u00fasica e Cidadania da ONG Amigos do Bem, enfatiza que a supera\u00e7\u00e3o de problemas e dificuldades tamb\u00e9m pode ser vivida atrav\u00e9s da m\u00fasica. \u201cVemos o amadurecimento experimentado por alunos que come\u00e7am a se envolver com a m\u00fasica\u201d, diz. \u201cEles desenvolvem disciplina para praticar um instrumento, por exemplo, e isso pode ser levado para casa\u201d.<\/p>\n<p><strong>Maior repert\u00f3rio<\/strong><br \/>\nMarina explica que os alunos, tanto os mais novos quantos os adolescentes, s\u00e3o estimulados nas aulas a relacionarem suas cria\u00e7\u00f5es musicais com discuss\u00f5es presentes em seu conv\u00edvio. \u201cMuitos deles s\u00e3o moradores de comunidades vulner\u00e1veis e a reflex\u00e3o sobre direitos humanos aparece em muitas m\u00fasicas\u201d, conta. A pr\u00e1tica pedag\u00f3gica de estimular composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias tamb\u00e9m \u00e9 experimentada por M\u00f4nica Marsola no CEU Regina Rocco, onde os alunos, inclusive, constr\u00f3em seus instrumentos. \u201cA criatividade e amplia\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias vividas s\u00e3o poss\u00edveis\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para isso, a introdu\u00e7\u00e3o da m\u00fasica como pr\u00e1tica pode come\u00e7ar cedo na escola e se d\u00e1 de diversas formas. A professora de m\u00fasica recomenda que seja vinculada e adaptada ao que o aluno est\u00e1 vendo e descobrindo naquela faixa et\u00e1ria ou ambiente. \u201cCom alunos pequenos, come\u00e7amos com cantigas que eles conhecem, apresentamos outras e, assim, eles descobrem o ritmo, come\u00e7am a interagir com a m\u00fasica atrav\u00e9s do corpo, batendo palmas, por exemplo, at\u00e9 iniciarem a experi\u00eancia com instrumentos de percuss\u00e3o\u201d, explica. Mais tarde, as crian\u00e7as podem experimentar outros instrumentos, como os de sopro e corda.<\/p>\n<p>M\u00f4nica mostra ainda que \u00e9 poss\u00edvel realizar atividades em parceria com outros professores e potencializar a pr\u00e1tica das aulas de m\u00fasica e os aprendizados em outras \u00e1reas. \u201cCerta vez, fiz uma atividade em conjunto com a professora do ensino infantil em que ela mostrava os animais que vivem no mar e, nas minhas aulas, fizemos m\u00fasicas que apresentavam essa fauna\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o e linguagem<\/strong><br \/>\n\u201cA m\u00fasica \u00e9 uma linguagem muito importante\u201d, ressalta a supervisora do Escola de M\u00fasica e Cidadania. De acordo com Marina Cipolla, os alunos que entram em contato com a m\u00fasica descobrem mais uma forma de express\u00e3o, o que ajuda no racioc\u00ednio e nas associa\u00e7\u00f5es feitas pelas crian\u00e7as. \u201cE isso pode ajudar em matem\u00e1tica ou outras disciplinas\u201d.<\/p>\n<p>M\u00f4nica Marsola tamb\u00e9m lembra que o contato com a musicaliza\u00e7\u00e3o desenvolve a escuta entre os alunos, j\u00e1 que as crian\u00e7as precisam estar atentas ao que o colega toca, quando \u00e9 sua vez e quais sons est\u00e3o sendo reproduzidos. \u201cPara muita coisa, tanto na escola quanto na vida, a escuta \u00e9 essencial\u201d, comenta. A professora mostra que, dessa forma, a busca de um equil\u00edbrio na socializa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se evidencia, uma vez que os alunos percebem como os amigos participam da atividade.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o perguntamos se um aluno quer ser poeta para ent\u00e3o mostrar uma poesia para ele, assim deve ser com a m\u00fasica\u201d, argumenta M\u00f4nica, enfatizando que o ensino de m\u00fasica n\u00e3o deve ser praticado apenas com o intuito de formar futuros instrumentistas, mas, sim, como mais uma linguagem poss\u00edvel \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o de todas as crian\u00e7as, devidamente inserida na rotina escolar.<\/p>\n<p><strong>Disposi\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAlguns alunos do projeto Escola de M\u00fasica e Cidadania come\u00e7aram aulas de violino h\u00e1 seis meses. Essa iniciativa os ajudou as crian\u00e7as e os adolescentes a desenvolver maior responsabilidade. \u201cEles levam o instrumento para casa, sabem que precisam cuidar dele\u201d, afirma. Al\u00e9m disso, os alunos acabam praticando exerc\u00edcios fora das aulas, treinando em casa. \u201c\u00c9 a mesma l\u00f3gica de outras disciplinas nas escolas\u201d.<\/p>\n<p>No come\u00e7o das aulas, algumas crian\u00e7as chegavam muito agitadas, mas aos poucos perceberam que a calma tamb\u00e9m \u00e9 importante para o aprendizado. Elas entenderam que existe uma postura, que \u00e9 preciso concentra\u00e7\u00e3o, lembra Marina. At\u00e9 dificuldades f\u00edsicas foram, com o tempo, superadas, como uma aluna com defici\u00eancia motora que agora consegue segurar o instrumento.<\/p>\n<p>Para bons resultados, M\u00f4nica Marsola enfatiza que n\u00e3o se deve esquecer o l\u00fadico no ensino da m\u00fasica. \u201cCome\u00e7ar experimentando \u00e9 sempre uma boa sa\u00edda, para mais tarde teorizar e aprofundar, se for do interesse do aluno\u201d, diz. A disposi\u00e7\u00e3o em aprender, assim, fica mais evidente entre as crian\u00e7as, que at\u00e9 podem se descobrir apaixonados pela m\u00fasica ou por um instrumento, mas est\u00e3o, na verdade, desenvolvendo suas habilidades e compet\u00eancias nessas aulas.<\/p>\n<p>FONTE: NOVA ESCOLA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As aulas de m\u00fasica n\u00e3o s\u00e3o apenas divertimento ou uma possibilidade de express\u00e3o para crian\u00e7as e jovens, s\u00e3o importantes tamb\u00e9m para o desenvolvimento cognitivo, o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23,354,4,27,28,13,243],"tags":[],"class_list":["post-10735","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ceara","category-cultura-2","category-educacao","category-escolas","category-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente","category-pais-e-filhos","category-poesia"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10735"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10735\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10736,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10735\/revisions\/10736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}