{"id":10856,"date":"2018-11-08T09:06:44","date_gmt":"2018-11-08T11:06:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/?p=10856"},"modified":"2018-10-25T09:18:21","modified_gmt":"2018-10-25T12:18:21","slug":"brasil-tem-477-gravidas-e-lactantes-no-sistema-carcerario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2018\/11\/08\/brasil-tem-477-gravidas-e-lactantes-no-sistema-carcerario\/","title":{"rendered":"Brasil tem 477 gr\u00e1vidas e lactantes no sistema carcer\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Entre as cerca de 31 mil mulheres que cumpriam pena em todo o pa\u00eds em setembro deste ano, 477 estavam gr\u00e1vidas ou amamentando. Segundo levantamento do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), o total representa um aumento superior a 12% em compara\u00e7\u00e3o a agosto, quando havia, no interior do sistema prisional, 425 gr\u00e1vidas e lactantes.<\/p>\n<p>De acordo com o Cadastro Nacional de Presas Gr\u00e1vidas e Lactantes,\u00a0criado e mantido pelo CNJ, 302 presas estavam gr\u00e1vidas e 175 estavam amamentando, em setembro.\u00a0S\u00e3o Paulo \u00e9 a unidade da federa\u00e7\u00e3o com o maior n\u00famero (164) de gestantes e lactantes, seguida por Minas Gerais (39), Cear\u00e1 (38), Goi\u00e1s (33), Rio\u00a0de Janeiro\u00a0(26) e Par\u00e1 (22).<\/p>\n<p>Mais cedo, o CNJ chegou a divulgar que o total de mulheres nestas condi\u00e7\u00f5es, no m\u00eas passado, era de 466 gr\u00e1vidas ou lactantes, mas o cadastro nacional foi atualizado com a inclus\u00e3o de 11 casos registrados em estados onde, inicialmente, o conselho informou n\u00e3o haver detentas gr\u00e1vidas ou lactantes: nove no Maranh\u00e3o e duas em Alagoas.<\/p>\n<p>Segundo o CNJ, o Cadastro Nacional de Presas Gr\u00e1vidas e Lactantes \u00e9 uma importante ferramenta para que os ju\u00edzes possam cobrar dos governos estaduais as provid\u00eancias necess\u00e1rias para a cust\u00f3dia dessas mulheres, com o objetivo de garantir a prote\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as que v\u00e3o nascer ou que nasceram enquanto as m\u00e3es cumprem pena em unidades prisionais.<\/p>\n<p>Em vigor desde 1984, com altera\u00e7\u00f5es, a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal diz que os estabelecimentos prisionais destinados a custodiar mulheres devem ser dotados de ber\u00e7\u00e1rios onde as condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amament\u00e1-los por, no m\u00ednimo, at\u00e9 os seis meses de idade.<\/p>\n<p>A lei tamb\u00e9m exige que as\u00a0penitenci\u00e1rias de mulheres sejam dotadas de se\u00e7\u00e3o para gestantes e parturientes e de creche para abrigar crian\u00e7as maiores de seis meses de idade e menores de sete anos, \u201ccom a finalidade de assistir a crian\u00e7a desamparada cuja respons\u00e1vel estiver presa\u201d. Al\u00e9m disso, o sistema penal deve\u00a0assegurar\u00a0acompanhamento m\u00e9dico \u00e0s presas, principalmente no pr\u00e9-natal\u00a0e no p\u00f3s-parto.\u00a0Tais cuidados s\u00e3o\u00a0extensivos\u00a0ao rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<p>Em fevereiro deste ano, o\u00a0Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu\u00a0<em>habeas corpus<\/em>\u00a0coletivo para<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2018-02\/stf-concede-prisao-domiciliar-presas-gravidas-ou-com-filhos-de-ate\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0substituir<\/a>\u00a0a pris\u00e3o preventiva pela domiciliar \u00e0s gestantes ou m\u00e3es de crian\u00e7as at\u00e9 12 anos e deficientes.<\/p>\n<p><strong>Inspe\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Entre janeiro e maio deste ano, uma equipe do CNJ visitou 34 estabelecimentos penais de todo o pa\u00eds, com exce\u00e7\u00e3o ao Amap\u00e1 que, no per\u00edodo, n\u00e3o contabilizava nenhuma presa gr\u00e1vida ou amamentando. O objetivo das visitas coordenadas pela ent\u00e3o ju\u00edza auxiliar da presid\u00eancia do \u00f3rg\u00e3o, Andremara Santos, era\u00a0verificar as condi\u00e7\u00f5es de cust\u00f3dia das mulheres\u00a0e das crian\u00e7as em\u00a0fase\u00a0de amamenta\u00e7\u00e3o que se encontravam no interior dos estabelecimentos prisionais.<\/p>\n<p>De acordo com a equipe do CNJ, mais de 75% dos estabelecimentos apresentaram condi\u00e7\u00f5es gerais de conserva\u00e7\u00e3o inadequadas. Trinta dos estabelecimentos s\u00e3o destinados exclusivamente \u00e0s mulheres, mas apenas 25 dos 34 visitados t\u00eam seguran\u00e7a interna feita exclusivamente por agentes penitenci\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nenhum estabelecimento visitado pelo CNJ era\u00a0dotado de creche e apenas 12 pres\u00eddios estavam com a lota\u00e7\u00e3o dentro da capacidade projetada. Quatro pres\u00eddios extrapolaram sua capacidade em mais de duas vezes. Entre\u00a018\u00a0estabelecimentos, o CNJ encontrou ao menos dois que autorizam a perman\u00eancia infantil at\u00e9 os dois anos de idade.<\/p>\n<p>Por outro lado, todos os estabelecimentos visitados asseguraram oferecer acompanhamento m\u00e9dico, especialmente no pr\u00e9-natal\u00a0e p\u00f3s-parto. Os respons\u00e1veis pela maioria (27 estabelecimentos, ou 79,4%) dos estabelecimentos visitados declarou haver, na unidade, acompanhamento psicol\u00f3gico \u00e0s presas gr\u00e1vidas. Mais da metade dos estabelecimentos tem ber\u00e7\u00e1rio e pouco mais da metade (53%) afirmou contar com se\u00e7\u00e3o para gestante e parturiente.<\/p>\n<p>A equipe do CNJ apontou que todos os partos s\u00e3o realizados em hospitais p\u00fablicos, fora dos estabelecimentos prisionais,\u00a0mas que apenas 20% dos estabelecimentos prisionais afirmaram\u00a0ter\u00a0condi\u00e7\u00f5es de assegurar o cumprimento do ponto da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal que pro\u00edbe o uso\u00a0de algemas durante o parto e\u00a0pelos 40 dias que sucedem o nascimento da crian\u00e7a (puerp\u00e9rio). Poucos estabelecimentos providenciam o registro imediato dos rec\u00e9m-nascidos. Motivo pelo qual foram encontrados 33 crian\u00e7as\u00a0ainda\u00a0sem registro de nascimento.<\/p>\n<p>FONTE: AG\u00caNCIA BRASIL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as cerca de 31 mil mulheres que cumpriam pena em todo o pa\u00eds em setembro deste ano, 477 estavam gr\u00e1vidas ou amamentando. 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