{"id":11034,"date":"2019-03-22T08:08:41","date_gmt":"2019-03-22T11:08:41","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/?p=11034"},"modified":"2019-03-06T20:34:08","modified_gmt":"2019-03-06T23:34:08","slug":"creche-publica-eleva-em-44-pontos-probabilidade-de-mae-trabalhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2019\/03\/22\/creche-publica-eleva-em-44-pontos-probabilidade-de-mae-trabalhar\/","title":{"rendered":"Creche p\u00fablica eleva em 44 pontos probabilidade de m\u00e3e trabalhar"},"content":{"rendered":"<p>Uma maior oferta de creches p\u00fablicas ampliaria significativamente a participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho, aponta estudo da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, com base em dados do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. Ainda conforme a pesquisa, realizada pela economista Viviane Sanfelice, o impacto pode ser ainda maior, caso a oferta de institui\u00e7\u00f5es de cuidado para crian\u00e7as seja destinada a regi\u00f5es onde o trabalho feminino responde com mais for\u00e7a \u00e0 disponibilidade de creches.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, parte da tese de doutorado de Viviane na universidade nova-iorquina, o uso de creches p\u00fablicas por m\u00e3es que n\u00e3o t\u00eam outras op\u00e7\u00f5es de cuidado para seus filhos aumenta em 44 pontos percentuais a probabilidade de emprego materno. Com base neste dado, a economista calcula que uma redu\u00e7\u00e3o de 10 pontos percentuais na lista de espera por creches aumentaria a taxa de emprego das m\u00e3es em 1,2 ponto percentual.<\/p>\n<p>O trabalho das mulheres possibilita um aumento de renda \u00e0s fam\u00edlias, com efeitos sobre a redu\u00e7\u00e3o da pobreza. Al\u00e9m disso, a pol\u00edtica poderia ter efeitos positivos sobre a diferen\u00e7a salarial entre homens e mulheres, al\u00e9m de estimular as filhas dessas m\u00e3es a tamb\u00e9m trabalhar no futuro, afirma a pesquisadora, com base na literatura sobre o tema.<\/p>\n<p>Para chegar aos resultados, a pesquisadora usou dados do Censo brasileiro de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), e n\u00fameros da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo sobre o excesso de demanda por creches p\u00fablicas na capital paulista naquele ano. Apesar de a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) ter n\u00fameros mais recentes, a pesquisa amostral n\u00e3o permite a an\u00e1lise geogr\u00e1fica no n\u00edvel municipal, explica Viviane, sobre a escolha dos dados.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia foi comparar m\u00e3es com caracter\u00edsticas similares como n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o e estado civil e que moram numa mesma regi\u00e3o da cidade, mas uma m\u00e3e tem um filho de 2 anos, e a outra, um filho de 3 anos, por exemplo&#8221;, conta Viviane.<\/p>\n<p>&#8220;Como a lista de espera para crian\u00e7as de 2 anos \u00e9 geralmente maior do que a lista de espera para a crian\u00e7as de 3 anos, a m\u00e3e desta crian\u00e7a tem mais chances de conseguir vaga na creche p\u00fablica. Ent\u00e3o, comparando a participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho dessas duas m\u00e3es, como elas s\u00e3o id\u00eanticas exceto pela chance de acesso \u00e0 creche p\u00fablica, consigo atribuir a diferen\u00e7a em sua participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho ao uso da creche&#8221;, afirma a economista.<\/p>\n<p>Apesar de d\u00e9cadas de avan\u00e7os na participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho, as mulheres ainda encontram empecilhos que n\u00e3o s\u00e3o enfrentados pelos homens, destaca a pesquisadora, em artigo ainda n\u00e3o publicado. Uma dessas barreiras est\u00e1 relacionada ao papel da mulher no cuidado familiar.<\/p>\n<p>A oferta de institui\u00e7\u00f5es educacionais p\u00fablicas para crian\u00e7as mais novas visa, em certa medida, endere\u00e7ar esse problema. No entanto, historicamente, o governo priorizou a oferta da pr\u00e9-escola, que atende crian\u00e7as de 4 a 5 anos, em detrimento das creches, que recebem pequenos at\u00e9 3 anos. No Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE) de 2010, por exemplo, foi estabelecida meta de universaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e9-escola at\u00e9 2016, enquanto para o acesso a creches, a meta foi de 50% at\u00e9 2024.<\/p>\n<p>Outro ponto que explica a escassez de vagas para as crian\u00e7as mais novas, segundo Viviane, \u00e9 a diferen\u00e7a de custo. &#8220;Para crian\u00e7as mais novas, a regula\u00e7\u00e3o exige um n\u00famero menor de crian\u00e7as por instrutor&#8221;, diz. Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, s\u00e3o sete crian\u00e7as de 0 a 1 ano para cada instrutor, n\u00famero que sobe a 25 por instrutor para meninos e meninas de 4 a 5 anos.<\/p>\n<p>Assim, diante do excesso de demanda, cabe ao Poder P\u00fablico a tomada de decis\u00e3o sobre como lidar com a escassez de recursos para atend\u00ea-la. Segundo Viviane, a estrat\u00e9gia a ser adotada depende dos objetivos do governo.<\/p>\n<p>&#8220;Se o objetivo do governo \u00e9 usar a oferta de creches p\u00fablicas para estimular o trabalho das mulheres, uma alternativa seria alocar recursos geograficamente em \u00e1reas em que oferta de trabalho das m\u00e3es \u00e9 mais el\u00e1stica \u00e0 oferta de creches&#8221;, diz Viviane.<\/p>\n<p>J\u00e1 se o objetivo principal do Poder P\u00fablico for garantir e padronizar a qualidade no cuidado das crian\u00e7as nos primeiros anos de vida, de forma a melhorar a forma\u00e7\u00e3o de capital humano e diminuir a desigualdade social, faria mais sentido priorizar a oferta de creches \u00e0 fam\u00edlias de baixa renda, segundo a pesquisadora.<\/p>\n<p>&#8220;Com isso a participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho de mulheres com menos educa\u00e7\u00e3o aumenta 1 ponto percentual, mas esse crit\u00e9rio de aloca\u00e7\u00e3o acaba diminuindo a participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho de algumas m\u00e3es com at\u00e9 ensino m\u00e9dio, porque elas perdem acesso&#8221;, afirma. &#8220;Para m\u00e3es com educa\u00e7\u00e3o superior, n\u00e3o observo diferen\u00e7a no n\u00edvel de emprego porque elas acabam usando o setor privado.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo dados do IBGE, em 2017, somente 32,7% das crian\u00e7as brasileiras de 0 a 3 anos frequentavam creches. Para crian\u00e7as de 4 a 5 anos, em idade pr\u00e9-escolar, o percentual chegava a 91,7%. Ainda conforme a Pnad, 34,7% (897 mil) das crian\u00e7as de 2 e 3 anos e 21,1% (903 mil) das crian\u00e7as de 0 a 1 ano n\u00e3o frequentavam a escola por dificuldade de acesso, por falta de vaga ou de escola na localidade.<\/p>\n<p>A taxa de participa\u00e7\u00e3o feminina na for\u00e7a de trabalho era de 52,5% ao fim de 2017, comparada a 72% de participa\u00e7\u00e3o dos homens. Um dos motivos que explicam a diferen\u00e7a entre os g\u00eaneros \u00e9 justamente a falta de creche.<\/p>\n<p>FONTE: VALOR ECON\u00d4MICO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma maior oferta de creches p\u00fablicas ampliaria significativamente a participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho, aponta estudo da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, com&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23,4,266,28,13],"tags":[],"class_list":["post-11034","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ceara","category-educacao","category-educacao-familiar","category-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente","category-pais-e-filhos"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11034"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11035,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11034\/revisions\/11035"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}