{"id":11616,"date":"2020-05-05T15:18:31","date_gmt":"2020-05-05T18:18:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/?p=11616"},"modified":"2020-05-05T15:18:31","modified_gmt":"2020-05-05T18:18:31","slug":"ufc-talks-uma-conversa-sobre-saude-mental-em-tempos-de-isolamento-com-a-professora-kelen-ribeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2020\/05\/05\/ufc-talks-uma-conversa-sobre-saude-mental-em-tempos-de-isolamento-com-a-professora-kelen-ribeiro\/","title":{"rendered":"UFC Talks: uma conversa sobre sa\u00fade mental em tempos de isolamento com a professora Kelen Ribeiro"},"content":{"rendered":"<p>Em tempos de quarentena e\u00a0<strong>isolamento social<\/strong>, a Coordenadoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social e Marketing Institucional (CCSMI) lan\u00e7a o\u00a0<strong>UFC Talks<\/strong>, s\u00e9rie de entrevistas com professores e pesquisadores de diferentes \u00e1reas para nos ajudar a refletir sobre assuntos espec\u00edficos inseridos em grandes tem\u00e1ticas. As entrevistas est\u00e3o dispon\u00edveis no portal ufc.br\u00a0com divulga\u00e7\u00e3o em todas as redes sociais da Universidade Federal do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, na temporada de estreia vamos conversar sobre os desafios impostos pela pandemia do novo coronav\u00edrus. A primeira entrevistada \u00e9 a psic\u00f3loga\u00a0<strong>Kelen Gomes Ribeiro, doutora em Sa\u00fade Coletiva\u00a0<\/strong>e professora da Faculdade de Medicina e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade P\u00fablica da UFC.<\/p>\n<p>Nessa conversa, ela fala sobre medo e ansiedade neste per\u00edodo de isolamento, d\u00e1 dicas para manter a\u00a0<strong>sa\u00fade mental<\/strong>\u00a0e de como deve ser a rela\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as neste momento. \u201c\u00c9 importante que se desenvolva um movimento para desacelerar, numa perspectiva de busca do repouso e de confortos, evitando a instala\u00e7\u00e3o de mais mal-estar\u201d, diz.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/www.ufc.br\/images\/talks\/001\/talks01___Imagem_portal_04.png\" alt=\"Quem \u00e9 Kelen Ribeiro?\" \/><\/p>\n<p><strong>ufc{talks}\u00a0 \u2013<\/strong>\u00a0Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil atravessar este per\u00edodo de isolamento social?<\/p>\n<p><strong>Kellen Ribeiro \u2013<\/strong>\u00a0O distanciamento ou isolamento social promovido para diminuir a propaga\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus \u00e9 uma medida muito relevante, mas tende a ser dif\u00edcil porque traz muitas implica\u00e7\u00f5es, inclusive psicol\u00f3gicas. N\u00e3o ser\u00e1 vivido da mesma forma por todos; pode ter contornos diferentes. Somos seres biopsicossociais; constru\u00edmos nossa identidade na rela\u00e7\u00e3o com a gente mesmo e com os outros. Viver junto com outras pessoas \u00e9 algo importante para o ser humano.<\/p>\n<p>Historicamente, isso fez com que aumentasse a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie. Em conjunto, ficou mais vi\u00e1vel conseguir alimento e construir abrigo, por exemplo. Isso inclui os mecanismos ps\u00edquicos: com a inten\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia, n\u00f3s nos mantemos em contato. Com menos contato, tendemos a ficar em alerta. Ancestralmente, estar sozinho significa perigo.<\/p>\n<p><strong>Estamos diante de perigos reais, que desencadeiam medo e ansiedade<\/strong>. O medo \u00e9 fomentado por aspectos bem palp\u00e1veis: medo do adoecimento, do meu pr\u00f3prio, do de pessoas queridas e de pessoas com quem eu possa ter tido contato; medo de apresentar sintomas graves e n\u00e3o contar com assist\u00eancia em sa\u00fade; medo de chegarmos a uma situa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o teremos como cuidar de filhos ou de outras pessoas que contariam com nossos cuidados; e medo da morte.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas possibilidades de perdas, o que nos remete tamb\u00e9m ao apego, nossa capacidade de construir v\u00ednculos com os outros. A teoria do apego de Bowlby nos d\u00e1 elementos para compreender a tend\u00eancia das pessoas para estabelecer fortes la\u00e7os afetivos. Dentro dessa teoria, os la\u00e7os n\u00e3o se desenvolvem apenas para satisfazer a instintos biol\u00f3gicos, como o de alimenta\u00e7\u00e3o e o sexual, mas tamb\u00e9m por necessidade de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o. Temos a forte rea\u00e7\u00e3o emocional que ocorre quando esses la\u00e7os ficam amea\u00e7ados ou rompidos.<\/p>\n<p>Estudos mostram que, al\u00e9m do medo da morte em si, associam-se a ele: 1) o medo da dor e do sofrimento; 2) o medo da depend\u00eancia e; 3) o medo de estar sozinho na hora de morrer. Nossa tristeza profunda quando vemos os caminh\u00f5es da It\u00e1lia levando os corpos tamb\u00e9m se relaciona a isso; sabemos que essas pessoas muito provavelmente n\u00e3o estiveram com suas fam\u00edlias nos momentos finais de suas vidas. Nesse contexto,\u00a0<strong>dentro de casa, h\u00e1 grande possibilidade de as pessoas sentirem tristeza, raiva, saudade e mesmo falta de esperan\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<p>Junto com isso entra a ansiedade, que tem rela\u00e7\u00e3o direta com a viv\u00eancia da falta de controle da situa\u00e7\u00e3o. Uma caracter\u00edstica do estado ansioso \u00e9 a excita\u00e7\u00e3o, que promove uma acelera\u00e7\u00e3o do pensamento.\u00a0 A literatura aponta que ocorre uma elabora\u00e7\u00e3o, com a tentativa de planejar uma maneira para eliminar o perigo no menor espa\u00e7o de tempo poss\u00edvel. Esse movimento mental, no contexto atual do coronav\u00edrus, \u00e9 ineficiente. A sensa\u00e7\u00e3o de perigo continua e a conclus\u00e3o de que ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel elimin\u00e1-lo leva a um ciclo vicioso, porque essa sensa\u00e7\u00e3o aumenta o estado ansioso.<\/p>\n<p>Para que a gente saia desse ciclo, \u00e9 importante que se desenvolva um movimento para desacelerar, numa perspectiva de busca do repouso e de confortos, evitando a instala\u00e7\u00e3o de mais mal-estar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/www.ufc.br\/images\/talks\/001\/talks01__Imagem_portal_02.png\" alt=\"\u00cdndices de isolamento social no Cear\u00e1 nas \u00faltimas semanas.\" \/><\/p>\n<p><strong>ufc{talks} \u2013<\/strong>\u00a0Diante disso, o que fazer para tentar manter a sa\u00fade mental e reduzir a ansiedade?<\/p>\n<p><strong>Kellen Ribeiro\u00a0 \u2013<\/strong>\u00a0Estamos diante de crises e precisamos tentar lidar da melhor forma poss\u00edvel com elas.\u00a0 A OMS [Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade] apresentou um guia com dicas para enfrentar consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas vividas neste per\u00edodo. Quero destacar algumas e refor\u00e7\u00e1-las.<\/p>\n<p><strong>Evite a busca excessiva de informa\u00e7\u00f5es<\/strong>. Escolha um ou dois momentos do dia para se informar, em fontes fidedignas, como o pr\u00f3prio site da OMS ou de outras autoridades competentes. \u00c9 importante diferenciar os boatos, as atuais \u201cfake news\u201d, dos fatos.<\/p>\n<p>Crie oportunidades para tratar de\u00a0<strong>hist\u00f3rias positivas<\/strong>\u00a0de pessoas que tiveram a COVID-19, como as que j\u00e1 se recuperaram e est\u00e3o bem.<\/p>\n<p>Se est\u00e1 trabalhando,\u00a0<strong>busque pausas<\/strong>. Essa crise nos impulsiona para sair do automatismo;<\/p>\n<p>Se est\u00e1 em casa, tente criar uma rotina com tarefas regulares: limpar os c\u00f4modos, cozinhar, fazer atividade f\u00edsica, trabalhar, se for o caso.\u00a0<strong>A rotina aumenta a previsibilidade e isso contribui para diminuir a ansiedade<\/strong>. Se estiver na companhia de outras pessoas, organizem-se para que ningu\u00e9m fique sobrecarregado.<\/p>\n<p>Crie possibilidades de\u00a0<strong>atividades prazerosas<\/strong>, como escutar m\u00fasica ou assistir a filmes. Atividades manuais tamb\u00e9m tendem a ser ben\u00e9ficas. Se voc\u00ea se sente em condi\u00e7\u00f5es de resolver pend\u00eancias, resolva-as. Mas n\u00e3o fa\u00e7a disso uma obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Procure ser mais\u00a0<strong>cuidadoso com sua alimenta\u00e7\u00e3o<\/strong>. Pare de consumir aquilo que lhe causa dano: desde alimentos a not\u00edcias. A gente precisa ter condi\u00e7\u00e3o de \u201cdigerir\u201d, f\u00edsica e simbolicamente, aquilo que chega.<\/p>\n<p>Fique em contato com a fam\u00edlia e os amigos,\u00a0<strong>fortale\u00e7a os v\u00ednculos afetivos<\/strong>\u00a0com o uso dos recursos que temos. Ter uma rede de apoio \u00e9 considerado um dos determinantes sociais da sa\u00fade e, para a atualidade, essa rede precisa passar a funcionar de maneira diferenciada.<\/p>\n<p>Dedique-se ao\u00a0<strong>aux\u00edlio de outras pessoas<\/strong>, vizinhos, idosos, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. Alguns precisar\u00e3o de recursos materiais e outros ficar\u00e3o bem satisfeitos apenas com liga\u00e7\u00f5es frequentes. Centre sua aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m em pessoas que moram sozinhas. Al\u00e9m do benef\u00edcio objetivo de quem recebe ajuda, temos que a sensa\u00e7\u00e3o produzida no corpo ap\u00f3s um ato generoso contribui para nossa sa\u00fade f\u00edsica e mental.<\/p>\n<p>Tente sustentar a perspectiva do\u00a0<strong>sono regular<\/strong>, procurando manter inclusive o hor\u00e1rio habitual. Temos no\u00e7\u00e3o do quanto isso \u00e9 desafiador neste momento em que estamos muito inquietos. Uma dica importante \u00e9 deixar fluir os pensamentos, sem se fixar neles, como nos exerc\u00edcios de medita\u00e7\u00e3o \u2013 para quem ainda n\u00e3o teve a oportunidade de meditar, temos aplicativos e muitos v\u00eddeos na Internet com medita\u00e7\u00e3o guiada, por exemplo. Especialmente pr\u00f3ximo ao hor\u00e1rio de dormir, evite concentrar o pensamento em assuntos que est\u00e3o fora do seu controle, como a crise sanit\u00e1ria em si, a atitude de outras pessoas, os cen\u00e1rios pol\u00edticos ou as repercuss\u00f5es de tudo na economia mundial.<\/p>\n<p><strong>Procure profissionais de sa\u00fade<\/strong>\u00a0se avaliar que sua situa\u00e7\u00e3o ou a de outras pessoas precisam de suporte qualificado em sa\u00fade mental. O Conselho Federal de Psicologia, inclusive, flexibilizou normas para servi\u00e7o psicol\u00f3gico remoto neste momento.<\/p>\n<p>Estamos diante de incertezas; n\u00e3o precisamos estipular o per\u00edodo de dura\u00e7\u00e3o da pandemia e, somente a partir disso, reorganizar nossas vidas.\u00a0<strong>\u201cViver um dia de cada vez\u201d, com adapta\u00e7\u00f5es, com ajustamentos criativos<\/strong>. \u00c9 um momento muito oportuno para focarmos nos sentidos de nossas vidas, nas nossas riquezas interiores, na nossa capacidade de acessar aquilo que \u00e9 sagrado para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Trazemos dicas que podem contribuir com a vida das pessoas, mas, em alguns momentos, muito provavelmente n\u00e3o conseguiremos segui-las. E \u00e9 importante que aceitemos isso tamb\u00e9m. N\u00e3o precisamos nos cobrar \u201calta produtividade\u201d agora.<\/p>\n<p>Quando nos sentirmos mais agitados, podemos iniciar o exerc\u00edcio de inspirar e expirar mais lentamente, por exemplo. Consigo trabalhar com minha respira\u00e7\u00e3o? Isso j\u00e1 \u00e9 um passo bem importante! Posso mudar meus pensamentos? Que tal lembrar paisagens bonitas?\u00a0 D\u00e1 para relembrar cenas alegres? Ligar para algu\u00e9m que seja refer\u00eancia para a sua seguran\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Temos um exerc\u00edcio importante que \u00e9 reconhecer os nossos sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es, aprofundar nosso autoconhecimento; entrar em contato com o que sinto e, a partir disso, ter mais clareza do que estou precisando, seja de cuidado, seja de serenidade, seja de esperan\u00e7a; buscar fortalecer nossos momentos de tranquilidade. Podemos, quem sabe, ter a esperan\u00e7a de que tudo isso nos leve a reflex\u00f5es profundas sobre nossos pr\u00f3prios estilos de vida, nosso cotidiano, nossas cren\u00e7as, nossas prioridades, trazendo a possibilidade de nos (re)inventarmos como habitantes do planeta Terra.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/www.ufc.br\/images\/talks\/001\/ufctalks_Imagem_portal_01.png\" alt=\"Em alguns momentos, muito provavelmente n\u00e3o conseguiremos seguir as dicas (de preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental). E \u00e9 importante que aceitemos  isso tamb\u00e9m. N\u00e3o precisamos  nos cobrar 'alta produtividade' agora.\" \/><\/p>\n<p><strong>ufc{talks} \u2013<\/strong>\u00a0Como lidar com as crian\u00e7as em situa\u00e7\u00f5es como essa?<\/p>\n<p><strong>Kellen Ribeiro\u00a0 \u2013<\/strong>\u00a0Repito a ideia de que, com a subjetividade humana, n\u00e3o h\u00e1 \u201cf\u00f3rmula m\u00e1gica\u201d, mas temos estudos e experi\u00eancias que mostram maneiras para lidar melhor com as situa\u00e7\u00f5es.\u00a0 N\u00f3s trabalhamos com tanatologia, que aborda os processos emocionais e psicol\u00f3gicos que envolvem as rea\u00e7\u00f5es \u00e0 perda, ao luto e \u00e0 morte. Muitas pessoas querem saber como abordar esses assuntos com crian\u00e7as, especialmente com as crian\u00e7as pequenas.<\/p>\n<p>O que as pesquisas evidenciam \u00e9 que, diferentemente do que a gente pensa a partir do senso comum, que a idade da crian\u00e7a seria um fator decisivo na comunica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias dif\u00edceis,\u00a0<strong>t\u00eam mais relev\u00e2ncia a pr\u00f3pria atitude dos pais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte<\/strong>, a franqueza com os filhos\u00a0 para tratar desse tema e o apoio recebido da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Nesse contexto de pandemia, em que as pessoas est\u00e3o vivendo lutos, a forma como os pais ou outras pessoas de refer\u00eancia lidam com as quest\u00f5es atuais influenciar\u00e1 muito a viv\u00eancia das crian\u00e7as.\u00a0 E o que temos de recomenda\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><strong>Ajude as crian\u00e7as a se expressarem<\/strong>, a trazerem \u00e0 tona seus medos e ansiedades. Cada crian\u00e7a ter\u00e1 sua maneira de fazer isso. Brincadeiras, jogos e desenhos podem ajudar nessa express\u00e3o. Independentemente da forma em si, o importante \u00e9 que se sintam seguras para expressar aquilo que as mobiliza no momento.<\/p>\n<p><strong>Conserve a proximidade das crian\u00e7as com seus pais, familiares ou respons\u00e1veis<\/strong>. J\u00e1 escutei situa\u00e7\u00f5es de pais profissionais de sa\u00fade em atividade que consideraram mais seguro deixar seus filhos com parentes pr\u00f3ximos. Para eles foi poss\u00edvel; os familiares estavam com essa disponibilidade e h\u00e1 v\u00ednculo forte com as crian\u00e7as. \u00c9 importante que, mesmo nesses casos, o contato com os pais seja garantido diariamente, com a forma remota mais adequada para a idade dos filhos.<\/p>\n<p><strong>Mantenha a rotina da casa<\/strong>, o que serve para todos. Se poss\u00edvel, construa novas rotinas com as crian\u00e7as, com atividades l\u00fadicas e pedag\u00f3gicas. \u00c9 importante envolv\u00ea-las nas atividades dom\u00e9sticas e incentiv\u00e1-las para que continuem brincando, socializando-se com os de dentro e de fora de casa, respeitando o distanciamento social. Tenho visto, por exemplo, crian\u00e7as com mais de 5 anos conversando por aplicativos de comunica\u00e7\u00e3o, narrando seus dias, mostrando suas brincadeiras de casa, inventando jogos e outros modos de brincar junto, mesmo em casas separadas.<\/p>\n<p>Atente para o fato de que,\u00a0<strong>em momentos de crise, a crian\u00e7a tende a buscar e solicitar mais dos pais<\/strong>. A sugest\u00e3o \u00e9 que os pais falem sobre a COVID-19 de forma honesta e apropriada \u00e0 idade deles, com explica\u00e7\u00f5es sobre as medidas necess\u00e1rias para preven\u00e7\u00e3o. Temos material l\u00fadico dispon\u00edvel, como m\u00fasicas da turma da M\u00f4nica que abordam o comportamento adequado em tempo de pandemia do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Se eles tiverem preocupa\u00e7\u00f5es, o fato de explicit\u00e1-las pode ajudar a reduzir a ansiedade. Mas vamos lembrar que \u00e9 muito importante o estado dos pais ou respons\u00e1veis. Al\u00e9m daquilo que \u00e9 dito, ficam os gestos, a express\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es. A partir da\u00ed, as crian\u00e7as desenvolver\u00e3o seus pr\u00f3prios recursos para lidar com a situa\u00e7\u00e3o, sempre com a necessidade de apoio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/www.ufc.br\/images\/talks\/001\/talks01__Imagem_portal_03.png\" alt=\"Quer saber mais sobre o assunto? Acesse bit.ly\/3ekhu5u\" \/><\/p>\n<p>Claro que isso \u00e9 desafiador para os pais, que est\u00e3o com muitas outras preocupa\u00e7\u00f5es. Mais uma vez, a gente n\u00e3o precisa se cobrar tanto nesta hora.\u00a0<strong>N\u00e3o precisa ser a \u201csuperm\u00e3e\u201d ou o \u201csuperpai\u201d e fazer todo o manual de brincadeiras legais<\/strong>, quando a gente precisa limpar a casa, fazer a comida e, possivelmente, cuidar de algu\u00e9m doente, viver nossos lutos. Muitos est\u00e3o com trabalho em casa e as crian\u00e7as est\u00e3o recebendo atividades escolares diariamente tamb\u00e9m. N\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos preparados para a escolariza\u00e7\u00e3o domiciliar: nem as escolas, nem as crian\u00e7as, nem as fam\u00edlias. E temos desafios nesse sentido tamb\u00e9m!<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, estamos diante de uma\u00a0<strong>oportunidade de aprender intensivamente a \u201cencarar\u201d as frustra\u00e7\u00f5es<\/strong>, aprender sobre a conviv\u00eancia familiar 24 horas, sobre solidariedade, sobre empatia, sobre resili\u00eancia \u2013 nossa capacidade de lidar com os problemas, com os ditos \u201cperrengues\u201d, e de resistir \u00e0s diferentes press\u00f5es que a vida traz. Certamente, teremos efeitos dessa pandemia na nossa subjetividade e \u00e9 importante que a gente pense nisso desde j\u00e1, para que prevale\u00e7a o cuidado n\u00e3o \u201cs\u00f3\u201d com as crian\u00e7as mas com a gente mesmo e com os outros, numa perspectiva ampla.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<em>Coordenadoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social e Marketing Institucional\u00a0\u2013 e-mail:\u00a0<span id=\"cloak2fb1c8723358c191e67e27515cb5b1b7\"><a href=\"mailto:ufcinforma@ufc.br\">ufcinforma@ufc.br<\/a><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de quarentena e\u00a0isolamento social, a Coordenadoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social e Marketing Institucional (CCSMI) lan\u00e7a o\u00a0UFC Talks, s\u00e9rie de entrevistas com professores e pesquisadores&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23,360,4,266,13],"tags":[],"class_list":["post-11616","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ceara","category-coronavirus","category-educacao","category-educacao-familiar","category-pais-e-filhos"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11616","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11616"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11616\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11617,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11616\/revisions\/11617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11616"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11616"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}