{"id":9312,"date":"2015-11-08T07:17:01","date_gmt":"2015-11-08T10:17:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/educacao\/?p=9312"},"modified":"2015-11-08T07:17:01","modified_gmt":"2015-11-08T10:17:01","slug":"projeto-consegue-reduzir-cesarianas-em-42-hospitais-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2015\/11\/08\/projeto-consegue-reduzir-cesarianas-em-42-hospitais-do-pais\/","title":{"rendered":"Projeto consegue reduzir cesarianas em 42 hospitais do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Em apenas seis meses, o projeto piloto Parto Adequado, desenvolvido pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar, o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement conseguiu aumentar em 7,4 pontos percentuais a taxa de partos normais dos 42 hospitais que participam da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A iniciativa, que tem o apoio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, vem sendo aplicada desde mar\u00e7o em 38 hospitais particulares e quatro com atendimento pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade, e j\u00e1 demonstrou queda no n\u00famero de cesarianas, que \u00e9 o objetivo principal do programa. A taxa de partos normais nestes hospitais, que respondem por 85 mil partos a cada ano no pa\u00eds \u2013 o que corresponde a cerca de 6% dos partos realizados em todo o Brasil \u2013 passou de 19,8% em 2014 para 27,2% em setembro deste ano, com a taxa de ces\u00e1reas estimada em 72,8% no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>Segundo Martha Oliveira, diretora de desenvolvimento setorial da ANS, o Brasil tem a maior taxa de cesarianas do mundo. \u201cA Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) preconiza 15%. Mas n\u00e3o \u00e9 esse o nosso objetivo. Nosso objetivo \u00e9 reduzir a taxa de cesarianas\u201d, disse. \u201cAo longo do tempo, tivemos uma organiza\u00e7\u00e3o do trabalho do m\u00e9dico onde era mais f\u00e1cil agendar todas as pacientes para o mesmo hor\u00e1rio para se fazer a cirurgia. E os hospitais foram se adaptando a essa realidade. Todo o sistema de sa\u00fade foi se moldando para favorecer o procedimento cesariano\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Rita Sanches, coordenadora da maternidade do Hospital Israelita Albert Einstein, tamb\u00e9m concorda que o parto normal precisa ser estimulado para evitar as complica\u00e7\u00f5es da cesariana, para as gestante e, principalmente, para o beb\u00ea. \u201cO primeiro benef\u00edcio \u00e9 chegar ao termo da gesta\u00e7\u00e3o e entrar no trabalho de parto, porque o estresse do trabalho de parto tamb\u00e9m amadurece o beb\u00ea. E ao passar pela vagina da m\u00e3e, os l\u00edquidos pulmonares s\u00e3o espremidos e o beb\u00ea nasce respirando muito melhor. Ele tamb\u00e9m tem que ter contato com as bact\u00e9rias da m\u00e3e para ter uma flora intestinal adequada, quando for adulto.<\/p>\n<p>Sabemos que quem nasce de parto normal tem uma sa\u00fade muito melhor quando adulto. E a m\u00e3e tem muito menos morbidade do que fazendo ces\u00e1rea.\u201d Um outro problema associado \u00e0 ces\u00e1rea, segundo o m\u00e9dico Miguel Cendoroglo Neto, diretor superintendente do Albert Einstein, \u00e9 que ela estimula os nascimentos antes da completa forma\u00e7\u00e3o do beb\u00ea, ou seja, antes da 39\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o, de acordo com a conveni\u00eancia do m\u00e9dico ou da m\u00e3e. \u201cAtualmente, o obstetra n\u00e3o espera a m\u00e3e entrar em trabalho de parto. O parto \u00e9 agendado\u201d, destacou. Um dos riscos \u00e9 que h\u00e1 uma possibilidade 120% maior do beb\u00ea nascido por cesariana ir para uma unidade de terapia intensiva (UTI). \u201cUm contingente desses beb\u00eas vai parar na UTI neonatal, ou porque n\u00e3o est\u00e3o bem desenvolvidos ou porque ainda t\u00eam problemas no pulm\u00e3o. Parte deles vai morrer\u201d, disse Miguel. Para participar do projeto, que ter\u00e1 em princ\u00edpio um ano e meio de aplica\u00e7\u00e3o, os 42 hospitais tiveram que adequar seus recursos humanos e estruturais, capacitar os profissionais e promover a revis\u00e3o das pr\u00e1ticas relacionadas ao atendimento das gestantes e dos beb\u00eas.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a, segundo Rita Sanchez, est\u00e1 sendo feita aos poucos, passo a passo, para n\u00e3o colocar em risco a vida do beb\u00ea e da gestante. Depois desse per\u00edodo de experi\u00eancia, o projeto poder\u00e1 ser disseminado para outros hospitais do pa\u00eds. Cada hospital vai decidir o melhor modelo, ou quais modelos a serem adotados. As possibilidades s\u00e3o o parto feito pelo plantonista do hospital; o parto feito por m\u00e9dico pr\u00e9-natalista do corpo cl\u00ednico, com suporte da equipe de plant\u00e3o; ou o parto assistido por tr\u00eas ou mais m\u00e9dicos e enfermeiras. O projeto conta com o apoio de mais de 30 operadoras de planos de sa\u00fade. Segundo a diretora da ANS, a ideia \u00e9 que as operadoras passem a mudar tamb\u00e9m a forma de financiamento, remunerando melhor toda a cadeia, principalmente quando o parto ocorre sem problemas. Hoje, segundo Martha, o financiamento \u00e9 maior quando envolve a interna\u00e7\u00e3o do beb\u00ea em UTI. A ideia \u00e9 que a partir de agora esse financiamento seja maior quando ocorrer de forma natural, sem riscos.<\/p>\n<p>\u201cNo modelo atual de financiamento, sempre se joga o peso no procedimento de maior complexidade. E a maior complexidade \u00e9 a UTI. Precisamos resgatar o que \u00e9 o parto e, se ele foi adequado e teve um desfecho bom, vamos remunerar esse parto, seja ele normal ou cesariana, que teve um desfecho bom\u201d. No entanto, a ANS n\u00e3o pretende baixar uma norma para que as operadoras mudem a forma de atua\u00e7\u00e3o o que, segundo ela, n\u00e3o funcionaria. A ideia \u00e9 que as operadoras sejam estimuladas a fazerem isso, premiando-as, por exemplo, com t\u00edtulos de empresa sustent\u00e1vel. Al\u00e9m da queda no n\u00famero de cesarianas, o projeto tamb\u00e9m vem observando queda no n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es dos beb\u00eas. Segundo Paulo Borem, representante do IHI, dois hospitais da cidade de Jaboticabal demonstraram redu\u00e7\u00e3o de 60% no n\u00famero de beb\u00eas em UTIs neonatal ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em apenas seis meses, o projeto piloto Parto Adequado, desenvolvido pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar, o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23,4,25,26,27,28,13,116],"tags":[],"class_list":["post-9312","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ceara","category-educacao","category-educadores","category-ensino-superior","category-escolas","category-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente","category-pais-e-filhos","category-politicas-publicas"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9312\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}