{"id":9522,"date":"2016-02-06T07:27:09","date_gmt":"2016-02-06T10:27:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/educacao\/?p=9522"},"modified":"2016-02-06T07:27:09","modified_gmt":"2016-02-06T10:27:09","slug":"estudo-x-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2016\/02\/06\/estudo-x-trabalho\/","title":{"rendered":"Estudo x Trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa in\u00e9dita revelou que um a cada tr\u00eas jovens que cursam os \u00faltimos anos do Ensino Fundamental e do Ensino M\u00e9dio na rede p\u00fablica abandonam os estudos para se dedicar ao trabalho. O levantamento foi realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais (Flacso) em parceria com a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-americanos para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura e o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC).<\/p>\n<p>O resultado das entrevistas feitas com 8.283 alunos de 10 cidades brasileiras foi publicado no livro\u00a0<em>Juventudes na escola, sentidos e buscas: Por que frequentam?<\/em>. Foram ouvidos alunos com idades entre 15 a 29 anos, matriculados no Ensino M\u00e9dio da rede p\u00fablica, na Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) ou no\u00a0 programa Projovem Urbano. Eles responderam quest\u00f5es que tinham como objetivo principal esclarecer a rela\u00e7\u00e3o da nova juventude com a escola: qual o sentido dela em suas vidas, o que eles buscam nela e o que os motiva a frequent\u00e1-la. Durante as entrevistas, os pesquisadores identificaram que 20% dos frequentadores do Ensino M\u00e9dio, al\u00e9m dos estudos, mant\u00eam uma jornada de trabalho de oito horas di\u00e1rias. Esse percentual chega a 40% no caso de alunos da EJA. &#8220;Isso n\u00e3o \u00e9 uma novidade. A Am\u00e9rica Latina inteira, e o Brasil tanto quanto, t\u00eam um perfil de estudantes trabalhadores. A gente n\u00e3o pode naturalizar isso, mas tamb\u00e9m n\u00e3o pode pedir para que o aluno deixe de trabalhar. Essa \u00e9 a nossa condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds de terceiro mundo. Crescemos entendendo o trabalho como parte do processo de educa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma a professora do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da Unisinos, Edla Eggert. Para a professora da Universidade Cat\u00f3lica de Salvador e uma das coordenadoras do estudo, Mary Castro, a grande supresa apresentada pela pesquisa \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o de que os jovens brasileiros abandonam os estudos cada vez mais cedo para ingressar no mercado de trabalho: Na EJA e no Projovem, isso j\u00e1 era esperado, que \u00e9 o caso dos jovens que sa\u00edram da escola e depois retornaram. O que nos surpreendeu \u00e9 a alta propor\u00e7\u00e3o, de um a cada tr\u00eas jovens, que abandonou os estudos nos \u00faltimos dois anos do Ensino Fundamental e no Ensino M\u00e9dio para trabalhar. E esse n\u00famero vem aumentando.<\/p>\n<p>Segundo Edla, esses dados sinalizam um novo caminho para a educa\u00e7\u00e3o nacional, que deve investir no di\u00e1logo com os alunos para compreender mais as suas diferentes realidades. &#8220;\u00c9 um tema importante para reafirmar a import\u00e2ncia de as escolas se convencerem que n\u00f3s temos alunas e alunos trabalhadores. Ent\u00e3o, esta institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ter o modelo europeu ou americano, que o aluno tem que s\u00f3 estudar e ponto. A gente tamb\u00e9m aprende trabalhando. \u00c9 o princ\u00edpio educativo: quando a escola considera a experi\u00eancia de quem trabalha, ela vai levar em conta a quest\u00e3o do tempo, que \u00e9 diferente nesses casos&#8221;, avalia Edla.<\/p>\n<p>A pesquisadora cita um exemplo simples da percep\u00e7\u00e3o do tempo para alunos trabalhadores: Se eu tenho o trabalhador que chega na sala de aula \u00e0s 19h30min sem comer, eu n\u00e3o posso ser r\u00edgida ao ponto de dizer que ele n\u00e3o pode comer. Como eu n\u00e3o vou entender a import\u00e2ncia desse aluno poder lanchar antes da aula? A escola precisa pensar formas para acolher esse estudante. S\u00e3o coisas muito simples que podem fazer com que ele seja considerado no seu contexto mais amplo.<\/p>\n<p>Fonte: Zero Hora<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa in\u00e9dita revelou que um a cada tr\u00eas jovens que cursam os \u00faltimos anos do Ensino Fundamental e do Ensino M\u00e9dio na rede p\u00fablica&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23,24,3,4,266,25,26,351,27,28],"tags":[],"class_list":["post-9522","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ceara","category-cursos","category-dicas-de-atividades","category-educacao","category-educacao-familiar","category-educadores","category-ensino-superior","category-ensino-tecnologico","category-escolas","category-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9522","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9522"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9522\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}