{"id":9769,"date":"2016-06-29T07:19:41","date_gmt":"2016-06-29T10:19:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/educacao\/?p=9769"},"modified":"2016-06-29T07:19:41","modified_gmt":"2016-06-29T10:19:41","slug":"afeto-e-atencao-sao-fundamentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2016\/06\/29\/afeto-e-atencao-sao-fundamentais\/","title":{"rendered":"Afeto e aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais"},"content":{"rendered":"<p>Uma cestinha pendurada na porta do quarto de Davi , de 4 anos, d\u00e1 o recado: ali n\u00e3o entra celular. Colocar o objeto na ma\u00e7aneta foi a ideia da m\u00e3e, a advogada Manoela Gambardella, para lembrar de guardar o telefone sempre que for brincar \u2014 uma estrat\u00e9gia para que sua aten\u00e7\u00e3o esteja totalmente voltada para o filho. A pr\u00e1tica, segundo duas pesquisas publicadas este m\u00eas, pode render mais que momentos preciosos em fam\u00edlia. Um estudo feito pela Universidade de Indiana, nos EUA, mostrou que pais que se distraem com outras coisas enquanto brincam com os filhos podem gerar preju\u00edzos cognitivos nos pequenos. Outro relat\u00f3rio da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington revelou ainda que o afeto das m\u00e3es pode fazer o c\u00e9rebro da crian\u00e7a se desenvolver mais rapidamente.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o efetiva dos respons\u00e1veis na cria\u00e7\u00e3o dos filhos est\u00e1 diretamente relacionada ao desenvolvimento das crian\u00e7as. E o assunto est\u00e1 entre os temas em debate no evento \u201cEduca\u00e7\u00e3o 360 Inf\u00e2ncia\u201d, que acontece no dia 30 de junho, no Museu do Amanh\u00e3, no Rio, e \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o do jornal O GLOBO e \u201cExtra\u201d, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Maria Cecilia Souto Vidigal, com o Banco Mundial, o BID e a Funda\u00e7\u00e3o Lemman. O semin\u00e1rio tem ainda o apoio da TV Globo, do Canal Futura e da Unicef.<\/p>\n<p>Publicado na revista cient\u00edfica \u201cCurrently Biology\u201d, o estudo dos pesquisadores de Indiana observou as brincadeiras de 36 pais e seus filhos de 1 ano de idade para entender se a falta de aten\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis poderia fazer com que os pequenos tamb\u00e9m se tornassem desatentos. Durante a an\u00e1lise, os pesquisadores constataram que os pais que se distra\u00edam com outras coisas enquanto brincavam com os filhos causavam perda de aten\u00e7\u00e3o nas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 sabido que a capacidade das crian\u00e7as de manter aten\u00e7\u00e3o \u00e9 um forte indicador de sucesso posterior em \u00e1reas como aquisi\u00e7\u00e3o de linguagem e resolu\u00e7\u00e3o de problemas. Cuidadores cujos olhos vagueiam enquanto as crian\u00e7as brincam parecem ter um impacto negativo sobre a aten\u00e7\u00e3o dos beb\u00eas \u2014 explica Chen Yu, psiquiatra e principal autora da pesquisa de Indiana.<\/p>\n<p>Durante o estudo, parte dos pais direcionou os filhos a pegar determinados brinquedos, restringindo o direito de escolha da crian\u00e7a, enquanto outros deram suporte e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as a partir do objeto escolhido por elas, o que contribuiu para aumentar a concentra\u00e7\u00e3o. Os testes mostraram que quando pais e beb\u00eas prestavam aten\u00e7\u00e3o em um determinado brinquedo por mais de 3,6 segundos, as crian\u00e7as continuavam olhando para o mesmo objeto por mais 2,6 segundos depois que os cuidadores dispersavam. Esse tempo \u00e9 quatro vezes maior que o dos beb\u00eas cujos respons\u00e1veis se distra\u00edam.<\/p>\n<p>\u2014 Tudo que aprendemos nos dois primeiros anos da vida \u00e9 feito com os pais, ent\u00e3o o c\u00e9rebro se acostuma a usar os pais como refer\u00eancia de tudo. Se o pai muda o comportamento, a crian\u00e7a tamb\u00e9m pode mudar \u2014 explica o psiquiatra da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia Caio Abujadi.<\/p>\n<p>Em meio a uma rotina ca\u00f3tica de trabalho, Manoela, que admite ser \u201cviciada em celular\u201d, conta que passou a se policiar para aproveitar melhor o tempo com o filho:<\/p>\n<p>\u2014 Resolvo minha vida toda por celular, \u00e9 um exerc\u00edcio me desligar. Para entrar no mundinho dele, eu deixo minhas preocupa\u00e7\u00f5es do lado de fora.<\/p>\n<p>A empres\u00e1ria Waleska Lopes, m\u00e3e de Miguel, de 2 anos, tamb\u00e9m adota a pr\u00e1tica de dedicar aten\u00e7\u00e3o exclusiva ao filho:<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o fico com ele o tempo que desejo, mas compenso dando total aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tem como mexer no celular com aquela fofura do lado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da assist\u00eancia, o amor das m\u00e3es traz um ganho extra para Davi e Miguel. Uma an\u00e1lise de 127 crian\u00e7as feita por pesquisadores da Universidade de Washington observou que uma parte importante do c\u00e9rebro se desenvolve at\u00e9 duas vezes mais r\u00e1pido naqueles que t\u00eam m\u00e3es afetuosas, principalmente nos seis primeiros anos de vida da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2014 Acreditamos que isso se deve \u00e0 maior plasticidade cerebral quando a crian\u00e7a \u00e9 menor, o que significa que o c\u00e9rebro \u00e9 afetado mais fortemente por experi\u00eancias no come\u00e7o da vida \u2014 explica a psiquiatra Joan Luby.<\/p>\n<p>Como m\u00e9todo, os pesquisadores filmaram a m\u00e3e durante uma tarefa estressante, ao mesmo tempo em que precisava monitorar o filho \u2014 que, para compor o cen\u00e1rio, recebeu um presente que n\u00e3o poderia abrir imediatamente. As m\u00e3es que mantiveram o controle concluindo sua tarefa e dando assist\u00eancia ao filho foram consideradas mais afetuosas.<\/p>\n<p>O crescimento do hipocampo \u2014 \u00e1rea do c\u00e9rebro relacionada \u00e0 mem\u00f3ria, aprendizado e controle das emo\u00e7\u00f5es \u2014 das crian\u00e7as tamb\u00e9m foi monitorado por meio de resson\u00e2ncias magn\u00e9ticas peri\u00f3dicas, desde sua vida pr\u00e9-escolar at\u00e9 a adolesc\u00eancia. A conclus\u00e3o da pesquisa foi que o apoio emocional na inf\u00e2ncia contribui para melhor desempenho escolar e maior \u00eaxito na vida adulta.<\/p>\n<p>\u2014 O desenvolvimento infantil depende de fatores gen\u00e9ticos e ambientais. O que os trabalhos n\u00e3o dizem \u00e9 se esse tipo de intera\u00e7\u00e3o inadequada pode levar a um comprometimento grave \u2014 observa o neuropediatra Clay Brites, professor da Unicamp.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma cestinha pendurada na porta do quarto de Davi , de 4 anos, d\u00e1 o recado: ali n\u00e3o entra celular. 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