{"id":9771,"date":"2016-07-02T07:26:53","date_gmt":"2016-07-02T10:26:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/educacao\/?p=9771"},"modified":"2016-07-02T07:26:53","modified_gmt":"2016-07-02T10:26:53","slug":"a-historia-com-final-feliz-do-menino-que-morava-na-nuvem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2016\/07\/02\/a-historia-com-final-feliz-do-menino-que-morava-na-nuvem\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria com final feliz do \u2018menino que morava na nuvem\u2019"},"content":{"rendered":"<p>De um lado, olhares perdidos e que alimentam a esperan\u00e7a de encontrar um lar. Do outro, casais ansiosos por conseguirem chamar uma crian\u00e7a de filho e formar uma fam\u00edlia. O que parece ser uma realidade f\u00e1cil de ser resolvida se revela um caminho \u00e1rduo em busca da felicidade. No pa\u00eds, h\u00e1 5.624 crian\u00e7as aptas a serem adotadas. Para cada uma delas, vivendo em um abrigo, h\u00e1 seis adotantes (casais ou pessoas sozinhas). Mesmo assim, a constru\u00e7\u00e3o de um lar \u00e9 lenta e sofrida. Mas uma mudan\u00e7a no perfil das crian\u00e7as procuradas para ado\u00e7\u00e3o tem gerado mais finais felizes, motivo de comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde 2010 o n\u00famero de futuros pais que escolhem exclusivamente crian\u00e7as brancas vem diminuindo no Brasil. Segundo dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), a discrimina\u00e7\u00e3o racial vem caindo significativamente. Se antes 38,7% dos candidatos queriam apenas filhos brancos, atualmente s\u00e3o 22%. A quantidade de casais que aceitam crian\u00e7as pardas tamb\u00e9m cresceu, saltando de 58%, em 2010, para 75% em 2016. E os pretendentes que aceitam crian\u00e7as negras subiu de 30% para 46,7% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201cOs cursos de prepara\u00e7\u00e3o para ado\u00e7\u00e3o realizados pelas equipes multidisciplinares das varas ou dos munic\u00edpios conseguem mostrar aos pretendentes a realidade das crian\u00e7as que est\u00e3o aptas a serem adotadas, fazendo com que abdiquem de idealiza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-concebidas, notadamente as crian\u00e7as brancas e com menos de 3 anos\u201d, diz a ministra Nancy Andrighi, corregedora nacional de Justi\u00e7a do CNJ, em entrevista ao site da entidade.<\/p>\n<p>Do total de crian\u00e7as aptas a serem adotadas no Brasil, 6% t\u00eam menos de 1 ano \u2013 prefer\u00eancia entre os adotantes -, enquanto 87,42% t\u00eam mais de 5 anos. Quanto \u00e0 ra\u00e7a, 17% s\u00e3o negros, 48,8% pardos, 33,4% brancos, 0,3% pertencem \u00e0 ra\u00e7a amarela e outros 0,3% s\u00e3o ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A n\u00e3o exig\u00eancia por crian\u00e7as brancas pode ajudar consideravelmente no prazo para que a ado\u00e7\u00e3o se efetive, mas, mesmo assim, em fun\u00e7\u00e3o de todos os cuidados que a Justi\u00e7a toma em nome da seguran\u00e7a do pequeno, a morosidade ainda \u00e9 grande.<\/p>\n<p>A demora em conseguir a ado\u00e7\u00e3o definitiva foi uma das quest\u00f5es vividas pelos jornalistas Luciana Neves e Rivelino Moreira, pais adotivos de Marcelo, hoje com 3 anos. Eles deram entrada no processo de ado\u00e7\u00e3o em julho de 2011 com o preenchimento do cadastro. Entre cursos obrigat\u00f3rios, entrevistas com psic\u00f3logos e assistentes sociais, eles foram inclu\u00eddos no sistema em mar\u00e7o de 2012.<\/p>\n<p>A ansiedade era uma constante. Marcelinho chegou em janeiro de 2013, com poucos dias de vida. \u201cEle \u00e9 uma grande b\u00ean\u00e7\u00e3o na nossa vida. Esperamos por ele por dez meses, quase uma gesta\u00e7\u00e3o. Lembro que fiquei com isso na cabe\u00e7a\u201d, conta Luciana.<\/p>\n<p>Para a alegria do casal e da crian\u00e7a, a ado\u00e7\u00e3o definitiva foi concedida em mar\u00e7o de 2015. \u201cPor mais que a gente saiba que n\u00e3o vai acontecer, sempre vemos not\u00edcias na televis\u00e3o, ouvimos hist\u00f3rias de ju\u00edzes que mandaram devolver as crian\u00e7as. Isso mexe com a gente\u201d, diz Luciana, que no m\u00eas de julho lan\u00e7a o livro \u201cO menino que morava na nuvem\u201d, sobre a rela\u00e7\u00e3o dela com Marcelinho e como contou a ele sobre a ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEle teve uma rea\u00e7\u00e3o muito bonita. Eu ia contando para ele em forma de historinha antes de dormir desde cedo e, um belo dia, quando ele j\u00e1 estava com 3 anos, ele parou e falou: sou eu mam\u00e3e, sou eu, e me deu um grande abra\u00e7o\u201d, relata emocionada.<\/p>\n<p>\u201cEspero que o livro possa ajudar outros pais nesse processo. A gente fica muito inseguro, com medo da rea\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. Ent\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria, simples, verdadeira e bonita que os pais podem usar de base e criar sua pr\u00f3pria vers\u00e3o\u201d, completa.<\/p>\n<p>Sobre o medo que Luciana relatou de, no meio do processo, a crian\u00e7a ter que voltar \u00e0 fam\u00edlia biol\u00f3gica, por determina\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a, a advogada Ana Carolina Brochado, especialista em direito de fam\u00edlia, alerta que ele procede.<\/p>\n<p>\u201cO risco de a crian\u00e7a ser devolvida \u00e0 fam\u00edlia biol\u00f3gica \u00e9 concreto. O que o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente diz \u00e9 que s\u00f3 podem ser adotadas formalmente crian\u00e7as cujo processo esteja devidamente julgado\u201d.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o afetiva e a inser\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a na nova fam\u00edlia s\u00e3o levados em conta. \u201cA premissa \u00e9 de que a crian\u00e7a deve ficar com a fam\u00edlia biol\u00f3gica. Mas a vincula\u00e7\u00e3o socioafetiva com a nova fam\u00edlia pode fazer com que ela permane\u00e7a na nova fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada uma medida excepcional, o objetivo \u00e9 sempre manter a crian\u00e7a com sua fam\u00edlia de origem; ap\u00f3s esgotadas as possibilidades, e pensando no bem-estar do menor, ele entra para a\u00a0lista de ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: Hoje em Dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De um lado, olhares perdidos e que alimentam a esperan\u00e7a de encontrar um lar. 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