{"id":9781,"date":"2016-07-20T06:54:17","date_gmt":"2016-07-20T09:54:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/educacao\/?p=9781"},"modified":"2016-07-20T06:54:17","modified_gmt":"2016-07-20T09:54:17","slug":"aos-30-anos-os-jovens-brasileiros-colecionam-frustracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2016\/07\/20\/aos-30-anos-os-jovens-brasileiros-colecionam-frustracoes\/","title":{"rendered":"Aos 30 anos, os jovens brasileiros colecionam frustra\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Aos 30 anos, os jovens brasileiros colecionam frustra\u00e7\u00f5es. Para 44% dos trint\u00f5es das classes A e B sobra o sentimento de \u201cn\u00e3o ter chegado onde queriam\u201d; na classe C essa percep\u00e7\u00e3o atinge 43%. A an\u00e1lise da expectativa\u00a0<em>versus\u00a0<\/em>realidade mostra uma disson\u00e2ncia enorme; as expectativas geradas durante a juventude e o balan\u00e7o realista da vida \u2013 sobretudo no que se refere \u00e0 vida profissional e financeira \u2013 s\u00e3o retratos desse desencanto. Muito da frustra\u00e7\u00e3o adv\u00e9m de uma postura pouco autoral na trajet\u00f3ria: 64% sentem que se tornaram fruto de onde a vida os levou, ou seja, n\u00e3o tiveram controle sobre as escolhas e as coisas simplesmente aconteceram. Para 36%, as escolhas e planejamento foram os respons\u00e1veis pelo que se tornaram. Apenas 15% dos entrevistados est\u00e3o plenamente satisfeitos com as pr\u00f3prias conquistas. Essas s\u00e3o algumas das conclus\u00f5es da primeira etapa do\u00a0<em>Projeto 30<\/em>, desenvolvido pela Pesquiseria e coordenado pela Giacometti Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>Projeto 30<\/em>\u00a0est\u00e1 sendo conduzido com pesquisas quantitativas e qualitativas. Na qualitativa, uma abordagem de 24 grupos de discuss\u00e3o formados por homens e mulheres de 30 anos, residentes no Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Recife e Porto Alegre; na abordagem quantitativa foram entrevistados mil jovens das mesmas pra\u00e7as. As an\u00e1lises ser\u00e3o conduzidas e analisadas em quatro etapas: 30 anos, a hora da virada (balan\u00e7o de vida dos jovens brasileiros egressos \u00e0 idade); a crise e o padr\u00e3o de consumo entre as diferentes tribos de 30 anos; a educa\u00e7\u00e3o e a insatisfa\u00e7\u00e3o com a vida profissional; e as caracter\u00edsticas e percep\u00e7\u00f5es de mundo de cada uma das tribos: o plano B. O estudo detectou, tamb\u00e9m, segmentos atitudinais destes jovens \u2013 um claro reflexo dos padr\u00f5es de escolha e das vis\u00f5es sobre o futuro. O mapeamento traz um cen\u00e1rio consistente dos mecanismos de viv\u00eancia e constru\u00e7\u00e3o de jovens brasileiros do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>Segundo Dennis Giacometti, coordenador do estudo e presidente da Giacometti Comunica\u00e7\u00e3o, os 30 anos s\u00e3o simb\u00f3licos na vida de muitas pessoas por trazerem, efetivamente, a dimens\u00e3o do mundo \u201cadulto\u201d e por abrirem a possibilidade de reflex\u00e3o sobre o passado e questionamento sobre o futuro. Com base nesta cren\u00e7a, a Pesquiseria \u2013\u00a0<em>startup<\/em>\u00a0acelerada pela ag\u00eancia \u2013 conduziu o Projeto 30, um estudo in\u00e9dito no Brasil. A proposta \u00e9 entender quais s\u00e3o as avalia\u00e7\u00f5es da trajet\u00f3ria at\u00e9 ent\u00e3o trilhada e as perspectivas para o futuro.<\/p>\n<p>\u201cO investimento em pesquisas est\u00e1 associado ao pr\u00f3prio DNA da Giacometti Comunica\u00e7\u00e3o, que trabalha tendo por base evid\u00eancias. Sempre investimos em pesquisas qualitativas e quantitativas para dar suporte ao trabalho de uma ag\u00eancia que realmente entende a dimens\u00e3o humana que antecede o arqu\u00e9tipo consumidor. Ao aferirmos as vari\u00e1veis psicossociais de forma mais cient\u00edfica, damos a nossa contribui\u00e7\u00e3o para a redu\u00e7\u00e3o da margem de erro na constru\u00e7\u00e3o de projetos de vida, na quest\u00e3o educacional e nas rela\u00e7\u00f5es das empresas com um novo perfil de consumidor\u201d, afirma Dennis Giacometti, acrescentando que se trata de um projeto audacioso que diz muito sobre o modo de trabalho da Giacometti e da Pesquiseria.<\/p>\n<p>As pesquisas visam, portanto, a produzir conhecimento a ser compartilhado com a sociedade. \u201cNo Projeto 30, cuja primeira fase est\u00e1 sendo divulgada agora, detectamos que os brasileiros dessa faixa et\u00e1ria est\u00e3o insatisfeitos com o rumo que suas vidas tomou, principalmente no \u00e2mbito profissional. Como consequ\u00eancia, muitos adultos t\u00eam voltado a estudar; t\u00eam buscado novos caminhos de realiza\u00e7\u00e3o pessoal. \u00c9 um fen\u00f4meno moderno estimulado pelo aumento da longevidade. Esse ser\u00e1 um estudo em quatro fases, realizado em seis Estados do Brasil, com mil pessoas\u201d, destaca Dennis.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Tiago Faria, coordenador do estudo e s\u00f3cio-diretor da Pesquiseria, \u00e9 importante salientar que o desencanto do jovem de 30 anos n\u00e3o \u00e9 resultado meramente da crise econ\u00f4mica: \u201c\u00c9 claro que o momento de crise \u00e9 preocupante para todo mundo. No entanto, n\u00e3o \u00e9 exclusivamente este momento que tem dado a t\u00f4nica pessimista das nossas an\u00e1lises. O entendimento \u00e9 muito mais complexo e adv\u00e9m, sobretudo, de uma gera\u00e7\u00e3o de jovens que possui alta expectativa e nenhum \u00a0planejamento concreto. Para a maioria deles, existia um futuro prometido que n\u00e3o chegou. A frustra\u00e7\u00e3o vem como uma autocobran\u00e7a e um acerto de contas com o questionamento sobre quem se tornaram\u201d, afirma Faria.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o que permeia todo o Projeto 30 \u00e9 o sentimento de frustra\u00e7\u00e3o entre os entrevistados; ao chegar aos trinta anos, poucos est\u00e3o onde pretendiam. O estudo traz as tr\u00eas causas principais para esse descompasso entre o sonho e a realidade. O universo do pr\u00f3prio indiv\u00edduo \u00e9 uma das causas; ele n\u00e3o teve ferramentas para desenvolver intelig\u00eancia emocional para refletir sobre si nos anos que antecederam os trinta. Na segunda causa, o universo familiar n\u00e3o criou condi\u00e7\u00f5es para despertar autoconhecimento \u2013 apesar da teia afetiva de prote\u00e7\u00e3o. Em terceiro, o Estado n\u00e3o proporciona pol\u00edticas educacionais que priorizam a reflex\u00e3o e criticidade desses jovens.<\/p>\n<p>A<strong>\u00a0<\/strong>partir de uma an\u00e1lise que segue a \u00f3tica das tr\u00eas principais causas, o estudo mostra as consequ\u00eancias. \u00c9 importante ressaltar que a reflex\u00e3o \u00e9 o\u00a0<em>mood<\/em>\u00a0que rege a entrada nos 30 anos; o sentimento despertado pela \u201cchegada \u00e0 maturidade\u201d \u00e9 um chamado para fazer um balan\u00e7o da pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. Fazer 30 anos traz o sentimento de \u201cvirei gente grande\u201d \u2013 a idade de se deparar consigo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Para 59% dos entrevistados, os 30 marcaram um momento de muita reflex\u00e3o e balan\u00e7o; 44% apontam a percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o tinham feito muito do que esperavam; e 52% perceberam que n\u00e3o t\u00eam mais tempo a perder. \u201cEmbora tenham um forte senso de orgulho dos pais \u2013 enaltecendo a trajet\u00f3ria de luta e de apoio \u2013 os jovens trint\u00f5es das classes A e B n\u00e3o querem repetir as jornadas extremas de trabalho; nos da classe C h\u00e1 um desejo de n\u00e3o repetir uma trajet\u00f3ria de abandono dos estudos, empregos mal remunerados, a busca por sobreviv\u00eancia\u201d, detalha Dennis Giacometti.<\/p>\n<p>Entre as mulheres, trata-se de uma gera\u00e7\u00e3o independente \u2013 sobretudo da classe C \u2013 que est\u00e1 batalhando para n\u00e3o reviver o hist\u00f3rico de depend\u00eancia e submiss\u00e3o das m\u00e3es em rela\u00e7\u00e3o aos maridos. Admiram a forma com a qual as m\u00e3es criaram uma fam\u00edlia, mas n\u00e3o querem abdicar da independ\u00eancia e liberdade \u2013 ainda que queiram construir uma fam\u00edlia. Na classe C, o conceito \u201cralar\u201d faz parte da vida desde muito cedo; boa parte desses jovens teve que colaborar com a renda familiar e muitos, em meio a esse processo, abandonaram os estudos.<\/p>\n<p>Segundo Tiago Faria, coordenador da pesquisa e s\u00f3cio-diretor da Pesquiseria, nos 30 anos o sentimento de amadurecimento e ganho de autoconhecimento traz o fardo da responsabilidade \u2013 uma linha limite entre darem conta e, ao mesmo tempo, \u201ccorrerem atr\u00e1s\u201d, um questionamento sobre como conseguir se tornar uma pessoa mais pr\u00f3xima do plano. Ao fazer 30, o principal sentimento \u00e9 de amadurecimento (40%), seguido por responsabilidade (24%), senso de realidade (8%), preocupa\u00e7\u00e3o (7%), frustra\u00e7\u00e3o (7%), felicidade (4%) e medo (3%). Para 63%, o saldo acumulado \u00e9 um amadurecimento e responsabilidade para encarar o que vier pela frente.<\/p>\n<p>Regidos por um ideal de realiza\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio coletivo, os neotrint\u00f5es t\u00eam a sensa\u00e7\u00e3o de frustra\u00e7\u00e3o originada por uma expectativa preeminente; poucos foram os que fizeram planos efetivos e os realizaram. Com esse cen\u00e1rio, o balan\u00e7o da maioria \u00e9 deficit\u00e1rio, ou seja, poucos chegaram onde imaginavam. \u201c<em>Falam que esta \u00e9 a idade do sucesso, mas para mim ainda n\u00e3o \u00e9.<\/em>\u00a0Essa frase resume o sentimento de fracasso dos entrevistados<em>\u201d,\u00a0<\/em>afirma Giacometti.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as grandes frustra\u00e7\u00f5es? Um caminho mais dif\u00edcil do que imaginavam \u00e9 apontado por 26% (A e B) e 29% (C) como um tema recorrente; para 13% dos jovens das classes A e B, \u201cest\u00e1 tudo muito caro, por conta disso, poucos planos se concretizaram\u201d \u2013 percep\u00e7\u00e3o compartilhada por 12% dos entrevistados da classe C.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de poucas oportunidades para correr atr\u00e1s dos sonhos foi apontada por 9% (A e B) e 8% (C), enquanto \u201cpassamos muito tempo correndo atr\u00e1s e parece que n\u00e3o foi suficiente\u201c foi identificado, igualmente, por 7% das classes A, B e C. Segundo Dennis Giacometti, as percep\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito semelhantes entre os jovens de diferentes classes sociais \u2013 mesmo quando se fala de oportunidades e condi\u00e7\u00f5es para executar os planos. \u201cA pesquisa mostra que os jovens egressos aos 30 anos t\u00eam sentimentos semelhantes, partilham o mesmo desencanto e frustra\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da expectativa\u00a0<em>versus<\/em>\u00a0realidade mostra uma disson\u00e2ncia enorme; as expectativas geradas durante a juventude e o balan\u00e7o realista da vida \u2013 sobretudo no que se refere \u00e0 vida profissional e financeira \u2013 s\u00e3o retratos desse desencanto. Apenas 15% dos entrevistados est\u00e3o plenamente satisfeitos com as conquistas.<\/p>\n<p>A expectativa de estar financeiramente est\u00e1vel \u2013 79% (A e B) e 80% (C) \u2013 tornou-se realidade para apenas18% (A e B) e 14% (C). O desejo de atuar em uma profiss\u00e3o que os realizassem \u2013 52% (A e B) e 54% (C) \u2013 \u00e9 uma realidade para 21% dos jovens das classes A e B, 19% da classe C. O carro e a casa pr\u00f3pria estavam na expectativa de 50% (A e B) e 54% (C), mas apenas 39% (A e B) e 26% (C) conclu\u00edram o plano. O casamento e forma\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia, no entanto, foram al\u00e9m do previsto: apenas 38% (A e B) e 34% (C) gostariam de seguir esse caminho, que tornou-se realidade para 55% (A e B) e 87% dos jovens da classe C. Aos 30, 34% dos entrevistados das classes A e B gostariam de ter conclu\u00eddo cursos para aprimorar o aprendizado, uma realidade para 28%. Para os da classe C, essa era a expectativa de 40%, mas somente 24% conseguiram concretizar.<\/p>\n<p>Diante deste descompasso sobra o sentimento de \u201cter que correr atr\u00e1s\u201d da estabilidade financeira; a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de \u201cagora ou nunca\u201d. Segundo Tiago Faria,\u00a0 essa \u00e9 a \u00faltima chamada para o coro dos descontentes. \u201cApesar de terem um discurso de esperan\u00e7a perene, realmente esperam uma virada depois dos 30 anos; nessa reflex\u00e3o h\u00e1 o temor de errar porque reina a percep\u00e7\u00e3o que est\u00e3o diante do \u00faltimo momento para se dar bem\u201d, afirma, acrescentando que muito dessa expectativa frustrada \u00e9 resultado da postura pouco autoral da trajet\u00f3ria. O pesquisador afirma que 64% dos entrevistados sentem que o que se tornaram foi fruto de onde a vida os levou, ou seja, n\u00e3o tiveram muito controle sobre as escolhas; as coisas simplesmente aconteceram. Apenas 36% sentem que s\u00e3o frutos das escolhas feitas; planejaram efetivamente estar onde est\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: Bem Par\u00e1 Online<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 30 anos, os jovens brasileiros colecionam frustra\u00e7\u00f5es. 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