{"id":9784,"date":"2016-07-24T07:04:02","date_gmt":"2016-07-24T10:04:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/educacao\/?p=9784"},"modified":"2016-07-24T07:04:02","modified_gmt":"2016-07-24T10:04:02","slug":"brasil-casamento-infantil-que-nao-se-ve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/2016\/07\/24\/brasil-casamento-infantil-que-nao-se-ve\/","title":{"rendered":"Brasil: Casamento infantil que n\u00e3o se v\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea pensa que casamento infantil \u00e9 absurdo praticado somente na \u00cdndia, faz parte da maioria de cidad\u00e3os que \u2013 como eu e gestores de muitas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u2013 precisa nacionalizar o olhar e mirar para o pr\u00f3prio umbigo. Esta \u00e9 uma trag\u00e9dia invis\u00edvel no Brasil. Pior: \u201cNingu\u00e9m est\u00e1 pensando nesta quest\u00e3o\u201d, alerta Alessandra Nilo, coordenadora da Gestos, ONG do Recife voltada para defesa de Direitos Humanos, comunica\u00e7\u00e3o e g\u00eanero. \u201cTemos dados muito preocupantes e a bandeira n\u00e3o faz parte de nenhum movimento de mulheres, de crian\u00e7as, dos que tratam da viol\u00eancia, nem dos que pensam em HIV\/Aids\u201d, explica ela, que acaba de participar em Nova York do lan\u00e7amento de campanha das Na\u00e7\u00f5es Unidas\/Unicef preocupada com o combate a uni\u00f5es precoces.<\/p>\n<p>O perfil brasileiro n\u00e3o repete o dos tradicionais casamentos arranjados por parentes na \u00c1frica, \u00c1sia e Oriente M\u00e9dio. O fen\u00f4meno que ocorre aqui \u00e9 o da \u201cnaturaliza\u00e7\u00e3o\u201d de uma rela\u00e7\u00e3o de meninos e meninas com parceiros mais velhos. Conta ainda com os fatores pobreza e informalidade. A crian\u00e7a ou adolescente engravida, algumas s\u00e3o obrigadas a casar; outras s\u00e3o seduzidas, violentadas e seguem para morar com o homem mantendo uma cultura machista de \u201climpar a honra da fam\u00edlia\u201d. H\u00e1 casos em que a escolaridade e a condi\u00e7\u00e3o social e financeira da crian\u00e7a ou adolescente e fam\u00edlia a empurra para essa condi\u00e7\u00e3o. \u201cO que n\u00f3s defendemos com a campanha \u00e9 a desagrega\u00e7\u00e3o dos dados principalmente dessa faixa et\u00e1ria dos 10 a 14 anos\u201d, diz, repassando o foco das discuss\u00f5es com outros pa\u00edses e fazendo uma rela\u00e7\u00e3o com os novos objetivos da ONU para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. A desagrega\u00e7\u00e3o tende a escancarar uma realidade mais crua.<\/p>\n<p>Acredita-se que mais de um bilh\u00e3o de meninas e mulheres poder\u00e3o ser v\u00edtimas de casamentos prematuros at\u00e9 2030, prev\u00ea o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), sendo a maior parte concentrada em 12 pa\u00edses da \u00c1frica, \u00c1sia e Oriente M\u00e9dio. Em 61 pa\u00edses a taxa de preval\u00eancia de casamentos infantis (at\u00e9 18 anos) \u00e9 de 20%. S\u00e3o crian\u00e7as ou jovens que assumem responsabilidades, que se tornam m\u00e3es e pais muito novos. Nos pa\u00edses em desenvolvimento, uma em cada tr\u00eas mulheres jovens, entre 20 e 24 anos, especialmente nas zonas rurais, casa-se antes dos 18 anos.<\/p>\n<p>No Brasil, uma pesquisa intitulada \u201cEla vai no meu barco\u201d, baseada no Censo do IBGE de 2010, mostra que 88 mil meninas e meninos com idades entre 10 e 14 anos vivem em uni\u00f5es consensuais, civis ou religiosas. Realizada pelo instituto internacional Promund, em parceria com a Plan Internacional Brasil e a Universidade do Par\u00e1 entre 2013 e 2015, o relat\u00f3rio final exp\u00f5e ainda relatos reveladores sobre o que se passa entre as meninas e meninos imaturos que se unem a homens e mulheres mais velhos. Um deles traz a hist\u00f3ria de uma menina pobre de 13 anos da periferia de S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o, que queria curtir a vida \u00e0 moda das amigas, que conheceu um homem de 36 anos e com ele foi morar. Aos pesquisadores, disse que, se n\u00e3o fosse esse o seu caminho, estaria prostituindo-se como as irm\u00e3s. Outra garota de Bel\u00e9m (Par\u00e1) com 12 anos conheceu um rapaz de 19 anos, tendo namorado com ele por tr\u00eas meses at\u00e9 que passaram a dividir o mesmo teto. \u201cN\u00e3o gostava muito dele. Eu s\u00f3 fui mesmo pelo fato de meu padrasto. A\u00ed, na conveni\u00eancia nossa, ele me fez aprender a gostar dele\u201d. Cada uma com sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>De acordo com o Unicef, o casamento infantil de crian\u00e7as, adolescentes e mulheres, g\u00eanero com maior n\u00famero de v\u00edtimas, \u00e9 nocivo porque as envolvidas ficam mais propensas a deixar a escola, sofrer viol\u00eancia dom\u00e9stica, ter complica\u00e7\u00f5es na gravidez e parto, contrair HIV e Aids e colabora com a manuten\u00e7\u00e3o da pobreza. Esta campanha desnuda um tema necess\u00e1rio.\u00a0 Sobre o Recife, Alessandra Nilo, da Gestos, enfatiza um dado que pode ser ind\u00edcio do qu\u00e3o existentes s\u00e3o os casamentos infantis na capital pernambucana: \u201cNa faixa et\u00e1ria entre 10 e 14 anos, a gente n\u00e3o consegue reduzir a incid\u00eancia de gravidez\u201d.<\/p>\n<p>Talvez um pouco da \u00cdndia esteja logo ali.<\/p>\n<p>Fonte: Di\u00e1rio de Pernambuco Online<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea pensa que casamento infantil \u00e9 absurdo praticado somente na \u00cdndia, faz parte da maioria de cidad\u00e3os que \u2013 como eu e gestores de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23,4,266,27,28,13],"tags":[],"class_list":["post-9784","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ceara","category-educacao","category-educacao-familiar","category-escolas","category-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente","category-pais-e-filhos"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9784\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/educacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}