{"id":1339,"date":"2016-02-25T11:52:24","date_gmt":"2016-02-25T14:52:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/entreaspas\/?p=1339"},"modified":"2016-02-25T11:52:24","modified_gmt":"2016-02-25T14:52:24","slug":"vintes-anos-sem-caio-fernando-abreu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/2016\/02\/25\/vintes-anos-sem-caio-fernando-abreu\/","title":{"rendered":"Vintes anos sem Caio Fernando Abreu"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2016\/01\/17025974-e1456412399112.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1318\" alt=\"17025974\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/74\/2016\/01\/17025974-550x366.jpg\" width=\"550\" height=\"366\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caio Fernando Abreu morreu no dia 25 de fevereiro de 1996 (hoje completa-se vinte anos de sua morte), v\u00edtima de complica\u00e7\u00f5es decorrentes do v\u00edrus HIV, aos 47 anos de idade. Um dos mais instigantes e surpreendentes autores de sua gera\u00e7\u00e3o, fez de sua vida e obra uma provoca\u00e7\u00e3o. \u00a0Envolto por fuma\u00e7a de cigarro e d\u00fazias de x\u00edcaras de caf\u00e9, ele trabalhava duro em seus textos, que versavam sobre a solid\u00e3o, o sexo e a morte e conquistaram o amor de legi\u00f5es de leitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Clarice como refer\u00eancia<\/strong><br \/>\nClarice Lispector foi a maior refer\u00eancia liter\u00e1ria de Caio.No livro Invent\u00e1rio do Irremedi\u00e1vel a influ\u00eancia dela \u00e9 ainda maior, com ele trabalhando o conceito de epifania. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 70, em Porto Alegre, Caio foi a um lan\u00e7amento de um livro de Clarice. &#8220;Cheguei l\u00e1 timid\u00edssimo, l\u00f3gico. Vi uma mulher linda e estranh\u00edssima num canto, toda de preto, com um clima de tristeza e santidade ao mesmo tempo, absolutamente linda. Era ela&#8221;, ele contou sobre esse dia.Clarice \u00e9 apresentada a Caio por um escritor que estava ali. Caio conversou com ela sem acreditar na situa\u00e7\u00e3o. Clarice deu seu n\u00famero de telefone e disse para Caio ligar quando fosse ao Rio. &#8220;Tive 33 orgasmos consecutivos&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caio Fernando, foi um possuidor de um repert\u00f3rio liter\u00e1rio singular e um artista com forma\u00e7\u00f5es que sempre privilegiaram o verbo escrito &#8211; quando vivo, foi jornalista, dramaturgo, contista e romancista &#8211; Caio \u00e9 a express\u00e3o sens\u00edvel e apaixonada de uma cultura crua, de facetas das mais diversas e marcada, sobretudo, por importantes acontecimentos ao redor do globo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fatos estes t\u00e3o intrinsecamente ligados por meio de intr\u00e9pidas linhas que ganharam outros contornos, vieses que insistem em repercutir no imagin\u00e1rio do p\u00fablico leitor nacional e onde mais sua vasta cria\u00e7\u00e3o conseguiu alcan\u00e7ar. Como nas redes sociais, onde o autor hoje \u00e9 amplamente compartilhado &#8211; s\u00f3 o aplicativo &#8220;Conselhos do Caio Fernando Abreu&#8221; tem mais de 40 mil curtidas no Facebook e, no Twitter, oito perfis s\u00e3o dedicados a ele -, com excertos, alguns at\u00e9 n\u00e3o pertencentes \u00e0 sua autoria, ocupando o centro de in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es de admiradores da sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu em 12\/09\/1948, em Santiago (RS). Ainda jovem foi morar em Porto Alegre, onde cursou Letras e Arte Dram\u00e1tica na UFRGS, mas abandonou para ser jornalista. Trabalhou nas revistas Nova, Manchete, Veja e Pop, foi editor da revista Leia Livros e colaborou em diversos jornais: Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de S\u00e3o Paulo e Folha de S\u00e3o Paulo. Suas principais obras s\u00e3o Invent\u00e1rio do Irremedi\u00e1vel, O Ovo Apunhalado, Morangos Mofados, Os Drag\u00f5es n\u00e3o conhecem o Para\u00edso, Ovelhas Negras e Onde Andar\u00e1 Dulce Veiga?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Veja abaixo algumas das frases do escritor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Meu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o mendigo mais faminto da rua mais miser\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o me conhe\u00e7o. E tenho medo de me conhecer. Tenho medo de me esfor\u00e7ar para ver o que h\u00e1 dentro de mim e acabar surpreendendo uma por\u00e7\u00e3o de coisas feias, sujas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cE amar muito, quando \u00e9 permitido, deveria modificar uma vida.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu s\u00f3 queria que voc\u00ea soubesse do muito amor e ternura que eu tinha \u2013 e tenho \u2013 pra voc\u00ea. Acho que \u00e9 bom a gente saber que existe desse jeito em algu\u00e9m, como voc\u00ea existe em mim.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPara manter-me vivo, saio \u00e0 procura de ilus\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAlguma coisa em mim n\u00e3o consegue desistir, mesmo depois de todos os fracassos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA coisa que uma pessoa mais precisa na vida \u00e9 gostar das outras pessoas e ser gostada tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>\u201cSou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que voc\u00ea habita.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA perda do amor \u00e9 igual \u00e0 perda da morte. S\u00f3 que d\u00f3i mais.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTanto tempo ter\u00e1 passado, depois, que tudo se tornar\u00e1 cotidiano e a minha aus\u00eancia n\u00e3o ter\u00e1 nenhuma import\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto: Eduardo Sousa | Imagem: Internet<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caio Fernando Abreu morreu no dia 25 de fevereiro de 1996 (hoje completa-se vinte anos de sua morte), v\u00edtima de complica\u00e7\u00f5es decorrentes do v\u00edrus HIV,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":1318,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,10,11],"tags":[105,380,433],"class_list":["post-1339","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenhas","category-materias","category-news","tag-caio-f","tag-literatura-nacional","tag-morte"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1339","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1339"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1339\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1318"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}