{"id":142,"date":"2014-12-26T13:27:07","date_gmt":"2014-12-26T16:27:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/entreaspas\/?p=142"},"modified":"2014-12-26T13:27:07","modified_gmt":"2014-12-26T16:27:07","slug":"infancia-guardada-em-retratos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/2014\/12\/26\/infancia-guardada-em-retratos\/","title":{"rendered":"A inf\u00e2ncia guardada em retratos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_143\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/2014-10-12-12.15.30-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-143\" class=\"size-large wp-image-143\" alt=\"retratos meus, e(ternos)\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/2014-10-12-12.15.30-1-550x330.jpg\" width=\"550\" height=\"330\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-143\" class=\"wp-caption-text\">retratos meus, e(ternos)<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m das fotografias guardadas em uma caixa preta, onde deposito res\u00edduos do passado, no meu \u00e2mago, ainda existe uma crian\u00e7a. Uma crian\u00e7a \u00e1vida de liberdade e de compreens\u00e3o, quase que um p\u00e1ssaro perdido no ninho. N\u00e3o queria ter crescido, queria cometer o mesmo pecado que o Peter Pan, ser crian\u00e7a para sempre e para sempre ser crian\u00e7a, mera inoc\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, ou \u00e9?<br \/>\nAinda \u00e9 poss\u00edvel sim ter h\u00e1bitos infantis, ser crian\u00e7a por dentro, por mais que n\u00e3o se possa voltar no tempo, at\u00e9 porque ainda n\u00e3o existe m\u00e1quina do tempo, porque se existisse, com certeza, sem sombra de d\u00favidas, eu entraria nela e mandava voltar pelos anos de 1998, 99, 2000 e viver a melhor \u00e9poca da minha vida: a inf\u00e2ncia.<br \/>\nSaudades dos s\u00e1bados onde as crian\u00e7as da minha rua formavam verdadeiras gangues, onde brinc\u00e1vamos partidas intermin\u00e1veis de bila, quando cans\u00e1vamos l\u00e1 vinha a ideia de brincar de carimba, de pega pega , de esconde esconde e da minha brincadeira preferida: jogo dos sete pecados, onde \u00e9 faz\u00edamos um enorme c\u00edrculo no ch\u00e3o com giz, e as crian\u00e7as ficavam dentro desta redoma e um chamava o nome do outro e gritava: P\u00c1RA! T\u00ednhamos que ficar est\u00e1tuas, feito m\u00famias, o jogador contava sete passos do c\u00edrculo e jogava a bola, quem ficasse inerte ao ataque corria para dentro do c\u00edrculo e estava salvo, \u00f4 \u00e9poca boa.<br \/>\nS\u00f3 era ruim brincar com bola, porque de vez em quando, um in\u00e1bil vinha e chutava a bola para a pista e ploft, a nossa brincadeira estava acabada por conta que os carros n\u00e3o perdoavam, passavam pela bola e a espocava, era triste, quase que uma matan\u00e7a. J\u00e1 assisti a verdadeiros massacres de bolas infantis, o jogo acabava, a partida estava perdida. Mas como crian\u00e7a n\u00e3o desiste f\u00e1cil das coisas, invet\u00e1vamos outra brincadeira e mais outra e mais outra at\u00e9 que nossos pais nos chamassem para entrar em casa, era o fim.<br \/>\nJ\u00e1 contei que a minha inf\u00e2ncia daria um livro, quem sabe um dia eu n\u00e3o sento e escrevo todas as lembran\u00e7as que eu tenho daquele tempo? Acho super poss\u00edvel, tenho tudo gravado na minha caixola, no meu cora\u00e7\u00e3o e na minha imagina\u00e7\u00e3o. Essa semana mesmo, me peguei lembrando do meu tempo de crian\u00e7a, das minhas birras, dos meu choros, das minhas proibi\u00e7\u00f5es e descobertas.<br \/>\nAprendi muito na inf\u00e2ncia, vivi ao m\u00e1ximo a \u00e9poca que segundo os especialistas, \u00e9 a mais importante na vida de uma pessoa, sendo capaz de determinar o futuro do indiv\u00edduo. Meio que acredito nisso, sempre gostei de escrever contos quando era pequenos, est\u00f3rias sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a, pegava livros na biblioteca que eu jamais imaginaria que lesse quando fosse grande, \u00e9 engra\u00e7ado de ver isso.<\/p>\n<div id=\"attachment_144\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/2014-10-12-12.33.56-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-144\" class=\"size-large wp-image-144\" alt=\"Eu em um Natal do passado\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/2014-10-12-12.33.56-1-550x916.jpg\" width=\"550\" height=\"916\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-144\" class=\"wp-caption-text\">Eu em um Natal do passado<\/p><\/div>\n<p>Termino esta cr\u00f4nica com uma dor no peito, com uma saudade inflamada, com um sonho de voltar ao tempo, mas ao mesmo tempo com um orgulho no cora\u00e7\u00e3o. Eu vivi com muita intensidade a minha \u00e9poca de crian\u00e7a, com liberdade, com inoc\u00eancia, com carinho, com seguran\u00e7a dos meus pais, naquela \u00e9poca o mundo ainda n\u00e3o era t\u00e3o nefasto e assustador como hoje. Hoje n\u00e3o temos a seguran\u00e7a de deixar as crian\u00e7as no meio da rua, brincando com os amigos, o cotidiano das p\u00e1ginas policias n\u00e3o nos deixa mentir: est\u00e1 perigoso. J\u00e1 passou o meu tempo, chegou o tempo para outros, e espero profundamente que estes outros vivam como eu vivi, dentro do limite das circunst\u00e2ncias que nos encontramos hoje, viva a inf\u00e2ncia, essa doce experi\u00eancia que plantou em mim e n\u00e3o sai mais nunca, n\u00e3o quero perder os sinais infantis, quero apenas viver em harmonia entre a maturidade e a inf\u00e2ncia. Ser crian\u00e7a todo mundo j\u00e1 foi, agora \u00e9 tempo de ser adulto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto e Imagem: Eduardo Sousa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m das fotografias guardadas em uma caixa preta, onde deposito res\u00edduos do passado, no meu \u00e2mago, ainda existe uma crian\u00e7a. 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