{"id":209,"date":"2014-12-27T13:22:47","date_gmt":"2014-12-27T16:22:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/entreaspas\/?p=209"},"modified":"2014-12-27T13:22:47","modified_gmt":"2014-12-27T16:22:47","slug":"caio-fernando-com-todas-letras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/2014\/12\/27\/caio-fernando-com-todas-letras\/","title":{"rendered":"Caio Fernando com todas as letras"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/caio-fernando-abreu-topo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-210 aligncenter\" alt=\"caio-fernando-abreu-topo\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/caio-fernando-abreu-topo.jpg\" width=\"500\" height=\"322\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/caio-fernando-abreu-topo.jpg 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/caio-fernando-abreu-topo-300x193.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/caio-fernando-abreu-topo-120x77.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Foi uma pena que sua morte tenha ocorrido num momento profissionalmente t\u00e3o especial quanto aquele. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, alguns de suas obras come\u00e7avam a ser publicados em diversos pa\u00edses europeus, tendo boa recep\u00e7\u00e3o. Caio Fernando Abreu morreu, em 25 de fevereiro de 1996, em decorr\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es da Aids. Partiu cedo. Afinal, a despeito do que comumente se pensa, quando se tem 47 anos, ainda h\u00e1 muita coisa para viver, ver, rever e no caso de Caio, escrever.<\/p>\n<p>Se hoje estivesse vivo, Caio certamente ficaria feliz em ver o interesse cada vez maior por seu trabalho. Ou talvez ficasse espantado tamb\u00e9m, pois como ele mesmo dizia que sua escrita andava \u00e0 margem da literatura brasileira. Embora \u00e0 margem, Caio foi um homem de letras: fez das palavras, o seu ganha-p\u00e3o e sua express\u00e3o. Falava de rock, astrologia, drogas e sexo, se entregava sem receios \u00e0 cultura pop, quando isso ainda era conhecido como uma heresia, tanto \u00e0 direita como \u00e0 esquerda, na literatura brasileira.<\/p>\n<p>\u201cNa minha obra aparecem coisas que n\u00e3o s\u00e3o consideradas material digno, liter\u00e1rio\u201d, disse meses antes de falecer. \u201cDeve ser insuport\u00e1vel para uma universidade brasileira, para a cr\u00edtica assumir e lidar com um escritor que confessa, por exemplo, que o trabalho do Cazuza e Rita Lee influenciou muito mais do que Graciliano Ramos,\u00a0isso n\u00e3o \u00e9 liter\u00e1rio e eu gosto de incorporar o\u00a0chulo, o n\u00e3o liter\u00e1rio.\u201d<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mesmo sem ter conclu\u00eddo um curso universit\u00e1rio, trabalhou, desde o fim da d\u00e9cada de 1960, como redator e editor por quase toda sua vida e integrou a equipe de alguns importantes jornais e revistas do pa\u00eds. Sua produ\u00e7\u00e3o para a imprensa \u00e9 vasta: artigos, reportagens, entrevistas, resenhas, cr\u00edticas e editoriais. Na literatura, tamb\u00e9m foi polivalente: escreveu narrativa infanto-juvenil, cr\u00f4nicas, contos, novelas, romances e pe\u00e7as No entanto, foi como contista que Caio F. se destacou e ficou conhecido. \u201cTalvez circunst\u00e2ncias de sua vida tenham sido respons\u00e1veis pela ado\u00e7\u00e3o do conto como sua principal forma de express\u00e3o liter\u00e1ria\u201d, conta Rebeca Farias, professora de Literatura.<\/div>\n<div>De resto, fica uma observa\u00e7\u00e3o. As hist\u00f3rias de Caio- de amor ou n\u00e3o e at\u00e9 mesmo aquelas consideradas pesadas, chulas e tristes \u2013 parecem lembrar que a vida apesar dos pesares, ainda vale a pena ser vivida, como sugere o conto \u201cMorangos Mofados\u201d. O fim desse conto (\u201cFrescos morangos vermelhos. Achava que sim. Que sim. Sim\u201d), remete explicitamente ao livro A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, escritora de quem Caio era um leitor assumido. Nas linhas finais do romance de Clarice, o narrador Rodrigo S.M, angustiado e perplexo com a morte rude de Macab\u00e9a, lembra ao leitor. \u201cN\u00e3o se esquecer que por enquanto \u00e9 tempos de morangos. Sim.\u201d A inesperada recomenda\u00e7\u00e3o do narrador, al\u00e9m de surpreender o leitor, \u00e9 um tanto enigm\u00e1tica .<\/p>\n<p>V\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es podem ser feitas. Uma dela sugere que, diante da morte crua e inevit\u00e1vel da personagem, os morangos representariam a vida. Em outras palavras, Caio Fernando Abreu, nos lembra\u00a0em seus textos que a vida-apesar de, \u00e0s vezes, ser mon\u00f3tona, dolorosa e um tanto tediosa e cruel-, continua sendo a vida. A nossa vida.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Texto: \u00a0Eduardo Sousa || Imagem: Internet<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Foi uma pena que sua morte tenha ocorrido num momento profissionalmente t\u00e3o especial quanto aquele. 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