{"id":217,"date":"2014-12-28T12:54:25","date_gmt":"2014-12-28T15:54:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/entreaspas\/?p=217"},"modified":"2014-12-28T12:54:25","modified_gmt":"2014-12-28T15:54:25","slug":"o-amor-teima-em-ficar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/2014\/12\/28\/o-amor-teima-em-ficar\/","title":{"rendered":"O amor teima em ficar"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/large.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-218 aligncenter\" alt=\"large\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2014\/12\/large-550x351.jpg\" width=\"550\" height=\"351\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Encontrei sua camisa preferida enquanto arrumava a bagun\u00e7a que a gente deixou. Foi o primeiro sinal que reparei de que voc\u00ea continuaria aqui, me arrastando prum punhado de lembran\u00e7a chata, t\u00edpico de relacionamento que acaba. Achei que quando voc\u00ea partisse seria f\u00e1cil porque, sei l\u00e1, achei que a gente ia se acostumando. Mas tem sempre alguma coisa de triste, acredito eu, em algu\u00e9m que vai. Pelo menos pro outro que fica.<\/p>\n<p>Encontrei nossas m\u00fasicas preferidas gravadas nas minhas mem\u00f3rias, sem pretens\u00e3o alguma de sair. E fui cantarolando n\u00f3s dois enquanto colocava meu quarto no lugar, numa tentativa de colocar a vida no eixo, numa tentativa de te tirar de mim. Como se arrancar algu\u00e9m fosse pr\u00e1tico como limpar o quarto. N\u00e3o \u00e9 novidade que falhei em me limpar de voc\u00ea. As nossas fotografias juntos n\u00e3o me deixam mentir.<\/p>\n<p>Ainda na cama, meio quente, daquelas coisas que acabaram de ser largadas, achei o cafun\u00e9 que voc\u00ea me fazia antes de dormir. E pensei: como \u00e9 que a gente se acostuma a aus\u00eancia? Como \u00e9 que eu vou me acostumar sem voc\u00ea? E as aulas de hist\u00f3ria que voc\u00ea dava quando eu n\u00e3o sabia sobre algum assunto, e as mensagens simples que c\u00ea me mandava \u00e0s 15h30 quando sabia que eu s\u00f3 queria que o dia terminasse. E todo dia voc\u00ea fazia quest\u00e3o de me ver bem. Tirando o dia que voc\u00ea me deixou.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o achei que era amor. Digo, eu falaria de amor em outros textos, colocaria amor em outras hist\u00f3rias. Mas n\u00e3o com voc\u00ea. Achei que com a gente tinha passado longe disso. Era paix\u00e3o. Achei que tinha companheirismo, amizade, filme cult, uns porres loucos no meio da semana de trabalho e tes\u00e3o. Se me perguntassem de voc\u00ea, eu n\u00e3o falaria das coisas estranhas que o cora\u00e7\u00e3o faz a gente fazer. Eu diria apenas o quanto meu corpo procurava o seu nas noites frias. Ou do quanto meu corpo ainda te procura.<\/p>\n<p>E para a minha surpresa, de todas as coisas que voc\u00ea deixou, \u00e9 justamente aquele restinho de amor no canto do quarto, que eu nem sabia que tava l\u00e1, que eu mais queria que voc\u00ea tivesse levado. Porque, porra cara, o problema do amor \u00e9 quando ele resolve ficar mesmo depois de tudo j\u00e1 ter acabado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto: Eduardo Sousa || Imagem: Internet<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Encontrei sua camisa preferida enquanto arrumava a bagun\u00e7a que a gente deixou. 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