{"id":355,"date":"2015-01-12T08:00:59","date_gmt":"2015-01-12T11:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/entreaspas\/?p=355"},"modified":"2015-01-12T08:00:59","modified_gmt":"2015-01-12T11:00:59","slug":"self-service-literario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/2015\/01\/12\/self-service-literario\/","title":{"rendered":"Self service liter\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/01\/large-16-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-356 aligncenter\" alt=\"large (16) (1)\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/01\/large-16-1.jpg\" width=\"500\" height=\"339\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/01\/large-16-1.jpg 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/01\/large-16-1-300x203.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/01\/large-16-1-120x81.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu lembro como se fosse hoje, a primeira vez que entrei em uma biblioteca convicto de que ali era um mundo perfeito para crian\u00e7as como eu, que desejavam coisas que n\u00e3o tinham nome ou talvez nem existissem e que andava no mundo dos sonhos e dos contos, de coisas irreais, inexistentes, mas concretas apenas no meu mundo.<\/p>\n<p>Foi na minha primeira escola, onde passei quase toda a minha vida estudantil l\u00e1 (mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria). Estava fazendo a primeira s\u00e9rie, quando a coordena\u00e7\u00e3o da escola resolveu fazer um \u201cself service\u201d de livros toda sexta-feira. Vou explicar melhor. Toda semana a minha turma ia para o sal\u00e3o geral, onde o professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica nos ensinava exerc\u00edcios e depois tinha algumas atividades, din\u00e2micas, eram as conhecidas recrea\u00e7\u00f5es. Para a n\u00e3o felicidade geral da na\u00e7\u00e3o, e para a minha felicidade, a coordena\u00e7\u00e3o tinha mudado de ideia. No lugar da recrea\u00e7\u00e3o, minha turma iria para a biblioteca, onde estariam os milhares \u00a0de livros para gente pegar, levar pra casa, ler e depois trazer de volta.<\/p>\n<p>A biblioteca da minha escola era repleta de livros, acho que deveriam ter se n\u00e3o me engano, uns quinhentos livros no acervo, eram lindos de se ver. Havia livros de tudo, de todo os jeitos, de todas as cores, de todos os tamanhos, infantis, infanto-juvenis, livro de cr\u00f4nicas, de contos, de romance etc.<\/p>\n<p>Foi num desses \u201cself-service\u201d de livros, onde eu encontrei um que se tornaria um dos melhores livros da minha vida. Escolhi, sem saber o porqu\u00ea, A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. Todos os outros pegaram livros infantis, com gravuras, bem coloridos, a cara da inf\u00e2ncia. Eu, pelo ao contr\u00e1rio deles, peguei esse romance de Clarice e levei-o para casa.<\/p>\n<p>A escrita de Clarice foi como um choque para mim, pois bem logo no in\u00edcio, o leitor j\u00e1 percebe de que se trata de uma bomba liter\u00e1ria. Desculpe por falar tanto de Clarice, mas \u00e9 que \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o cit\u00e1-la em rela\u00e7\u00e3o a minha paix\u00e3o pela literatura. Foi atrav\u00e9s dela que virei um leitor ass\u00edduo de cr\u00f4nicas, de contos, de romances, romances policiais, s\u00f3 n\u00e3o curto muito poemas (sei que \u00e9 um erro), mas voltando para o cerne da quest\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>A partir dessa iniciativa da escola, comecei a pegar livros e a ler mais. Tenho orgulho de dizer que comecei a ler de VERDADE (isso mesmo em caixa alta, porque at\u00e9 ent\u00e3o, s\u00f3 lia as coisas da escola, as tarefas de casa e tal) aos dez anos de idade, onde as fantasias infantis fazem morada na mente, onde a imagina\u00e7\u00e3o move o corpo. A sexta-feira tinha se tornado um dia de felicidade e pura alegria, sinto altas saudades daquela \u00e9poca. Nostalgia. Momentos pueris. Sonhos surreais, vontades escabrosas. Puff! Acorda, pra realidade!<\/p>\n<p>Saindo um pouco de Clarice&#8230; Comecei a ler tamb\u00e9m as hist\u00f3rias de Monteiro Lobato, gibis da Turma da M\u00f4nica, que minha m\u00e3e comprava. Abrindo um pequeno par\u00eantese aqui (eu trocava os gibis que eu j\u00e1 tinha lido com os amiguinhos e primos, era um verdadeiro escambo).<\/p>\n<p>Sou eternamente grato \u00e0 iniciativa das minhas professoras, que tiveram essa brilhante ideia, de tirar a cansativa recrea\u00e7\u00e3o e colocar essa &#8220;ostenta\u00e7\u00e3o&#8221; de livros para os alunos. Acredito que se n\u00e3o fosse elas, eu teria demorado bem mais a entrar nesse universo. Mas de uma coisa tenho certeza, n\u00e3o deixaria essa vida, sem ter lido bons livros e ter se apaixonado por bons autores.<\/p>\n<p>Enquanto uns gostavam de jogar de bola, brincar de esconde-esconde ou ent\u00e3o fazer um caos na hora do intervalo, eu ficava lendo os livros, viajando na minha imagina\u00e7\u00e3o, que iam das reina\u00e7\u00f5es de Narizinho at\u00e9 a realidade dr\u00e1stica de Macab\u00e9a. N\u00e3o gosto muito da frase clich\u00ea de que a pessoa pode viajar o mundo lendo um livro, mas convenhamos que a frase tem raz\u00e3o n\u00e9? Viajei e viajo mundos inabit\u00e1veis, inimagin\u00e1veis, abstratos.<\/p>\n<p>Foi assim que conheci o mundo dos livros e n\u00e3o pretendo sair nunca, s\u00f3 quando a luz da vida apagar. A\u00ed meu caro, n\u00e3o tem poema ou cr\u00f4nica, ou muito menos literatura que d\u00ea jeito. \u00c9 hora de partir. Au revoir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto e Imagem: Eduardo Sousa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Eu lembro como se fosse hoje, a primeira vez que entrei em uma biblioteca convicto de que ali era um mundo perfeito para crian\u00e7as&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[87,137,580,586],"class_list":["post-355","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","tag-biblioteca","tag-clarice","tag-self","tag-service"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=355"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/355\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}