{"id":358,"date":"2015-01-12T10:00:58","date_gmt":"2015-01-12T13:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/entreaspas\/?p=358"},"modified":"2015-01-12T10:00:58","modified_gmt":"2015-01-12T13:00:58","slug":"358","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/2015\/01\/12\/358\/","title":{"rendered":"Marcas da inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/01\/large-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-359 aligncenter\" alt=\"large (2)\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/01\/large-2.png\" width=\"500\" height=\"475\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/01\/large-2.png 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/01\/large-2-300x285.png 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/01\/large-2-120x114.png 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se pensa, ser adulto n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o legal assim. Fiz vintes anos, ano passado e t\u00e3o \u00e9 recente,\u00a0<span style=\"line-height: 1.5\">e c\u00e1 pra n\u00f3s, cad\u00ea a gra\u00e7a disso? Queria mesmo era voltar a ter os meus oito, dez anos de idade, voltar para o tempo em que os \u00fanicos problemas era estudar pras provas parciais e bimestrais, n\u00e3o tinha nada de ap1, ap2 e muito menos artigo cient\u00edfico para fazer. Resumindo, na inf\u00e2ncia tudo \u00e9 moleza. Mas quando somos crian\u00e7as desejamos tanto ser adultos, falar como adulto, comer como adulto, fazer o que os adultos fazem&#8230;enfim, ser crian\u00e7a (sendo crian\u00e7a) \u00e9 chato, ningu\u00e9m pode explicar isso.<\/span><\/p>\n<p>Hoje conversando alguns minutos por telefone com uma amiga minha de inf\u00e2ncia, relembrei v\u00e1rias hist\u00f3rias sobre a minha \u00e9poca de crian\u00e7a, tem cada coisa que daria um livro, quem sabe at\u00e9 um best-seller. \u00a0Estou escondendo uma mina de ouro, quem sabe um dia n\u00e3o publique essas est\u00f3rias de um menino traquina como eu? Quem sabe&#8230;<br \/>\nTive saudades das brincadeiras de esconde-esconde, de dar a volta completa pela rua, de pegar a minha bicicleta caloi verde \u00e1gua para andar na pracinha at\u00e9 os meus p\u00e9s pedirem arrego ou cair no asfalto e ralar os joelhos, o que acabava acontecendo na maioria das vezes. Esse \u00e9 um dos pontos negativos de ser crian\u00e7a. Crian\u00e7a cai muito, muito, mais muuuuito mesmo. Acho que enricava as farm\u00e1cias perto da minha casa, comprando band-aind e \u00e1lcool para passar nas feridas da inf\u00e2ncia. Lembro de um epis\u00f3dio interessante&#8230;<br \/>\nEstava eu brincando com os meus outros colegas de corrida. Cada um pegou a sua bike e foi dada a largada. Eu disparei na frente como um louco, pedalava t\u00e3o r\u00e1pido, mas fui ultrapassado por outra bicicleta, depois dei a volta por cima e consegui chegar em primeiro lugar, s\u00f3 que, por\u00e9m todavia, entretanto, como dizem por a\u00ed (alegria de pobre dura pouco), eu cai assim que ultrapassei o ponto de chegada, meu p\u00e9 devido \u00e0s minhas pedaladas dr\u00e1sticas entraram na roda da bicicleta e a queda foi feia. Foi feia!<br \/>\nO mais engra\u00e7ado de tudo \u00e9 que enquanto os outros chegavam e riam da minha queda, eu me levantava, limpava o areal que tinha se apossado em mim, pegava a bicicleta e andava rumo \u00e0 minha casa, n\u00e3o chorava, n\u00e3o demonstrava nenhum resqu\u00edcio de choro ou tristeza ou vergonha, na frente deles eu era forte. Mas da\u00ed quando ultrapassava a porta da minha casa, o meu mundo caia. Caia em choro, em prantos, em gritos, enlouquecia a minha m\u00e3e, dizia que ia morrer, que o corte tinha sido feio demais e bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1&#8230;<br \/>\nMinha m\u00e3e, sempre t\u00e3o atenciosa e preocupada comigo, limpava os ferimentos com \u00e1gua oxigenada, eu desmoronava em choros, parecia que estavam colocando \u00e1cido \u00farico na minha pele, eu n\u00e3o entendia o porqu\u00ea tanto que esse tro\u00e7o do\u00eda nos ferimentos, mas hoje, ah, hoje eu entendo.<br \/>\nAs feridas da inf\u00e2ncia hoje n\u00e3o doem mais, muito pelo ao contr\u00e1rio. At\u00e9 doem, mais a dor \u00e9 de saudades. Saudades de um tempo em que s\u00f3 as cicatrizes de quedas, fotografias manchadas e conversas noturnas com amigos podem fazer lembrar e jamais esquecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto e Imagem: Eduardo Sousa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ao contr\u00e1rio do que se pensa, ser adulto n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o legal assim. 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