{"id":614,"date":"2015-04-05T12:16:18","date_gmt":"2015-04-05T15:16:18","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/entreaspas\/?p=614"},"modified":"2015-04-05T12:16:18","modified_gmt":"2015-04-05T15:16:18","slug":"amor-cru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/2015\/04\/05\/amor-cru\/","title":{"rendered":"Amor cru"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/04\/2014-08-30-05.38.16-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-615 aligncenter\" alt=\"Processed with VSCOcam with t1 preset\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/04\/2014-08-30-05.38.16-1.jpg\" width=\"500\" height=\"724\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/04\/2014-08-30-05.38.16-1.jpg 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/04\/2014-08-30-05.38.16-1-300x434.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/04\/2014-08-30-05.38.16-1-120x174.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pensamentos iam e vinham naquela cabe\u00e7a de cabelos ralos ruivos. Pensamentos sobre o mundo, sobre si mesmo, sobre o outro, queria conhecer a divindade do encontro consigo pr\u00f3prio, mas nunca conseguira isso, sempre que tentava, dava errado, remava remava remava e morria na praia, fazendo jus \u00e0quele \u00a0velho e horripilante clich\u00ea. \u00a0O azul, essa cor ora fria, ora quente, era a sua preferida, tanto \u00e9 que sua casa, rodeada de azuis, chamava aten\u00e7\u00e3o naquela rua de gigantes arranhas-c\u00e9us, de casas cinzas e normais. Estampava a rua com sua cor, com sua vida, mas mesmo assim n\u00e3o tinha descobertas, novidades, nada de novo, tudo do mesmo jeito, no mesmo lugar.<\/p>\n<p>A vida mudaria a partir do momento em que sa\u00edsse do casulo, mas por via das d\u00favidas n\u00e3o sa\u00edra, gostava do enclausuramento volunt\u00e1rio, do estar sozinho, com seus pensamentos loucos e estratosf\u00e9ricos. S\u00f3 que a vida pulou, pulou uma semana e o inesperado aconteceu: resolveu sair para comer fora, fazia muito tempo que n\u00e3o colocava o rosto no mundo, a cara no vento, o corpo na noite e dessa vez, fez diferente, foi em rumo a vida, foi e apenas foi. Decidiu comer sushi, queria alguma coisa leve, nada de fast food ou pizza, \u00a0queria uma coisa leve, se poss\u00edvel crua, por isso entrou num restaurante e pediu uma prato de \u00a0sushi, com bastante shoyo. Fez o pedido ao gar\u00e7om, explicou que queria o salm\u00e3o bem cru, \u00a0especificou os tipos de sushi, de sua prefer\u00eancia e ficou esperando, pacientemente.<\/p>\n<p>O restaurante valia o que era cobrado pelo prato. Tudo harm\u00f4nico, a meia luz, as cores vermelhas, os drag\u00f5es fazendo alus\u00e3o a cultura japonesa, os casais chamegando, os amigos conversando e a solid\u00e3o lhe fazendo companhia naquela noite aparentemente rom\u00e2ntica.\u00a0&#8220;N\u00e3o \u00e9 \u00a0porque a noite est\u00e1 me parecendo rom\u00e2ntica que \u00e9 preciso ter algu\u00e9m para isso ser rom\u00e2ntico&#8221;, pensou para dentro.<\/p>\n<p>Finalmente seu prato chegou, o cheiro do salm\u00e3o entrou em suas narinas, o arroz tinha um aspecto bom, mas o salm\u00e3o n\u00e3o. Provou e odiou, n\u00e3o gostou, se recusou a comer o resto e foi a\u00ed que o destino se encarregou de tomar as suas devidas provid\u00eancias. Quis falar com o sushiman que tinha feito o prato, queria saber porque do salm\u00e3o n\u00e3o estar no ponto e foi ent\u00e3o que aconteceu.<\/p>\n<p>Em meio aos sushis, a bolinhas de arroz, de molho shoyo, de drag\u00f5es japoneses, de casais chatos, de amigos conversando, de meia luz, de noite rom\u00e2ntica, entre wasabi,nigiris, uramakis, temakis, bateu o olho no sushiman e puft! Apaixonou-se. Queria ele, queria o seu dom de fazer sushi, queria tudo, correu para dar um beijo no seu amor cru, s\u00f3 que acabou acordando: era um sonho, um mero e simples sonho. O sonho do amor cru, seu amor pelo sushiman.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto: Eduardo Sousa | Imagem: Internet<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Pensamentos iam e vinham naquela cabe\u00e7a de cabelos ralos ruivos. 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