{"id":906,"date":"2015-06-24T16:42:36","date_gmt":"2015-06-24T19:42:36","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/entreaspas\/?p=906"},"modified":"2015-06-24T16:42:36","modified_gmt":"2015-06-24T19:42:36","slug":"entrevista-uma-conversa-com-xico-sa-sobre-cronica-e-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/2015\/06\/24\/entrevista-uma-conversa-com-xico-sa-sobre-cronica-e-literatura\/","title":{"rendered":"Entrevista. Uma conversa com Xico S\u00e1 sobre cr\u00f4nica e literatura"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_907\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-907\" class=\" wp-image-907 \" alt=\"Cearense, natural da regi\u00e3o do Cariri, Xico S\u00e1 \u00e9 reconhecido nacionalmente por suas cr\u00f4nicas sobre relacionamentos \" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/06\/11541285_865201086892625_932531007_n.jpg\" width=\"360\" height=\"531\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/06\/11541285_865201086892625_932531007_n.jpg 400w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/06\/11541285_865201086892625_932531007_n-300x443.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2015\/06\/11541285_865201086892625_932531007_n-120x177.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><p id=\"caption-attachment-907\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000\">Cearense, natural da regi\u00e3o do Cariri, Xico S\u00e1 \u00e9 reconhecido nacionalmente por suas cr\u00f4nicas sobre relacionamentos.<\/span><span style=\"color: #888888\"> Foto: Luciana Castro<\/span><\/p><\/div>\n<p>A cr\u00f4nica \u00e9 uma conversa, \u00e9 como se tivesse dois amigos conversando numa mesa de bar, h\u00e1 uma proximidade entre o autor e o leitor. Estas s\u00e3o palavras de Xico S\u00e1, \u00a0o cronista e jornalista conhecido nacionalmente por falar de relacionamentos, amor e mulheres.\u00a0\u00a0Em visita ao Cear\u00e1, o escritor concedeu entrevista exclusiva ao Blog Entre Aspas.<\/p>\n<p><strong style=\"line-height: 1.5\">Entre Aspas:<span style=\"color: #ff6600\"> Como escritor cearense, quais as suas refer\u00eancias literatura do Cear\u00e1?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Xico S\u00e1:<\/strong> Foi muito a refer\u00eancia do Cariri dessa poesia mais oral, do cordel, do repente. N\u00e3o s\u00f3 o Patativa, mas a poesia geral do Cariri. A \u00a0letra, a m\u00fasica cearense, \u00e9 algo que me inspira muito. O &#8220;Pessoal do Cear\u00e1&#8221; \u00e9 algo que eu uso muito em cr\u00f4nicas. S\u00e3o letras de m\u00fasica mas eu acho que funcionam como poesia a parte. \u00c9 uma refer\u00eancia permanente, sempre estou escutando. As vezes vou atr\u00e1s das letras do Augusto Pontes para buscar reentender aquilo que aquelas letras dizem, o Fausto Nilo, as letras dele s\u00e3o para mim poesia que funcionam como for. De literatura, eu sempre releio o manifesto da Padaria Espiritual, Moreira Campos, ele eu leio quase toda semana porque \u00e9 muito inspirador. Gosto muito do Pedro Salgueiro, para mim \u00e9 um grande escritor. No final essa pros\u00f3dia cearense, esse humor de resist\u00eancia que o nordestino tem, mas \u00e9 muito mais espec\u00edfico do cearense, t\u00e1 sempre me reabastecendo. Quando eu me afasto um pouco disso eu come\u00e7o a ficar um pouco pobre de repert\u00f3rio. Perco a gra\u00e7a para escrever, \u00e9 uma coisa que eu tenho que recarregar permanentemente.<\/p>\n<p><strong>E.A:<\/strong> <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Esse regionalismo assumido, te causou algum tipo de problema quando voc\u00ea chegou no eixo Rio\/S\u00e3o Paulo?\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Xico: <\/strong>Pelo contr\u00e1rio, eu nunca temia o que eu tava fazendo, eu fui fazendo as coisas e na hora H aconteceu foi o contr\u00e1rio, esse regionalismo virou a meu favor. H\u00e1 muito tempo eu tenho utilizado esse tipo de linguagem na minha cr\u00f4nica. Diferente da velha cr\u00f4nica dos anos 50, 60, com o Rubem Braga e Paulo Mendes Campos. Esses caras s\u00e3o fonte de inspira\u00e7\u00e3o para mim , mas n\u00e3o tinham nenhum acento de uma voz mais marcada com um certo sotaque. Ent\u00e3o, acabou me ajudando muito, esse tra\u00e7o de n\u00e3o ter esquecido ou ter eliminado esse repert\u00f3rio todo que levei daqui. Acho que se eu tivesse tentado alguma neutralidade, se tivesse optado por esse caminho, eu acho que eu teria me tornado mais u na multid\u00e3o, n\u00e3o tinha marcado, como foi o caso.<\/p>\n<p><strong>E.A:<\/strong> <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Voc\u00ea se acha um escritor da resist\u00eancia? Enquanto outros escritores preferem temas mais s\u00e9rios, voc\u00ea faz quest\u00e3o de falar do amor, muitos abandonam o sotaque e voc\u00ea faz quest\u00e3o de reafirm\u00e1-lo.\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Xico:\u00a0<\/strong>Isso nunca foi planejado. Foi muito de como eu sou mesmo. Claro que como eu vi que deu certo logo de cara, eu continuei. Eu n\u00e3o sofri rejei\u00e7\u00e3o por falar desse jeito, isso facilitou com que eu refor\u00e7asse meu tra\u00e7o. Quando eu vejo, estou escrevendo assim naturalmente. Quando eu quero limpar mais o texto, para deixar ao alcance de mais gente, eu tenho dificuldade de fazer isso. Hoje eu parto do pressuposto de que quem quiser, que v\u00e1 atr\u00e1s de entender a palavra, por que se eu ficar explicando cada palavra, o texto fica pobre, cheio de par\u00eanteses. Eu prefiro botar um &#8220;balseiro&#8221; no meio do texto e a pessoa que v\u00e1 procurar saber. \u00a0Porque que a gente faz tanto esfor\u00e7o para aprender outras palavras, outras l\u00ednguas, ent\u00e3o pode procurar por essas tamb\u00e9m. As vezes as palavras n\u00e3o s\u00e3o nem regionais, s\u00e3o de um portugu\u00eas mais arcaico que as pessoas esqueceram.<\/p>\n<p><strong>E.A: <span style=\"color: #ff6600\">Agora falando de cr\u00f4nica. Voc\u00ea como cronista, como definiria esse g\u00eanero?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Xico:\u00a0<\/strong>A cronica eu vejo como um prato feito da alimenta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, \u00e9 uma coisa mais r\u00e1pida. Eu vejo a cr\u00f4nica muito como puxar uma cadeira e ter uma conversa com um amigo. \u00c9 tanto que eu uso muito, que os cronistas em geral usam, que \u00e9 uma coisa que voc\u00ea chama algu\u00e9m pra conversa, meu amigo, meu caro, meu velho&#8230; voc\u00ea puxa o leitor para conversar. \u00a0\u00c9 o g\u00eanero mais lido no Brasil, n\u00e3o \u00e9 o de mais prest\u00edgio, \u00e9 meio o primo pobre da literatura, o que eu acho \u00f3timo, combina mais comigo (risos), \u00e9 uma coisa mais vagabunda dentro da literatura. O Brasil tem mais cronistas geniais do que romancistas geniais. Voc\u00ea pega Rubem Braga, que \u00e9 um caso a parte, porque ele conseguiu ser quase s\u00f3 cronista. Normalmente o cronista ele bate bola em quase todas as \u00e1reas. Eu sou cronista, sobretudo, se me perguntarem uma defini\u00e7\u00e3o seria essa, mas de vez em quando eu fa\u00e7o romance, conto, tenho minha hist\u00f3ria no jornalismo, vou brincando ali em v\u00e1rias \u00e1reas. O Rubem Braga fez pouca poesia, ele \u00e9 mais cronista.<\/p>\n<p><strong>E.A:<\/strong>\u00a0<strong><span style=\"color: #ff6600\">E essa quest\u00e3o da cr\u00f4nica ser uma conversa com um amigo, como voc\u00ea v\u00ea hoje com as redes sociais a proximidade com os leitores?\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Xico:\u00a0<\/strong>Eu acho fant\u00e1stico. Passei a ser lido de verdade depois disso. Antes compravam meus livros mas era pouca a tiragem. Eu passei a ser acompanhado, as pessoas a quererem saber qual minha cr\u00f4nica do dia depois das redes sociais. Antes a cr\u00f4nica tava meio esquecida, antes voc\u00ea pegava o jornal, e quando tinha, era um cronista, isso antes da internet, final dos anos 90. Os jornais impressos n\u00e3o tinham cronistas, com a internet houve o boom da cr\u00f4nica. Mesmo antes das redes sociais, e com elas h\u00e1 um estouro da cr\u00f4nica. Acho que hoje a cr\u00f4nica vive o momento de maior leitura no Brasil. Acho que nem quando voc\u00ea tinha a fartura dos g\u00eanios da cr\u00f4nica, nos anos 50, 60, pouco 70, principalmente nos jornais cariocas, que tinham a turma do Nelson Rodrigues, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Rubem Braga, Clarice Lispector, essa turma toda. Acho que hoje n\u00f3s somos mais lidos do que eles, embora eles sejam infinitamente mais importante pra literatura, por conta dessa quest\u00e3o das redes sociais, desse espalhamento. Alguns escritores tem o temor de gastar assuntos na internet por conta da repercuss\u00e3o na venda do livro. Eu n\u00e3o penso assim e o efeito tem sido o contr\u00e1rio, quanto mais eu sou lido na internet, mais eu vendo livros.<\/p>\n<p>Entrevista: Eduardo Sousa e Luciana Castro | Imagens: \u00a0Luciana castro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cr\u00f4nica \u00e9 uma conversa, \u00e9 como se tivesse dois amigos conversando numa mesa de bar, h\u00e1 uma proximidade entre o autor e o leitor&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[12,13,14,167,229,378],"class_list":["post-906","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-materias","tag-eduardo-sousa","tag-luciana-castro","tag-xico-sa","tag-cronica","tag-entrevista","tag-literatura"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/906","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=906"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/906\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=906"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=906"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/entreaspas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=906"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}