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Durante pandemia, ONG aposta na solidariedade online e ajuda crianças com deficiência intelectual

ONG aposta na solidariedade online e ajuda crianças com deficiência intelectual durante a pandemia

Em meio à crise, encontros virtuais se mostram eficazes possibilitando beneficiar mais crianças do que a ONG estava acostumada

São Paulo, abril de 2020 – Michel tem 16 anos e Malu, 15. Todas as quartas-feiras, durante um ano inteiro, ambos se encontravam em Pinheiros, onde Rafael, um jovem de 14 anos com autismo, os recebiam em casa para momentos de diversão e conexão. Esta é a intenção do trabalho da ONG The Friendship Circle: conectar jovens voluntários a crianças com deficiência intelectual para criar laços de afeto e acolhimento social. Em meio à crise, com o decreto da quarentena, esses encontros cessaram. Mas, e Rafael? Como ficaria ele e mais as 54 crianças e adolescentes paulistanos ajudados pela ONG, presidida no Brasil por Beila Schapiro?

Ao se deparar com essa situação, a presidente logo convocou os 150 jovens voluntários para juntos pensarem em uma solução. Foi quando a ideia de manter a frequência e fazer os encontros de maneira virtual surgiu. “O mundo está se adaptando e nada mais justo que tentarmos também”, explica Beila. Começava ali uma nova realidade no dia a dia da ong, que, em meio ao caos, se mostrou muito mais eficiente do que o esperado.

“As famílias das crianças se surpreenderam, pois tinham a convicção de que o trabalho voluntário não voltaria tão cedo. As crianças se entusiasmaram, afinal iriam continuar a ter momentos lúdicos com duas pessoas com quem criaram um vínculo afetivo”, explica a diretora. Das 55 famílias atendidas, surpreendentemente, apenas duas crianças não se adaptaram ao novo formato.

O mundo online trouxe ainda novas ideias. Alguns jovens voluntários, conhecidos como jovens líderes, que não participam dos atendimento, se juntam para organizar diferentes ações sociais. Eles se mobilizaram com outros voluntários e apoiadores (adultos também) iniciando uma agenda de atividades ministradas por eles, como lives e oficinas.

Entre alguns exemplos disso, a digital influencer Suzana Gullo, mãe de Romeo, falou na última semana sobre a importância da inclusão social. Houve também uma aula de pintura com a artista plástica Patrícia Carparelli. A apresentadora Isabella Fiorentino também trouxe, em outra live, a conscientização do tema. Ainda estão sendo estruturadas possíveis aulas de culinária, contação de histórias, entre outras atividades.

“Tudo isso só nos despertou para ampliar a rede Friendship Circle. Temos a convicção agora de que a tecnologia vai nos permitir beneficiar muito mais crianças com deficiências e, inclusive, expandir nosso trabalho nacionalmente”.

Ela ainda conta que, dentro desta nova realidade, os jovens voluntários poderão mais facilmente dar “match” com crianças mais afastadas e, quem sabe, aumentar o número de atendimentos. Afinal, sem o deslocamento físico, o tempo perdido no trânsito poderia, por exemplo, ser dedicado a outra criança.

“Há quem diga que há males que vêm bem para o bem. No nosso caso, sem dúvidas, estamos vendo que conseguimos beneficiar mais crianças com a crise do coronavírus. Ela que nos forçou a pensar diferente”, finaliza Beila.

The Friendship Circle em números

 

 

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