{"id":1377,"date":"2010-03-02T22:32:16","date_gmt":"2010-03-03T01:32:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/?p=1377"},"modified":"2010-03-02T22:32:16","modified_gmt":"2010-03-03T01:32:16","slug":"entrevista-com-mauricio-garcia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/2010\/03\/02\/entrevista-com-mauricio-garcia\/","title":{"rendered":"Entrevista com Mauricio Garcia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>QUEM \u00c9 ELE<br \/>\n<\/strong>Maur\u00edcio Garcia \u00e9 fisioterapeuta, membro do CETE \u2014<br \/>\nCentro de Traumatologia do Esporte da EPM-UNIFESP,<br \/>\ne gestor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilita\u00e7\u00e3o<br \/>\ne Medicina do Esporte, pelo qual passam ou j\u00e1 passaram<br \/>\nRog\u00e9rio Ceni, Leandro Amaral, Maureen Maggi, Bruno Senna, Lars Grael e at\u00e9 Pel\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1378\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/03\/Mauricio.jpg\" alt=\"Mauricio\" width=\"360\" height=\"551\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/03\/Mauricio.jpg 360w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/03\/Mauricio-300x459.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/03\/Mauricio-120x184.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><\/strong>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Que evid\u00eancias podem indicar ao leigo de que algo<br \/>\nem seu corpo n\u00e3o vai bem?<\/strong><br \/>\nA dor \u00e9 a \u00fanica forma que o corpo tem de se comunicar<br \/>\nque alguma coisa n\u00e3o est\u00e1 bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>E quando existe dor, qual o momento de procurar<br \/>\najuda m\u00e9dica?<\/strong><br \/>\nExiste uma escala anal\u00f3gica da dor que vai de zero a dez. Zero \u00e9 dor nenhuma, dez \u00e9 dor insuport\u00e1vel. Primeiro, portanto, \u00e9 preciso graduar essa dor \u2013 por exemplo, a dor \u00e9 grau tr\u00eas ou grau quatro. Outra aferi\u00e7\u00e3o que podemos fazer \u00e9 sobre a periodicidade e frequ\u00eancia dessa dor. Ocorre todo dia? \u00c9 pela manh\u00e3, quando acorda e pisa no ch\u00e3o? \u00c9 no meio da noite, durante o repouso? Ou apenas durante a pr\u00e1tica esportiva? Ou seja, mensurando, voc\u00ea mesmo consegue identificar muita coisa. Se a dor ocorre no dia seguinte a um treino longo, provavelmente \u00e9 por sobrecarga, o que em muitos casos pode ser resolvido com descanso de um ou dois dias. Agora, quando o grau de dor aumenta e a periodicidade e a frequ\u00eancia s\u00e3o grandes, mesmo com a suspens\u00e3o da atividade f\u00edsica, procure um m\u00e9dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Solu\u00e7\u00f5es caseiras s\u00e3o recomend\u00e1veis?<\/strong><br \/>\nCreio que todos n\u00f3s temos uma farmacinha em casa, uma arnica, um analg\u00e9sico, um gelo etc., al\u00e9m de alguns conhecimentos equivocados. Isso \u00e9 algo cultural, n\u00e3o parece que vai mudar. O problema come\u00e7a quando, mesmo n\u00e3o estando confirmado nenhum processo inflamat\u00f3rio, o indiv\u00edduo recorre aos antiinflamat\u00f3rios \u2013 e foi por esse motivo, da automedica\u00e7\u00e3o, que v\u00e1rios desses medicamentos foram proibidos. Voc\u00ea d\u00e1 um tiro de cartucheira para matar um pardal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>E quanto ao gelo e \u00e0 bolsa de \u00e1gua quente?<\/strong><br \/>\nNas les\u00f5es agudas, recentes, de at\u00e9 tr\u00eas dias em m\u00e9dia, a gente recomenda o uso do gelo, porque quando voc\u00ea tem uma les\u00e3o traum\u00e1tica, ocorre a ruptura de pequenos vasos que acaba por produzir o edema, que \u00e9 o incha\u00e7o. O edema \u00e9 p\u00e9ssimo para a les\u00e3o, porque inibe a contra\u00e7\u00e3o muscular e o processo natural de reparo. Ent\u00e3o, para evitar o incha\u00e7o, pode-se indicar o gelo de imediato, compressivo, de prefer\u00eancia elevando-se o membro lesionado acima da linha do cora\u00e7\u00e3o. De maneira geral, quando a les\u00e3o acontece em regi\u00f5es mais vascularizadas, como os m\u00fasculos, o gelo ajuda (20 minutos, n\u00e3o mais). Quando s\u00e3o regi\u00f5es menos vascularizadas, e superada a fase inflamat\u00f3ria, muitas vezes voc\u00ea coloca gelo e, na realidade, voc\u00ea precisa de um aumento de vasculariza\u00e7\u00e3o, processo que \u00e9 inibido pelo gelo. Ora, 76% das les\u00f5es dos tend\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o acompanhadas de inflama\u00e7\u00e3o, s\u00e3o problemas degenerativos do tend\u00e3o, e a\u00ed o calor \u00e9 recomend\u00e1vel, para que haja uma tentativa de vasculariza\u00e7\u00e3o e de reparo. Nesses casos, o gelo pode trazer algum conforto, \u00e9 verdade, mas n\u00e3o trata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O senhor pratica atividades f\u00edsicas regularmente?<\/strong><br \/>\nSou corredor de rua e fa\u00e7o muscula\u00e7\u00e3o. Corro assessorado, totalizando aproximadamente 55 quil\u00f4metros por semana, naturalmente com alguns dias de reposi\u00e7\u00e3o. Nunca me machuquei. Sentir dores, eu sinto, por\u00e9m s\u00e3o fen\u00f4menos caracter\u00edsticos do corredor, provenientes de mudan\u00e7a de planilha, esfor\u00e7o nas provas, troca de t\u00eanis ou at\u00e9 de treinos de qualidade, que s\u00e3o bastante intensos e que podem trazer algum sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Quem s\u00e3o os &#8220;frequentadores&#8221; do Instituto?<\/strong><br \/>\nHoje h\u00e1 uma busca fren\u00e9tica pela qualidade de vida, como h\u00e1bitos de dormir e comer bem, ter uma rotina social equilibrada e praticar atividades f\u00edsicas. S\u00f3 que muita gente vem se dedicando \u00e0 pr\u00e1tica esportiva sem orienta\u00e7\u00e3o. &#8220;Mexa-se!&#8221; e ponto final. Houve um progresso na conceitua\u00e7\u00e3o do que \u00e9 uma vida saud\u00e1vel e as pessoas nos procuram em fun\u00e7\u00e3o de algumas afec\u00e7\u00f5es ortop\u00e9dicas causadas por sobrecarga. Naturalmente, nos procuram tamb\u00e9m por conta de traumas, quedas, acidentes, problemas degenerativos etc., s\u00f3 que passaram a ter consci\u00eancia de que as les\u00f5es por sobrecarga, que j\u00e1 foram denominadas como overtraining, poderiam ser evitadas com atividades preventivas \u2013 que, ali\u00e1s, \u00e9 parte do que realizamos em nosso servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O que \u00e9 les\u00e3o por sobrecarga?<\/strong><br \/>\n\u00c9 quando voc\u00ea exige de uma estrutura do seu corpo mais do que ela foi preparada para fazer, mais do que \u00e9 compat\u00edvel. Em geral, \u00e9 vi\u00e1vel a atividade que submete a movimentos estruturas como osso, m\u00fasculos, tend\u00f5es e ligamentos, mas voc\u00ea tem que preparar essas estruturas para o esfor\u00e7o a que voc\u00ea quer submet\u00ea-las. Ent\u00e3o, aquele que p\u00f5e na cabe\u00e7a a id\u00e9ia de, por exemplo, \u201ceu quero, um dia, correr uma maratona\u201d, precisa de uma estrat\u00e9gia, que \u00e9 come\u00e7ar a dimensionar todas as estruturas para tal esfor\u00e7o. Num momento inicial, n\u00e3o importa a sua meta mas, sim, a estrat\u00e9gia que voc\u00ea faz para preparar sua estrutura diante da realiza\u00e7\u00e3o desse trabalho. Come\u00e7ar a correr sem assessoria de um especialista em treinamento e ir aumentando a intensidade sem fazer muscula\u00e7\u00e3o, esquecendo-se do alongamento, sem dar ao corpo o repouso adequado, \u00e9 quase certo que traga problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Curioso, pois hoje dispomos de muita informa\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nExatamente, e isso nos leva ao segundo erro cl\u00e1ssico. Surge uma dor no tend\u00e3o, recorre-se a um amigo m\u00e9dico para obter um pedido para uma resson\u00e2ncia \u2013 o indiv\u00edduo lesionado, certo de que o especialista vai mesmo pedir isso, antecipa-se para evitar ir duas vezes ao consult\u00f3rio. E a\u00ed, o que acontece? Ele recebe a resson\u00e2ncia em casa, indevidamente abre e vai ver o laudo. A\u00ed, cai a casa. Porque o m\u00e9dico radiologista \u00e9 obrigado a colocar tudo o que v\u00ea, o hist\u00f3rico do que constatou. Ora, \u00e9 um laudo grande, a pessoa<br \/>\ncome\u00e7a a ler e fala: &#8220;Nossa, tenho seis meses de vida!&#8221; Ou, ent\u00e3o, vai para o final do laudo, descobre que tem uma tendinite patelar, por exemplo, e come\u00e7a a tirar suas conclus\u00f5es. A\u00ed, vem o terceiro erro, que \u00e9 ir a um m\u00e9dico muito famoso, que todo mundo conhece, chamado \u201cDr. Google\u201d, que oferece 230 mil informa\u00e7\u00f5es sobre o tema, grande parte delas muito subjetiva. Ou seja, ele tem acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o ao conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Qual parte do corpo tem maior incid\u00eancia nas les\u00f5es<br \/>\nortop\u00e9dicas?<\/strong><br \/>\nEm geral, o tornozelo, bastante sujeito a entorses. Mas, para os mais esportistas, o joelho \u00e9 um vil\u00e3o, por assim dizer, porque pode afastar o indiv\u00edduo da pr\u00e1tica por um tempo prolongado e, muitas vezes, at\u00e9 incapacit\u00e1-lo para isso. O joelho machucado ou operado pode ficar pior ou melhor ao que era antes, mas igual, nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.omint.com.br\/portal_omint\/jornal\/1002\/ideias.asp\">http:\/\/www.omint.com.br\/portal_omint\/jornal\/1002\/ideias.asp<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>QUEM \u00c9 ELE Maur\u00edcio Garcia \u00e9 fisioterapeuta, membro do CETE \u2014 Centro de Traumatologia do Esporte da EPM-UNIFESP, e gestor do Instituto Cohen de Ortopedia,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":111,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1377","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1377","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/users\/111"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1377"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1377\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}