{"id":3497,"date":"2010-08-30T00:03:40","date_gmt":"2010-08-30T03:03:40","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/?p=3497"},"modified":"2010-08-30T00:03:40","modified_gmt":"2010-08-30T03:03:40","slug":"a-caixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/2010\/08\/30\/a-caixa\/","title":{"rendered":"A Caixa"},"content":{"rendered":"<p>Quando o olhar \u00a0superava \u00a0toda a paisagem aos\u00a0 meus olhos<\/p>\n<p>Eram o mar, as ilhas, o caminho imperial,<\/p>\n<p>Era o Rio de Janeiro, atravessando suas margens, seu cristo e seu p\u00e3o de\u00a0 a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Meus pais a sorrir e eu no mundo encantado de alguns dias<\/p>\n<p>J\u00e1 era volta, entre n\u00e1useas e curvas da estrada delimitada, meu olhar<\/p>\n<p>Uma inspira\u00e7\u00e3o, o aconchego e a vontade de liberdade, que me inspira<\/p>\n<p>Em cada olhar, uma nova express\u00e3o, \u00a0um novo sorriso \u00a0e uma nova vertente.<\/p>\n<p>De uma hora para outra, surge uma reflex\u00e3o, algo inesperado.<\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-3498\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/a-caixa\/caixa\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3498\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/08\/caixa.jpg\" alt=\"\" width=\"361\" height=\"254\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/08\/caixa.jpg 361w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/08\/caixa-300x211.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/08\/caixa-120x84.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 361px) 100vw, 361px\" \/><\/a>A Caixa<\/p>\n<p>Ela est\u00e1 sozinha, um risco permanente<\/p>\n<p>Mas o que faz\u00a0 uma caixa sozinha, em uma estrada que mais parece o tal para\u00edso?<\/p>\n<p>Fui indagado sobre\u00a0 a caixa no bagageiro do \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Mas enfim uma parada naquela travessia e a caixa nomeada a subir de posi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 n\u00e3o tinha aonde sentar, desde o momento em que vi um acento vazio.<\/p>\n<p>Sentaria eu bem atr\u00e1s, no meu lugar a caixa e ela \u00a0era apenas de\u00a0 papel\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu em minha\u00a0 opini\u00e3o formada, quase rejei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o contive.<\/p>\n<p>Indigna\u00e7\u00e3o proferida, cogitei ser menos \u00a0importante que a caixa.<\/p>\n<p>Ouvi\u00a0 o inesperado, a caixa est\u00e1 cheia de seus sonhos<\/p>\n<p>S\u00e3o livros e todos autografados por quem\u00a0 tanto admira, se perdidos ser\u00e3o s\u00f3 mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Acordei naquele instante, a caixa n\u00e3o era a substituta do meu ponto de vista<\/p>\n<p>Era eu e minhas armaduras<\/p>\n<p>Era eu e meus versos, minhas palavras e meus valores.<\/p>\n<p>N\u00e3o me contive e continuei a olhar tal paisagem, agora n\u00e3o mais o mar belo<\/p>\n<p>\u00a0Fixei meu olhar \u00a0na caixa<\/p>\n<p>Entendi meus dias de Paraty e tudo a sua volta, sua feira, seus livros e seus sonhos<\/p>\n<p>Voltas que a vida se certifica em dar, mesmo de t\u00e3o longe<\/p>\n<p>Em t\u00e3o longe olhar, vi em mim mesmo a solid\u00e3o<\/p>\n<p>Vi\u00a0 o quanto \u00a0aquela caixa traria de esperan\u00e7a e de alimento<\/p>\n<p>N\u00e3o eram\u00a0 apenas \u00a0palavras, n\u00e3o eram s\u00f3 esperan\u00e7as<\/p>\n<p>Eram minhas fantasias e minhas ora\u00e7\u00f5es deturpadas<\/p>\n<p>Eram sonhos, hist\u00f3rias mal contadas<\/p>\n<p>Eram meus valores, meus desejos e virtudes<\/p>\n<p>Eram meus defeitos e mazelas, \u00e0s vezes infrut\u00edferas<\/p>\n<p>Era tudo e \u00e9 tudo que existe em mim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o olhar \u00a0superava 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