{"id":3637,"date":"2010-09-12T14:35:02","date_gmt":"2010-09-12T17:35:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/?p=3637"},"modified":"2010-09-12T14:35:02","modified_gmt":"2010-09-12T17:35:02","slug":"reabilitacao-gratuita-para-vitimas-de-avc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/2010\/09\/12\/reabilitacao-gratuita-para-vitimas-de-avc\/","title":{"rendered":"Reabilita\u00e7\u00e3o gratuita para v\u00edtimas de AVC"},"content":{"rendered":"<p>Por: Ana Luiza Machado<\/p>\n<p>O Acidente Vascular Cerebral (AVC), mais conhecido por derrame, tem um hist\u00f3rico assustador. A doen\u00e7a, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), \u00e9 uma das que mais causam limita\u00e7\u00f5es funcionais em todo o mundo, onde 30% a 60% dos pacientes ficam com os membros superiores comprometidos, al\u00e9m de ser, no Brasil, a respons\u00e1vel por 40% das aposentadorias precoces e l\u00edder em mortes. Baseada nestas informa\u00e7\u00f5es a professora- doutora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) K\u00e1tia Karina do Monte-Silva desenvolve estudo para promover a reabilita\u00e7\u00e3o funcional de pacientes p\u00f3s-AVC com sequelas nos membros superiores, aplicando gratuitamente t\u00e9cnicas pioneiras no Norte Nordeste. Apesar da incid\u00eancia da doen\u00e7a, o laborat\u00f3rio ainda disp\u00f5e de vagas para novos pacientes.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 imposs\u00edvel deixar a pessoa com a mesma mobilidade de antes do AVC porque houve uma les\u00e3o, mas trabalhamos para que ela volte a ser independente. \u00c9 o que chamamos de reabilita\u00e7\u00e3o funcional&#8221;, explica K\u00e1tiaKarina. Durante as sess\u00f5es no novo laborat\u00f3rio de neurociencia aplicada da UFPE, ela utiliza t\u00e9cnicas que potencializam os efeitos da fisioterapia e algumas delas foram aprendidas durante o doutorado que fez na Universidade Georg August, em G\u00f6ttingen, na Alemanha e no est\u00e1gio no Institute of Neurology da Universidade College of London, na Inglaterra. &#8220;As novas t\u00e9cnicas s\u00e3o baseadas em estudos recentes da neuroci\u00eancia. Antes, n\u00e3o se sabia ao certo o porqu\u00ea das respostas do organismo a um exerc\u00edcio. Hoje, com o avan\u00e7o da ci\u00eancia e da tecnologia, j\u00e1 se sabe como o c\u00e9rebro funciona ap\u00f3s o AVC&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo a professora, os dois hemisf\u00e9rios do c\u00e9rebro de uma pessoa que nunca teve um derrame &#8220;vivem&#8221; em constante disputa, um tentando inibir o outro. J\u00e1 no c\u00e9rebro de quem sofreu um AVC, essa disputa passa a ser desigual, pois o hemisf\u00e9rio que est\u00e1 comprometido continua sendo atacado pelo outro que n\u00e3o sofreu nenhuma les\u00e3o, e isso compromete a recupera\u00e7\u00e3o do paciente. Da\u00ed surge a t\u00e9cnica de restri\u00e7\u00e3o, que visa inibir ou imobilizar o lado &#8220;bom&#8221; durante seis horas do dia para for\u00e7ar o paciente a voltar a usar o lado doente. &#8220;\u00c9 um erro os pacientes &#8220;esquecerem&#8221; o bra\u00e7o lesado, por exemplo, passando a fazer todas as suas atividades com o que n\u00e3o tem problema. Fazendo isso, eles est\u00e3o dificultando a pr\u00f3pria recupera\u00e7\u00e3o&#8221;, disse K\u00e1tia Karina.<\/p>\n<p>Outras t\u00e9cnicas como a de Estimula\u00e7\u00e3o Transcraniana por Corrente Cont\u00ednua (ETCC), considerada n\u00e3o-invasivas, indolor e com poucos efeitos colaterais, estimulam a \u00e1rea espec\u00edfica do c\u00e9rebro onde ocorreu a les\u00e3o, diferente dos rem\u00e9dios que atuam em todo o organismo. De acordo com a intensidade e dura\u00e7\u00e3o da corrente aplicada, o terapeuta pode promover a diminui\u00e7\u00e3o ou o aumento da atividade cerebral da regi\u00e3o. No caso do paciente p\u00f3s-AVC, as duas regi\u00f5es cerebrais recebem a estimula\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que com finalidades diferentes. A pr\u00e1tica mental, tamb\u00e9m aplicada no laborat\u00f3rio de neuroci\u00eancia, atrav\u00e9s da descri\u00e7\u00e3o detalhada de uma atividade, ajuda a reativar o planejamento motor do paciente, desativado pela n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o. &#8220;Quando passamos muito tempo sem realizar uma atividade o nosso c\u00e9rebro tamb\u00e9m n\u00e3o planeja. Estudos mostram que o simples ato de planejar j\u00e1 envia um est\u00edmulo para o c\u00e9rebro para que ele realize&#8221;, explica a pesquisadora do laborat\u00f3rio de neuroci\u00eancia aplicada da UFPE, Giselle Machado.<\/p>\n<p>Vagas &#8211; Severina Josefa Duda, de 72 anos, v\u00edtima de AVC em maio \u00faltimo, terminou o primeiro m\u00f3dulo da reabilita\u00e7\u00e3o oferecido pela UFPE durante um m\u00eas e est\u00e1 surpresa com os resultados. &#8220;Tive o lado direito do corpo todo comprometido, meu bra\u00e7o vivia dormente, eu n\u00e3o conseguia pegar nem em uma colher, pensei que nunca mais ia fazer nada. Nem o meu cabelo eu penteava. Agora, at\u00e9 penteado eu fa\u00e7o e voltei a fazer as coisas de casa e n\u00e3o dependo mais da minha filha, a minha recupera\u00e7\u00e3o foi r\u00e1pida&#8221;, comemorou.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do aposentado Edvaldo Eliot\u00e9rio dos Santos, 59, que sofreu um AVC h\u00e1 cinco anos, \u00e9 outra. Ele chegou recentemente ao laborat\u00f3rio e sabe que o normal \u00e9 o organismo responder aos est\u00edmulos de forma lenta, por isso n\u00e3o falta a uma sess\u00e3o. S\u00e3o cerca de 30 minutos de fisioterapia convencional tr\u00eas vezes por semana, onde o corpo \u00e9 trabalhado de forma global, seguido por 1h30 de t\u00e9cnicas espec\u00edficas nos membros superiores. &#8220;Quando eu cheguei, tudo o que eu pegava ca\u00eda. Mas com os exerc\u00edcios de coordena\u00e7\u00e3o j\u00e1 estou bem melhor&#8221;, contou Santos.<\/p>\n<p>Apesar das t\u00e9cnicas aplicadas serem consideradas o que h\u00e1 de mais moderno, dos resultados alcan\u00e7ados serem tidos como excelentes e o tratamento oferecido gratuito, ainda \u00e9 pouca a procura de pacientes. O laborat\u00f3rio de neuroci\u00eancia aplicada da UFPE possui v\u00e1rias vagas dispon\u00edveis e os interessados podem se inscrever \u00e0s segundas, quartas e sextas-feiras, das 8h \u00e0s 12h e das 14h \u00e0s 16h, pelos telefones (81) 9103-4199 ou 8824-1448.<\/p>\n<p>Fonte: www.diariodepernambuco.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Ana Luiza Machado O Acidente Vascular Cerebral (AVC), mais conhecido por derrame, tem um hist\u00f3rico assustador. 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