{"id":4171,"date":"2010-10-19T20:22:30","date_gmt":"2010-10-19T23:22:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/?p=4171"},"modified":"2010-10-19T20:22:30","modified_gmt":"2010-10-19T23:22:30","slug":"estudo-diz-que-ter-65-anos-nao-e-unico-criterio-para-estar-na-3%c2%aa-idade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/2010\/10\/19\/estudo-diz-que-ter-65-anos-nao-e-unico-criterio-para-estar-na-3%c2%aa-idade\/","title":{"rendered":"Estudo diz que ter 65 anos n\u00e3o \u00e9 \u00fanico crit\u00e9rio para estar na 3\u00aa idade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Eles fazem dan\u00e7a de sal\u00e3o, dirigem o pr\u00f3prio carro, estudam l\u00ednguas, lotam as academias de gin\u00e1stica, s\u00e3o militantes pol\u00edticos, querem viajar pelo mundo. E t\u00eam mais de 65 anos. Por causa da idade, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) os considera idosos, mas o dif\u00edcil \u00e9 convenc\u00ea-los \u2014 com dias t\u00e3o repletos de atividades \u2014 de que realmente chegaram \u00e0 velhice.<\/p>\n<p>O par\u00e2metro da OMS tamb\u00e9m incomoda os pesquisadores Warren Sanderson, da Stony Brook University, nos Estados Unidos, e Sergei Scherbov, do Instituto de Demografia de Viena, na \u00c1ustria. Os dois decidiram usar outras vari\u00e1veis e sugerir um novo modelo para medir o envelhecimento no mundo. Para calcular quando uma pessoa pode ser considerada idosa, eles avaliaram dados como expectativa de vida, autonomia e grau de depend\u00eancia e tra\u00e7aram o perfil de idosos de todos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>A pesquisa, publicada na revista Science, mostrou que ter 65 anos n\u00e3o pode ser a \u00fanica forma de chamar algu\u00e9m de idoso. \u201cOs idosos de ontem n\u00e3o eram como os idosos de hoje, que s\u00e3o muito mais ativos. O aumento da expectativa de vida e a enorme quantidade de idosos saud\u00e1veis e independentes n\u00e3o podem ser esquecidos. S\u00e3o fatores importantes que v\u00e3o determinar a hora de considerar a chegada da terceira idade\u201d, explica Sanderson ao Correio (leia entrevista).<\/p>\n<table style=\"text-align: justify\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u00a0<\/td>\n<td>\u00a0<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0<\/td>\n<td>\u00a0<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify\">Aos 69 anos, a aposentada e ex-servidora p\u00fablica Maria Lila Coutinho Vilanova \u00e9 um bom exemplo do que os pesquisadores constataram. De segunda a sexta-feira, ela tem a agenda sempre lotada. Viagens, shows, idas a bares e boates ocupam os hor\u00e1rios de Lila, como prefere ser chamada. \u201cFicava triste quando pensava em me aposentar e me perguntava o que ia fazer da vida\u201d, lembra. Hoje, ela n\u00e3o se arrepende, pois tem tempo para se divertir com as amigas e o namorado, Paulo C\u00e9sar, 33.<\/p>\n<p>Sim, Lila namora um rapaz 36 anos mais jovem. Em 2004, ela estava fazendo sua caminhada di\u00e1ria e notou que Paulo C\u00e9sar a observava com muita aten\u00e7\u00e3o. \u201cVi que ele tinha me olhado de uma forma diferente e olhei de volta. N\u00e3o tinha nada a perder e acabei arranjando um namorado\u201d, narra, animada. A diferen\u00e7a de idade n\u00e3o \u00e9 barreira para o namoro, mas um incentivo para que ela se cuide. \u201c\u00c9 \u00f3timo estar ao lado de gente jovem e animada. O que n\u00e3o d\u00e1 \u00e9 para ficar em casa vendo televis\u00e3o e esperar a vida passar\u201d, aconselha.<\/p>\n<p>A filha de Lila, a agr\u00f4noma Ana Carolina Vilanova, 25 anos, apoia a postura da m\u00e3e. Tanto \u00e9 que o pr\u00f3ximo presente de anivers\u00e1rio que dar\u00e1 a ela ser\u00e1 uma viagem ao Caribe, que far\u00e3o juntas. Para manter o pique, a aposentada n\u00e3o descuida da forma f\u00edsica. \u201cSe existe algo que eu gosto de fazer, \u00e9 pilates\u201d, conta. Disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o falta: \u00e0s 8h da manh\u00e3, Lila est\u00e1 na aula.<\/p>\n<p><strong>Qualidade de vida<\/strong><br \/>\nA presidenta da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Geriatria e Gerontologia, S\u00edlvia Pereira, concorda com a proposta de Sanderson e Scherbov. Segundo ela, a idade n\u00e3o deve ser o \u00fanico crit\u00e9rio para classificar uma pessoa como idosa. \u201cO que n\u00f3s estamos vendo \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 ficando mais velha e com mais qualidade de vida\u201d, aponta. A m\u00e9dica considera o aumento do n\u00famero de idosos no Brasil uma conquista. Hoje, eles s\u00e3o 21,5 milh\u00f5es, ou 11,4% da popula\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos melhor do que h\u00e1 60 anos, quando n\u00e3o havia tanta conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o assunto\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma palavra-chave para a professora aposentada Maria Jos\u00e9 Ribeiro, 68 anos. Desde a juventude ela participa de atividades pol\u00edticas e at\u00e9 hoje \u00e9 militante. \u201cEstava na universidade, em Goi\u00e1s, em 1968, e vivi tudo aquilo (per\u00edodo da ditadura militar). Hoje, a gente ainda tem o sonho de ajudar a mudar o pa\u00eds\u201d, afirma. Maria Jos\u00e9 n\u00e3o teve filhos, mas criou os seis sobrinhos em Bras\u00edlia \u2014 a irm\u00e3 e o cunhado morreram quando eles eram crian\u00e7as. Hoje, todos s\u00e3o adultos e trabalham.<\/p>\n<p>O dia dela costuma ser bem cheio. Cuida da casa, estuda espanhol, faz dan\u00e7a de sal\u00e3o e vai \u00e0 gin\u00e1stica com as amigas. \u201cTenho que preencher a vida com coisas agrad\u00e1veis. Conviver com amigos e ainda me exercitar com eles \u00e9 motivo de crescimento\u201d, afirma. A aposentada tamb\u00e9m tem muitos planos. A pr\u00f3xima viagem \u2014 um trajeto religioso por Portugal, Espanha, It\u00e1lia e Fran\u00e7a \u2014 ser\u00e1 a primeira ao exterior. Depois, deseja conhecer a \u00cdndia. \u201cAcho que tenho que ir \u00e0 luta para seguir vivendo. \u00c9 tudo quest\u00e3o de vontade. Quem quer sai de casa e aproveita a vida.\u201d<\/p>\n<p>A geriatra Luciana Pricoli nota que os idosos de hoje n\u00e3o s\u00e3o incapazes e aponta dois aspectos para isso: a independ\u00eancia e a autonomia. A primeira, segundo a m\u00e9dica, diz respeito ao aspecto f\u00edsico, \u00e0 capacidade de ir e vir. J\u00e1 a autonomia \u00e9 a possibilidade de gerir a pr\u00f3pria vida e ter independ\u00eancia mental. \u201c\u00c9 importante que o idoso envelhe\u00e7a com sa\u00fade e com autonomia mental, ou seja, com a cabe\u00e7a boa para contornar limita\u00e7\u00f5es\u201d, explica.<\/p>\n<p>Waldemar Lauro Cardoso, aposentado, 83 anos, \u00e9 conhecido no Lar dos Velhinhos Maria Madalena, no Park Way, por ser o \u00fanico idoso do local a sair para passear no pr\u00f3prio carro. H\u00e1 11 anos, ele se separou e decidiu que era hora de descansar. Mudou-se de An\u00e1polis (GO) para Bras\u00edlia, j\u00e1 com a inten\u00e7\u00e3o de morar no lar, onde pode receber cuidados. \u201cChega uma hora em que a gente se cansa e quer cuidar mais de si mesmo. Hoje em dia eu leio muito, jogo pife-pafe com meus amigos e, claro, dirijo\u201d, conta. Em seu quarto, Waldemar exibe outro de seus hobbies, a cole\u00e7\u00e3o de chap\u00e9us de couro. \u201cO pessoal me acha com cara de fazendeiro e me d\u00e1 esses chap\u00e9us. Eu rio e guardo como lembran\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>As sess\u00f5es de hemodi\u00e1lise por conta de problemas nos rins n\u00e3o s\u00e3o suficientes para desanim\u00e1-lo. \u201cFico cansado, mas nada de ficar muito tempo parado\u201d, observa. Como a maior parte da fam\u00edlia mora em Ceres e em An\u00e1polis, ele aproveita o carro e dirige at\u00e9 as duas cidades para visitar o filho, Fl\u00e1vio Cardoso, 46 anos, os irm\u00e3os e os netos. \u201cTem gente aqui que acha perigoso que eu conduza nessas viagens, mas gosto de me sentir independente e livre\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>DADOS DO IPEA<\/strong><br \/>\n<em>Estudo recentemente divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) mostra que a popula\u00e7\u00e3o brasileira pode estar \u201csuperenvelhecida\u201d. Entre os anos de 1992 e 2009, a popula\u00e7\u00e3o brasileira saiu de 7,9% para 11,4% dos brasileiros. Enquanto isso, o n\u00famero de jovens com menos de 15 anos diminuiu de 33,3% para 24% na mesma \u00e9poca. Para os t\u00e9cnicos do Instituto, a partir de 2030, os \u00fanicos grupos populacionais que apresentar\u00e3o crescimento positivo ser\u00e3o os com idade maior que 45 anos. A pesquisa tamb\u00e9m mostrou que os brasileiros com mais de 45 anos ser\u00e3o 56,3% da popula\u00e7\u00e3o em idade ativa. De acordo com a coordenadora de Popula\u00e7\u00e3o e Cidadania do Ipea, Ana Am\u00e9lia Camarano, o novo quadro deve pedir adapta\u00e7\u00f5es das empresas, como a ado\u00e7\u00e3o de medidas voltadas para a sa\u00fade ocupacional, adequa\u00e7\u00e3o de estrutura f\u00edsica e capacita\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas.<\/em><br \/>\n<strong><br \/>\nPALAVRAS DE ESPECIALISTA<\/strong><\/p>\n<p><strong>V\u00e1rias faces da velhice<\/strong><br \/>\n\u201cQuando se fala em velhice, a gente n\u00e3o pode delimitar. A velhice tem v\u00e1rias caras. H\u00e1 idosos que ficam somente em casa, existem os que t\u00eam e usam o tempo livre para o lazer e os que ainda precisam trabalhar para sobreviver. Al\u00e9m disso, temos de separar duas quest\u00f5es. A primeira \u00e9 a forma de envelhecimento, na qual consideramos as doen\u00e7as cr\u00f4nicas, o bem estar, o lazer, o aproveitamento do tempo livre. O outro ponto \u00e9 a parte das pol\u00edticas p\u00fablicas. Nesse item, o Brasil melhorou muito. Temos os direitos do idosos, mas \u00e9 importante lembrar que ainda h\u00e1 camel\u00f4s idosos que trabalham mais de 10 horas por dia sob o sol. Mesmo assim, acredito que essas realidades v\u00e3o ajudar a direcionar o andamento de pol\u00edticas p\u00fablicas no pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p><strong>Rosa Maria da Exalta\u00e7\u00e3o Cotrim<\/strong>, professora do Instituto de Ci\u00eancias Humanas da Universidade Federal de Ouro Preto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fonte: Correio Brasiliense.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles fazem dan\u00e7a de sal\u00e3o, dirigem o pr\u00f3prio carro, estudam l\u00ednguas, lotam as academias de gin\u00e1stica, s\u00e3o militantes pol\u00edticos, querem viajar pelo mundo. 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