{"id":4226,"date":"2010-10-25T23:29:30","date_gmt":"2010-10-26T02:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/?p=4226"},"modified":"2010-10-25T23:29:30","modified_gmt":"2010-10-26T02:29:30","slug":"na-bahia-pesquisadores-comecam-tratamento-experimental-com-celulas-tronco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/2010\/10\/25\/na-bahia-pesquisadores-comecam-tratamento-experimental-com-celulas-tronco\/","title":{"rendered":"Na Bahia, pesquisadores come\u00e7am tratamento experimental com c\u00e9lulas-tronco."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Na Bahia, pesquisadores come\u00e7am tratamento experimental com c\u00e9lulas-tronco O experimento \u00e9 para vinte brasileiros parapl\u00e9gicos ou tetrapl\u00e9gicos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tatiana Sabadini<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A medula espinhal \u00e9 a grande condutora de impulsos nervosos e motores entre o c\u00e9rebro e o resto do corpo. Quando ela sofre alguma les\u00e3o, a comunica\u00e7\u00e3o se interrompe. Os bra\u00e7os e as pernas n\u00e3o mais respondem e a pessoa fica paralisada. Para tentar interligar o sistema novamente, os cientistas apostam no poder das c\u00e9lulas-tronco adultas. Em Salvador (BA), 20 brasileiros se preparam para passar por um tratamento \u2014 com resultados promissores em laborat\u00f3rio. As c\u00e9lulas ser\u00e3o retiradas dos pr\u00f3prios volunt\u00e1rios, multiplicadas e inseridas na \u00e1rea lesionada. A ideia n\u00e3o \u00e9 curar, mas trazer mais qualidade de vida e maior mobilidade para parapl\u00e9gicos e tetrapl\u00e9gicos.<\/p>\n<p>A pesquisa, realizada no Hospital S\u00e3o Rafael, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), come\u00e7ou h\u00e1 cinco anos. Na fase experimental, o tratamento foi feito em c\u00e3es e gatos parapl\u00e9gicos, que sofreram traumas por conta de acidentes. \u201cFizemos a cultura das c\u00e9lulas-tronco desses animais e depois as colocamos na les\u00e3o. Com uma cirurgia, instalamos o material na cicatriz fibrosa e tivemos um bom efeito\u201d, explica Ricardo Ribeiro, imunologista, especialista em terapia celular e coordenador da pesquisa.<\/p>\n<p>Durante o estudo com animais, os resultados mostraram uma melhora no controle das fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas urin\u00e1rias e intestinais. Eles tamb\u00e9m esbo\u00e7aram uma maior mobilidade nos movimentos, mas como \u00e9 muito dif\u00edcil aplicar atividades de fisioterapia nos bichos, elas n\u00e3o se desenvolveram, de acordo com o pesquisador. \u201cAcreditamos que a parte de reabilita\u00e7\u00e3o depois da implementa\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas vai ser um fator fundamental para a efic\u00e1cia do tratamento. N\u00e3o adianta nada ligar o fio, se n\u00e3o trabalharmos o m\u00fasculo\u201d, comenta Ribeiro.<\/p>\n<p>Para participar da pesquisa foram escolhidas 20 pessoas com paraplegia, com pelo menos seis meses e no m\u00e1ximo dois anos de trauma, que n\u00e3o tiveram corte completo da coluna e foram lesionados em acidentes de carro ou em piscinas. A ideia dos pesquisadores, nessa primeira fase, foi padronizar o grupo para analisar melhor os resultados. \u201cN\u00e3o come\u00e7amos pelos casos mais graves, para tentar avaliar essas chances de recupera\u00e7\u00e3o desde o come\u00e7o\u201d, diz o coordenador do projeto.<\/p>\n<p>A paraplegia acontece quando a les\u00e3o na medula espinhal \u00e9 na coluna tor\u00e1cica e tem como consequ\u00eancia a perda do movimento dos membros inferiores. Quando o problema acontece na cervical, determina uma tetraplegia, com a perda da sensibilidade dos membros inferiores e superiores. \u201cNo tetrapl\u00e9gico, a les\u00e3o \u00e9 muito alta e mais complexa. Por isso, nessa nova fase vamos evitar a complexidade e pegar os casos um pouco mais simples. Dependendo do tipo de melhora e conforme o tratamento evoluir, vamos ampliar para outros pacientes\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Desafio<\/strong><br \/>\nQuando a medula sofre um trauma, o tratamento \u00e9 primeiro emergencial e depois de intensa fisioterapia. Para Alexandre Foga\u00e7a, m\u00e9dico do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), o grande desafio da ci\u00eancia \u00e9 encontrar uma alternativa para n\u00e3o s\u00f3 melhorar, mas para curar a les\u00e3o. \u201cA comunica\u00e7\u00e3o entre o c\u00e9rebro e o corpo \u00e9 cortada. Atualmente, a primeira solu\u00e7\u00e3o quando isso acontece \u00e9 descomprimir a coluna. Depois, colocamos uma placa de metal para o indiv\u00edduo voltar a ter um certo equil\u00edbrio. Mas podemos dizer que a les\u00e3o n\u00e3o tem tratamento. Nos \u00faltimos anos, estamos buscando um que seja eficaz\u201d, comenta o ortopedista.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, o Hospital das Cl\u00ednicas realizou um estudo similar com c\u00e9lulas-tronco adultas. Trinta pacientes participaram da pesquisa: 66% deles voltaram a registrar um impulso nervoso na medula espinhal. Eles apresentaram uma melhora na mobilidade, mas n\u00e3o na for\u00e7a. \u201cOs pacientes tinham mais de dois anos de les\u00e3o e acreditamos que isso tenha influenciado. Uma fisioterapia complementar talvez tivesse sido necess\u00e1ria. \u00c9 preciso analisar bem esses dados. No momento, estamos planejando outros trabalhos desse tipo\u201d, revela Foga\u00e7a.<\/p>\n<p>A pesquisa em Salvador come\u00e7ou a ser colocada em pr\u00e1tica no in\u00edcio de setembro, quando quatro volunt\u00e1rios tiveram c\u00e9lulas-tronco retiradas da medula da bacia. Logo em seguida, elas foram levadas para cultivo no laborat\u00f3rio \u2014 onde permanecem de duas a tr\u00eas semanas. \u201cGeralmente, a concentra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas \u00e9 pequena para realizar o tratamento, por isso colocamos enzimas para aumentar a prolifera\u00e7\u00e3o, de 1% para 99%. \u00c9 um trabalho muito minucioso, feito com muito cuidado para controlar o processo, porque as c\u00e9lulas podem facilmente se transformar em tumorais. S\u00e3o horas de observa\u00e7\u00e3o\u201d, explica Ribeiro.<\/p>\n<p>A segunda fase \u00e9 injetar as c\u00e9lulas-tronco no local da les\u00e3o, por meio de uma cirurgia. A cicatriz do paciente \u00e9 aberta e o material \u00e9 injetado no local da les\u00e3o. \u201cAcreditamos no potencial das c\u00e9lulas, porque elas podem ter a capacidade de formar novos nervos ou de produzir fatores para estimular um aumento de crescimento das fibras nervosas necess\u00e1rias para tratar o trauma\u201d, explica Ribeiro.<\/p>\n<p>Os pesquisadores esperam que os resultados possam ser percebidos nos primeiros dois meses depois da aplica\u00e7\u00e3o. Uma equipe multidisciplinar se prepara para acompanhar todo o processo. \u201c\u00c9 claro que n\u00e3o queremos transformar os pacientes em atletas ou maratonistas, mas esperamos que eles tenham uma melhor qualidade de vida, principalmente no controle dos esf\u00edncteres uretral e anal\u201d, diz o imunologista. O tratamento deve continuar com fisioterapia intensiva, e os volunt\u00e1rios v\u00e3o ser acompanhados durante dois anos, per\u00edodo necess\u00e1rio para que se chegue a alguma conclus\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Fonte: correio braziliense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a rel=\"attachment wp-att-4227\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/na-bahia-pesquisadores-comecam-tratamento-experimental-com-celulas-tronco\/dna\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-4227\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/10\/dna.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"1301\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/10\/dna.jpg 550w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/10\/dna-300x710.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-content\/uploads\/sites\/55\/2010\/10\/dna-120x284.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Bahia, pesquisadores come\u00e7am tratamento experimental com c\u00e9lulas-tronco O experimento \u00e9 para vinte brasileiros parapl\u00e9gicos ou tetrapl\u00e9gicos Tatiana Sabadini A medula espinhal \u00e9 a grande&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":111,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4226","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4226","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/users\/111"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4226\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4226"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4226"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/fisioterapiaesaude\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4226"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}